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19 julho 2016

Lição 04: O Juízo de Judá e de Jerusalém (Jovens)



A profecia de Isaías foi escrita para ensinar que o bem-estar adquirido à custa da exploração do pobre desencadeia a opulência e a ganância, que são pecados que confrontam a santidade de Deus. O cerne de todos esses pecados diz respeito ao sentimento de orgulho, que desafia a soberania e a vontade de Deus. O resultado do orgulho é o total descaso para com a Palavra de Deus e os valores espirituais nela contidos. As implicações dessa atitude são viver como se Deus não existisse, em completa ignorância intencional em relação a sua Palavra e propósitos. Isso feito, o ser em rebelião dá vazão ao próprio ego, a fim de concentrar todas as atenções em si mesmo. Quando o homem desviado de Deus vive para alimentar seus desejos, empreende opressão aos que estão à sua volta. Diante disso, a mensagem do profeta traz às claras os enganos da visão humana rebelada contra a vontade de Deus.

I - A INJUSTIÇA E A OPRESSÃO DE UM POVO
Atualmente, a palavra justiça significa o cumprimento de uma lei moral que leva em conta a equidade e a igualdade entre todas as pessoas. Para o judeu, justiça era sinónimo de seguir as exigências da Lei de Deus. O colapso da nação era iminente para Isaías, por haverem pervertido o juízo ou trocado o que seria justo pelo injusto. Situações como essa sempre acabam prejudicando aqueles que não têm como se defender, como o fraco, o pobre, o órfão e a viúva (Is 1.17, 23). Os líderes privaram os pobres e oprimidos da justiça e ainda roubaram o órfão e a viúva (Is 3.14; 10.2). Os dois reinos de Israel (Norte e Sul) tinham saído da situação de pobreza para uma ascensão económica só comparável ao tempo do rei Salomão. Mas, como geralmente acontece ainda hoje, o desenvolvimento da agricultura e de outros bens só foi conseguido à custa dos injustiçados.
1. A opressão oficializada
Os tempos de prosperidade de Judá trazem junto sua apostasia, embora a prosperidade não seja necessariamente má. Parece soar estranho ser essa a denúncia do profeta Isaías às autoridades e ao povo dessa nação. Se considerarmos que a prosperidade era vista como bênção de Deus (SI 35.27), como entender essa profecia de juízo? Em outras palavras, tais denúncias não tinham nenhum fundamento. Qual a origem dessa suposta prosperidade? Pelo exposto na citação do salmista, os benefícios do Senhor são para aqueles que amam a justiça. Assim, existe um aspecto que não pode ser esquecido, o de que não pode haver prosperidade do Senhor sem a obediência à sua justiça.
Em decorrência desse enfoque, pode-se considerar, diante das injustiças em todos os níveis da sociedade de Judá denunciadas pelo profeta, que essa prosperidade não vinha do Senhor, mas sim a partir da exploração do pobre. No tocante a esse contexto, nos dias da profecia, as autoridades de Judá viviam uma anarquia no governo (Is 3.4); os governantes agiam de forma imprudente, corrupta e leviana (Is 3.12); quem tinha chances de oprimir alguém, o fazia deliberadamente (Is 3.5a); e foi instalado o desrespeito contra o idoso (Is 3.5b). As autoridades, de acordo com Paulo, são constituídas por Deus (Rm 13.1) para promover o bem, sendo ministros de Deus para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal (Rm 13.4). Todavia, as autoridades de Judá promoviam a injustiça e, consequentemente, a desigualdade social.
Sempre existiram desigualdades em Israel; mas no tempo dos profetas, elas adquiriram grandes proporções. Houve um crescimento acentuado de distanciamento social, político, religioso e económico entre os ricos e os pobres. Nesta linha de pensamento, Deus está para tirar de Judá seu cuidado e proteção. Afinal, os governadores e sacerdotes tinham grandes responsabilidades de guiar o povo de acordo com a Palavra de Deus. Neste sentido, quando Deus confere privilégios a pessoas ou grupos específicos, proporcionalmente os chama a grandes responsabilidades, em decorrência do favor recebido. A partir de então, esses escolhidos e separados devem servir e cuidar dos interesses dos mais necessitados. A esse respeito, Jesus ensinou que “o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve” (Lc 22.26). Porém, as autoridades de Judá não obedeciam a esse princípio; antes, exploravam os pobres numa opressão oficializada.
2. A injustiça como instrumento de triunfo
As autoridades e líderes de Judá tiravam proveito de sua posição privilegiada para se enriquecer. Estabeleceram-se, então, práticas contrárias à justiça de Deus. Contudo, usavam o nome do Senhor para enfatizar a prosperidade de Judá. A respeito disso, tomavam o nome do Senhor em vão (Êx 20.7). Diante disso, o mandamento ensina que os representantes de Deus e o povo não podiam tomar alguma coisa sagrada e empregá-la de forma indevida. Por essa razão, as autoridades e os líderes de Judá estavam desobedecendo ao mandamento. Afinal, estavam tomando o nome santo de Deus com o objetivo de camuflar e ocultar suas injustiças. Por isso, muito cuidado com o que fazemos em nome de Deus, pois o engano do coração pode levar a cometer até mesmo erros graves em nome de Deus.
A partir desse contexto, percebe-se a inversão de valores sintetizada nas decisões e atitudes dos líderes de Judá. Ao tratar dos direitos e deveres do povo, esses líderes legislavam em causa própria e, consequentemente, estavam enganando os cidadãos de Judá, mostrando o caminho errado (Is 3.12). Assim, o profeta acusava as autoridades e os líderes de Judá, por intermédio da profecia, que eles estavam roubando, esmagando e explorando os pobres (Is 3.14-15). A esse respeito, Deus ordena a seu povo que faça valer a justiça em benefício daqueles que não têm voz (Pv 31.9), visto que o Senhor se levanta de seu trono devido a opressão do necessitado e do gemido do pobre, para trazer segurança aos que o anseiam (SI 12.5). Os pobres também pertencem ao povo de Deus. Por esse motivo, Ele defende a causa dos necessitados e castiga aqueles que defraudam o povo por meio da extorsão.
3. A injustiça no mundo atual
Hoje, vivemos dias parecidos com os de Isaías, a exemplo daquele contexto de Judá, em uma sociedade altamente corrompida e com elevada desigualdade social, pecados esses denunciados pelo profeta. Paulo nos adverte a respeito de “tempos trabalhosos” dos últimos dias (2 Tm 3.1). Essa expressão traz a ideia do surgimento de extremo desvio da Palavra de Deus, quando os falsos mestres parecem se multiplicar. O apóstolo dos gentios descreve as principais características destes homens sem Deus, que tem aparência de piedade, mas negam a eficácia dela (2 Tm 3.5). Em outras palavras, esses mestres apresentam uma falsa aparência. A partir de então, passa-se a perceber que algumas pessoas na atualidade se encontram enganadas, contaminadas, alienadas e influenciadas por ensinos de falsos mestres, que rejeitam a verdade do evangelho, ensinando mentiras, visto serem homens amantes de si mesmos (2 Tm 3.2), que, em suas atitudes, exaltam a injustiça. Deus reprova em sua palavra privar alguém de algo que lhe pertence ou a que tem direito por meio da exploração (Lv 25.36).
A Bíblia condena a preguiça e incentiva as pessoas a trabalharem (Pv 6.6). Esse aspecto evidencia o propósito de Deus com o trabalho. Toda pessoa tem direito de desfrutar os resultados de seu serviço, visto ser dádiva de Deus (Ec 3.13). Portanto, o trabalho denota a bênção de Deus e sempre teve um papel fundamental na cidadania e na dignidade do homem. Por isso, nos dias atuais, os governantes, por meio de leis, precisam proteger e defender os direitos e deveres dos trabalhadores. A Constituição Federal garante a todos os cidadãos brasileiros o acesso ao trabalho justo e digno, que permita a integração social e a distribuição de renda, coibindo a espoliação e exploração e, consequentemente, punindo aqueles que praticam a injustiça.
Diante disso, a Igreja tem a capacidade e a responsabilidade dadas pelo Espírito Santo, sendo ela a representante do Reino de Deus e uma das respostas de Deus ao mundo que sofre, de profetizar contra as injustiças nas esferas sociais, políticas, religiosas e económicas. Os mecanismos de denúncias podem ser efetivados em decorrência da política e da denúncia profética, como fez Isaías, como também por meio de ações sociais que combatam as injustiças, os problemas e os sofrimentos do povo em sua origem. Todo esse mal deve ser combatido pela prática do bem. Isso se confirma no discurso de Paulo, que orientou os membros da Igreja de Tessalônica, em seus relacionamentos, a nunca pagar ao outro mal por mal. Antes, procurar sempre praticar o bem entre eles e para com todos (1 Ts 5.15). Nesse sentido, o testemunho toma-se o ponto chave do ministério cristão (Mt 5.16). A capacidade para testemunhar vem por mediação do Espírito Santo, que capacita o cristão a ser de acordo com a imagem e semelhança de Cristo. “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (At 10.38). Com base nessa verdade, a Igreja foi ungida para ser o instrumento da justiça divina num mundo caído e corrompido pelo pecado.

II - A ARROGÂNCIA QUE CEGA
A principal característica da arrogância é a cegueira. A arrogância só consegue pensar em si mesma e é desprovida de todas as informações ao redor. A superioridade é o sentimento do indivíduo arrogante. Sua vaidade impede de ver as outras pessoas como iguais. Não considera Deus em seus caminhos justamente por só conseguir enxergar a si mesmo como alvo de atenções. O arrogante estabelece suas próprias leis que o beneficiam em detrimento do bem-estar coletivo. Para essa pessoa, Deus é seu rival. Por isso, o Senhor condena a arrogância (Pv 8.13). Só os humildes e quebrantados podem desfrutar da presença plena de Deus (Mt 5.8).
1. A descrição de arrogância pelo profeta
O profeta descreve de forma clara que os atos de Jerusalém e Judá eram praticados em rebelião contra Deus. Mesmo os líderes sabendo que o Senhor estava contemplando seus atos, o desafiavam em público. Conforme a denúncia do profeta: “Porque Jerusalém está arruinada, e Judá, caída; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor, para desafiarem a sua gloriosa presença. O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem” (Is 3.8-9 - ARA). As lideranças políticas de Judá e Jerusalém chegaram à certeza de que poderiam viver tranquilamente sem o senhorio de Deus. A elite da religião e os anciãos, que eram tidos como pessoas de respeito, achavam-se em conluio com o poder político. E, estando ensoberbecidos, agiam como se Deus não existisse e, se pelo menos Ele existisse, era uma pessoa desprezível e passível de ser zombada, estando presente a contemplar os atos e palavras de escárnio. O resultado dessa arrogância é o desprezo pelas pessoas mais fracas, explorando-as como se não fossem a imagem e semelhança de Deus. O roubo aos pobres é denunciado pelo profeta de maneira veemente, delatando a prática de tirar o alimento da mesa dos necessitados (Is 3.14-15).
Da mesma forma, a disciplina de Deus alcançaria as mulheres da classe mais abastada de Jerusalém. O profeta descreve o contraste que será observado entre o estado atual e o vindouro na vida delas. Em vez dos perfumes, sentiriam o cheiro da podridão dos mortos. Os vestidos preciosos seriam trocados por roupas de escravos. A beleza daria lugar às cicatrizes provindas do período de angústia e privações do cerco de Jerusalém. Acreditava-se que várias das joias e perfumes descritos pelo profeta continham poderes mágicos de atrair bons fluídos e espantar os espíritos maus. Esse modo de agir vinha das crendices populares resultantes da prostituição cultual.
2. Um pecado abominável
A arrogância ou orgulho é um pecado tão antigo e, ao mesmo tempo, tão atual que infecta a alma de cada geração de seres humanos. É um atrativo castelo de pedras que resiste à idade do homem. Trata-se de uma fortaleza invencível para qualquer indivíduo que tem a petulância de escalá-la.
A principal arma do orgulho é o poder. Desde Adão, todos os seres humanos possuem em si mesmos uma voz que lhes impulsionam a desejar o poder, não se importando quais sejam os meios, pois só assim será feliz e realizado. A voz ao ouvido de Eva ainda soa a suposta traição de Deus ao esconder o poder da vista do Homem. O desejo de poder foi o cerne da tentação no Éden. A violação do poder consiste em pensar que se sabe ou que se pode mais do que Deus. O poder que Deus confere ao homem na criação é a capacidade de cuidar e gerir a natureza. Mas o homem em pecado viola esse princípio quando quer estender seu domínio aos outros homens, ao ponto de controlar e explorar seus semelhantes.
Assim, quem busca o poder de maneira descontrolada supõe que pode fazer os rumos de uma instituição se desenrolar conforme sua vontade egoísta, seja esta organização religiosa ou não. Quando o desejo de ter mais poder toma o coração do homem, ele começa articular em força e astúcia, com o objetivo de alcançar e deter mais poder. Há dois tipos de arrogantes: os zombadores de Deus e os aliados dEle. O desprezo por Deus é evidente na vida de alguns que buscam o poder, por saberem que Ele detém sua glória que não será dividida com a criatura. Por outro lado, num mundo faminto de poder, há homens que dizem ser aliados de Deus por almejarem o que Ele tem: todo o poder. Os aliados de Deus geralmente se concentram nas esferas da religião, que é o espaço mais propício para se alcançar o poder a partir da verdadeira fonte. Em nome de Deus, adquire-se com facilidade o domínio dos corpos e consciências de outros indivíduos. Depois de ter o coração embriagado pelo poder, o indivíduo não o devolve mais. É preciso que isso seja tirado dele.
3. Os males do orgulho
A idolatria é um pecado resultado do orgulho não só a partir da veneração aos outros deuses, mas reside também no fato de criar um deus que atenda as paixões e desejos humanos. Assim, criar um deus que atenda todas as expectativas humanas é o desejo do indivíduo em pecado, pois, em rebeldia ao senhorio de Deus, a fantasia pelo desejo de independência o impele aos ídolos, que figuram a fonte dos caprichos pecaminosos do homem. Tem-se um deus passível de ser controlado e que atende todos os desejos egoístas da humanidade. Esse deus se toma como nós. Essa é a procura humana pelos ídolos que nada são (1 Co 8.4), com objetivo de se tomar igual a Deus.
O indivíduo intoxicado pelo orgulho tem dificuldades para empatia até mesmo com a própria família. Todos os seus desejos são ocupados pela necessidade de autopromoção, de manter e conquistar mais espaço. Essas pessoas sacrificam relacionamentos familiares e fraternos para dedicar tempo e consciência na escada do “reconhecimento”. A perda da sensibilidade em relação aos sentimentos das pessoas é inevitável. Indivíduos embriagados de poder e orgulho transformam pessoas de nomes para simples números. O orgulho tende ao acúmulo de poder e tira proveito, explora e usa pessoas como objetos. Pode-se chamar isso de cultura narcisista. O narcisista fantasia um conceito elevado dele mesmo, imagina-se com ilimitado poder, inteligência, beleza, amor e sucesso. O exibicionismo, a autoglorificação, o egoísmo, a divinização do ser, são sentimentos que alimentam carências e fantasias de indivíduos orgulhosos.
O desprezo pela mudança é outro sintoma de que nada vai bem com o coração orgulhoso. As velhas estruturas devem ser substituídas a partir de quando se tomam pesadas demais para responder as demandas da sociedade atual. O narcisista tem aversão a mudanças, principalmente se a sugestão não partir dele, pois receia perder o controle. A cegueira do poder desencadeia o sentimento de prepotência em relação ao seu depósito de conhecimentos, mesmo que ultrapassados. Esse é um dos motivos de falência das empresas e da irrelevância das instituições religiosas, quando engodadas por orgulho e poder, nada tem a oferecer e nada tem a dizer à sociedade.

III - A MISERICÓRDIA E A JUSTIÇA DE DEUS
O profeta tem a mente iluminada por Deus, que lhe possibilita uma tomada de consciência e discernimento, um forte senso de justiça e o conhecimento dos grandes dilemas do seu povo e do seu tempo. Isaías prediz a ruína de Judá e Jerusalém (Is 3.8). No entanto, também profetiza a futura felicidade de Jerusalém (Is 4.2). A restauração acontece por meio do juízo, castigo e purificação da cidade pelo Senhor, onde toda a impureza e os crimes de morte serão exterminados (Is 4.4). Deste modo, a glória de Deus cobre e protege o seu povo (Is 4.5). Diante desse cenário, os cidadãos de Jerusalém exaltam a soberania de Deus e, consequentemente, a sua justiça, que traz justificação, redenção e santidade a todos aqueles que se arrependem dos seus maus caminhos.
1. O profeta prediz a ruína
Ruína significa “aquilo que está quebrado e destruído” (Lc 6.49; At 15.16). A partir dessa definição, pode-se imaginar a dificuldade do profeta de anunciar o juízo de Deus, tendo em vista a prosperidade de Judá e Jerusalém. Essa vida próspera era demonstrada na infraestrutura da cidade, belos edifícios e belas residências, um esplêndido comércio com as mais variadas mercadorias e o poder público oferecendo segurança para os cidadãos. As mulheres ricas andavam pelas ruas da cidade com seus enfeites, colares, brincos, vestidos luxuosos e perfumes caros (Is 3.19-24). Diante desse cenário de opulência, como pensar em ruína e destruição? No entanto, o povo de Judá, com suas palavras e ações, estava desafiando a Deus e ofendendo sua gloriosa presença (Is 3.8). A prosperidade da elite dominante de Judá custou um alto preço, a espoliação e a opressão do pobre. A consequência dessa atitude das autoridades e líderes de Judá se estabelecia no juízo iminente de Deus.
Independentemente da situação de prosperidade ou calamidade, o justo sairia bem. Todavia, o ímpio iria mal. Deus chama seu povo para prestar conta dos talentos que recebeu (Mt 25.19). Todo abuso, omissão e injustiça cometidos, teriam que ser punidos mediante a justiça de Deus. Todos aqueles que prosperaram por meio da opressão e espoliação, não se importando com as necessidades dos pobres, estavam debaixo da ira do Senhor (Is 3.14). Eles traziam sobre si mesmos o castigo da sua própria maldade (Is 3.9). Outro dado importante remete à semeadura. Quem semeou o que era mal colherá o mal. Consequentemente, o mal que fizeram aos outros será feito contra eles (Is 3.11). Contudo, para os justos, havia promessas de dias felizes, de sonhos realizados e satisfação com o fruto do trabalho (Is 3.10). Apartir do juízo, percebe-se a importância da justiça de Deus, a qual determina o presente e o futuro de todo ser humano.
2. Humildade: símbolo da dependência de Deus
A soberba fez com que as autoridades e líderes de Judá se esquecessem de Deus. Uma das características deste estado de espírito se mostra na autossuficiência. O amor às riquezas é a raiz de todos os males (1 Tm 6.10) e tem levado muitas pessoas à independência de Deus, formatando indivíduos narcisistas e egocêntricos. No encontro de Jesus com o jovem rico, apesar do belo currículo apresentando pelo rapaz, Cristo denunciou, por meio de seu olhar amoroso e perceptível, um vazio no coração daquele homem. A denúncia foi clara: “falta-te uma coisa”. O que faltava então? Vender tudo o que ele possuía e dar o dinheiro aos pobres, visto que teria um tesouro no céu. Depois, deveria vir e seguir a Jesus. Contudo, o jovem ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas (Mc 10.17-31). A grande dificuldade desse jovem estava na soberba e autossuficiência, visto que Jesus chamou a atenção que ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. O cristão não pode servir a Deus e as riquezas (Mt 6.24). Esse aspecto evidencia onde se localizam as prioridades e os valores das pessoas, já que onde estiver o nosso tesouro, aí também estará o nosso coração (Mt 6.21).
A humildade nada mais é do que nossa humanidade reconhecida; querer ser humano é ser humilde, querer ser como Deus é do maligno. A principal característica de Jesus era a sua humildade como servo, evidentes em dois aspectos importantes: a rejeição e o desprezo pelo seu povo (Is 53.1-2). No tocante a esse ponto, Paulo destaca a atitude de Jesus como exemplo de proceder de todos os seus seguidores. Ele comenta que, “embora Jesus sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tomando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Fp 2.6-8 - NVI). Desse modo, Jesus conseguiu expressar toda a sua humanidade baseada na humildade, pois Ele é manso e humilde de coração (Mt 11.28). A humildade é símbolo da dependência de Deus. A partir desse conceito, pode-se entender o discurso de Jesus sobre quem é o maior no Reino dos céus. Ele disse: “portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.” (Mt 18.4 - NVI). Assim, quem não se tomar humilde e dependente do pai como uma criança não poderá entrar no Reino de Deus (Mt 18.3).
3. A justiça de Deus
Deus reage contra a injustiça, já que a justiça faz parte da natureza de Deus (SI 145.17). A respeito disso, no contexto das escrituras vetero e neotestamentárias, o que é creditado como justiça não são as obras, mas sim a fé (Gn 15.6 - NVI). Essa justiça pela fé produz obras na vida do justo em decorrência da graça de Deus. Esse conceito é evidenciado pelo profeta Habacuque (Hb 2.4) e na teologia paulina (Rm 1.17). O justo viverá da fé. Dessa maneira, a origem da verdadeira justiça se determina em Deus. Ele é o criador, doador e sustentador da retidão, que estabelece princípios fundamentais dessa justiça. Nesse sentido, os governantes e sacerdotes de Judá tinham todas as condições dadas por Deus para estabelecer a justiça divina. Eles, no entanto, provocaram o juízo do Senhor, ignorando seus preceitos justos e estabelecendo a injustiça como instrumento de triunfo dos abastados de Judá.
Deus se utiliza da boca do profeta para transmitir sua sentença ou seu juízo. No contexto dos profetas, juízo diz respeito à execução da justiça de Deus num cenário social corrompido e injusto. Esse aspecto evidencia o tempo em que Deus se manifesta numa sociedade judaica totalmente corrompida e desviada de sua vontade, que, por meio de seus pecados, mostra a verdadeira face das ilusões carnais. Alguns profetas como Joel (2.1,11) utilizam o termo “dia do Senhor” como sendo esse encontro dos pecadores com o Deus santo em execução do seu juízo. A função profética sempre esteve junto com questões sociais e políticas. O profeta de Deus é também porta-voz de uma mensagem que anuncia, denuncia e alerta diante de situações presentes e conhecidas e, neste capítulo, o profeta denunciou a injustiça e a arrogância. Que nossos corações sejam humildes diante de Deus para reconhecer quando precisamos de arrependimento. Que nossa dependência de Deus seja evidente em atitudes, palavras e pensamentos.


Autor: Claiton Ivan Pommerening
http://www.ensinadorcristao.com.br/2016/07/licao-04-o-juizo-de-juda-e-de-jerusalem.html