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05 janeiro 2016

Escatologia, história e ideologia

Por Gutierres Fernandes Siqueira


OBS: Neste trimestre escreverei uma série de artigos sobre escatologia. Acompanhe aqui o tratamento de diversos assuntos envolvendo esse rico tema da teologia cristã.

As ideologias seculares, especialmente a partir de Hegel (1770-1831), propõem uma história linear, progressiva, que se desenrola até um ponto. Vulgarmente, para o ideólogo a mera obediência a certas diretrizes torna a história um caminho com propósito e direção. A progressão dos fatos é normalmente entendida como um avanço contínuo que desemboca no sentido, na realidade última. A própria ideia de utopia traz em seu bojo a “consumação histórica”. O nazismo, em sua loucura, entendia que estava em uma missão para esterilizar o mundo das raças impuras. O progresso contínuo desembocaria no triunfo do arianismo. Os comunistas acreditam, ainda hoje, que o desenvolvimento da sociedade precisa passar pela sociedade sem classes, nem que para isso seja necessário suprimir a democracia e o Estado de Direito, todavia esse grande dia chegará! Os liberais, ou libertários, acreditam que o desenvolvimento econômico gerará um futuro inevitável de prosperidade e democracia e, para isso, basta o encerramento das amarras estatais. O neoconservadorismo acredita na ideia que a força é capaz de exportar a democracia americana pelo mundo, assim trazendo estabilidade e paz para ambientes conturbados como o Oriente Médio. Sim, todos acreditam em um final feliz.

O que une todas essas ideologias? Como já dito; o progresso contínuo cominando no estado perfeito é verdadeiro pano de fundo. A ideologia, assim, se comporta como uma religião milenarista. (Aliás, a ideologia é uma religião sem espiritualidade, pois todos os outros elementos estão igualmente presentes e distribuídos). Há fases de juízo, milênio e redenção. O protagonismo do homem sempre está presente na ideologia. Seja usando o Estado ou o mercado, a guerra ou a revolução, o homem pode progredir e impulsionar o motor da história.


Infelizmente, há cristãos que pensam igualmente. Esses esquecem que a escatologia cristã não propõe uma história linear, mas sim a própria transposição da história para a pessoa de Cristo. Cristo é o centro, e não o progresso contínuo. Não é o estado eterno, não é a redenção final, mas Cristo é o ponto focal. É Ele quem divide a história no antes e depois. É a partir dele que vivemos “os últimos dias”. Jesus não é apenas um personagem que permite o desenvolvimento da história do mundo (numa perspectiva pós-milenista) ou a destruição progressiva do mesmo (numa perspectiva pré-milenista). Ele é o próprio sentido da história, ou melhor, a história é transtornada por Ele desde o seu nascimento, ou melhor, desde a plenitude dos tempos. “Em Jesus Cristo, o Logos já não é o reino das ideias, dos valores e das leis que regem a história e lhe dão um sentido, é Ele próprio história”, como escreveu o teólogo Hans Urs Von Balthasar[1]. Ou resumindo, a escatologia precisa ser cristocêntrica, como qualquer teologia cristã realmente séria. 

O excesso de milenarismo na teologia joga no homem, e não em Cristo, a expectativa do protagonismo, assim como as ideologias seculares fazem. Há quem pense que o final dos tempos será uma revisão das Cruzadas onde próprio crente pode ser um novo soldado de Cristo para derrotar os mouros. Outros dizem que somos a “última geração antes do arrebatamento”. Ora, como ter tal certeza? Logo porque uma geração é constituída em 25 anos e qual a garantia que tal privilégio caberá a nós? Certa vez conheci um pastor, já falecido, que dizia que não experimentaria a morte, pois o Senhor havia revelado o seu arrebatamento. Outros podem pensar como o anabatista Jan van Leiden (1509-1536), que como “profeta”, dizia ter recebido a incumbência do próprio Deus para ser governador da Nova Jerusalém. “A paranoia muitas vezes é um protesto contra a insignificância”, como escreveu John Gray sobre o milenarismo secular.[2] Da mesma forma, na teologia cristã o excesso de expectativa sobre os fatos futuros pode apagar o advento  e resplendor de Cristo em nome da preocupação pelos tempos e estações. O crente esquece que o ator histórico por excelência é o próprio Cristo e, assim, quer fazer parte ele mesmo de algo extraordinário e magnífico para apagar a sua própria insignificância histórica. Não é à toa que alguns atrevidos pretendem calcular o tempo da vinda de Cristo e detalhar em demasia os fatos sobre o futuro, sendo eles mesmos os atores centrais dessas tramas.

Todos os excessos do milenarismo poderiam ser evitados ao lembrar as últimas palavras de Cristo nesta terra: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade” (Atos 1.7). Amém? Sejamos menos curiosos sobre os tempos e mais esperançosos em Cristo.



[1] BALTHASAR, Hans Urs Von. Teologia da História. 1 ed. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2010. p 19.
[2] GRAY, John. Missa Negra: Religião Apocalíptica e o Fim das Utopias. 1 ed. Rio de Janeiro:  Editora Record, 2008. p 306.