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30 novembro 2015

ACONSELHAMENTO PRÉ-MATRIMÓNIAL 3ª SESSÃO

O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

Resumo
A comunicação é um processo vital no relacionamento de casal. Não é no entanto um processo simples dado que as atitudes, emoções, temperamento e personalidade do emissor imprimem significados diferentes à mensagem que são por sua vez expressos não apenas de forma verbal mas também não verbal. Por sua vez o receptor também receberá a mensagem condicionado pelos mesmos atributos pessoais e na sua resposta (feedback) vai-se também utilizar de formas verbais e não verbais.
Para colmatar as inevitáveis dificuldades na comunicação, típicas também na comunicação de casal, cada um precisa desenvolver a arte da comunicação nas suas dimensões da habilidade, qualidade e profundidade. Comunicar bem será portanto a capacidade de partilhar-se a si mesmo como pessoa e de aceitar, incentivar e permitir que outra de igual modo o faça. Os princípios para uma boa comunicação não são inteiramente novos na literatura contemporânea já que muitos destes se encontram resumidos na literatura de inspiração Divina o que para nós crentes é a segurança essencial de que vamos no bom caminho.

Palavras-chave
Escuta atenta – clareza - linguagem não verbal – honestidade – tacto – partilha – processo – aceitação – paciência – bloqueios – mensagem – diferenças.

Sugestões para o conselheiro
Sugerimos que ao invés de tentar cobrir todo o material por igual, faça-se uma breve introdução sobre a importância da comunicação e os seus aspectos mais técnicos apenas para esclarecer o “porquê” das normais dificuldades neste campo. A seguir sugerimos que se tente descobrir o caminho para uma comunicação satisfatória ora recorrendo aos exemplos práticos (Testes) ora ensaiando um modelo de comunicação a partir de algum problema real do casal. Se os nubentes chegarem a dominar, ainda que parcialmente, a arte da comunicação nesta fase da sua relação têm o caminho aberto para o aprimoramento bem como para a edificação mútua. Em suma, sugeria que o casal lesse a lição e fizesse os testes, como actividade extra sessão, e que a sessão de aconselhamento fosse mais uma interacção de carácter prático com o objectivo de alcançar a melhor forma de comunicação no casal.

1. Introdução
A comunicação está para o amor assim como o sangue está para a vida. Já alguma vez pensaste nisto assim antes? É impossível ter alguma espécie de relação a não ser que haja comunicação. Isso é verdade para ti e o teu parceiro, bem como para a tua relação com Deus. A revista norte americana “Redbook” pediu a 730 conselheiros matrimoniais que elaborassem uma lista com os problemas conjugais mais comuns e com as causas para a separação dos casais. A lista por ordem de importância ficou assim:

1. Comunicação deficiente (comunicação inadequada ou falta dela)
2. Perda de objectivos e interesses comuns
3. Incompatibilidade sexual
4. Infidelidade conjugal
5. Diminuição do prazer sexual
6. Dinheiro
7. Conflitos por causa dos filhos
8. Abuso do álcool ou toxicodependência
9. Conflitos em relação aos direitos da mulher
10. Sogros

Pelo exemplo acima é fácil perceber o papel vital da comunicação na vida familiar. Para lidares de forma construtiva com os outros nove problemas citados precisas de uma boa capacidade de comunicação. Cumpre então aperfeiçoar esta arte fundamental.

2. Lidar com as diferenças
Uma das razões porque é difícil comunicar é porque “comunicação” envolve pelo menos duas pessoas que são diferentes. Com certeza que já te apercebeste que existem algumas diferenças entre vocês os dois! Quanto mais se aprofundar o vosso relacionamento mais evidentes estas diferenças serão. Repara no exemplo a seguir:
- Obviamente que estavas a mentir quando esta manhã me disseste que me amavas! Como é que podes estar tão zangado comigo agora depois das declarações de amor que me fizeste?
- Isso foi como eu me sentia naquela altura, só que agora estou zangado!
- Mas não podes ter dois sentimentos. Eu nunca diria as coisas que tu acabaste de me dizer se realmente te amasse.
- Olha, quando estamos realmente próximos, eu sinto que não posso sentir outra coisa por ti além de amor. Mas agora fiquei irritado e por alguns minutos desejava nunca te ter visto.
- Não consigo entender como podes ser duas pessoas tão diferentes. Eu nunca te trato desta maneira. Se digo que te amo não vou falar de ódio uma hora mais tarde.

Inter-agindo:
Diálogo: O que é que achas deste diálogo acima? Afinal ele ama-a ou não? Comentário Final: Ela é de um temperamento mais calmo e controla muito bem aquilo que diz. Julgando-o pela comparação consigo mesma, ele parece-lhe pouco sincero e de duas palavras. Ele, por sua vez, é temperamental e pode variar da extrema devoção a uma ira imensa. Julgando-a por si mesmo, tão perfeita e controlada, ele acaba por nutrir sérios sentimentos de culpa. Como exercício podias agora tentar explorar as vossas diferenças nas seguintes áreas:
· Gostos
· Hábitos
· Valores
· Forma de Pensar
· Temperamento
É preciso que compreendas que as diferenças não destruirão um casamento, porém a maneira como lidamos com elas determinarão o resultado do casamento. Hácinco passos, ou estágios, para lidar positivamente com as diferenças:
1. Consciência das diferenças – Aquelas que se conseguem identificar objectivamente.
2. Reconhecimento – Em vez de negar, ignorar ou suprimir, reconhecer que de facto existem diferenças.
3. Aceitação – Não significa aprovação mas antes aceitação do que se pode e do que não se pode mudar.
4. Adaptação – Concordância em adaptar-se um ao outro.
5. Apreciação – Ver as diferenças como enriquecimento da relação do casamento e não uma fonte de irritação ou problema.

3. Definição de comunicação
Comunicação é um processo que pressupõe o envio de uma ou mais mensagens a partir de um emissor até um receptor. A figura 1 mostra-nos um modelo simples deste processo.



                                                                           Mensagem




Emissor (Aquele que fala)                                                                               Receptor (Aquele que escuta)
                                                           Fig. 1 – Comunicação Simples


No entanto este esquema tão simples omite bastantes elementos que também fazem parte do processo da comunicação e que por sua vez criam obstáculos ou condicionam a transmissão da mensagem. Quando existem dificuldades neste processo e a mensagem não consegue ser recebida com clareza, costuma-se dizer que há ruído. Cada mensagem, por seu lado, tem três componentes: o conteúdo em causa, o tom da voz e a comunicação não verbal. Com mudanças no tom da voz ou no componente não verbal, é possível expressar muitas mensagens diferentes usando a mesma palavra, afirmação ou pergunta. A comunicação não verbal inclui expressão facial, postura corporal e acções. Mensagens confusas são muitas vezes enviadas devido ao facto dos três componentes se contradizerem uns aos outros. Um pesquisador sugeriu a seguinte partição da importância dos três componentes em percentagens:
· Conteúdo 7%
· Tom 38%
· Não verbal 55%
O esquema da figura 2, ainda que também elementar, mostra um modelo mais complicado de comunicação humana onde fica claro que as atitudes, emoções, o papel da pessoa que fala ou ouve e o seu comportamento não verbal acabarão por tornar a mensagem mais complexa e difícil de interpretar. Realimentação ou “feedback” é simplesmente o retorno que o receptor faz após receber a mensagem. Este retorno pode ser verbal ou não verbal e indicará se a mensagem foi ou não captada com clareza.


                                                          MENSAGEM


AQUELE QUE FALA                                                               AQUELE QUE ESCUTA
Atitudes                                                                                                                  Atitudes
Emoções                                                                                                                Emoções
Papel                                                                                                                           Papel
Comportamento não Verbal                                                    Comportamento não Verbal
                                                 
                                                   

                                                     REALIMENTAÇÃO
                                                                                   (Feedback)
                                           
                                                                   Fig. 2 – Comunicação Complexa

Assim podíamos resumir ao dizer que “Comunicação é o processo de te partilhares a ti mesmo, tanto verbal como não verbalmente, de tal maneira que a outra pessoa pode tanto aceitar como compreender o que tu estás a partilhar”. Outro fenómeno interessante é o facto da nossa capacidade de pensamento actuar à razão de mil a duas mil palavras por minuto enquanto que a nossa capacidade de expressão fica pelas cem a duzentas palavras por minuto. Isto quer dizer que quando emitimos, temos que seleccionar 10% de todas as palavras e pensamentos que se sucedem na nossa mente e eliminar ou deixar em suspenso os outros 90%. Da mesma forma para o que escuta existe uma discrepância. John Keltner disse que em geral podemos escutar e compreender palavras faladas a um ritmo três vezes superiores ao normal da emissão. Pareceria assim que a escuta exige menos esforço mental. Contudo o que vemos no nosso âmbito cultural é que as comunicações verbais são com muita frequência recebidas com inexactidão, compreendidas com deficiência e inclusivamente falseadas ou mutiladas ao serem repetidas a segundas e terceiras pessoas. O saber escutar é por assim dizer um ponto nevrálgico da questão e o que é “Escutar”? Paul Tournier disse:
“Quão bela, quão grande e libertadora é esta experiência, quando as pessoas aprendem a ajudar-se uma à outra. É impossível salientar demasiado as imensas necessidades que os humanos têm em ser escutados realmente. Escutem todas as conversações do nosso mundo, entre nações assim como entre casais. Elas são, nasua larga maioria, diálogos de surdos.

Como é fácil concluir, comunicar bem é uma arte que importa aprender!

4. A arte da comunicação
Emílio e Ada Garcia Marenko, sugerem que para desenvolver a arte de bem comunicar é preciso ter atenção aos vários aspectos de cada dimensão desta arte, a saber, a dimensão da habilidade, da profundidade e da qualidade.

4.1. A dimensão da habilidade

4.1.1. Boa transmissão
Significa transmitir mensagens claras, precisas e oportunas. No casamento por vezes as pessoas actuam seguindo o lema “Se me amasses adivinhavas o que eu quero”. Por vezes fazem-se declarações e perguntas ambíguas que não transmitem o que se pretende. Também é muito importante que haja coerência entre a linguagem verbal e não verbal utilizada.

4.1.2. Escuta atenta
O apóstolo Tiago (Tiago 1:19) lembra-nos de que devemos ser prontos para ouvir e tardios para falar. Lamentavelmente o que ocorre é exactamente o contrário. Eis algumas regras para ouvir bem:
1. Manter um bom contacto visual
2. Manter uma postura interessada
3. Mostrar interesse pelo que se ouve mediante acenos de cabeça, sorrisos, etc.
4. Escutar os sentimentos por detrás das palavras do interlocutor
5. Suspender os nossos juízos de valor até o cônjuge acabar de falar
6. Empatizar com o teu cônjuge e tentar sentir os sentimentos e pensamentos que está a experimentar
7. Fazer perguntas claras Inter-agindo:
Um dos pontos mais importantes na comunicação é saber escutar. Talvez pudesses praticar o ponto 4 da lista acima fazendo o teste nº 8.1. “Saber escutar os sentimentos”.

4.1.3. Perceber aspectos não verbais
Outra habilidade crucial é perceber a linguagem não verbal. Uma vez que só 7% da mensagem está nas palavras emitidas é preciso observar com atenção os olhos, as expressões faciais, os gestos e movimentos corporais em geral, postura entre outros e ainda o tom da voz. Talvez faça-se necessário exercitar-se para não perder os restantes 93%. Inter-agindo:
Para compreenderes bem esta questão seria bom praticares e fazeres o teste nº 8.2. “Exercício de comunicação não verbal”.

4.1.4. Verificar se percebemos bem o significado da mensagem
Para fazer esta verificação podemos fazer uma declaração ou uma pergunta indirecta que inclua com as nossas palavras a mensagem que acabamos de receber. Se o fizermos antes de fazermos juízos poderemos ser mais efectivos na comunicação. Poderemos usar para esse efeito expressões tais como: “Em outras palavras tu queres dizer-me que...”, “O que tu queres dizer é que...”, “Ouvi-te dizer que...”

4.1.5. Responder adequadamente
Se escutamos bem, estamos prontos para responder. Ao fazê-lo devemos ser claros, precisos e mais uma vez coerentes. Termina-se assim um primeiro ciclo de comunicação.

4.2. A dimensão da qualidade
É a mais importante das três dimensões. Uma pessoa pode dominar com perfeição as habilidades para uma comunicação efectiva e ainda assim não conseguir uma comunicação satisfatória nem alcançar o contacto com os outros, a níveis mais profundos.

4.2.1. Honestidade
Mentir ao cônjuge afecta a integridade de um casamento. Para muitos casais a introdução da mentira no relacionamento foi também o início do fim. Não basta também uma meia verdade. É preciso completa autenticidade. Para sermos sinceros na comunicação teremos que ser honestos enquanto pessoas. Significa tirar as máscaras que nos impedem de mostrar quem realmente somos. Significa transparência completa. Por vezes a nossa insegurança, enquanto pessoas, leva a que não sejamos autênticos nem verdadeiros. Se assim for, a nossa incapacidade de
comunicar de forma satisfatória será evidente. Deixar as máscaras pode ser traumático mas este será o preço se queres vir a desfrutar de uma relação matrimonial satisfatória.

Inter-agindo:
Nesta secção tens à tua disposição o teste nº 8.3. “Quem sou eu?” A premissa aqui é a de que somente com uma auto-imagem aceitável é que poderás realmente ser totalmente autêntico e verdadeiro. Faz o diagnóstico e trabalha no assunto segundo a necessidade.

4.2.2. Tacto
A Honestidade sem tacto é crueldade. Tacto sem honestidade é hipocrisia. As duas qualidades são portanto necessárias e para fazer uma combinação das duas talvez seja necessário fazer-se três perguntas:
- Isto é verdadeiro?
- É preciso dizer isto?
- Como é que devo dizê-lo?
É nesta última pergunta que entra o tacto. Tacto é utilizar a palavra apropriada, no momento apropriado e de maneira apropriada. É também sensibilidade e respeito pelos sentimentos da outra pessoa. Manifestamos tacto que reflecte sensibilidade quando respeitamos o seu direito de não comunicar-se quando está indisposto. Quando sente que outro momento seria melhor. Quando nos pede que demos tempo. Manifestamos tacto quando nos abstemos de usar o silêncio de forma inapropriada. Quando usá-lo pode significar passar uma mensagem de que o outro não é importante ou por medo de enfrentar um conflito para o qual não sabemos ainda a solução.
Usar de tacto é não usar a 2ª pessoa do pronome pessoal mas antes a 1ª como o exemplo que segue:
- Tu irritas-me quando deixas a roupa fora do lugar: Mas antes:
- Eu fico irritado quando encontro a tua roupa fora do lugar Comunicar assim pressupõe o assumir de responsabilidades sobre as nossas reacções e acções e reduz o tom acusatório do primeiro exemplo que mais não faz do que pôr a outra pessoa na defensiva. É um convite ao diálogo.

4.2.3. Presença de espírito
Para que haja qualidade na comunicação é preciso que tenhas sempre em conta alguns princípios vitais para o êxito da comunicação conjugal e ao menor sinal de perigo, é preciso que tenhas presença de espírito para reorientar a comunicação em vez de permitires que ela avance com prejuízo para o vosso relacionamento. Os princípios em causa são:

1. Volume de voz – Não permitir que ele suba e se subir responder com um menor volume para que haja uma inversão da escalada.
2. Tema da conversa – É preciso vigiar para que o assunto em debate não extravase para outros assuntos ou para acontecimentos muito antigos.
3. Evitar expressões absolutas – “Tu nunca...” ou “Tu sempre...”. Além de normalmente estarem destituídas de verdade, nem que seja por uma excepção há quinze anos atrás, estas expressões põem o outro normalmente na defensiva.
4. Propósito é o entendimento não a vitória de um sobre o outro. – No meio de
uma discussão que começa a aquecer, é fácil esquecer o propósito do diálogo. O ataque mútuo é o desfecho mais oposto ao propósito inicial. Há que manter isso em mente. Como na imagem dos dois burros, amarrados entre si por uma corda, que tentavam comer palha em dois montes separados a uma distância superior ao tamanho discorda, o consenso entre os dois resultou em que comessem juntos um monte de cada vez. Da mesma forma um casal em disputa, em ataques mútuos, nada conseguirá fazer de construtivo.

5. Solicitar uma pausa. Quando, após várias tentativas de reorientar a comunicação para onde ela deve estar, te apercebes que não é possível fazê-lo, deves ter a perspicácia de solicitar uma pausa e sugerir um momento para retomar o diálogo.

4.2.4. Aceitação
David Augsburguer no seu livro “Caring enough to hear and be heard” diz-nos:
“No íntimo da nossa humanidade existe uma necessidade profunda de ser ouvido e compreendido, compreendido não em parte mas totalmente. Quando só uma parte da pessoa é ouvida, o lado desprezado e não reconhecido pressiona por atenção. Cada
pessoa merece ser ouvida como um todo...” (p. 21)
Na maior parte das vezes aceitamos apenas parcialmente aqueles com quem comunicamos e de uma forma particular o nosso cônjuge. No entanto, comunicação total e profunda depende da aceitação na totalidade da pessoa com quem comunicamos na medida em que comunicar é a partilha do que somos. Quando somos dados a aceitar também somos dados a perdoar.

4.3. A dimensão da profundidade
No livro: “Why Am I Afraid to Tell You Who I Am?” (Porquê Tenho Medo de Te Dizer Quem Eu Sou?), John Powell afirma que comunicamos sobre cinco níveis diferentes, desde frases feitas superficiais até comentários profundos pessoais. Refúgios, tais como temor, apatia ou uma imagem pobre de si mesmo mantêm no nível Não discutir nada com mais de 6 meses! superficial. Se pudermos libertar-nos das nossas restrições, podemos mover-nos para o nível mais profundo e significativo. Os cinco níveis de comunicação são:

4.3.1 – Nível 5 – Conversação de frases feitas
Este tipo de conversa é muito segura. Usamos frases tais como: “Como estás?” “Como está o cão?” “Onde tens estado?” “Gosto do teu vestido”. Neste tipo de conversação não há nenhuma partilha pessoal. Cada pessoa permanece seguramente atrás das suas defesas.

4.3.2 – Nível 4 – Relatar os factos sobre outros
Nesta espécie de conversação gostamos de contar a alguém o que outros disseram, mas não damos nenhuma informação sobre estes factos. Relatamos os factos como as notícias das seis da tarde. Partilhamos mexericos e pequenas narrações, mas não nos comprometemos a respeito do que sentimos a esse respeito.

4.3.3 – Nível 3 – As minhas ideias e juízos
A comunicação real começa a desdobrar-se aqui. A pessoa está disposta a sair do seu confinamento solitário e a arriscar-se a falar de algumas das suas ideias e decisões. Está ainda cauteloso/a. Se sentir que o que está a dizer não é aceite, retrair-se-á.

4.3.4 – Nível 2 – Os meus sentimentos ou emoções
Neste nível a pessoa partilha como se sente sobre factos, ideias e juízos. Os seus sentimentos sob estas áreas são revelados. Para uma pessoa se abrir realmente com outro indivíduo precisa de passar para o nível da partilha dos seus sentimentos.

4.3.5 – Nível 1 – Comunicação emocional e pessoal completa
Todas as relações profundas devem estar baseadas em absoluta abertura e honestidade. Isto pode ser difícil de alcançar porque envolve risco – o risco de ser rejeitado. Mas é vital se se quiser que as relações cresçam. Haverá momentos em que este tipo de comunicação não é tão completa como devia ser.

5. Bloqueios à comunicação
Nesta secção tens uma lista de algumas das barreiras de estrada a evitar se desejas sentir-te um ouvinte recompensado. Evitá-las não significa que nunca as uses na tua relação. Simplesmente precisas de te aperceber das suas consequências negativas antes de escolheres usá-las. Dirigir e Conduzir. Tomar o controlo daquilo que o teu parceiro pode falar: “Estou interessado no que for bom para ti, não no que não é bom”; “Gostaria que falasses da tua relação com a tua mãe”; “Falemos de como te dás no teu trabalho”. Julgar e avaliar. Fazer afirmações com juízos de valor, especialmente aquelas que indicam onde o teu parceiro falha quanto aos teus padrões: “Acho que não deves”. “Fizeste uma grande borrada nisto, não é verdade?” “Não és muito bom/a a expressarte”. Culpar. Indicar responsabilidade mediante o apontar do dedo: “Isto é tudo falta tua”; “Foste tu que começaste isto”. “Estou totalmente perturbado por causa de ti”.
Ficar agressivo. Fazer afirmações para causar dor e amesquinhar o outro. “Nunca consegues fazer nada bem?” “Não passas de um idiota!” “És um estupor”. Moralizar e pregar. Dizer com modos de superioridade a outra pessoa como ele ou ela deve viver: “Deves respeitar sempre os teus pais”; “A honestidade é a melhor política”; “O sexo não é tudo na vida”. Advertir e ensinar. Adoptar um estilo de resposta que diz: “Sei o que é melhor para ti”, e não dar espaço de manobra para ele ou ela chegar às suas próprias conclusões: “O conselho que te dou é desistires disso”; “Precisas de passar mais tempo fora de casa”. Não aceitar os sentimentos do outro. Dizer ao teu parceiro que os seus sentimentos deveriam ser diferentes daquilo que são: “Não deves sentir-te assim”; “Não vejo razão para te zangares!”
Falar de ti mesmo de forma errada. Falar a teu respeito de modo que interfira com a revelação do teu parceiro: “Tu tens dificuldades. Deixa-me falar das minhas”; “Acho que sou um bom ouvinte. Muitas pessoas me dizem isso”; “Vou contar-te a minha experiência para que aprendas com ela”. Interrogar. Usar perguntas de tal maneira que o teu parceiro se sinta ameaçado/a por investigação indesejada: “Quais são as tuas fantasias?” “Fala-me da tua relação anterior”; “Quais são as tuas fraquezas?” “Onde estiveste? Porquê não me telefonaste?”
Não tomar a sério e brincar. Tentar fazer com que o teu parceiro se sinta melhor, mais por causa de ti do que dele/a, e não reconhecer os seus sentimentos verdadeiros. “Todos nós nos sentimos assim às vezes”; “Tu podes sobreviver. Sei que podes”; “Vês, fiz-te rir. Não posso ser assim tão mau”.
Rotular e diagnosticar. Fazer a parte de psicanalista amador e colocar um rótulo ou categoria diagnosticada sobre o teu parceiro: “Tens uma personalidade histérica”; “És um paranóico”; “És um verdadeiro neurótico”. Exagerar na interpretação de factos. Dar explicações que provêm do teu ponto de vista externo e que pouca semelhança têm com o que o teu parceiro está a pensar: “Penso que estás a ter medo de mim, e essa é a razão por que não queres fazer isso”; “A tua indecisão em obter um emprego tem a ver com o medo que tens de não conseguir viver à altura dos padrões do teu pai”; “O facto de não teres sido amado em criança faz com
que te seja difícil mostrar afecto por mim”.
Distrair e ser irrelevante. Confundir a questão procurando ir noutra direcção ou criar uma camuflagem de fumo. “Vamos antes a outro lugar”; “Mudemos de assunto”; “Temos mesmo de falar sobre isto?” “Porque não temos algum divertimento?”
Fingir dar atenção. Fingir que estás mais interessado e envolvido no que está a ser dito do que na realidade estás: “Isso é muito interessante”. “Nunca teria acreditado nisso”; “Oh, verdade!”
Pressionar com prazos. Dar a conhecer ao teu parceiro que a tua disponibilidade para ouvir é muito limitada: “Tenho de ir embora breve”; “É melhor seres breve”. “Estou muito ocupado”.
Um “não” principal que não foi listado acima é quebrar a confiança. Um depósito roto não é muito desejado como associado. Todos estes “nãos” focam respostas verbais; porém uma voz desalentadora e mensagens corporais podem ser igualmente devastadoras.

6. Orientações seguras para boa comunicação
Com certeza que num mar de conselhos e conselheiros, por vezes contraditórios, alguma vez já te perguntaste a ti mesmo o que é para levar a sério e o que tem real valor. Deus na Sua palavra também deixou linhas de orientação para uma comunicação efectiva.
Provérbios 18:21; 25:11; Job 19:2; Tiago 3:8-10; I Pedro 3:10.
1. Sê um ouvinte pronto e não respondas enquanto a outra pessoa não tiver acabado de falar. Prov. 18:13; Tiago 1:19.
2. Não te precipites no falar. Pensa primeiro. Não te apresses com as tuas palavras.
Fala de tal maneira que a outra pessoa possa compreender e aceitar o que tu dizes. Prov. 15:23, 28; 21:23; 29:30; Tiago 1:19.
3. Fala sempre a verdade, mas fá-lo com amor. Não exageres. Efés. 4:15, 25; Col. 3:9.
4. Não uses o silêncio para frustrares a outra pessoa. Explica por que estás hesitante em falar desta vez.
5. Não te envolvas em discussões. É possível discordar sem discussão. Prov. 17:14; 20:3; Rom. 13:13; Efés. 4:31.
6. Não respondas com ira. Usa uma resposta branda e amável. Prov. 14:29; 15:1; 25:15; 29:11; Efés. 4:26, 31.
7. Quando achares que estás errado, admite-o e pede desculpa. Tiago 5:16. Quando alguém te pedir perdão, diz-lhe que perdoas. Procura esquecer e não voltar a lançálo em rosto à pessoa. Prov. 17:9; Efés. 4:32; Col. 3:13; I Pedro 4:8.
8. Evita a rabugice. Prov. 10:19; 17:9; 20:5.
9. Não culpes ou critiques os outros, porém restaura-os, anima-os e edifica-os. Rom. 14:13; Gál. 6:1; I Tess. 5:11. Se alguém te atacar verbalmente, te criticar ou culpar, não respondas da mesma maneira. Rom. 12:17, 21; I Pedro 2:23; 3:9.
10. Procura compreender a opinião da outra pessoa. Dá espaço para diferenças.

Preocupa-te com os seus interesses. Fil. 2:1-4; Efés. 4:2. Considera ainda estas citações na pena de Ellen White:
 “Se vos forem dirigidas palavras impacientes, nunca respondais no mesmo tom.
Lembrai-vos que a ‘resposta branda desvia o furor. Há um poder maravilhoso no silêncio. As palavras ditas em réplica a alguém encolerizado por vezes servem apenas para o exasperar. Mas se a cólera encontra o silêncio, e um espírito amável e indulgente, em breve se esvai. Sob uma tempestade de palavras ferinas e acusadoras,
conservai apoiado o espírito na palavra de Deus... se sois maltratados ou acusados injustamente, em vez de responder com cólera, repeti a vós mesmos as preciosas promessas....” Ciência do Bom Viver, p. 486

“O esposo ou a esposa podem proferir palavras passíveis de provocar a resposta precipitada, mas o atingido guarde silêncio. No silêncio há segurança.” Lar Adventista, p. 442
“Nunca devemos perder o domínio de nós mesmos. Conservemos sempre diante de nós o modelo perfeito. É um pecado falar de modo impaciente e mal-humorado, ou ficar zangado – ainda que não falemos... Não sejais como o ouriço da castanha. No lar não vos permitais falar palavras ásperas e ríspidas.” Orientação da Criança, p. 95

Inter-agindo:
Para fazeres uma auto análise sobre a maneira como comunicas, sugerimos que faças o teste nº 8.4. “Quão seguro é para os outros falarem comigo?”. Ou então para uma análise mais profunda o teste nº 8.5. “Inventário da comunicação prématrimonial” que te dará a possibilidade de te avaliares de uma forma mais ampla na dinâmica da tua relação com o/a teu/tua noivo/a.

7. Conclusão
Nesta secção do manual tentámos primeiro sensibilizar-te para a importância da comunicação. Depois procurámos explicar um pouco da complexidade deste processo.
Por fim sugerimos que comunicar bem é uma arte a desenvolver em diferentes dimensões. Para as desenvolveres, além de estares sensibilizado para elas, precisas de estar atento para te poderes auto avaliar regularmente. Por fim precisas de praticar muitas vezes as formas correctas de comunicação e por isso aqui incluímos 5 testes e então perseverar até que os teus esforços solidifiquem novos hábitos. Ao saberes e quereres abrir-te completamente com o teu futuro cônjuge, tens garantido o meio pelo qual todas as grandes e inevitáveis crises e dificuldades da vida podem ser ultrapassadas com compreensão. Tens também as condições para que o amor possa fluir com naturalidade até à sua expressão máxima, a semelhança com o carácter Divino.

FONTE: Pr. DANIEL BASTOS

TESTES:

 8.1
8.5chttp://sermaoesbocos.blogspot.com.br/2013/10/aconselhamento-pre-matrimonial-3-sessao.html