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11 junho 2017

Pelos excluídos

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Vivemos numa sociedade de estereótipos. Isto é dito e repetido sem maiores novidades. O que causa impressãé que este modo de ser tenha contaminado a igreja. Sim, então vivemos também numa igreja de estereótipos. Modelos pré-concebidos de perfeição; acrescentamos à expressão "modelos" o qualificativo "bíblico" para cristianizarmos um fenômeno que é do mundo. Aí chegamos a "modelos bíblicos" de praticamente tudo: de relações familiares; trato profissional; vida sentimental; relacionamento conjugal; administração financeira; planejamento do futuro; a tríade namoro/noivado/casamento; pastorado; etc.

Nada há de particularmente errado em identificarmos padrões bíblicos para todas as áreas da vida descritas no parágrafo anterior, afinal, a Bíblia é um manual não destinado à liturgia ou à conformação eclesiástica da igreja, senão um livro de instruções para o ser cristão, assim entendido no seu todo (para Deus não existem desvinculadas as figuras do pai, marido, profissional e membro congregado. Nóé que gostamos de fracionar nossa existência para, em cada uma destas facetas da vida, encarnarmos uma persona diferente).

O que de fato macula a igreja é a forma como são tratados aqueles que, por algum motivo em especial, não obtêêxito em atenderem ao estereótipo traçado. Outro sério problema é a contaminação do estereótipo bíblico por achismos humanos (a respeito, conferir Col 2.20-23). Por ora, vamos nos limitar à primeira questão, deixando a segunda para vindoura oportunidade.

Certa vez ouvi de um seminário até já citado em outro texto ("Transition" de Wayne Jacobsen, em www.lifestream.org) que os mandamentos deveriam ser corretamente interpretados não como ordens proibitivas divinas, mas sim como promessas. Exemplificando com o primeiro mandamento: era como se Deus dissesse que quando O conhecermos adequadamente, não quereremos outros deuses. E creio que assim também se passa com todos os "modelos bíblicos".

Normalmente tidos como conjunto de comandos que direcionam a ação neste ou naquele sentido, proíbem esta ou aquela postura, na verdade constituem promessas de Deus. Clarificando: o modelo bíblico de família constitui uma proposta de Deus, é Ele nos prometendo que uma vez entregando nossas famílias aos Seus cuidados (e quando se fala de entrega fala-se de verdadeiramente renunciar à obssessão pelo controle) Ele a conformará daquele modo.

Aquele que não alcança a conformação ao modelo bíblico carrega já o peso de sua propria falha em entregar-se completamente ao cuidado de Deus, e o desajuste já é um peso em si. Não há necessidade de que a igreja acrescente este peso. Aliás, parece que o ministério de Cristo foi justamente o contrário. Exemplifiquemos: a mãe solteira já carrega o estigma suficiente de sua condição de maternidade; o vício alcoólico por si só impõe ao alcoólatra a dor do ostracismo; o pai do filho viciado em entorpecentes já amarga a procura por sua falha na criação que ocasionou tamanho mal.

Quando Jesus assenta que não deveríamos julgar o fez pensando justamente que Sua igreja deveria ser baseada na graça inclusiva, e não na política discriminatória farisaica, acostumada a expor os fracos; excluir os quebrantados e pisar até à morte aqueles cujas almas suplicavam por socorro. Ao contrário, a orientação divina que vem pela pena do apóstolo Paulo é "Fiz-me fraco para com os fracos para ganhar os fracos" (1 Co 9.22). Obviamente que não se está exigindo que incorramos nos mesmos erros de nossos irmãos para ganhá-los. Mas o que se pede é simplesmente empatia, capacidade de colocar-se na posição do outro, de enxergar-se ali, vislumbrar na fragilidade da condição humana um traço comum que nos une a todos, desde os mais fortes e exitosos, até os mais envergonhados e quebrantados.

Utilizar os "modelos bíblicos" como forma de exclusão indica um perigoso traço de legalismo na igreja que deveria viver sob a dispensação da graça, ou seja, sempre lembrando que a "letra mata mas o Espírito vivifica" (2 Co 3.6). Segundo o Dicionário Evangélico de Teologia Bíblica de Baker, o termo "legalismo" refere-se à preocupação com a forma à custa da substância (cf www.biblestudytools.com, consulta em 10/06/2012. O restante do artigo traz riquíssimo estudo sobre o assunto).

O ministério de Jesus foi marcado pela rejeição deste formalismo excludente, com o prestígio do real sentido dos preceitos divinos que têm a salvação do homem como objetivo supremo: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Mc 3.27). Que diferença de perspectiva, revolucionária para o mundo de então e ainda para os legalistas da atualidade.

O problema fundamental neste tema é que o legalismo nunca gera amor (Farley, Andrew. The naked gospel,Michigan, Zondervan, p. 50), e a comunidade proposta por Jesus tem no amor mútuo seu elemento fundamental e catacterístico da cristandade.

Facilmente chega-se à mesma perplexidade de Philip Yancey: "Percebi que, enquanto absorvia a história de Jesus nos evangelhos, esperava dele as mesmas qualidades que encontrara na igreja fundamentalista do sul, na minha infância. Ali, muitas vezes me sentia vítima de pressões emocionais. A doutrina era servida num estilo assim: 'Creia e não faça perguntas!'. Manejando o poder do milagre, do mistério e da autoridade, a igreja não deixava lugar para as dúvidas. Também aprendi técnicas manipuladoras para 'ganhar almas', algumas das quais implicavam uma distorção de mim mesmo para a pessoa com a qual eu falava. Mas agora não sou capaz de encontrar nenhuma dessas qualidades na vida de Jesus" (O Jesus que eu nunca conheci, São Paulo, Vida, 2011, p. 75).

Este texto é ao mesmo tempo um chamado e um clamor. Um chamado a que a igreja de nossos dias que se identifica como Cristã, pareça-se mais com Cristo, que nunca excluiu, recusou preconceitos, estereótipos humanos, e rompeu todas as barreiras para mostrar que o que realmente importava para Ele era a substância, e não a forma; nunca exacerbou a vergonha, nem acresceu ao peso que as adversidades da vida naturalmente já trazem, um adicional chamado "religião".

Mas aqui também dá-se voz a um clamor, cuja audição se faz mais no coração que nos ouvidos. Escutemos o gemer dos excluídos!

Soli Deo Gloria!

José Wellington Bezerra da Costa Neto

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