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17 agosto 2016

Lição 08: A Evangelização dos Grupos Religiosos (Adultos)






Introdução
Embora estejamos num século indiferente a Deus, o ser humano nunca se acercou de tantos ídolos, mitos e divindades. Até mesmo os ateus aferram-se aos seus deuses, pois temem não o porvir, mas o presente. Os que se opõem a Jesus incensam falsos messias e salvadores. Quanto aos irreligiosos, o que diremos? Têm eles as suas religiões, nas quais buscam refugiar-se nas tempestades da vida. Infere-se, de todo esse quadro, que o homem moderno continua a ser o mesmo homo religiosus descoberto pela antropologia nas sociedades tidas como primitivas e atrasadas.
O homem, por sua vocação, jamais deixará de ser religioso. Que o digam os santuários, capelas e templos espalhados pela cidade e encravados no campo. Por essa razão, o evangelista há de preparar-se, a fim de expor a mensagem da cruz até mesmo aos que, presumindo-se evangélicos, jamais experimentaram o poder do evangelho. Somente Jesus Cristo conduz à verdadeira religião.

I. RELIGIÃO, NECESSIDADE OU INVENÇÃO
Afinal, o que é a religião? Invenção divina? Ou necessidade humana? Se partirmos do pressuposto de que Deus, como o Criador de todas as coisas, nada precisa inventar, concluiremos que a verdadeira religião não é invencionice divina, mas a expressão máxima do amor que levou o Pai Celeste a enviar o Filho a morrer em nosso lugar. O homem, porém, ao afastar-se de Deus, endeusou-se, e pôs-se a inventar as mais absurdas seitas e as mais esdrúxulas religiões.
1. Religião, religar ou reler. A palavra hebraica traduzida ao português como “religião” é avodháh, que, entre outras coisas, significa trabalho e adoração. Se formos ao grego do Novo Testamento, constataremos que o termothrêskeia, usado por Tiago, não traz a ideia de uma religião meramente formal, mas evoca a adoração que Deus requer de cada um de nós (Tg 1.26). A religião, portanto, não deve circunscrever-se à liturgia, mas ampliar-se no serviço que a criatura tem de prestar continuamente ao Criador. É por isso que, no inglês, a palavra “culto” é traduzida pelo vocábulo Service.
Examinemos agora o mesmo termo em latim. O vocábulo religio é interpretado de duas formas que, embora distintas, são harmônicas. Buscando o étimo exato do referido termo, o orador romano Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.) explica que religio provém do verbo latino relegere, que ostenta este significado: reler. Mas que leitura deve o homem retomar? Sem dúvida, daquilo que Deus nos inscreveu na alma, para que jamais o esquecêssemos. Não é uma explicação despropositada, pois ainda que mortal, a criatura traz no espírito a eternidade do Criador. Ouçamos o sábio de Israel: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3.11).
Sem a eternidade que nos vai na alma, a religião seria impossível. Mas, posto que lá se encontre, insta-nos a deixar o tempo para comungarmos com o Eterno. Eis por que Cícero, apesar de desconhecer os profetas hebreus, interpretou tão bem o significado da religião. Todas as vezes que lemos o que Deus nos escreveu no coração, somos tomados de um almejo muito grande por sua companhia.
Agostinho (354-430) dá outra interpretação à palavra religio. No entender do grande doutor da Igreja Cristã, o termo não significa propriamente reler, mas religar. Essencialmente, porém, não há diferenças substanciais entre a sua acepção e a de Cícero, porque ambas remetem-nos ao encontro pessoal que a criatura almeja ter com o Criador. Conclui-se, pois, que a religião verdadeira é serviço, adoração, releitura da alma e um religar entre a criatura e o Criador. Mas tudo isso só é possível por intermédio de Jesus Cristo, o único medianeiro entre o homem e Deus, porquanto Ele é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.
2. Religião, necessidade universal. Ao chegar a Atenas, deparou-se Paulo com uma metrópole entregue aos ídolos e aprisionada à idolatria. Naquela cidade, era mais fácil encontrar um deus do que um homem. Em todas as esquinas, havia um nicho; em cada praça, um santuário; em cada logradouro, um templo. O apóstolo observou também que, entre todos aqueles altares, havia um consagrado ao Deus Desconhecido.
Tendo como ponto de partida aquele insólito objeto de culto, Paulo utilizou-o, a fim de mostrar aos filósofos epicureus e estoicos as bases da verdadeira religião. Ele deixou-lhes bem claro que o sentimento religioso, que é universal, deve ser centrado apenas no Deus Único e Verdadeiro. Ouçamos o apóstolo:
Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos; porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: Ao Deus Desconhecido. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração. Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos. (At 17.22-31, ARA)
Esse belíssimo discurso, que em nada fica a dever aos mais celebrados oradores gregos e latinos, faz um resumo do verdadeiro conhecimento divino e da finalidade da religião. O apóstolo, sem condenar diretamente a religião da Grécia, mostra indiretamente a supremacia da religião de Israel que, fundamentada na pessoa de Cristo, é tão única e verdadeira quanto Verdadeiro e Único é Deus.
Conclui-se, pois, que o anseio religioso é universal. Não há povo, nação ou raça que viva à parte de cultos e devoções. Tal anseio, porém, tem de ser carreado a Deus, e não aos ídolos e aos demônios, pois o Senhor não partilha sua glória com ninguém.
3. Religião, separação e invenção. Deus não apenas é o criador da verdadeira religião, mas a verdadeira religião em si. Toda a nossa adoração, serviço e culto devem ter, como alvo supremo, glorificar-lhe o nome. Por isso, Ele ordena ao seu povo, Israel, no preâmbulo dos Dez Mandamentos:
Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Êx 20.2-5, ARA)
Mas o homem, descumprindo as ordenanças divinas, inventou, a partir de si e para si, as mais estúpidas e abomináveis religiões, conforme Paulo escreve aos romanos:
A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. (Rm 1.18.27, ARA)
Nessa passagem, Paulo mostra como evoluiu a religião humana. Ao ignorar o Criador, os gentios puseram-se a adorar a criação. E, de forma abominável, rebaixaram-se a servir à madeira, à pedra e ao metal. Havia deuses inclusive de ouro, como aquela imensa estátua erguida por Nabucodonosor. Como um abismo sempre chama outro abismo, eis que as gentes, principalmente as cananeias, lançaram-se aos atos mais hediondos. Os adoradores de Baal-Peor despojavam-se na permissividade. Quanto aos devotos de Moloque, não se conformando em incensar o horrível ídolo com as práticas mais licenciosas, punham-se a queimar seus filhinhos, a fim de aplacar a ira daquele deus tão assassino quanto seus adoradores.

II. MITOS SOBRE A RELIGIÃO
Sendo o homem um ser religioso, vem ele cristalizando, ao longo de sua romaria espiritual, alguns mitos em torno da religião. Tais mitos, na verdade, não passam de subterfúgios, que o levam a esconder-se da face divina. Isso significa que, frente à nossa vocação religiosa, há tão somente duas alternativas: ou adoramos ao Deus Único e Verdadeiro ou não o adoramos. Se não o adoramos, a quem estamos cultuando? A nós mesmos ou a Satanás?
1. Mito um: todas as religiões são boas. Se há tão somente duas religiões, como podemos afirmar que todas as religiões são boas. Como já dissemos, ou servimos a Deus, ou prestamos cultos a nós mesmos e a Satanás. Mas partamos do princípio de que todas as religiões são boas. Vejamos, por exemplo, o caso de Moloque. Em sua adoração, os amonitas queimavam suas criancinhas (Lv 18.21; Jr 32.35). E, no culto a Baal-Peor, divindade venerada por midianitas e moabitas, os desregramentos sexuais não tinham limites (Os 9.10). Em consequência desses cultos vergonhosos, o Senhor castigou severamente a Israel (Nm 25; Jr 32.35). Vê-se, pois, que nem todas as religiões são boas.
Levemos em conta, também, o islamismo que, para expandir-se, apregoa uma guerra tida como santa. Aos olhos dos radicais, todos os povos, acreditando ou não em suas narrativas e proposições, têm de se curvar a Maomé. Tal religião não pode ser boa, pois se impõe pelo terror e pelo medo. Sei que não devo generalizar, mas o Estado Islâmico é o resultado do livro que, em nenhum momento, declara que Deus é amor. Aqui, devemos incluir o cristianismo sem Cristo da igreja católica de Urbano II, que, na recaptura de Jerusalém, derramou muito sangue inocente.
2. Mito dois: todas as religiões levam a Deus. Com base nos casos mencionados nos tópicos anteriores, como podemos alegar que todas as religiões levam a Deus? No tempo de Paulo, a civilização greco-latina dava-se ao culto aos demônios (1 Co 10.20,21). Hoje, não é diferente. Muitos são os que sacrificam animais e víveres aos ídolos. E, nos últimos dias, a humanidade adorará a Besta, o Falso Profeta e o Dragão (Ap 13.4). Tais religiões não conduzem o homem a Deus, mas ao Diabo. Não nos esqueçamos daqueles que, declaradamente, prestam culto a Satanás.
3. Mito três: nenhuma religião é verdadeira. Conforme já vimos, a Bíblia declara que existe, sim, uma religião verdadeira que é descrita, por Tiago, como pura e imaculada (Tg 1.27). Por conseguinte, não podemos nivelar, por baixo, a religião que nos foi concedida pelo Senhor por meio de seus santos profetas e apóstolos.
A religião verdadeira é a revelação que Deus fez de si mesmo através das Escrituras Sagradas, para que o adoremos como o Único e Verdadeiro Senhor, e ao seu Unigênito, Jesus Cristo, como o nosso Único e Suficiente Salvador. Em sua oração sacerdotal, o Senhor Jesus descreve a verdadeira religião (Jo 17).
Já não resta dúvida alguma. Há somente duas religiões: a divina e a não divina. Logo, é a nossa obrigação pregar a Cristo aos religiosos, mesmo que estes sejam rotulados, às vezes, de evangélicos.
4. Mito quatro: há muitas religiões. Do que acima dissemos, concluímos haver apenas duas religiões: a divina e a não divina. A primeira é descrita por Tiago como sendo pura e imaculada, pois, além de reconhecer a Deus como o Pai dos que recebem Jesus Cristo, traduz-se por obras meritórias e boas como evidências de uma fé verdadeira e santa (Tg 1.27).
Por conseguinte, o apóstolo denota existirem apenas duas religiões: a imaculada e pura e a impura e maculada. A primeira é a religião dos patriarcas, dos profetas e dos apóstolos, tendo como fundamento a encarnação, a morte vicária e a ressurreição do Filho de Deus. Quanto à segunda, é a religião que, tendo como alicerce a mentira que Satanás contou primeiro a si mesmo e, depois, a nossos pais, no Éden, vem desdobrando-se em seitas que, rapidamente, ganham foros de religião.
Diante de nossa responsabilidade espiritual, enfatizo, existem apenas duas alternativas: ou adoramos a Deus, que é a religião pura e imaculada; ou adoramos a nós mesmos e ao Diabo, que é a religião impura e maculada pela mentira, pelo pecado e por uma rebelião interminável contra o Deus Único e Verdadeiro.

III. COMO EVANGELIZAR OS RELIGIOSOS
Tendo como exemplo a ação evangelística de Jesus, vejamos como expor o Evangelho aos religiosos.
1. Não discuta religião. Ao receber Nicodemos, na calada da noite, o Senhor Jesus não perdeu tempo discutindo os erros e desacertos do judaísmo daquele tempo. De forma direta e incisiva, falou àquele príncipe judaico sobre o novo nascimento (Jo 3.3). Sua estratégia foi certeira. Mais tarde, Nicodemos apresenta-se voluntariamente como discípulo do Salvador (Jo 7.50; 19.39).
Em vez de contender com os religiosos, exponhamos-lhes que Cristo é a única solução à humanidade caída e carente da glória de Deus.
2. Não deprecie religião alguma. Em seu encontro com a mulher samaritana, Jesus não depreciou a religião de Samaria, nem sublimou a de Israel, mas ofereceu-lhe prontamente a água da vida (Jo 4.10). A partir da conversão daquela religiosa, houve um grande avivamento na cidade, repercutindo pentecostalmente em Atos (At 8.5-14).
Se depreciarmos a religião alheia, não teremos tempo para falar de Cristo, pois a evangelização exige ações rápidas e efetivas.
3. Mostre a verdadeira religião. Sem ofender a religiosidade de seus ouvintes, mostre, em Jesus Cristo, a verdadeira religião. Foi o que Paulo fez em Atenas. Tendo como ponto de partida o altar ao Deus Desconhecido, anunciou-lhes Cristo como o único caminho que salva o pobre e miserável pecador (At 17.26-34).
Se agirmos assim, teremos êxito na evangelização dos católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, ateus e desviados.

IV. ATEU, SIM, GRAÇAS A DEUS
Como evangelizar alguém que diz não acreditar em Deus? Antes de tudo, não percamos tempo em provar-lhe a existência do Criador, pois não há criatura moral que ignore a presença divina na criação. Por isso, adotaremos os seguintes passos na evangelização de um ateu.
1. Fale de Cristo, em primeiro lugar. O problema do ateu não é a descrença na existência de Deus, mas a sua crença em Jesus Cristo. Via de regra, quem se deixa enganar pelo ateísmo destaca Jesus como um líder religioso, mas o ignora como o fundamento da verdadeira religião. Por esse motivo, proclame Jesus, logo de início, como a única esperança que tem o homem neste mundo. Evite discussões acadêmicas, pois tais esterilidades jamais levarão o incrédulo aos pés de Cristo.
Se bem evangelizado, o ateu saberá que está em perigo. Conscientize-o, então, de que a sua descrença quanto à existência de Deus não o livrará do Juízo Final. Seja direto e claro na exposição da mensagem da cruz.
2. Veja o ateu como alguém que precisa de Cristo. Na evangelização de um ateu, temos a tendência de olhá-lo como um pecador diferenciado, em razão de sua loquacidade. Na verdade, trata-se de um pecador como os demais. Seu aparente intelectualismo é um verniz tão fino, que não resiste ao primeiro golpe da espada do Espírito. Mesmo que não venha a converter-se, a marca do evangelho tornar-se-á indelével em sua alma.
Não nos preocupemos em fazer-lhe a apologia da existência divina, porquanto o evangelho, em si, já demonstra cabalmente a realidade de um Deus bom, justo e amoroso; a verdade quanto ao pecado e à condenação do pecador; a eficácia da obra de Cristo; e o destino dos que rejeitam o Filho de Deus. Logo, seja amoroso, mas firme, na exposição da mensagem da cruz.

V. CATÓLICOS, CRISTÃOS À PROCURA DO CRISTIANISMO
Embora nominalmente cristãos, os católicos acham-se presos à idolatria, ao misticismo e, boa parte deles, a um perigoso sincretismo. Por isso, em sua evangelização, não ofenda Maria, nem os santos venerados por eles. Evite apontar a igreja evangélica como superior à católica. Antes, exponha-lhes Jesus como o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6; Hb 13.8).
Na evangelização de um católico, observe os seguintes pontos.
1. Apresente Jesus como o único mediador entre Deus e os homens. Se soubermos como expor-lhe Jesus como o único medianeiro entre o pecador e o Deus amoroso, porém justo, nem precisaremos falar sobre a inutilidade dos ídolos (1 Co 8.4). Mostre-lhe que o Filho é o único caminho que nos leva ao Pai.
No entanto, se o seu interlocutor arguir-lhe a respeito da idolatria, não busque uma resposta socialmente correta; seja verdadeiro. No ato da evangelização, a verdade é o diferencial entre a salvação e a perdição de uma alma.
2. Não fale mal de Maria, mãe de Jesus. Por mais de quatrocentos anos, Maria foi vista pelos cristãos como a Bíblia no-la apresenta: serva de Deus e mãe de Jesus Cristo. Fugindo à divinização, ela se confessa necessitada do Salvador, que trazia no ventre (Lc 1.46-56). Por ela, Jesus também morreu. Portanto, se lhe fôssemos escrever a biografia, usaríamos apenas nove palavras: Maria foi a cristã mais exemplar da História Sagrada.
A partir do quinto século, a imperatriz consorte do Império Romano do Oriente dá início ao culto mariolátrico, que viria comprometer a teologia de boa parte da cristandade. Élia Pulquéria muito se empenhou para que Maria fosse reconhecida como Theotokos. Em grego, a expressão significa mãe de Deus. Por meio desse subterfúgio, guindava-se Maria a uma posição superior a do próprio Deus.
Desde então, o culto de Maria toma conta da igreja católica e até do islamismo. Aliás, Maria é mais citada no Corão do que em o Novo Testamento. Por esse motivo, na evangelização de um católico, não ofenda a mãe de Jesus que, por sinal, foi salva como também o fomos. Antes mostre o Filho de Maria como o único mediador entre Deus e os homens. Para os católicos, Maria é mãe; para nós, uma irmã em Cristo que, no arrebatamento da Igreja, experimentará os poderes da ressurreição.
3. Não apresente a igreja evangélica como superior à católica. Lembre-se, não estamos promovendo uma guerra religiosa, mas falando do amor de Cristo a um grupo que, embora se declare cristão, está longe do verdadeiro Cristo. Por isso mesmo, não mostre a igreja evangélica como se fora superior à católica. Mas não deixe de convidar os adeptos do romanismo a visitar a sua igreja.

VI. ESPIRITAS, A ETERNIDADE PRESA NO TEMPO
Na evangelização dos espíritas e dos adeptos dos cultos afros, não os ofenda, dizendo que tais religiões são demoníacas e inspiradas por Satanás. Mas, com amor e sabedoria, convença-os, pela Bíblia, de que aos homens está ordenado morrerem uma única vez, e que o sacrifício de Jesus Cristo é suficiente para levar-nos ao Pai (Hb 9.27; 1 Pe 3.18). Considere, ainda, estes pontos:
1. Valorize a fé, mas não desqualifique as boas obras. O espiritismo notabiliza-se por entidades filantrópicas por todo o Brasil. Por isso, quando formos evangelizar um de seus adeptos, sejamos prudentes ao falar-lhe sobre a salvação pela fé. Mostre-lhe que as obras, em si, são insuficientes para salvar-nos. Acrescente, porém, que, pela fé em Jesus Cristo, fomos chamados às boas obras, pois estas evidenciam a confiança que depositamos em Deus.
Evite discussões e contendas, pois estas nos afastam de nosso verdadeiro alvo: levar o evangelho de Cristo a todos, em todo tempo e lugar, por todos os meios.
2. Não ofenda as religiões espíritas e africanas. Todos sabemos que tanto o espiritismo quanto os cultos afros não provém de Deus. Seus adeptos, porém, não o sabem. Por isso, não devemos desmerecer-lhes as crenças, dizendo que eles servem aos demônios. Se formos habilidosos na exposição da Palavra Deus, eles não demorarão a concluir o óbvio.
3. Não tenha medo dos espíritas e dos adeptos dos cultos afros. Há crentes que, apesar de já haverem experimentado os poderes do mundo vindouro, ainda demonstram um pavor injustificado quanto às práticas espíritas e aos cultos afros. Tal medo, porém, impede-nos de evangelizar os discípulos de Alan Kardec e os herdeiros da mitologia africana que, em nosso país, espalham-se de norte a sul. Por esse motivo, deixemos de lado esses temores, e, com amor e prudência, falemos de Cristo a todos, sem marginalizar este ou aquele grupo.
Respeitosamente, mas de maneira clara, objetiva e bíblica, levemos a mensagem da cruz a esses grupos religiosos que, supondo adorarem a Deus, afastam-se cada vez mais do Amado Senhor.

VII. MUÇULMANOS, UMA SEITA QUE SE FEZ RELIGIÃO
Aquele meteorito poderia ter caído na Pérsia, no Japão ou em Jacarepaguá, onde moro. Ironicamente, veio a chocar-se no chão extremoso e quente de Meca. O evento causou muita estranheza e temor. Aturdidos, indagavam os filhos de Ismael: “O que é isso? Um mimo dos deuses? Mas de qual deles?”. Pois, na cidade, sobravam deuses e faltava gente. Ao todo, 360. Um para cada dia do ano lunar. Havia inclusive um altar a Al-Ilah, o Deus Desconhecido dos árabes.
Como ninguém sabia de qual deus proviera a tal rocha, se deste, se daquele, os moradores de Meca houveram por bem venerar a todos. Em redor do sidéreo, ergueram um nicho para cada um de seus deuses. Imaginavam eles que, desse jeito, não haveria ciúme, nem desavença no panteão. Parece que o arranjo deu certo.
1. A displicência cristã ante o fenômeno muçulmano. Os cristãos de Meca nenhuma importância deram ao fenômeno. Afinal, não era a primeira vez que um meteorito despencava do céu. Se houvesse, porém, algum discernimento entre aqueles crentes, todo o sistema idolátrico de Meca teria vindo ao chão. Infelizmente, tinham eles outras prioridades.
Se os leigos nada fizeram, onde estavam os teólogos? Enquanto os árabes definiam-se religiosamente, os doutores da igreja ainda se achavam indefinidos quanto à natureza de Cristo. Atentemos a um fato curioso e prosaico. Foi entre os dois concílios eclesiásticos, que tiveram por sede a capital do Império Bizantino, que o Islã foi semeado, florescendo rapidamente pelo Oriente Médio, até frutificar às portas de Bizâncio.
2. O descaso dos concílios. No Segundo Concílio de Constantinopla, reunido em 553, os teólogos mais destacados da Igreja condenaram a doutrina de Orígenes e os escritos de Nestório. Só não condenaram a própria inércia. Virgílio, apesar de sua proeminência, nenhuma atenção deu à evangelização daqueles gentios. Ele bem que poderia ter sugerido o envio de missionários à Península Arábica. E, dessa forma, evitar que o Islã achasse um berço tão promissor. Maomé ainda não era nascido; a religiosidade de Ismael, porém, já havia sido dada à luz.
Passados 127 anos, os chefes da Igreja voltam a reunir-se em Constantinopla. A essas alturas, o islamismo já fronteirava a sé cristã do Oriente. Mais uma vez, nenhuma menção é feita ao novo e incontrolável fenômeno religioso. A impressão que se tem é que aqueles teólogos, apesar de sua proverbial erudição, viviam à margem da história. Solenemente congregados, limitaram-se a dogmatizar as duas naturezas de Cristo, e a condenar o monotelismo. Que a medida fosse urgente, não se discute. Discutível era a sua postura missionária, pois a verdadeira teologia sempre resulta na salvação de almas.
Agatão, a figura de proa desse concílio, nada fez para evangelizar os árabes. Antes, desperdiçou o seu pontificado em amenidades. Aparou as farpas do clero inglês, elevou o bispado da Irlanda, fortaleceu o papado, entre outras fatuidades. O Taumaturgo, como era conhecido, pouca importância deu à obra missionária.
3. A expansão do Islã. Se os teólogos cristãos ainda se debatiam quanto à dupla natureza de Cristo, os árabes já não tinham qualquer dúvida sobre os dogmas do Islã. Para eles, Maomé já era um profeta maior que Jesus. Dessa forma, o meteorito, que poderia ter servido de contato para se apregoar o evangelho às tribos ismaelitas, converteu-se numa pedra de tropeço para o cristianismo.
De Meca, o astuto Maomé arrancou os nichos de todos os deuses, inclusive do Deus desconhecido. Jeitosamente, plasmou Al-Ilah à sua imagem e semelhança, dando-lhe a alcunha de Alá. Quanto ao meteorito, em vez de ir parar num museu de história natural, ei-lo na Kaabah, o maior centro da peregrinação islâmica.
Em Atenas, deparara-se Paulo com uma situação semelhante. Havia, ali, um retiro para cada divindade do Olimpo e um altar consagrado ao Deus Desconhecido. A partir desse elo, o apóstolo acorrenta os gregos com o evangelho de Cristo. Nem os filósofos deixaram de ouvir a proclamação da Palavra de Deus. Paulo soube como fazer teologia entre os que se agarravam à mitologia.
4. A dormência da academia evangélica. O que muitos acadêmicos evangélicos fazem, hoje, não é a teologia salvadora. Reúnem-se para discutir temas periféricos, que nenhuma edificação trazem. O problema agrava-se quando se ajuntam, a fim de realçar suas posições doutrinárias. Nesses encontros, que mais parecem uma Babel e em nada lembram o Cenáculo, os evangelistas não têm vez, nem voz. Enquanto isso, as forças do mal vão a galope conquistando terrenos que antes pertenciam à Igreja de Cristo.
Conta-se que, enquanto os comunistas tomavam a Rússia, o clero ortodoxo discutia a indumentária de seus padres. Entretidos, não oraram pela nação, não expuseram o evangelho, nem se congregaram em vigília. Veio, então, o comunismo, levando muitos padres, rabinos e pastores à morte. Diante do martírio, viram-se eles constrangidos a reconhecer a veleidade de seus concílios.
5. O triste exemplo de Bizâncio. Não podemos agir como Bizâncio. Em suas digressões teológicas, veio a ignorar as almas que, diariamente, despencavam no inferno. Para o clero bizantino, a mensagem da cruz nenhum valor tinha. O resultado não poderia ter sido mais trágico. No ano de 1453, os turcos otomanos, empunhando a bandeira do Islã, entram em Constantinopla e subjugam a cidade que abrigara concelhos, mas que já não tinha conselho algum aos fiéis. Hoje, as paredes da Igreja de Santa Sofia expõem a vaidade de um clero que, diante do clamor do mundo, ainda se digladiava quanto à cristologia simples, porém eficaz do Novo Testamento. Sim, algo tão singelo que qualquer criança da Escola Dominical define com mestria e largueza.
Quando não pregamos, as pedras clamam. E, às vezes, de forma violenta.
6. Cristo aos refugiados muçulmanos. Enquanto escrevo estas linhas (22 de março de 2016), recebo a notícia de que a Europa acaba de sofrer mais um ataque do Estado Islâmico. Segundo as últimas notícias, homens-bombas explodiram-se no aeroporto de Bruxelas, matando e ferindo indistintamente adultos e crianças.
Ao mesmo tempo, continuam a chegar, aos países europeus, refugiados da Síria, do Iraque, do Paquistão e da Líbia. São milhares de pessoas despojadas de sua nacionalidade, cultura, língua e lar. E, como a maioria delas é muçulmana, passam a ser vistas com suspeição onde, depois de muito esperar, talvez encontrem algum refúgio.
No Brasil, principalmente em São Paulo, o número de refugiados muçulmanos não é pequeno. Por isso, temos de vê-los como um campo missionário que veio até nós. Se agirmos com amor e oportunidade, haveremos de ganhar muitos desses exilados para Cristo. E, mais tarde, voltarão eles aos seus países de origem como missionários. O momento não pode ser desperdiçado. Os muçulmanos necessitam tanto de Cristo como os religiosos de outros grupos e etnias.

VIII. EVANGÉLICOS SEM O EVANGELHO DE CRISTO
É chegado o momento de evangelizarmos um grupo que, embora se identifique como evangélico, acha-se, por um lado, distanciado do evangelho; e, por outro, distante do verdadeiro evangelho. Refiro-me aos desviados, aos desigrejados e aos que frequentam a maioria das igrejas que, de evangélicas, têm apenas o rótulo.
1. Desviados, ovelhas que se desgarram de seu pastor. Boa parte dos evangélicos que, pejorativamente, chamamos de desviados, jamais foram integrados plenamente à igreja visível. No ato de sua conversão, foram recebidos imediatamente pela Igreja Invisível. E, invisíveis, permaneceram entre nós à espera de uma inclusão que não veio. Por isso, deixaram o “nosso rebanho”, a fim de se agregarem a outros apriscos.
Sim, já é hora de buscarmos a centésima ovelha que, a essas alturas, já deve ser a milionésima, pois, todos os dias, milhares de preciosas almas deixam nossos redis, e não o percebemos. Cristo as ganha; nós as perdemos.
2. Desigrejados, ovelhas que não querem um pastor. Cresce o número de evangélicos que, apesar de amarem a Cristo, vieram a desamar a igreja local. São pessoas que se decepcionaram com o lado visível do povo de Deus. Não é fácil contatá-las, nem trazê-las de volta ao redil. Todavia, não podemos deixá-las sem o calor de nossa comunhão, pois, com o tempo, esfriar-se-ão na fé.
Dediquemos atenção e tempo a essas ovelhas que, amando o Bom Pastor, ainda não aprenderam a amar-lhe o rebanho. Se as convidarmos a estar conosco, em breve hão de desfrutar de nossa afeição. Não será difícil encontrá-las; seus nomes acham-se nos róis de nossas igrejas.
3. Evangélicos sem o evangelho, ovelhas sem pastor. As igrejas evangélicas midiáticas acabaram por gerar um tipo de crente vazio de Cristo, mas cheio de fórmulas mágicas. Doutrinado a contribuir em busca de um favor divino, apega-se ao terreno, como se a sua vida fora perpetuar-se no tempo, sem nenhuma perspectiva da eternidade.
Desprovidos do evangelho, os tais evangélicos são tão idólatras quanto os católicos. Se estes têm os seus santos, aqueles santificam de tal forma os seus estimados e infalíveis líderes, que os colocam acima do próprio Deus. Sem esboçar a mínima reação, são submetidos a uma lavagem cerebral que, num primeiro momento, despoja-os de seus bens; num segundo, de sua vontade; e, num terceiro, da própria alma. Além dessa idolatria, essas ovelhinhas são sincréticas em sua boa fé. Em vez de atuarem como o sal da terra, contentam-se elas com o sal grosso vendido a preço de ouro.
Recuando às práticas mais trevosas e medievais, os evangélicos nominais praticam uma fé alicerçada em fórmulas mágicas, relíquias e indulgências. Para eles, a fé não é apenas um ópio, mas uma droga que os mantém afastados da realidade divina e alienados quanto à verdadeira fé.
É hora de evangelizarmos os que, dizendo-se crentes, ainda não creem como devem crer; identificando-se como salvos, ainda não experimentaram a alegria da salvação em Cristo; presumindo-se nascidos de novo, sequer foram gerados pelo Espírito; e, achando-se pentecostais, perdem-se num perigoso e nefasto misticismo. A esses, pois, apregoemos que Jesus, e tão somente Jesus, salva, batiza com o Espírito Santo, cura as enfermidades e que, em breve, há de voltar para levar-nos a estar com Ele para sempre.

Conclusão
Aproveitemos, pois, as oportunidades. Anunciemos a Cristo a tempo e fora de tempo. Ao nosso redor, há muitos pontos de contato que podem ser aproveitados para falarmos do amor de Deus ao vizinho, ao colega de trabalho, ao companheiro de estudos e ao transeunte que, atribulado e sem direção, perambula por nossas ruas.
Se proclamarmos o evangelho conforme o Senhor nos ordena, em breve alcançaremos os confins da Terra com a mensagem de salvação. Cristo, a Rocha Eterna que desceu do céu para fazer-nos subir ao Pai.
Deixemos bem claro, principalmente aos que se dizem religiosos, que somente o Senhor Jesus, o autor e fundamento da verdadeira religião, é que pode salvar-nos da perdição eterna.

http://www.ensinadorcristao.com.br/2016/08/licao-08-evangelizacao-dos-grupos.htmlAutor: Claudionor de Andrade