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10 fevereiro 2012

JUNIORES - Lição 7: Jesus Ensina sobre o Perdão


1º Trim. 2012 - JUNIORES - Lição 7: Jesus Ensina sobre o Perdão
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
JUNIORES – CPAD
1º Trimestre de 2012
Tema: Os ensinos de Jesus
Comentaristas: Damaris Ferreira da Costa & Luciana Alves de Sousa
LIÇÃO 7 – JESUS ENSINA SOBRE O PERDÃO
Ao Mestre
Prezado (a) contar história é uma arte que requer dedicação e muita sinceridade. Passe segurança aos pequenos. Não se desculpe ao começar, nem em palavras nem com uma expressão corporal encurvada. Conte em suas próprias palavras. Deixe a imaginação funcionar - isto é o que cria mágica e não malabarismos da memória. Se der branco, continue. Não faça caretas, brigue nem se desculpe.
Continue descrevendo detalhes de cores, locais.. isto estimula a imaginação e ajuda a memória. Ou então faça uma pausa, olhando todos nos olhos, como para levantar suspense (não olhe para o chão). Para contar histórias você precisa de um pouco de habilidade, sinceridade (não tente fingir alegria, tristeza, etc.. seja verdadeiro!), entusiasmo verdadeiro (não ser barulhento ou artificial), animação (em gestos, voz, expressão facial) e mais importante, ser você mesmo.
A introdução é crucial. "Você vai ganhar ou perder nos 3 primeiros minutos dependendo de como você começa".Você tem que criar sua "audiência no grupo de crianças, cada uma com seus próprios pensamentos e focos de atenção, antes que você possa começar a contar uma história para elas. Deve haver, na introdução, o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade, unindo as crianças em antecipação. Não dê tudo na introdução. Sempre mantenha um certo nível de mistério, antecipação e surpresa durante toda a história.
Nós adultos tendemos a subestimar a capacidade das crianças de imaginar e fantasiar, e assim, muitas vezes fazemos muitos esforços para explicar ou justificar o "cenário" ou explicar tudo com detalhes. Na verdade o que atrai as crianças é a possibilidade de entender os aspectos implausíveis da história depois; o que é ótimo, você tem a atenção delas e elas ficarão pensando no que você disse.
Nós queremos que a mensagem chegue clara e bem definida. Nosso objetivo é comunicar as verdades da Bíblia de uma maneira pessoal e com uma aplicação clara. Seja qual for a maneira que você conte a história, tenha certeza de ser objetivo! Não presuma que as crianças vão entender. Torne a história o mais real possível. Barret diz para não "contar a história de uma maneira cansada ou mal resumida. Pule dentro da narrativa, com a mesma intensidade que os fatos... escolha UM ponto e conte-o como se fosse a notícia mais interessante do mundo".
Mantenha simples e direto
Uma vez terminada a história, não fique divagando e corrigindo. Deixe os pensamentos das crianças presos no ponto da história, na mensagem central dela. Regando esses cuidados com oração com certeza, terá alcançado o objetivo de sua aula .
Texto Bíblico:  Mateus 18.21-35
Objetivo
Professor (a) ministre sua aula de forma a conduzir seu aluno a:
Compreender a importância do perdão. Quando oramos o Pai Nosso, assumimos um acordo: “Perdoa-nos, assim como perdoamos aos que nos tem ofendido”
Introdução
Esta parábola nos ensina o segredo da Igreja alcançar a verdadeira união, a UNIDADE que tanto falamos e que Deus exige que haja nos membros do Corpo de Cristo.
O Segredo da unidade é o PERDÃO. E é sobre isso que nos conta esta parábola.
O Senhor Jesus nos fala de um rei que perdoou uma dívida altíssima de seu servo. Dívida esta que ele jamais poderia pagar, simplesmente porque se “compadeceu” dele.
Esse sentimento deve estar no ser de cada cristão, afim de que através do perdão verdadeiramente sejamos unidos.
Definição da palavra Perdão
Segundo dicionário Vine é o verbo grego aphiemi, que primariamente significa “enviar para a frente” “despachar”, denotando assim “remir” ou “perdoar” – dívidas (Mt 6.12; 18.37,32), sendo estas completamente canceladas, envolvendo a remoção completa da causa da ofensa, tal remissão é baseada no sacrifício expiatório de Cristo.
O perdão humano deve ser estritamente semelhante ao perdão divino, por exemplo, Mt. 6.12 (NTLH): “Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam.”
Se certas condições são cumpridas, não há limitação à lei de Cristo sobre o perdão (Mt 18.21,22). As condições são arrependimento e confissão (Mt 18.15-17; Lc 17.3).
Explicando a parábola
Este rei é o próprio Jesus. Ele veio até nós, ele queria acertar as nossas contas com Deus. Ele nos conheceu, conheceu nossa dívida. Ele sabia que nós jamais poderíamos pagá-la. E Ele se compadeceu de nós. Ele sentiu as nossas dores, se deu por nós, nos libertou e nos perdoou. E o que nós temos feito depois disso?
Muitos cristãos acreditam que já fizeram a sua parte, que já se arrependeram dos seus pecados, e agora estão livres para prosseguir. Querem trabalhar na obra, servir o reino, mas mantém em seu coração a sujeira da falta de perdão. Mesmo sabendo que Jesus nos perdoou, e continua nos perdoando todas as vezes que nos arrependemos diante do Pai; muitos de nós nos recusamos a resolver as nossas “pendências” com os irmãos. Nos recusamos a fechar as feridas do nosso coração e deixamos uma brecha enorme para o diabo entrar nas nossas vidas.
E o perdão não é somente para grandes marcas, grandes afrontas, para os grandes inimigos. O perdão deve ser liberado para todas as situações, grandes e pequenas, contra inimigos ou amigos. Muitas vezes por situações tão pequenas, deixamos que aquela mágoa cresça dentro de nós, e sufoque o amor de Jesus em nosso coração. E aí, com o coração endurecido, não queremos perdoar. Muitas vezes nós mesmos pecamos, e não queremos pedir perdão.
Não reconhecemos as nossas falhas. Não achamos que o nosso próximo é digno de receber o nosso pedido de desculpas. Pensamos: “Ah! Eu não tenho muito contato com ele mesmo. Se eu me mantiver longe dele, não preciso resolver essa situação.”
Mas a palavra de Deus diz: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.” (Mt 5.23-24).
Se temos alguma pendência com nosso irmão, devemos resolvê-la antes de fazermos a nossa oferta, a nossa oração. Muitas vezes oramos, oramos e oramos, e não recebemos resposta. Mas será que Deus não nos está ouvindo? Será que ele não quer nos atender? Jesus disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” (Jo 14.13).
Sim! Ele nos ouve! Mas será que nós o ouvimos?
As nossas orações são impedidas, ou seja, não conseguimos ouvir sua resposta, porque o nosso coração está marcado. Temos dentro de nós a sujeira do perdão não liberado, de uma situação mal resolvida, de uma pendência com o irmão.
A parábola diz que quando os demais conservos viram a atitude daquele homem que havia tido sua divida perdoada, eles se entristecera muito, e declararam ao seu Senhor. Os anjos de Deus estão em todo o tempo ao nosso redor, anotando tudo o que fazemos. Deus é onisciente, ele sabe de todas as coisas. E Jesus diz: “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” (Ap 22.12).
Sabemos que o Senhor nos perdoa quando nos arrependemos. Vamos continuar carregando a culpa dentro de nós? Vamos deixar o nosso coração se endurecer dia após dia? Então o texto continua dizendo que o Senhor chamou o servo, e disse: “Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?”
Se compadecer é sentir a dor do outro, é colocar-se em seu lugar.
Muitas vezes queremos o perdão de Deus, mas não queremos perdoar, não queremos fazer a nossa parte. Se continuarmos a nossa caminhada desta forma, não poderemos fazer parte da obra de Deus. Não estaremos em unidade. Haverá marcas entre nós. Marcas que nos separam, uns dos outros. Marcas que nos separam de Deus, que nos afastam de seus propósitos. Como podemos orar pela unidade das igrejas no mundo todo, se não somos capazes de mantermos a unidade dentro das nossas próprias igrejas?
 É a falta de unidade que causa divisões na igreja. É a falta de perdão e a marca do pecado que impede a unidade do povo de Deus. E Jesus termina a parábola dizendo que Deus somente nos perdoará, se perdoarmos as ofensas de nossos irmãos. Você tem certeza de seu perdão?
Seu coração está limpo?
Peça ao Pai para revelar as feridas escondidas por satanás dentro de você, para que, arrependido, receba a plenitude do perdão do Senhor, sua paz, e sua capacitação para a obra, em santidade e pureza de coração.
Que o Pai Celeste continue nos moldando, para honra e glória do Seu santo nome.
É a falta de unidade que causa divisões na igreja. É a falta de perdão e a marca do pecado que impede a unidade do povo de Deus. E Jesus termina a parábola dizendo que Deus somente nos perdoará, se perdoarmos as ofensas de nossos irmãos. Você tem certeza de seu perdão? Seu coração está limpo?
Peça ao Pai para revelar as feridas escondidas por satanás dentro de você, para que, arrependido, receba a plenitude do perdão do Senhor, sua paz, e sua capacitação para a obra, em santidade e pureza de coração.
Que o Pai Celeste continue nos moldando, para honra e glória do Seu santo nome.
Aplicação da Lição
Prezado (a) enfatize aos pequenos que a parábola do credor incompassivo ensina a Pedro e a todos nós o motivo pelo qual devemos perdoar sem limites.
Deus nos perdoou tantas coisas ao nos conceder o dom gratuito da salvação em Cristo, que qualquer ofensa que outro ser humano possa praticar contra nós, é irrisória, em comparação a isto.
Perdoar aos que nos ofende seria o mínimo que poderíamos fazer, refletindo assim, um pouco da bondade divina que tem sido derramada em nossas vidas (Mt 6.14,15).
Fontes Consultadas:
•    Bíblia de Estudo de Aplicação Pessoal – Editora CPAD – edição 2003
•    Bíblia de Estudo Plenitude – SBB/1995 – Barueri/SP
•    Bíblia de Estudo Pentecostal – Editora CPAD – Edição 2002.
•    Bíblia Shedd – Editora Mundo Cristão – 2ª Edição
•    Dicionário Vine – Editora CPAD – 3ª Edição 2003
Colaboração para o Portal Escola Dominical: Profª. Jaciara da Silva.

JUVENIS - Lição 7: Salmos Falam de Amor à Bíblia


1º Trim. 2012 - JUVENIS - Lição 7: Salmos Falam de Amor à Bíblia
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
JUVENIS – CPAD
TEMA: Edificando a vida cristã através dos Salmos
COMENTARISTA: Regia Carvalho
LIÇÃO 7 – SALMOS FALAM DE AMOR À BIBLIA
ENFOQUE BÍBLICO:
“E alegrar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo.” (Sl 119.47)
OBJETIVOS:
Descrever a importância de meditar na Bíblia Sagrada como uma prevenção contra pensamentos e sentimentos desagradáveis a Deus.
Demonstrar que a Bíblia nos orienta a fugir da aparência do mal.
Explicar que Deus conhece o nosso limite e nos perdoa quando erramos.
INTRODUÇÃO:
Dizia o salmista: “quanto amo a tua lei! Nela medito o dia todo.” (Sl 119.97). É importante meditar na Palavra de Deus, amá-la de todo o nosso coração, assim poderemos fugir da aparência do mal, pois o avistaremos com discernimento reconhecendo que temos nossos limites. E se porventura viermos a fracassar, pecar, João disse que ele é fiel e justo para nos perdoar e a razão disto é que o Deus que servimos conhece o nossos limites, nos entende e nos perdoa quando falhamos.
A BÍBLIA.
Vamos antes conhecer a Bíblia como livro, trata-se de um livro antigo sendo originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. O livro sagrado não era reunido como temos agora a nossa Bíblia (coleção de livros). Isso só foi possível no século II quando os chineses inventaram o papel e em 1450 a.D. Gutenberg inventou o prelo e o primeiro livro a ser impresso foi a Bíblia. O livro é dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento, ao todo são 66 livros; 39 no AT, e 27 no NT, escritos em 16 séculos por 40 autores, Jesus Cristo é o tema principal da Biblia, os livros falam da: preparação em todo o AT, manifestação de Cristo nos Evangelhos, explanação nas cartas, consumação da obra redentora; o Apocalipse.
Em Genesis, Jesus é apresentado como o descendente da mulher (Gn 3.15)
Em Êxodo, ele é o Cordeiro Pascoal
Em Levítico, é o Sacrifício Expiatório
Em Números, ele é a Rocha Ferida
Em Deuteronômio, é o Profeta
Em Josué, é o Capitão dos Exércitos do Senhor
Em Juízes, ele é o Libertador
Em Rute, é o Parente Remidor
Em Reis e Crônicas, é o Rei prometido
Em Ester, é o Advogado
Em Jó, é o Redentor que vive
Em Salmos, ele é Socorro e alegria
Em Provérbios, ele é a Sabedoria de Deus
Em Cantares de Salomão, é o nosso Amado
Em Eclesiastes, é o Alvo Verdadeiro
Nos Profetas, é o Messias Prometido
Nos Evangelhos, é o Salvador do Mundo
Nos Atos, é o Cristo ressurgido e poderoso
Nas Epistolas, é a Cabeça da Igreja
No Apocalipse Ele é o Alfa e o Omega, e o Cristo que volta
(Pr Antonio Gilberto)
Apenas uma noção vista nossa aula não tratar de Bibliologia, nós não podemos ler a Bíblia sem noção de seus temas, mas também não podemo-nos esquecer da aplicação pessoal, como prevenção em nossa vida diária. 
A IMPORTANCIA DE MEDITAR NA BÍBLIA SAGRADA
Tomar o antídoto depois de atacado por uma epidemia não resolve muito, o correto é tomá-lo antes da epidemia. A Bíblia não deve ser lida como solução para nos livrar de um pecado já cometido, nesse caso a solução é outra, a confissão. A prevenção é importantíssima, lembro-me que viajando por uma perigosa estrada que eu conhecia muito bem, avisei o motorista do perigo da mesma e ele me disse: “meu irmão não existe perigo para um bom motorista”, eu então me calei, minutos depois ele em alta velocidade entrou em uma curva perigossima, a maioria dos acidentes aconteciam ali, foi quando eu ouvi os pneus cantando e derrapando. O motorista conseguiu equilibrar-se, mas falou: “meu irmão que curva hein”, insinuando que eu não o tinha avisado, eu simplesmente me calei. Pois ele havia me repreendido quando tentei avisar-lhe, muitas pessoas sofrem danos porque não escutam, não aceitam conselhos bíblicos, parecem donos de suas direções. A Bíblia deve ser lida diariamente, o leitor deve prestar muita atenção nos detalhes, pois são eles que nos ajudam a escapar de certas situações pecaminosas. Não podemos dizer que José caso tivesse pecado com a mulher de Potifar, não teria sido o governador do Egito, pois Deus o enviou lá para isso e na sua infinita misericórdia o perdoaria. Agora a diferença é o detalhe, ele não caiu e foi para a prisão de onde saiu triunfante para governar. A razão de um moço na sua tenra idade sair de uma situação tão convidativa foi os princípios aprendidos na casa de seus pais e a observação dos detalhes. Existem muitos crentes jovens e idosos que se acham conhecedores de toda a verdade a ponto de não mais lerem a Bíblia, não acham isso importante. Certa vez ouvi um velho pastor pregando sobre o Salmo 119.105, o trazia a seguinte explicação: “quando o salmista disse: lâmpada para os meus pés é a tua Palavra é como um carro que nas curvas das estradas e nos perigos, nas ultrapassagens aciona a luz baixa do veiculo é usada nos momentos de perigo ou que é preciso ter mais atenção, mas há momentos dizia o velho pregador podemos andar com mais liberdade, então o salmista dizia: “luz para o meu caminho”, são momentos quando podemos acionar a luz alta e andar com mais velocidade sem muita tensão”. Sempre que leio esse versículo lembro-me dele e analiso o seguinte, não há um momento sequer em que o crente seja ele jovem ou idoso deva ficar sem a Palavra de Deus. As mensagens que ouvimos em cada culto é alimento para o momento, mas também previsão estava eu em um culto na cidade de Nova Cantu no Paraná, um pastor amigo meu estava ministrando a Palavra de Deus, por se tratar de uma pessoa muito experiente num dado momento ele falou sobre o olhar do crente na luz e contou que o cavalo quando correndo em frente a um carro ou um trem com a luz acesa, as faixas ou os trilhos aumentam que o animal não consegue sair da pista, eis a razão dos acidentes. Não vou entrar em detalhes da pregação, mas uns dois anos depois eu viajava com mais dois irmãos em uma rodovia na velocidade permitida, mas acima de cem, derrepente um cavalo saiu em nossa direção, eu dirigia o carro e em questão de segundos lembrei-me da pregação e apaguei as luzes do carro, passei coisa de centímetros do cavalo, os irmãos que estavam comigo deitaram o máximo que puderam, ficaram sem entender, depois expliquei que estava em um culto quando ouvi a mensagem, caso não tivesse prestado atenção, poderia não estar aqui hoje. Portanto não deixe de ler, ouvir essa palavra, para que ajam livramentos físicos e espirituais, para que aja crescimento, se a cabeça e o coração estiverem cheio da Palavra, não haverá espaço para os maus pensamentos, nem para qualquer coisa que desagrade a Deus. Portanto as Escrituras Sagradas tem como propósito:
a)    Preparar o crente para responder aqueles que lhe pedem a razão da esperança que nele há (1Pe 3.15)
b)    Preparar o obreiro para o manejo correto da Palavra da Verdade (2 Tm 2.15)
c)    A leitura diária acresce a fé, isso acontece por serem as Escrituras a infalível Palavra de Deus (Is 34.16)
d)    As Escrituras dão luz e entendimento aos simples (Sl 119.130).
ORIENTAÇOES BIBLICAS
Já falamos em outra lição que os exemplos de alguns servos de Deus que fracassaram estão na Bíblia, não é para humilhá-los. É para que tenhamos cuidado de não cometermos os mesmos erros. Quantos usam o fracasso de Davi para pecarem, como se assim fosse correto proceder. A Bíblia manda fugir da aparência do mal, aparência é aquilo que tem aspecto, feitio. A expressão: “não está na Bíblia!” é muito semelhante a dos coríntios “tudo é licito”, Nietzsche, um filosofo sem Deus dizia: “Deus não existe, o homem tem que escapar é do outro homem que se acha no direito de poder, escapando disso ele é livre para fazer o que quiser”. Infelizmente alguns crentes agem como loucos, pensando que Deus não existe, Deus alem de existir deixou-nos a sua Bendita Palavra, a Bíblia como conhecemos, para nos orientar. O jovem às vezes tem na memória a primeira vez em que ele (a), disse a alguém: Oh! Quanto eu ti amo, que expressão bonita essa, tanto para quem fala, quanto a quem ouve. Mas quantas vezes dissemos Oh! Deus quanto eu amo a tua Palavra, bem poucos tem a Bíblia, se a tem esta enfeitando alguma estante, pois já faz tempo que sua Bíblia não vem a Igreja. Se não há amor nas Escrituras Sagradas, como ser orientado (a), por ela? Em um gráfico com 157 respostas, sendo 34 homens e 123 mulheres, quanto à leitura da Bíblia desses; 20% lêem todos os dias, 27% lêem uma vez por semana e 53% uma vez por mês. Então ai tem a resposta do porque do crescimento das heresias, do culto do “tanto faz”, do envolvimento de muitos jovens com o pecado é a falta da Bíblia que nos ensina a fugir do mal, se não a lemos, como vamos saber o que é o mal? Tem gente pensando como os tele-jornalistas fantasiosos, para eles basta ficar em casa, proceder como bom cidadão, já esta do lado de Deus, mas não é bem assim, o mancebo de qualidade era um moço do bem, assim também era o Dr Nicodemos. Jesus sabia disso, mas conversão é outra coisa, não vai pensando que ao dar uma moedinha a quem pede esmola, uma roupa, vir à igreja, pronto agora é uma pessoa do bem, tem muita coisa que se faz no mundo dos bons que ofende a Deus. No mundo dos bons tem idolatria, bebidas alcoólicas, usada como social, tabagismo, prostituição, namoro sem temor de Deus, filhos fora do casamento, relacionamentos extras, todos são do bem. Mas lá no mundo secular eles não conhecem a Bíblia, agora o que dizer da situação daqueles que deveriam ser exemplos, mas que não fogem da aparência do mal, por desconhecer o mal, por falta da leitura da Palavra de Deus. Daniel e seus companheiros foram vitoriosos na Babilônia, devido à orientação da Palavra a eles pregada, embora os pregadores estivessem fracos, pois a ida ao cativeiro foi exatamente a desobediência a palavra divina, aqueles moços conseguiram guardar em seus corações e agora numa terra distante, foram escolhidos para serem cidadãos importantes, mas não esqueceram seus princípios, fugindo do mal. Não pareciam mal, uma comida saborosa, iguarias que talvez eles nunca tivessem visto certamente um cheiro que aguçava o paladar, mas Daniel viu o mal que aquelas iguarias ia lhe fazer, não comeu isso é fugir da aparência do mal. Fugir de algo feio é até elogiável, mas fugir da mulher de Potifar? Que isso Jose? Daniel, você não vai comer dessas iguarias? Um bom vinho servido a mesa, talvez até tivesse outros judeus por lá que não vai aparecer nunca, porque não deve ter passado no teste final. Que triste! Quantos não conseguiram escapar das ciladas, estão parados envergonhados, não conseguiram vencer os desejos, alguns foram avisados (Pv 22.3). Que Deus nos ajude a agir como Jó 1.8.
O LIMITE HUMANO E O PERDÃO DE DEUS.
Não há ninguém infalível, os grandes homens de Deus falharam, fracassaram em algum momento. Elias chegou ao absurdo de pedir a morte, eu imagino a situação de Elias, um desafiante do sistema político e religioso do rei Acabe devido a isso pela palavra dele por mais de três anos não choveu, o que dizer do enfrentamento no Monte Carmelo? Mas a visão que temos de um homem forte, infalível termina debaixo de um pé de zimbro, quarenta dias depois numa caverna, lá esta alguém desanimado, triste, se achando o máximo, mas deitado, cansado e por incrível que pareça é Elias (1 Rs 18 e 19 – não esqueça de ler Tg 5.17a).  Podemos citar outro exemplo bíblico, o de João Batista, corajoso, desafiante determinado, teve a ousadia repreender em publico o tetrarca Herodes (Lc 3.1-20), todavia seu limite é revelado na prisão quando ele demonstra duvida com respeito à pessoa de Jesus (Mt 11.1-3). Não existem super homens, todos são limitados, imaginar que nunca vamos errar é desfiar a Deus. Às vezes ouvimos afirmações arrogantes como: ah! Se fosse eu teria resistido; eu não faria isso nunca? Será? Temos sempre algo escondido, não revelamos a ninguém as nossas fraquezas, porem não pode escondê-las sempre derrepente ela aparece ou será que você já não ouviu essa frase: “eu não conhecia esse seu lado”, mesmo que seja por brincadeira é uma revelação de fraqueza. Não há ninguém que possa escapar dessa situação por ele mesmo, somos dependentes da graça de Deus, necessitamos do perdão divino. O salmista disse: “é ele quem perdoa” (Sl 103.3), Jesus avisou a Pedro, que ele o negaria, o valente pescador, corajoso disse: “ainda que seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei” (Mt 26.35 EC), Pedro estava falando de coração aquelas palavras, porem se esqueceu de que era finito, horas depois estava ele negando o Mestre e com muito medo. Bem ele saiu daquele lugar com uma impressão horrível, seu mestre amado ensangüentado cheio de hematomas, sendo espancado sem misericórdia e Pedro com aquela sensação de impotência diante do olhar de Jesus. “È ele quem perdoa”, dias depois Pedro esta no mar pescando, sabe lá o que passava pela sua cabeça, todos estavam decepcionados haviam seguido um homem que não era o que pensavam, parecem calados, ninguém queria falar sobre o assunto. Somos assim quando erramos não queremos nem se lembrar do erro, mas aquela noite promissora, que para a pescaria seria típica não foi: nada pescaram. Como Deus é bom, teve muita razão quem disse “tudo o que faz, faz bem”, Jesus se dirigem a eles com a expressão “filhos”(Jo 21.5), eles conheciam a esse chamado, mas Jesus esta ali por uma razão, buscar um homem humilhado, envergonhado, sem coragem, desgarrado da fé. Depois da refeição Jesus foi ao lado de Pedro, sentou-se e começou a perguntar-lhe: “Simão, filho de João” para quem estava acostumado a ser chamado de Pedro (rocha), ser chamado de “bambu” (Simão - ouvindo), mas ele havia falhado, não havia como fugir dessa realidade, na terceira vez que Jesus perguntou, Pedro abriu o coração ao dizer “tu sabes que eu te amo”. Ao procurar Pedro Jesus estava demonstrando que não ficara nem um pouco magoado, embora todo pecado ofenda a Deus, mas ao abrir o coração Pedro estava revelando o quanto era limitado, ele não gostava de falar sobre seus limites, mas a resposta dele para Jesus era: o Senhor sabe que eu fui lá para desafiar, brigar, mas não deu, Pedro se encontrava um trapo. Sabe aquela decepção que da dor de cabeça, cólica intestinal, aquela que nos leva a pescar para distrair um pouco, era a de Pedro. Jesus o fez um grande homem, pregador imponente, corajoso, o maior ganhador de almas que a historia da igreja já registrou. Reconheçamos os nossos limites e voltamos a Deus com um coração contrito e ele perdoara nossas iniqüidades e fará de nos grandes instrumentos para o uso em sua obra.
RESUMO.
A Bíblia é a bussola do cristão, quem não a lê é como um navio sem direção, nunca encontrara o cais. Termino com um texto bíblico que diz: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra.” (2Tm 3.15,16 EC)
Obras consultadas:
Introdução ao estudo da Biblia (EETAD) – Pr Antonio Gilberto da Silva
Bíblia de Edição Contemporânea – Editora Vida
Colaboração para o Portal Escola Dominical - Pr Jair Rodrigues

PRÉ-ADOLESCENTES - Lição 7: Você tem o seu Valor


1º Trim. 2012 - PRÉ-ADOLESCENTES - Lição 7: Você tem o seu Valor
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRÉ-ADOLESCENTES CPAD
1º TRIMESTRE DE 2012
Tema: Conhecendo a si mesmo e os outros
Comentarista: Ângela Sueli Silva da Costa
LIÇÃO 7 -  VOCÊ TEM O SEU VALOR
Texto bíblico    Jz 6.11,12,14-18
Então, o Anjo do SENHOR veio e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas.
Então, o Anjo do SENHOR lhe apareceu e lhe disse: O SENHOR é contigo, varão valoroso.
Então, o SENHOR olhou para ele e disse: Vai nesta tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu?
E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai.
E o SENHOR lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem.
E ele lhe disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que és o que comigo falas.
Rogo-te que daqui te não apartes, até que eu venha a ti, e traga o {ou a minha oferta} meu presente, e o ponha perante ti. E disse: Eu esperarei até que voltes.
O texto mencionado acima  se trata do inicio da historia de Gideão, um juiz de Israel.
Após o período da conquista da terra prometida por Josué, o povo de Israel  passou a ser “governado” por Juizes, ou seja, eram homens levantados  por Deus; com o objetivo de julgar, guiar o povo.
E muitas vezes libertar, pois quando o povo pecava e abandonava a Deus, o Senhor permitia que  fosse entregue nas mãos de seus inimigos. A historia de Gideão  ocorre em um momento como este, pois o povo havia  feito o que era mal aos olhos de Deus,e por um período de sete anos foram entregues na mãos dos Midianitas.
Israel sofria ataques de seus inimigos, esta é a razão que Gideão estava malhando trigo em um lagar, lagar é um local de espremer uvas e não malhar trigo. Gideão estava trabalhando escondido, pois os seus inimigos vinham e tomavam dos israelitas os bens que eles produziam.
Os juizes se estabeleciam assim; eram levantados em período de crise como este. Assim também foi com Gideão, o Senhor lhe apareceu e o convocou para libertar o povo da mão dos midianitas.
É a partir da resposta de Gideão ao Senhor, que temos o tema da nossa lição; O Senhor exaltou o valor que Gideão possuía, porem ele julgava ser de nenhuma importância.
Esta passagem bíblica nos deixa varias lições entre elas o fato de muitas vezes não entendemos o porque nos sucede algo ruim.
Quando o Senhor lhe disse que era contigo, Gideão logo lhe responde : se o Senhor é conosco porque nos sobreveio este mal?
Ele ignorava que aquele mal lhes sobreveio justamente porque Israel havia pecado contra Deus
Introdução
O assunto abordado na lição de hoje é a respeito do valor que temos como seres humanos, dotados de capacitações dadas por Deus, e que muitas vezes deixamos de usar, principalmente em sua obra.
O texto para base é a passagem de Gideão, onde este  jovem estava trabalhando escondido de seus inimigos. É neste momento que Deus lhe aparece e lhe fala acerca do seu valor.
É claro que ao analisarmos o texto como fizemos no tópico anterior; veremos que existiam razões do povo chegar a este ponto, ou seja, ser dominado pelos inimigos, mas não é o assunto abordado na lição, embora podemos tirar lições desta passagem, o foco está justamente no complexo de inferioridade que muitas pessoas tem.
Com Gideão foi assim; quando Deus lhe chama de varão valoroso ele logo contradiz:
Então, o Senhor olhou para ele e disse: Vai nesta tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu?
E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai.( Jz 6:14,15)
Podemos concluir que Gideão desconhecia a própria força que possuía. É evidente que Deus é quem dá a todos força, dons e capacidade para os homens executarem muitas obras, mas o Senhor escolhe, chama a partir de habilidade e aptidões naturais que temos, Assim também foi com Gideão, ao chamá-lo para ser o libertador de Israel, Deus sabia do valor que Gideão possuía como um servo de Deus.
O que aconteceu com Gideão é o mesmo que ocorre com muitas pessoas e adolescentes nos dias atuais, por se acharem inferiores acabam por vezes deixando de fazer ou viver de forma plena conforme deveria ser. Muitas pessoas se tornam complexadas.
I - Usando as diferenças
Mas o que é complexo de inferioridade?
Nos campos da psicologia e da psicanálise, é um sentimento de que se é inferior a outrem, de alguma forma. Tal sentimento pode emergir de uma inferioridade imaginada por parte da pessoa afligida. É freqüentemente inconsciente, e pensa-se que leva os indivíduos atingidos à supercompensação, o que resulta em realizações espetaculares, comportamento anti-social, ou ambos. Diferentemente de um sentimento normal de inferioridade, que pode atuar como um incentivo para o progresso pessoal, um complexo de inferioridade é um estágio avançado de desalento, freqüentemente resultando numa fuga das dificuldades.
Os trabalhos pioneiros neste campo foram realizados por Alfred Adler (1917),
A psicologia adleriana clássica faz uma distinção entre os sentimentos de inferioridade primário e secundário.
a) primario:
Diz-se que um sentimento de inferioridade primário está enraizado na experiência original de fraqueza, desamparo e dependência experimentadas por uma criança pequena. Ela pode ser intensificada por comparações com outros irmãos e adultos.
b)secundario:
Um sentimento de inferioridade secundário relaciona-se às experiências de um adulto em atingir um objetivo final inconsciente, fictício, de segurança e sucesso subjetivos para compensar-se por sentimentos de inferioridade.
Causas
A psicologia admite algumas razões que provocam sentimento de inferioridade:
Por nascimento – todo ser humano nasce com sentimentos de inferioridade porque quando de seu nascimento, é dependente do que para ele são super-humanos ao seu redor;
Atitudes dos pais – 1-comentários negativos e avaliações de comportamento que enfatizem erros e lapsos determinam a atitudes de crianças até os seis anos de idade; 2-comparação que os pais fazem dos seus filhos com outras pessoas, geralmente, enfatizando que seus filhos são errados, enquanto que os outros são certos em determinada coisa;
Defeitos físicos – tais como ser manco, características faciais desproporcionais, defeitos da fala e visão defeituosa causam reações emocionais e se conectam a experiências desagradáveis anteriores;
Limitações mentais – provoca sentimentos de inferioridade quando comparações desfavoráveis são feitas com as realizações superiores de outrem, e quando performance satisfatória é esperada, mesmo quando as instruções não possam ser compreendidas;
Desvantagens sociais – família, raça, sexo ou status econômico.
Manifestação
Este sentimento pode se manifestar das seguintes formas:
Recuo – desistência de contatos sociais; desalento total
Agressão – busca excessiva de atenção, crítica alheia, obediência excessivamente obsequiosa e preocupação.
Decerto que tanto o complexo de inferioridade, como o inverso (superioridade) são disturbios psicologicos que o homem sofreu após a entrada do pecado no mundo. Sendo assim, necessario que busquemos a posição correta.
Gideão se considerava o menor, sem importancia, e ate´se questionou “ com que livrarei Israel?” mas para Deus, que o conhecia por dentro, sabia que ele era um homem  valoroso, e tinha condições de realizar tão grande obra.
II - Você tem Valor
É certo que; alem dos processos psicológicos  naturais  que sofremos, temos a oposição maligna, que batalha no sentido de tanto jovens como adultos se sentirem inferiorizados.
Gideão por se sentir assim, não tomava a iniciativa se fazer algo para mudar a situação de seu povo. O mesmo se dá hoje, se as pessoas se sentirem assim, jamais utilizaram as habilidades e talentos dadas por Deus, para que vivêssemos bem e realizarmos a sua obra.
A Bíblia alem da passagem de Gideão,  nos mostra que temos o nosso valor, o salmista declara:
Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem,
para que o visites? (Sl 8:4)
por toda a bíblia vemos a forma maravilhosa como Deus trabalha em favor do ser humano, isto porque o homem tem um valor extraordinário para Deus, por esta mesma razão é chamado da coroa da Criação de Deus.
Portanto não permitemos que nosso coração seja assolado por tal sentimento.
Podemos usar algumas dicas para evitar o complexo de Inferioridade
• Compreenda que você é amado por Deus.
• Aceite-se como é.
• Não se conforme com as situações e tome atitude para mudá-las.
• Busque entendimento na Bíblia e faça dela uma arma para os momentos de fraqueza.
• Crie vínculos e círculos de amizades. Estas serão aquelas com as quais você poderá conversar e desabafar nos momentos de crise.
• Peça ajuda, sempre.
Alguns versículos na Bíblia sobre o complexo de inferioridade:
“Ninguém despreze a sua mocidade, mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1 Tm 4:12).
“Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (1 Jo 2:14).
Varão valoroso
Da mesma forma como Gideão foi chamado de varão valoroso, Deus também deseja que sejamos valorosos assim como Gideão, ainda mais se tratando dos adolescentes, pois Gideão ainda era jovem quando ocorreu a chamada de Deus.
 Nos fatos descritos em Juízes  encontramos os passos dados por Gideão e que nós precisamos também percorrer para tornar-nos um “varão valoroso”
    1º passo: Reconhecer Quem Somos Para Deus.
No queixume de Gideão no v. 13, ele afirma que duvidava de que realmente fosse especial para Deus (... se o Senhor é conosco, por que tudo nos sobreveio?).
Um varão valoroso de Deus é alguém que descobriu o amor de Deus.  Ele sabe que Deus é pelo Seu povo e que nada pode anular o amor dEle (Rm 8:31-39, Dn 3 e 9:20).
     2º passo: Descobrir que Deus faz maravilhas.
Para Gideão, assim como para muitos “crentes derrotados”, as maravilhas do Senhor se restringiram aos tempos de Moisés (... e onde estão todas as suas maravilhas que nossos pais contaram? v. 13).  O varão valoroso é alguém que crê como Davi no Salmo 40:5  Muitas são, ó Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco.
    3º passo:  Entender que Deus é Justo e Misericordioso.
 O prazer de Deus é em abençoar seu povo.  Porém, nada Ele pode fazer quando este povo prefere percorrer o caminho da desobediência.  Gideão ainda não entendia que todo o mal que pairava sobre seu povo era reflexo da apostasia (o Senhor nos desamparou e nos entregou na mão de Midiã).
O capítulo 1 de Juízes conta que as tribos de Israel foram desobedientes e o capítulo 2 contém a Palavra do Senhor prevendo as conseqüências sobre o povo.  Deus espera que Seu povo escolha serví-lo (Dt 30:19).
    4º passo:  Cortar todo e qualquer vínculo com o Diabo.
A primeira tarefa que o Senhor determinou a Gideão foi de derrubar o altar a Baal e o ídolo de Asera, aos quais a família dele estava ligada .  A ordem foi obedecida e no lugar onde o inimigo das nossas almas era servido, Gideão erigiu um altar ao Senhor.  Este episódio fez com que os asbiezritas apelidassem Gideão de “Jerubaal” (“Baal contenda”).  Para ser um varão valoroso de Deus é preciso quebrar toda e qualquer ligação com o inimigo.  É preciso restaurar o altar de Deus em sua vida.
III - Gideão e seus 300
Depois da morte de Josué, o povo de Israel passou por mais de três séculos nos quais "não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto" (Jz 17:6; 21:25). Durante esse período, se repetia várias vezes o mesmo ciclo:
1- O povo obedecia a Deus por algum tempo e, depois, afastou-se dele.
2- Como alerta ao povo rebelde, Deus permitia que um inimigo o oprimisse.
3- Quando o povo se arrependia e pedia libertação,
4- Deus mandava juízes para livrá-lo das mãos dos inimigos.
5- Povo resgatado servia ao Senhor durante o resto daquela geração, assim começando, de novo, o ciclo.
 Gideão foi o quinto dos juízes ou libertadores, apresentado em Juízes, capítulos 6, 7 e 8. Da vida dele, podemos aproveitar muitas lições valiosas.
Gideão também conhecido por Jerub-Baal, é um juiz que aparece no livro de Juízes. Ele também é mencionado nas Epístola aos Hebreus como um exemplo de homem de fé. Ele é filho de Joás, abiezrita da tribo de Manassés. O nome Gideão significa "destruidor", "guerreiro poderoso" ou "lenhador". Ele foi o quinto juiz de Israel, segundo a Bíblia.
Gideão foi o juiz que libertou os filhos de Israel dos midianitas. Os midianitas eram povos nômades árabes dos desertos da Síria e da Arábia.Esse povo oprimia israel roubando suas colheitas e também seus animais .Eles tinham invadido a parte central da Palestina. Em um de seus ataques eles mataram os irmãos de Gideão, em Tabor. Foi então que Gideão recebeu uma experiência com Deus, onde o Anjo do Senhor o chamou, para fazer dele o libertador de Israel.
Os midianitas oprimiram os israelitas por sete anos. Eles subiam cada ano e tomavam os produtos alimentícios dos campos e todos os animais dos hebreus. Para sobreviver, os israelitas escondiam alimentos do inimigo. Gideão estava preparando comida para escondê-la quando o Anjo do Senhor apareceu. Gideão de imediato não entendeu a razão de ser chamado varão valoroso, porem após pedir a confirmação de Deus, seguiu sua intruções.
E quando chegou o dia da grande batalha Gideão conduziu seu exército de 32.000 israelitas para o campo de conflito contra 135.000 midianitas. Sua desvantagem militar era de 4 contra 1! Deus não deixou Gideão entrar na batalha com este número de soldados. Em duas etapas, ele diminuiu a força militar de Israel.
Primeiro, 22.000 voltaram para casa, e os midianitas ficaram com uma vantagem de
13,5 contra 1. Na segunda etapa, Deus mandou embora mais 9.700 israelitas, deixando Gideão com apenas 300 soldados. Para vencer o inimigo, cada soldado israelita teria que vencer 450 do inimigo!
Deus, na sua perfeita sabedoria, tinha um propósito bem definido nesta redução das forças militares de Israel. Ele mandou seu exército à batalha com uma desvantagem tão grande que ninguém poderia dizer: "A minha própria mão me livrou" (Jz 7:2).
Usando uma estratégia que não fez nenhum sentido, em termos militares, a pequena banda de israelitas venceu o exército dos midianitas.
Conclusão
A força verdadeira do servo do Senhor não vem de si mesmo, e sim de Deus. Ninguém é forte o bastante para resolver seus próprios problemas sozinho, especialmente quando falamos sobre nosso problema principal: o pecado. Dependemos de Deus e de sua graça (Ef 2:8-9). Paulo disse: "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4:13).
 Gideão será lembrado eternamente como exemplo de fé (veja Hebreus 11:32). A grandeza desse homem não se encontra na sua força física, nem na sua inteligência, nem na sua autoconfiança.
A Bíblia não comenta sobre sua aparência física nem sobre seu jeito de falar. Gideão se destacou na História, não por ser um grande homem, mas por ter um grande Deus. Deus é capaz de transformar os fracos, complexados, os tímidos e os abatidos em  grandes jovens e homens de Deus, varão valoroso.
Que Deus vos abençoe.
Colaboração para o Portal Escola Dominical- Profº Jair César Silva Oliveira

ADOLESCENTES - Lição 7: Vença a Preguiça


1º Trim. 2012 - ADOLESCENTES - Lição 7: Vença a Preguiça
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
ADOLESCENTES – CPAD
1º Trimestre 2012
Tema: Conselhos para o dia-a-dia
Comentarista: Jamiel Lopes
LIÇÃO 7 – VENÇA A PREGUIÇA
Objetivo
Professor (a) ministre sua aula de forma que possa conduzir o aluno a:
Conscientizar-se da importância do trabalho e as desventuras de quem cede à preguiça.
Para refletir
“Por mais que o preguiçoso deseje alguma coisa, ele não conseguirá, mas a pessoa esforçada consegue o que deseja.” (Pv. 13:4 – NTHL).
Preguiçoso, no hebraico ãsel , “lento, “vagaroso”, “moroso”.
Esta palavra ocorre somente no livro de Provérbios, havendo outras iguais em Pv. 19:15 e 31:27, ambas traduzidas por “preguiça”.
Este versículo nos adverte acerca do perigo de deixar-nos dominar pela preguiça.
Texto Bíblico em estudo: Pv. 6:6-11; 10:4-5.
Introdução
O que é Preguiça?
Os dicionários definem a preguiça como: “Indolência, falta de inclinação ao exercício, inatividade, vadiagem, ociosidade, vagabundo, lento, vagarosos, viver a custa dos outros, relaxado, molenga, passar o tempo, dorminhoco, inútil, comportamento vegetativo, imobilidade, inércia, folgado, negligente, etc”.
Veja a  auto definição de um preguisoço:
“Sou um homem preguiçoso, acho que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar e dormir é ainda melhor do que ficar só deitado”. (O Elogio da Preguiça – Uma Crônica Budista)
Os males da preguiça
Para entendermos melhor o que é preguiça, vamos começar pelo Bicho-preguiça?
O Bicho-preguiça na natureza é muito interessante:
a) A Preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva, não come qualquer folha;
b) A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Se não tiver um galho para se pendurar entra em stresse;
c) A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomover e a postura são algumas de suas características;
d) Elas não bebem água, pois a água que precisam para viver é absorvida do próprio alimento;
e) É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Conhece o perigo, mas não reage;
f) As preguiças costumam dormir cerca de 14 a 16 horas por dia.
Você conhece alguém assim?
Você já que aquela moleza própria da segunda feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem a obrigação de trabalho, escola ou igreja é pecado?
A preguiça do Ponto de vista antropológico
 “Do ponto de vista antropológico, a preguiça não pode ser interpretada como virtude. A necessidade do lazer, do descanso é um direito. A preguiça, portanto, não é lazer, mas é negação e omissão à participação na solução de situações, é omissão na integração comunitária, é isentar-se da responsabilidade individual e social (Isidoro Mazzarolo, doutor em teologia da PUC, RJ)”.
A preguiça do Ponto de vista científico:
Ricardo Moreno, psiquiatra da USP, afirma – “A preguiça é um dos sintomas de alguma doença. Entre elas, a anemia, câncer, hipertiroidismo, depressão e até uma virose deixam qualquer um sem gás. Por isso é preciso ficar alerta quando se passa a prejudicar a vida pessoal, social e profissional por preguiça” (Jornal O Correio da Paraíba, 23/08/1998).
Ricardo Moreno afirma que há os “preguiçosos por natureza. São pessoas mais lentas, detalhistas, do tipo que levam horas para fazer algo, gostam e precisam de mais descanso. Isso se deve ao metabolismo, que dita um ritmo mais vagaroso, e apenas 1% da população mundial tem este biotipo”
Mesmo tendo conceitos tão negativos tão negativos, há ainda quem defenda a preguiça de forma ardente, como por exemplo:
a)    Oscar Wilde (Escritor) – “O trabalho é o refúgio de quem não tem nada de interessante pra fazer”.
b)    Anna Matilde (Psicóloga da USP) – “O preguiçoso é apaziguador, faz de tudo para gradar e não discute nem quando tem razão. O preguiçoso abdica de sua autonomia para que alguém faça as coisas por ele”.
c)    Mario Quintana – “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda”.
No livro de Provérbios encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”. ( Pv. 6:6)
Havia na Palestina, um tipo de formiga chamada Ceifadora. E o rei Salomão faz comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida.
Elas trabalham com afinco para guardar sua comida para o inverno. Formigas nunca morrem de fome. Bicho-preguiça freqüentemente morrem. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico.
As Características do Preguiçoso
Do ponto de vista teológico, a partir das declarações de Salomão podemos perceber a gravidade deste mal e o motivo por que é tratado como um dos setes pecados capitais.
1. A vida dos preguiçosos é cheia de dificuldades, atraso, medo, desapontamentos e sofrimentos.
a)    Uma vida cheia de espinhos - “O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana”. – Provérbios 15.19
b)    Uma vida cheia de perigos – “Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas”. (Pv.22:13)
2. O preguiçoso é apático e indiferente as circunstâncias, aos conflitos e as necessidades da vida.
a)    Não cuida da sua lavoura – “Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas”. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução”. (Pv. 24:30-32).
b)    Não cuida da casa – “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa” (Ec10:18).
3. A sua apatia é tão grande que a sua vida, é como do bicho preguiça, consiste em dormir.
“Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” (Pv.  6:9).
“A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome”. (Pv. 19:15).
“Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv. 24:33-34).
4. O preguiçoso é sonhador
a)    Deseja, mas nunca alcança – “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Pv. 13:4).
b)    Deseja, mais não quer trabalhar – “O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar” (Pv. 21:25).
A mente dos preguiçosos é muitos preocupados com “eu desejo”, associado com vâs imaginações de viver fácil e indulgente, enquanto que seus corpos físicos se recusam a mover-se. Eles almejam muito, mas conseguem poucos, por que suas mãos se recusam a trabalhar.
“O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso” (Pv. 12:11).
5. A companhia de um preguiçoso traz sérios problemas
O preguiçoso pode causar dano para a família ou congregação, sua ausência é muito melhor do sua presença – “Quem é negligente na sua obra já é irmão do desperdiçador” (Provérbios 18.9); “Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam” (Provérbios 10.26).
Conclusão
Precisamos entender que a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas também por algum problema pessoal, tais como:
a)    Uma pessoa com anemia, a pressão sangüínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade de fazer as coisas;
b)    Uma pessoa desmotivada, acaba tendo uma apatia (ou preguiça) para fazer qualquer coisa.
c)    Para estes problemas, um tratamento médico pode resolver.
A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. Os cristãos não devem ser ociosos, mas trabalhar com afinco e constância para ganhar o próprio sustento e da família, além de ter com que ajudar os necessitados.
“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” – Efésios 4.28
Colaboração para o Portal Escola Dominical – Profª. Jaciara da Silva.   fonte portal ebd

Lição 7: "Tudo Posso Naquele que me Fortalece" I


1º Trim. 2012 - Lição 7: "Tudo Posso Naquele que me Fortalece" I
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2012
TEMA – A verdadeira prosperidade – a vida cristã abundante
COMENTARISTA: José Gonçalves
LIÇÃO 7 – “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
                        Deus nos fortalece não para sermos super-homens, mas para tudo suportarmos até nossa ida para o céu.
INTRODUÇÃO
- Na continuidade do estudo dos falsos ensinos da teologia da prosperidade e sua refutação bíblica, analisaremos o triunfalismo, que tem na expressão retirada do contexto da epístola de Paulo aos filipenses que dá título a esta lição um dos principais bordões.
- As palavras de Paulo nada têm que ver com o triunfalismo propalado pelos teólogos da prosperidade, mas, vistas no contexto, ensina-nos que o salvo sabe tudo suportar, inclusive e em especial as adversidades, na sua jornada terrena para o céu.
I – O TRIUNFALISMO E SEU FALSO PRESSUPOSTO
- Um dos mais funestos efeitos da teologia da prosperidade e a sua forma de execução é o “triunfalismo”, que é um comportamento de sutileza típica: aproveitando-se das circunstâncias que estão ao redor do crente, o adversário levanta homens e mulheres que geram expectativas de um “paraíso na terra”, desviando os olhares do povo daquilo que é relevante e permanente: a vida eterna.
- Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa,  a palavra “triunfalismo” surgiu em nosso idioma em 1965, com o significado de “atitude, crença ou doutrina de que determinado credo religioso é superior a todos os outros”. Mas, em 1980, adquiriu novo significado, a saber, “atitude excessivamente triunfante; sentimento exagerado de triunfo”. Já na própria história da palavra, vemos como é recente a sua infiltração no meio do povo de Deus e como se teve uma distorção dos corretos ensinos provenientes das Escrituras Sagradas.
- A palavra “triunfalismo” advém de “triunfo”, palavra de origem latina, “triumphus”, que era o nome que recebia “a entrada solene em Roma de um general vitorioso”, e que, por extensão, passou a significar “vitória”. Em Roma, além da entrada solene em Roma, era costumeiro construir “arcos do triunfo”, ou seja, “…um tipo de monumento introduzido pela arquitetura romana originalmente utilizado como um símbolo da vitória em uma determinada batalha. Cada arco do triunfo romano, portanto, remete-se a uma batalha e a um imperador específicos na história romana e sua memória era celebrada através desta construção.…” (WIKIPEDIA. Arco do triunfo.  http://72.14.203.104/search?q=cache:qJ8-DhbWAdgJ:pt.wikipedia.org/wiki/Arco_do_Triunfo+%22arco+do+triunfo%22&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=1  Acesso em 26 abr. 2006).
- Ao falarmos em “triunfalismo”, portanto, estamos nos referindo a “uma atitude excessivamente triunfante”, a um “sentimento exagerado de triunfo” que tem tomado conta da vida de muitos crentes, que, insuflados por pregadores de um falso evangelho, evangelho este baseado na “teologia da prosperidade”, passam a se considerar “supercrentes”, pessoas que se encontram acima das dificuldades e das adversidades da vida e que, portanto, confundem vida espiritual com prosperidade material e imunidade aos males desta vida.
- O “triunfalismo” é uma atitude típica dos chamados “movimentos da fé” ou “teologia da prosperidade”. Como já tivemos ocasião de observar neste trimestre, esta falsa doutrina parte da noção de que, na criação do homem, Deus entregou ao homem o domínio sobre a criação terrena, dando-lhe, pois, “direitos” que ele pode reivindicar diante da Divindade. Tanto assim é que, quando do episódio da queda, o que teria havido seria um “legítimo direito” do homem em transferir a Satanás o domínio desta mesma terra. Evidentemente que Deus não iria permitir isto e, por isso, teria elaborado o plano da salvação do homem, a fim de que o homem pudesse, legalmente, reaver o que havia transferido ao diabo.
- Como Jesus veio ao mundo e cumpriu este desejo do Senhor, o homem que aceita a salvação teria retornado a esta qualidade de “detentor de direitos” diante de Deus e, por isso, não há que se falar em adversidades, dificuldades ou quaisquer outros problemas para o salvo, uma vez que ele tornou a ter os “direitos” que lhe advieram pela “nova criação”. É a partir deste conceito, pois, que surge, no bojo da “teologia da prosperidade”, um triunfalismo, vez que o salvo se sente um “mais do que vencedor”, alguém que “triunfou sobre o diabo” e que, por isso, não tem mais que “pagar coisa alguma ao diabo”, que tem, simplesmente, de “fazer o diabo desaparecer da sua vida, dos seus bens, da sua família e da sua saúde”.
- Não obstante, não é isso que dizem as Escrituras Sagradas. Relembrando o que já estudamos, vemos que, em primeiro lugar, o homem não é portador de qualquer “direito” diante de Deus. Quando da criação, Deus fez o homem um simples “mordomo”: o domínio sobre a criação terrena não significa, em absoluto, propriedade, mas, sim, poder de administração. Tanto assim é que o homem foi feito “imagem e semelhança de Deus”, ou seja, embora tivesse pontos de contacto com o Senhor, não fora equiparado a Ele, o que, a propósito, é reconhecido pelo próprio Satanás que, valendo-se desta diferença entre Deus e os homens, levou o primeiro casal a desejar ser igual a Deus (cf. Gn.3:5).
- Ao se verificar o texto de Gn.1:26, vemos que, no hebraico, o verbo utilizado para designar o “domínio” do homem é “radah”(רדה), ou seja, “governar”, “dar regras”, que, na versão grega da Septuaginta é “archétosan” (αρχέτωσαν), que também significa “governar”, “administrar”. Não bastasse este significado, o texto bíblico mostra claramente que Deus mantém o controle de toda a situação, seja porque, encontramos Deus ordenando ao homem (Gn.2:15-17), seja porque a narrativa bíblica demonstra que o homem só exerce suas faculdades mais excelentes, entre as quais, a de dar nome aos demais seres (que é o símbolo de sua superioridade), sob os auspícios e a devida supervisão do Senhor (cf. Gn.2:19-23).
- Como se ainda isto não fosse suficiente, as Escrituras são claras ao afirmar que, enquanto o homem tem o governo sobre a criação terrena, o reino, a soberania permanece sendo de Deus, o “dono”, o “proprietário”, ou seja, aquele que tem “poder absoluto sobre a coisa”, pois esta é a noção de propriedade. É o que se verifica no Sl.24:1; 47:8; 59:13; 93:1; 96:10; 97:1; 99:1; Is.52:7 e Ap.19:6, entre outras referências. Nestes trechos, aliás, os verbos são diversos, pois dão a ideia do domínio absoluto. É o verbo “reinar” que está em foco, que, em hebraico é “mashal”(םשל) e, em grego, “ebasileuein” (εβασιλευειν).
- O “triunfalismo”, portanto, perde já na sua base, pois todo o edifício que dá ao homem uma qualidade de “supercrente” parte do pressuposto de que ele é “detentor de direitos” diante de Deus e que, por isso, Deus é “obrigado” a praticar determinadas ações em favor dos “salvos”, por força dos “direitos” existentes no relacionamento entre Deus e a humanidade. Nada mais falso. Se é verdade que Deus nos resgatou do pecado e da perdição eterna, fê-lo porque é amoroso e tudo nos concede por “graça”, ou seja, “favor não merecido”, conceito bem diverso do de “direito”. Para nos utilizarmos da linguagem jurídica, tão ao gosto dos “triunfalistas”, a salvação do homem e as bênçãos decorrentes dela são fruto de uma “liberalidade” divina, não de uma “obrigação”.
OBS: “Liberalidade”, como nos diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é “ disposição daquele que, em seus atos ou em suas intenções, dá o que não tem obrigação de dar e sem esperanças de receber nada em troca”. (grifo nosso)
- A ideia de “triunfo” por parte do ser humano é alheia ao texto bíblico. Na Versão Almeida Revista e Corrigida, a única vez em que aparece a palavra “triunfo” é no Sl.47:1, tradução esta, entretanto, que não é a melhor, vez que a palavra hebraica “rinnah”(רנה) significa “voz alta”, “clamor”, “alegria”, “júbilo”, sendo estas as palavras utilizadas pelas demais versões, a começar da Almeida Revista e Atualizada.
- O verbo “triunfar” aparece em dois versículos da Versão Almeida Revista e Corrigida. A primeira vez, em Mt.12:20, quando o evangelista faz referência a uma profecia de Isaías, dizendo que o “servo do Senhor” (ou seja, o Messias) iria “triunfar em juízo”, palavra repetida pela Tradução Brasileira, mas que é tradução de “nikos” (νικος), que significa “vitória”, tanto que a Versão Almeida Revista e Atualizada prefere utilizar a palavra “vencedor”. De qualquer maneira, quando se fala em “triunfo”, está-se referindo a Jesus, Ele, sim, o triunfante contra o mal e o pecado.
- A segunda vez que se fala em “triunfar” na Versão Almeida Revista e Corrigida é no texto de II Co.2:14, um dos textos mais caros aos “triunfalistas”, onde temos o verbo grego “thriambeuonti” (θριαμβεύοντι), cujo significado é, efetivamente, “triunfar”. Para que verifiquemos se, neste texto, encontramos base para o pensamento triunfalista, nada melhor que transcrevê-lo para uma devida análise de sua literalidade:
E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o cheiro do seu conhecimento.
- Neste texto, é inegável que a ideia do triunfo está associada à imagem da entrada do general vitorioso em Roma. Temos, assim, a verdadeira reprodução, na Bíblia Sagrada, da cena que dá origem ao “triunfo”. Mas, então o crente pode se comportar como um verdadeiro “general vitorioso”, que entra na sua cidade orgulhoso de sua condição de vitória, pronto a desfrutar das benesses dela decorrentes, ou seja, dos “direitos” resultantes da sua vitória militar, o que, em Roma, quase sempre, significa concessão de poder e de autoridade?
- A despeito de ter sido esta a interpretação dada pelos “triunfalistas”, o texto não nos autoriza a pensar desta maneira. O apóstolo Paulo, ao nos trazer a imagem do triunfo, está, sim, pondo o crente não na posição do general vitorioso, mas, ao contrário, o crente, diz Paulo, faz parte do “despojo” do vitorioso. Com efeito, quando o general ingressava em Roma, no seu “triunfo”, era seguido pelos bens e prisioneiros que eram capturados durante a guerra.
OBS: Flávio Josefo dá-nos uma ideia de como isto se dava, quando descreveu o “triunfo” de Tito, o general que destruiu Jerusalém e o templo no ano 70. Diz o historiador judeu: “…O dia de pompa tão soberba chegou e não houve uma só pessoa naquela infinita multidão de povo, que enchia toda Roma, que não quisesse presenciá-la.(…). É impossível descrever a magnificência desse festejo triunfal.(…). Viam-se todas as espécies de vestuários de púrpura (…). Havia estátuas de deuses, das diversas nações, de tamanho surpreendente.(…). Havia ainda várias espécies de animais raros e estimados, pela sua qualidade(…). Nada, porém, causava tanta admiração aos espectadores do que as diversas representações, como grandes armações de três ou quatro andares.(…). Eram imagens de cenas da guerra, as mais notáveis representadas ao natural.(…). Sobre cada uma dessas cidades, estava representado aquele que as havia defendido e de que maneira havia sido aprisionado. Vinham em seguida vários navios; entre a grande quantidade de despojos, os mais notáveis, eram os que tinham sido feitos no templo de Jerusalém; a mesa de ouro, que pesava vários talentos, o candelabro de ouro, feito com tanta arte(…). Simão, filho de Gioras, que depois de ter tomado parte no desfile triunfal, entre os outros escravos,…” (JOSEFO, Flávio. Tradução de Vicente Pedroso. Guerra dos judeus contra os romanos VII, 16,17. In: História dos hebreus, v.3, p.197-8).
- Ao dizer que Deus nos faz “triunfar em Cristo”, o apóstolo está nos dizendo que fazemos parte do “despojo” de Cristo, ou seja, somos o resultado da Sua vitória sobre o mal e o pecado, da Sua vitória sobre o adversário das nossas almas. O crente é um troféu que Cristo apresenta a Deus como prova da Sua vitória sobre o adversário das nossas almas. Daí porque a expressão da Versão Almeida Revista e Atualizada, qual seja, “nos conduz em triunfo” ou, na Nova Versão Internacional, “nos conduz vitoriosamente em Cristo”, ou seja, somos parte do espetáculo que Deus mostra a todo o universo para celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e o inferno. Não é por outro motivo que o escritor aos hebreus nos traz a expressão que Cristo diz ao Pai: “Eis-Me aqui a Mim e aos filhos que Deus Me deu” (Hb.2:13 “in fine”), repetindo as palavras do profeta Isaías (Is.8:18a).
- Destarte, também este texto, em absoluto, põe o salvo no lugar do “general vitorioso”, nem estabelece qualquer base para que “esmaguemos a cabeça da serpente”, “amarremos o diabo”, ou, muito menos, “exijamos os nossos direitos” diante de Deus, mas, tão somente serve para nos mostrar que o vitorioso é Cristo e que, graças à Sua vitória, fomos por Ele conquistados para desfrutar, na Sua companhia, da vida eterna na cidade celestial.
II – A VIDA DE COMUNHÃO COM DEUS NÃO NOS IMPEDE DE TERMOS ADVERSIDADES NESTA VIDA
- A base do “triunfalismo” é dizer que, a partir do momento em que o homem aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, não é mais possível que o homem passe a ter problemas na vida sobre a face da Terra, pois a sua comunhão com Deus, a sua salvação lhe traz uma posição de “triunfo”, de vitória sobre o diabo. Portanto, é impossível que o salvo venha a sofrer enfermidades ou quaisquer outras necessidades, em especial, as relativas à vida econômico-financeira.
- Este raciocínio é antiquíssimo, já se encontrava na teologia distorcida dos “amigos de Jó” e, conforme já foi visto neste trimestre, não representa um pensamento correto a respeito de Deus, como o denunciou o próprio Senhor em Sua conversa com Elifaz (Jó 42:7).
- A salvação é a maior bênção que um mortal poderia receber. Ela é a solução para o problema insolúvel do homem, qual seja, a sua separação de seu Criador por causa do pecado. Sem condições de resolver esta questão, o homem estava irremediavelmente perdido, mas Deus, desde o instante em que sentenciou o homem pelo seu pecado, prometeu reverter o quadro, o que se deu na pessoa de Cristo Jesus.
- Assim, a salvação é, sobretudo, uma bênção espiritual, tem a ver com o reatamento do relacionamento entre Deus e o homem e isto é o mais importante, pois a questão da eternidade é fundamental para o ser humano, que não foi criado para deixar de existir, mas cuja existência perdurará para sempre, na companhia de Deus, ou não.
- Não é por outro motivo que a questão relativa à vida eterna tem de ser tratada prioritariamente pelo ser humano. As Escrituras não cessam de mostrá-lo ao longo de suas páginas. Desde Abel, a Bíblia não nos cansa de mostrar que o segredo da vitória do homem está em buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt.6:33). Segundo Jesus nos mostrou no sermão do monte, é este o fator distintivo entre os “gentios”, entendidos estes como os que não têm compromisso com Deus e os verdadeiros adoradores do Senhor.
- Aceitando a Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador, ocorre o maior milagre que poderia acontecer, qual seja, o de passarmos da morte para a vida (Jo.5:24), de sair das trevas e ir para a luz (Jo.3:20,21), tornando-se novas criaturas (II Co.5:17; Gl.6:5), cuja posição, agora, é a de estar nos lugares celestiais em Cristo, onde é abençoado com toda a sorte de bênçãos espirituais(Ef.1:3).
- Notamos, portanto, que, de pronto, a promessa de Deus que advém da salvação é a do desfrute de todas as bênçãos espirituais. Não há qualquer registro nas Escrituras de promessa de “todas as bênçãos materiais”, mas, sim, de “todas as bênçãos espirituais”. É esta a promessa dada por Deus e Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). As Escrituras, coerentemente, dão a devida importância e relevância para o aspecto espiritual, pois é isto que temos de buscar em primeiro lugar, isto é o que importa. Aliás, foi esta a ordem de Cristo: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou” (Jo.6:27).
- Não só o crente deveria se preocupar em ter uma vida espiritual abundante, cada vez mais crescente, como também deveria, em sua vigilância contínua, zelar, prioritariamente, também pelo seu bem-estar espiritual. É, também, orientação do Senhor: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer, no inferno, a alma e o corpo” (Mt.10:28). Como podemos verificar, a preocupação do cristão deve ser com a sua vida eterna, com o seu relacionamento com Deus, deixando todas as demais coisas, conquanto necessárias, num segundo plano.
- Esta é a mesma conclusão que tiramos da vida do mais sábio homem que houve sobre a Terra, depois de Jesus. Salomão, no seu livro da velhice, o livro de Eclesiastes, com a autoridade que tem alguém que recebeu de Deus todas as bênçãos materiais possíveis, diz, ao término de sua pregação, que, diante de todas as bênçãos materiais recebidas, de tudo o que granjeou e desfrutou, chegava à conclusão seguinte: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec.12:13,14). Ao verificar toda “a vida debaixo do sol”, que é o tema do livro de Eclesiastes, Salomão concluiu que tudo o que importa é o nosso relacionamento com Deus, o dever de todo o homem de obedecer-Lhe, pois é diante do Senhor que nos apresentaremos para prestar contas daquilo que fizemos nesta vida
- Dentro desta perspectiva é que devemos entender que, sobre a face da Terra, a vida nos reserva tanto alegrias quanto tristezas, tanto dias bons quanto dias maus. Quando vemos o que a Bíblia diz a respeito disto, constatamos, para desmentido dos triunfalistas, que o justo não está livre de sofrer contratempos na vida, de ter problemas e dificuldades. As Escrituras, quando falam da adversidade, nunca excluem o justo dele. Senão vejamos:
- No Sl.27:5, o salmista diz que, o dia da adversidade, será escondido no pavilhão de Deus, ou seja, além de o salmista admitir que sofrerá esta adversidade, ainda nos informa que esta adversidade tanto não é prova de que está sem Deus, que será o próprio Deus quem o acalantará durante este período difícil da sua vida. Nem se diga que se trata de um “derrotista”, de um “crente sem fé”, como costumam dizer os triunfalistas, pois quem escreveu este salmo foi Davi, um “homem segundo o coração de Deus”, um exemplo de guerreiro e de vencedor de batalhas e, como se isto não bastasse, num salmo em que se louva a falta de medo, em que se louva a coragem daquele que confia em Deus. Entretanto, a coragem, a fé em Deus não retiram o fato de que o justo passa, sim, por problemas e dificuldades e disto Davi dá testemunho na sua vida.
- No Sl.35:5, o salmista não só fala que o justo passa por adversidade, como ainda que, por causa da adversidade, os seus inimigos se vangloriavam e festejavam. O salmista, apesar desta situação aflitiva e de confiar que ela será revertida, não deixa de mostrar que se encontra em comunhão com o Senhor, que se humilha e jejua na presença de Deus, não tendo, pois, perdido a sua salvação. Isto, porém, não impediu que houvesse a adversidade.
- Em Ec.7:14, é dito que Deus fez tanto o dia da prosperidade, quanto o dia da adversidade e, com uma finalidade, a saber: “para que o homem nada ache que tenha de vir depois dele”. Assim, um dos motivos pelos quais Deus permite a todo ser humano passar por adversidades é para que entenda a efemeridade da existência sobre a Terra e o seu correto lugar na ordem do universo. O sábio, pois, faz questão de nos mostrar que esta sucessão de dias se dá a todo o ser humano, indistintamente, seja ele alguém que serve a Deus, seja ele alguém que não O serve.
- Mas, dirá alguém, que, quando se fala em adversidade, temos o Sl.10:6, onde é dito que “Não serei abalado, porque nunca me verei na adversidade”. Tal pensamento, bem apropriado para os “triunfalistas” que, como veremos, são mestres na arte de retirar textos fora do contexto nas Escrituras para alicerçar seus conceitos, não resiste a uma análise superficial. Quem diz que nunca estará em adversidade, à moda dos triunfalistas? São os ímpios, como vemos a partir do Sl.10:2, onde é dito que “os ímpios, na sua arrogância, perseguem furiosamente o pobre”; no Sl.10:3, diz-se que “o ímpio gloria-se do desejo da sua alma”; no Sl. 10:4, “por causa do seu orgulho, (…) não investiga,…”; no Sl. 10:5, “os seus caminhos são sempre atormentadores”, para então, no versículo 6, dizer que “não será abalada, nunca se verá na adversidade”. Temos, pois, que o texto, tão do gosto dos triunfalistas, mostra-nos, bem ao contrário do que eles desejam, que a ideia de que não se passará jamais por adversidade é uma ideia típica de quem não serve a Deus, é a ideia típica do arrogante, do autossuficiente, daquele que “dispensa Deus” das suas vidas, do orgulhoso, do pecador.
OBS: A Nova Versão Internacional apresenta um texto que bem traduz as pregações dos triunfalistas dos nossos dias: “…’Nada me abalará! Desgraça alguma me atingirá, nem a mim nem aos meus descendentes’…” (Sl.10:6).
- O que verificamos, neste Salmo 10, é uma das muitas lições da Bíblia a respeito da evidência de que o justo, apesar de ser justo, nem por isso está livre de passar por adversidades. A “vida debaixo do sol” possui esta característica. Jesus disse aos discípulos que, no mundo, teriam aflições (Jo.16:33), ou seja, “thlipsis” (θλιπσις), cujo significado é “angústia”, “problema”, “tribulação”, “perseguição”, expressão que designava o ato de moer o grão para produção de farinha. Tal palavra foi dada aos discípulos, isto é, aos que serviam a Jesus. Esta foi a única garantia e certeza dada por Cristo aos Seus, sendo até uma das “bem-aventuranças” mencionadas no introito do sermão do monte, qual seja, a dos injuriados e perseguidos por causa do nome de Jesus (Mt.5:11,12), como vimos na lição anterior.
- Como, então, dizer que o crente, se em comunhão com Deus, jamais sofrerá dificuldades? Como afirmar, com base nas Escrituras, que a vida do salvo é imune a qualquer tipo de problema, seja ele enfermidade, conflito familiar, injustiça, carência econômico-financeira, carência afetiva ou outras coisas mais?
- No mesmo sermão do monte, Jesus fez questão de ensinar Seus discípulos de que as dificuldades ocorridas durante a “vida debaixo do sol” ou “vida debaixo do céu” (Ec.1:13) são de três origens, que tanto ocorrem para os sábios, que são os servos do Senhor, como para os insensatos, que são aqueles que não servem a Deus, a saber (Mt.7:25,27):
a) dificuldades surgidas por ação direta de Deus, as chamadas provações divinas, que foram representadas pelo Senhor pela chuva, que vem do céu.
b) dificuldades surgidas por ação direta das hostes espirituais da maldade, as chamadas tentações ou ações malignas, que foram representadas pelo Senhor pelos rios, que vêm de debaixo do solo, das regiões inferiores.
c) dificuldades surgidas da aplicação da “lei da ceifa” (Gl.6:7), ou seja, consequências das atitudes dos próprios homens na sua convivência com o semelhante, que foram representadas pelo Senhor pelos ventos, que vêm dos lados e que, já dizemos agora, embora seja assunto da próxima lição, nada tem que ver com a suposta “lei da reciprocidade” propalada pelos teólogos da prosperidade.
- Um dos graves erros dos “triunfalistas” está em repetir o gesto do ímpio do Salmo 10, que “não investiga”, ou seja, dentro da teoria “triunfalista”, todo e qualquer mal que sobrevém ao crente seria uma “obra de Satanás”, uma “obra demoníaca”, motivo por que se deve “determinar”, ou seja, na definição dada por R.R. Soares, “… não é ordenar a Deus e sim ao diabo que tire de nós suas garras e desapareça de nossas vidas, de nosso dinheiro e de nossas famílias.” (Curso Fé. Aula 1. Determinação. http://www.ongrace.com/cursofe/licoes.php?id=1 Acesso em 20 abr. 2006).
- Contudo, Jesus nos ensina que nem sempre uma adversidade é resultado da obra do inimigo. Muito pelo contrário, muitas vezes estamos a padecer por causa de atitudes que nós mesmos tomamos ao longo de nossas vidas, esquecendo-se de que o controle de todas as coisas está nas mãos do Senhor, que não Se deixa escarnecer e que faz valer a Sua soberania, inclusive para que haja o cumprimento da Sua Palavra. Em outras oportunidades, o que está acontecendo nada mais é que uma provação divina, uma permissão divina de sofrimento ao justo para que, por meio desta tribulação, este Seu servo adquira paciência, experiência e esperança, tudo tendo em vista o seu crescimento espiritual (Rm.5:3,4).
- Não podemos agir como os ímpios, mas, diante de uma dificuldade ou adversidade, proceder a uma investigação, a uma apuração dos fatos, como nos dá a entender o verbo hebraico “darash”(דרש). É preciso que, ante um problema, paremos e nos examinemos, verifiquemos qual é a causa, a razão de estarmos a passar por isso. Se não for encontrado um caminho mau em nós, após esta sondagem profunda, não só empreendida por nós, mas que encontre, também, a ajuda do Espírito de Deus (cf. Sl.139:23,24), então saberemos que se trata de uma prova divina e, como tal, devemos suportá-la, sabendo que tudo o que se passar será para o nosso bem (Rm.8:28).
- Os “triunfalistas”, porém, trazem um outro conselho, verdadeiro conselho de ímpio (Sl.1:1), que deve ser evitado, que é o de “determinar”, “recusar”, “não aceitar” a dificuldade. Para tanto, como entendem que tudo o que sobrevier ao crente salvo será obra maligna, exigem que expulsemos o adversário e, “usando da fé”, repudiemos o maligno, usando a “autoridade” que tem o verdadeiro e genuíno crente. Tal situação somente valerá para as hipóteses em que se estiver diante de uma tentação, de uma obra maligna, quando, então, no nosso autoexame, recorrendo ao Senhor, teremos o livramento COMO e QUANDO o Senhor assim o desejar. Se, no entanto, tratar-se de aplicação da “lei da ceifa”, como podemos resistir ao Senhor e à soberania da Sua Palavra? (II Cr.20:6; At.11:17) De igual modo, como lutar contra a provação que nos é posta pelo próprio Deus?
- “Enfrentar Deus”, “pôr Deus contra a parede”, como defendem os triunfalistas é um comportamento reprovável e absurdo. É a conduta que os ímpios, como nos mostra o Salmo 10, tomam, já que, “em sua presunção, o ímpio não O busca; não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos.” (Sl.10:4 NVI). No entanto, como Deus é prioridade em nossos corações, como é Ele a nossa própria razão de viver, jamais poderemos agir como se não O levássemos em consideração. Todavia, é assim que os triunfalistas nos mandam agir, o que, não é preciso sequer dizermos, será a causa de nossa ruína, pois um tal proceder é pura rebelião, e, como sabemos, “…a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria…” (I Sm.15:23 “in medio”). Que Deus nos guarde, pois, porque, como sabemos, os feiticeiros e os idólatras ficarão do lado de fora da cidade santa (cf. Ap.21:8; 22:15).
- Não fossem já estes conceitos que extraímos da Palavra do Senhor suficientes para demonstrar que a vida espiritual não significa, em absoluto, imunidade a dificuldades e adversidades ao longo da vida, o fato é que a Bíblia, também, nos dá muitos exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de sua vida de comunhão com o Senhor, sofreram terrivelmente e não foram poupados de adversidades e de problemas na sua “vida debaixo do sol”.
- É até interessante observar que, na galeria dos chamados “heróis da fé”, ou seja, o capítulo 11 da epístola aos Hebreus, que é como que um “desfile triunfal” dos servos de Deus, uma demonstração de que vale a pena ter fé em Deus, o escritor, a despeito de considerá-los homens e mulheres dignos de nota, verdadeiras testemunhas do Senhor que animam os crentes de todas as gerações a ter uma vida de comunhão com Deus (cf. Hb.12:1-3), não deixa de mostrar que este heroísmo, este triunfo não representou qualquer isenção, por parte de Deus, de dificuldades ou de tribulações, muitas das quais sem sequer a reversão do quadro desfavorável quando o servo do Senhor ainda em vida se encontrava.
- Assim, a começar por Abel (um dos quais o quadro desfavorável não foi revertido, vez que, pela sua justiça, foi morto sem que tivesse sequer chance de “triunfar”), o escritor fala-nos de diversas personagens, os quais, como aduz ao término da exposição, “…experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hb.11:36b-39). Onde, pois, a imunidade diante da adversidade de quem serve a Deus? Não eram todos estes “heróis da fé”? Não são todos estes “testemunhas” que servem de estímulo para nós? Por que, então, não “determinaram” e evitaram o mal sobre suas vidas? Temos, assim, a prova cabal de que a vida de comunhão com Deus jamais significou a impossibilidade de sofrer adversidades e problemas e, por vezes, até mesmo a morte sem que tivesse havido a suplantação da situação adversa.
- Diante de tão explícito texto, não demoram os triunfalistas em alegar que o escritor aos hebreus está a narrar a situação “antes da morte de Cristo”, quando o “mundo ainda estava legalmente nas mãos de Satanás”. Nada mais falso. Estes homens e mulheres mencionados pelo escritor aos hebreus são os “heróis da fé”, ou seja, embora tenham vivido antes da realização da redenção pelo Senhor Jesus, nela creram e, por causa desta fé, são também santos e se encontram num estado de salvação igual ao nosso. Quem o diz é o próprio escritor, na continuação do texto do capítulo 11, “in verbis”: “Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados”. Como se percebe, tanto estes “heróis” quanto nós devemos ser “aperfeiçoados”, ou seja, gozamos da mesma condição espiritual.
- Mas os triunfalistas prosseguem, dizendo que o texto nos fala de “alguma coisa melhor a nosso respeito” e esta “coisa melhor” seria a imunidade às “obras do mal”. Na nova aliança, dizem eles, não há que termos o mesmo sofrimento dos patriarcas e dos profetas, pois existe “alguma coisa melhor”. Não resta dúvida de que o escritor aos hebreus nos diz que existe “alguma coisa melhor”. Aliás, esta “alguma coisa melhor” é, precisamente, a mensagem de todo o livro, pois podemos resumir a mensagem crística de Hebreus nas palavras “Jesus é melhor”.
- Esta “alguma coisa melhor” não é, para tristeza dos triunfalistas, a imunidade a provações ou dificuldades, mas o próprio Jesus. Como, na continuação do texto, mostra-nos o escritor da carta, os crentes, ao contrário dos “heróis da fé”, têm, além do testemunho dos próprios heróis, o exemplo de Jesus (Hb.12:2,3), que foi revelado à Igreja e que ainda não havia sido plenamente revelado aos santos do Antigo Testamento. Esta “alguma coisa melhor” é a possibilidade que temos de olhar para Jesus, que a nós foi revelado, algo que foi muito desejado, mas não alcançado por aqueles justos (Mt.13:17; Lc.10:24) e, diante deste olhar, nos mantermos firmes, apesar de todas as provações e dificuldades que venhamos a enfrentar. Provações e dificuldades? Sim, pois, também para tristeza dos triunfalistas, o escritor aos hebreus, ao falar do exemplo de Cristo, anima os crentes hebreus a resistir na fé apesar de todas as adversidades (Hb.12:4).
- Por fim, para provarmos que as dificuldades e as adversidades não são coisas que caracterizaram o Antigo Testamento, como defendem os triunfalistas, basta mencionarmos as aflições e sofrimentos dos apóstolos e demais discípulos na igreja primitiva, como o martírio de Estêvão e de Tiago, sem falar nas diversas adversidades do ministério de Paulo (II Co.11:23-27). A conclusão só pode ser, pois, uma: a Bíblia nunca ensinou que o crente não sofre por ter fé em Deus.
III – O CONTEXTO DA EXPRESSÃO “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
- Depois de termos visto que o “triunfalismo” não tem qualquer respaldo bíblico, resta-nos analisar este verdadeiro “mantra”, como bem salientou o comentarista, que se tornou o texto de Fp.4:13, o nosso texto áureo e de onde se extraiu o texto desta lição: “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece”.
- De forma sutil, os “triunfalistas” tomam este texto isoladamente e, com base nele, dizem que os crentes podem todas as coisas, que, estando em Jesus, são invulneráveis, não podem mais sofrer coisa alguma, removem todo e qualquer obstáculo.
- Já pelo que vimos neste estudo, compreendemos que uma doutrina assim extraída de Fp.4:13 não tem qualquer fundamento, pois contrariaria toda a Bíblia Sagrada, sem falar que nenhuma doutrina pode ser constituída nas Escrituras com base em um único texto e, mais ainda, fora do contexto.
- Este ensino que tanto tem perturbado a vida espiritual de milhões de crentes, no entanto, não se estriba sequer no versículo utilizado, pois o contexto do capítulo 4 de Filipenses antes infirma do que confirma o triunfalismo.
- Por primeiro, lembremos que a carta que Paulo escreveu aos filipenses é uma das “epístolas da prisão”, ou seja, uma das cartas que o apóstolo escreveu quando se encontrava preso em Roma, a sua primeira prisão, Roma que era a etapa final de anos de encarceramento, como vemos registrado a partir do capítulo 21 do livro de Atos dos Apóstolos.
- Assim, logo de início vemos que jamais o apóstolo Paulo, na condição de preso há anos em virtude do Evangelho, poderia dar um ensino de que nenhuma adversidade pode vir à vida do crente, se ele mesmo se encontrava preso por causa do Evangelho
- Não bastasse isso, no limiar da carta que Paulo escreve aos filipenses, entendemos o motivo pelo qual o apóstolo escreveu aquela epístola: os filipenses estavam tristes e abalados na fé por causa desta prolongada prisão de Paulo. Paulo lhes escreve exatamente para que eles pudessem entender que o fato de Paulo estar passando por adversidade em nada retirava o poder do Evangelho e, mais ainda, não deveria ser motivo de tristeza mas de alegria.
- Como, numa carta em que o apóstolo procura mostrar aos filipenses que a adversidade por que passava era motivo de alegria e não de tristeza, poderia o apóstolo ensinar que o crente não passa por dificuldades, e que, se houver adversidade, é porque há pecado? Um total contrassenso que só pode ser defendido por pessoas como os teólogos da prosperidade…
- Assim é que o apóstolo afirma aos crentes de Filipos: “…E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho…” (Fp.1:12), ou ainda, “…E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor.…” (Fp.1:14).
- O apóstolo ainda mostra aos filipenses que, apesar de toda aquela adversidade ter contribuído para o bem da obra da Deus, o apóstolo não tinha também apego às coisas desta vida. Bem ao contrário do que prega a teologia da prosperidade, Paulo mostrou que a sua esperança não estava nesta vida, embora desejasse viver mais um pouco e tivesse a certeza de que isto iria ocorrer: “…Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. E tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé.…” (Fp.1:21-25).
- Paulo, pois, não estava “determinando” a sua libertação para “fazer a obra de Deus”. Não estava dizendo para o diabo retirar as suas cadeias, porque já era “salvo” e tinha “direitos” diante de Deus, mas, ao revés, entendia que Deus queria que ele fosse mantido preso, pois isto contribuía para o desenvolvimento da evangelização e que, embora seu desejo fosse ir para o céu, ainda importava que ficasse mais algum tempo fazendo a obra do Senhor sobre a face da Terra.
- Nesta carta, o apóstolo deseja alegrar os filipenses, retirar-lhes daquela tristeza que a sua prisão lhes causava. Por isso, afirma àqueles crentes que “se regozijassem no Senhor” (Fp.3:1), regozijo que deveria ocorrer mesmo que Paulo fosse martirizado (Fp.2:17,18).
- O apóstolo faz questão de mostrar aos crentes de Filipos que a vida cristã também envolve adversidades. Após ter mostrado aos filipenses que eles deveriam portar-se dignamente conforme o evangelho de Cristo (Fp.1:27), fez questão de lhes dizer que o crente é chamado tanto para crer em Jesus quanto para padecer por Ele (Fp.1:29). Sim, amados irmãos, o homem que falou que “tudo posso n’Aquele que me fortalece”, fez questão de deixar consignado que os salvos são chamados para sofrer por Jesus!
OBS: Num sermão sobre Fp.4:13, assim se manifesta o príncipe dos pregadores britânicos do século XIX, Charles Haddon Spurgeon (1839-1892): “…’Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece’ Notemos que Paulo aqui quis dizer que ele poderia suportar todas as provações. Não importa quantos sofrimentos seus perseguidores pudessem infligir sobre ele, ele sentiu que era totalmente capaz, através da graça divina, para suportá-los; sem dúvida alguma, embora Paulo tivesse visto o interior de quase todas as prisões romanas, ele jamais soube o que era tremer em qualquer uma delas(…). ‘Eu posso suportar todas as coisas’, ele disse, ‘por causa de Cristo’. Ele esperava diariamente que ele poderia ser levado à morte, e a expectativa diária da morte é mais amarga que a própria morte (…). Todo filho de Deus, pela fé, pode dizer ‘Eu posso sofrer todas as coisas’…” (SPURGEON, Charles H. All-sufficiency magnified [Toda a suficiência exaltada, tradução nossa]. Disponível em: http://www.spurgeongems.org/vols4-6/chs346.pdf Acesso em 29 dez. 2011) (tradução nossa de texto em inglês) (destaques originais). Como é diferente a correta hermenêutica do texto de Fp.4:13 do que falam os teólogos da prosperidade…
- Na carta, aliás, o apóstolo Paulo menciona um crente de Filipos, o que havia levado a ajuda financeira dos filipenses a Paulo (sim, além de preso, Paulo estava a passar dificuldades financeiras e vivia das ofertas que lhes eram enviadas, inclusive e, em especial, a dos crentes de Filipos – Fp.2:25), Epafrodito, que, apesar de ser crente e fiel, “…esteve doente e quase à morte” (Fp.2:27), sem que tivesse cometido algum pecado, a mostrar que o sofrimento faz parte da vida daqueles que servem a Deus.
- É este o quadro da carta de Paulo aos filipenses, algo bem diferente, diametralmente oposto mesmo, ao que dizem os falsos pregadores da prosperidade, quando invocam o “tudo posso n’Aquele que me fortalece”. Mas em que contexto Paulo usa esta expressão no final da sua carta?
- Quando o apóstolo já está concluindo a epístola, apresentando os agradecimentos e fazendo as suas considerações finais, diz que muito se regozijou no Senhor a lembrança dos filipenses a respeito dele e a oportunidade de demonstrá-lo atrás do envio de Epafrodito.
- O apóstolo, porém, ao falar desta alegria, quis deixar claro que não estava feliz por causa das ofertas que havia recebido dos filipenses, porque “…já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece.” (Fp.4:11b-13).
- Como se pode verificar, portanto, estas “todas as coisas” de que fala o apóstolo não é bênção sobre bênção, como dizem os triunfalistas, mas, sim, tanto abundância, quanto necessidade; tanto fartura, quanto fome. Paulo havia aprendido da parte de Deus a passar por todas as coisas e suportá-las. Paulo havia aprendido, inclusive, a passar fome, se isto fosse a vontade do Senhor.
- Quando Paulo disse que “tudo podia n’Aquele que lhe fortalecia”, ele estava a dizer que, independentemente das circunstâncias, ele era capaz de suportar tudo por amor a Cristo, sabendo que “estar com Cristo é bem melhor”, de que devemos estar completamente desapegados das coisas passageiras desta vida.
- O apóstolo Paulo estava a ensinar os crentes de Filipos de que eles deveriam esforçar-se para atingir um patamar na vida espiritual em que tudo o que se passasse nesta Terra seria indiferente. O crente deveria manter-se assentado “nas regiões celestiais em Cristo”, onde fora posto pelo próprio Senhor e ali desfrutar de “todas as bênçãos espirituais”, como escreveu aos efésios (Ef.1:3), também uma das chamadas “cartas da prisão”.
- O apóstolo Paulo estava a ensinar os filipenses de que devemos aprender com Cristo e ser completamente desapegados de qualquer coisa desta vida, inclusive do nosso “eu”, vivendo para fazer a vontade de Deus, vivendo para Cristo Jesus, não permitindo que qualquer pensamento ou desejo venha a nos desvirtuar de nossa abnegação por Jesus.
- Como isto é diferente do que ouvimos por aí a respeito de Fp.4:13. Paulo não estava aí exaltando o seu “eu”, nem tampouco dizendo aos crentes de Filipos que eles deveriam “arrebentar” tudo para fazer prevalecer os seus desejos, pois “nada pode segurar o crente”, mas, bem ao contrário, estava a demonstrar que o salvo deve se conformar à vontade de Deus e saber que isto é o que realmente importa na sua vida, mesmo que isto envolva necessidade, fome e abatimento.
- Paulo exorta, não só os filipenses, mas a nós todos, visto que este texto passou a fazer parte das Escrituras, a termos o mesmo sentimento de Cristo Jesus que deixou a Sua glória para ser obediente até a morte e morte de cruz (Fp.2:5-8). Por isso, diz que não devemos atentar para o que é propriamente nosso, mas cada qual também para o que é dos outros (Fp.2:4), outros a serem sempre considerados superiores a nós (Fp.2:3).
- O discurso triunfalista que se lastreia no texto fora de contexto de Fp.4:13, entretanto, quer nos levar ao egoísmo, ao individualismo, ao apego às coisas terrenas, é um ensino completamente distorcido do que ensina a Palavra de Deus. Fujamos disto, amados irmãos!
- E, para encerrar, vemos que o apóstolo disse que os filipenses bem fizeram em ajudá-lo nas suas necessidades (Fp.4:14) e sua oração foi para que os filipenses tivessem supridas todas as suas necessidades por Deus, que o apóstolo admitiu ser um Deus rico (Fp.4:19).
- Ora, se Deus é rico, por que o apóstolo Paulo não pediu que também enriquecesse os filipenses, diante de sua generosidade? Porque os filipenses, assim como o apóstolo, deveriam aprender a se contentar com o que tinham (Fp.4:11) e porque Deus, embora seja rico, dono do ouro e da prata (Ag.2:8), não tem o propósito de enriquecer os homens materialmente, mas, sim, de suprir-lhes as necessidades materiais com o suficiente, porque, ao contrário dos perdidos, inimigos da cruz de Cristo, que só pensam nas coisas terrenas (Fp.3:18,19), os salvos, assim como o apóstolo, tem a sua cidade nos céus donde esperam o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o seu corpo abatido para ser conforme o Seu corpo glorioso segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas (Fp.3:20,21). Fazemos parte deste grupo?
Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

LIÇÃO 09 - A MORDOMIA DO TRABALHO / SLIDES / CLASSE ADULTOS

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