Leia o testemunho de Pascuala, uma cristã perseguida de Chiapas

  
 
Pascuala (foto tirada em abril de 2011) 
MÉXICO (*) - Pascuala estava com 14 anos quando, em uma noite comum, ficou cuidando de seus irmãos, um sobrinho e uma sobrinha. Pascuala estava dormindo quando os caciques foram queimar sua casa. Ela acordou a tempo de alertar sua família. Alguns membros da família não estavam em casa, mas as quatro crianças foram assassinadas, baleadas ou queimadas enquanto tentavam fugir. Pascuala foi baleada e abusada fisicamente. Ela só sobreviveu porque fingiu estar morta. Fraca e sangrando, ela caminhou por muitas horas até chegar a um hospital.


Ela ficou com 27 projéteis em seu corpo e pescoço na época, tudo porque não negou sua fé em Jesus. Apesar de ter sido baleada, abusada e quase morta sendo apenas uma adolescente, tendo sua casa incendiada e sua família assassinada, ela não está se lamentando, ou tendo pena de si mesma. Ao invés disso, ela passa seus dias confortando outros, visitando outras mulheres que ficaram viúvas ou desabrigadas. Um de seus ministérios é ensinar trabalhos manuais para essas mulheres, para que possam se sustentar e ter uma renda. Nesses 35 anos depois do ataque, ela construiu seu ministério, e agora centenas de mulheres procuram por ela para buscar consolo, conselhos e ajuda. Leia parte de seu testemunho:

Quando eu me lembro daqueles dias, no início, me sinto triste. De repente, meus sentimentos podem se perder em um buraco escuro. Desde a época em que fui perseguida, minha vida inteira mudou, em todos os aspectos. Perdi minha família e minha casa. Fisicamente, a dor de minhas feridas era muito difícil de suportar. Não conseguia mover meu corpo como antes.

Além de ter que começar uma nova vida, eu estava com medo. Eu não falava espanhol. Eu tinha uma irmã viúva, e pude tomar conta de sua filha para que ela pudesse arranjar um emprego. Os dias eram muito longos, pois eu ficava escondida por medo. Durante aquela época, eu pensei que Deus não iria me ajudar. Em minha solidão, não pensei que teria um futuro. Eu não sabia o que fazer. Foi assim durante cinco anos.

Naquela época, uma cristã chamada Elena me encorajou a aprender espanhol. Ela se ofereceu para me ensinar, se eu quisesse. Eu disse que sim, e que iria até a casa dela. Minha vida começou a mudar. 

Eu conhecia um missionário chamado Canute que foi muito importante para mim. Ele me amava muito, e percebi que Deus estava curando minha alma através desse carinho. Um dia, ele me disse que eu deveria ir para os Estados Unidos; eu respondi que pensava que não poderia ir, por causa da documentação. O irmão Canute disse que eu precisava confiar em Deus. Meu pastor, Miguel Caslon, me ajudou com os documentos, mas eu continuava questionando se Deus realmente queria que eu fosse para aquele país.

Algumas igrejas nos Estados Unidos me convidaram para contar meu testemunho. Quando fui, deixei que as pessoas tocassem os ferimentos de bala em meu corpo. Alguns irmãos começaram a chorar. Aquilo tocou o meu coração. Eu percebi que eles realmente sentiam a minha dor. Algo novo começou a acontecer. A alegria e a paz do Senhor foram derramadas sobre mim. Fazia muito tempo que eu não sorria. Meu Deus estava comigo! Eu não estava sozinha! Minha fé começou a crescer. Eu voltei para o México com nova esperança e novas expectativas. 

Eu continuei aprendendo a ler. Agora, consigo ler minha Bíblia e saber mais sobre meu amado Jesus.

De acordo com os costumes do meu povo, estava chegando o momento de me casar. Eu sou indígena, e garotas indígenas não podem conversar com garotos. Se um rapaz quer ser namorado de uma garota, ele deve ir até seus pais e pedir a mão dela. No meu caso, ele precisaria pedir para meu pastor.

Em um domingo, percebi que havia um novo rapaz na igreja. O pastor me disse que Manuel era filho de uma irmã que estava orando para que ele se reconciliasse. Logo depois disso, Manuel disse para o pastor que gostaria de se casar, e o pastor foi falar comigo. Eu não sabia nada sobre Manuel, então eu disse que não.

Logo depois, conheci Pedro, um jovem cristão indígena, que parecia bom para mim. Eu conversei com meu amigo missionário sobre ele. Então ele disse: ‘Vamos ver se ele é bom para você’. Alguns dias depois, vi Pedro com outra garota, e eles estavam muito próximos. Eu fiquei muito chateada. Então, o irmão Canute foi conversar com Pedro, e ele não falou nada. Meu estômago doía e estava muito triste. Então decidi orar. Eu clamei a Deus, dizendo que eu precisava de um marido. Três anos depois, me casei com Manuel. Nosso Deus sempre tem um plano pra nós.

Desde então, meu desejo é ajudar as pessoas que são perseguidas por causa de Jesus. Eu comecei a compartilhar com outros, de que há esperança em Jesus, porque eu mesma entendi isso quando estava sozinha. Entrei em contato com a Portas Abertas; eles me encorajaram a continuar com esse amor. Eu tinha o desejo de ajudar as mulheres indígenas através de evangelismo e artesanato. Com a ajuda da Portas Abertas, pude conseguir tecidos para a costura e artesanato.

O desejo do meu coração é dedicar meu tempo a Deus. Minha convicção é ajudar e amar a Igreja Perseguida, porque eu sinto a dor deles. Eu vou para lugares aonde ninguém mais vai, porque eles precisam de Jesus. Se Deus me permitiu passar pela perseguição, foi por uma razão: para proclamar o Seu nome.

Tradução: Missão Portas Abertas

* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo.
Fonte: Portas Abertas