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23 novembro 2015

Lição 9 - Bênção e maldição na família de Noé II




Na lição de hoje estudaremos o triste episódio da embriaguez de Noé e a trágica consequências de seu ato para a sua família. Este é o primeiro relato bíblico com relação ao uso exagerado do vinho. Com ele aprendemos que o crente precisa estar sóbrio. Deus advertiu inúmeras vezes o seu povo quanto ao uso do vinho.
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
QUARTO TRIMESTRE DE 2015
ADULTOS - COMEÇO DE TODAS AS COISAS - Estudos sobre o livro de Gênesis
COMENTARISTA: CLAUDIONOR CORREA DE ANDRADE
COMPLEMENTOS, ILUSTRAÇÕES, QUESTIONÁRIOS E VÍDEOS: EV. LUIZ HENRIQUE DE ALMEIDA SILVA
ASSEMBLEIA DE DEUS - IMPERATRIZ/MA CONGREGAÇÃO MONTE HERMOM


Lição 9, Bênção e Maldição na Família de Noé

NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm


TEXTO ÁUREO
"Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo." (Gn 9.26,27)

VERDADE PRÁTICA
Por causa de sua irreverência e falta de respeito, Cam veio a perder boa parte de sua herança.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 9.22 - A atitude desrespeitosa de Cam para com seu pai
Terça - Gn 9.23 - A atitude reverente de Sem e Jafé para com seu pai
Quarta - Lc 3.36 - Sem, ascendente do Messias que viria para salvar a humanidade 
Quinta - Gn 11.10,29 - Abraão,amigo de Deus, é descendente de Sem
Sexta - Gn.9.25 - A maldade levou o filho de Cam a ser amaldiçoado 
Sábado - Gn 17.8 - Canaã perde suas terras, que são entregues a Abrão

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 9.20-29
20 - E começou Noé a ser lavrador da terra e plantou uma vinha. 21 - E bebeu do vinho e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. 22 - E viu Cam, o pai de Canaã, a nudez de seu pai e fê-lo saber a ambos seus irmãos, fora. 23 - Então, tomaram Sem e Jafé uma capa, puseram-na sobre ambos os seus ombros e, indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai; e os seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. 24 - E despertou Noé do seu vinho e soube o que seu filho menor lhe fizera. 25 - E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. 26 - E disse: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. 27 - Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. 28 - E viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinquenta anos. 29 - E foram todos os dias de Noé novecentos e cinquenta anos, e morreu.

OBJETIVO GERAL
Mostrar que, por não respeitar seu pai, Cam perdeu parte de sua herança.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Saber a respeito da vinha que Noé plantou;
Analisar o juízo de Noé sobre a irreverência de Cam;
Mostrar que a maldição de Canaã se cumpriu

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos o triste episódio da embriaguez de Noé e a trágica consequências de seu ato para a sua família. Este é o primeiro relato bíblico com relação ao uso exagerado do vinho. Com ele aprendemos que o crente precisa estar sóbrio. Deus advertiu inúmeras vezes o seu povo quanto ao uso do vinho. Os sacerdotes não podiam beber vinho antes de se apresentarem ao Senhor: "Vinho ou bebida forte tu e teus filhos contigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações" (Lv 10.9). Eles deveriam ser santos, diante de Deus e das pessoas. Hoje, somos a geração santa, sacerdotes do Senhor em Jesus Cristo (1 Pe 2.9), e como tal devemos nos manter sóbrios, evitado o uso de bebidas alcoólicas.

PONTO CENTRAL
A atitude desrespeitosa de Cam para com o seu pai, Noé, resultou em maldição e a atitude reverente de Sem e Jafé para com o pai resultou em bênçãos.

COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
A história de Noé e de sua família não se encerra com sua saída da Arca. Houve um fato triste que trouxe julgamento a um de seus descendentes, e a futura divisão das terras do novo mundo. 
Esta lição nos mostra o quanto devemos ensinar nossos filhos sobre o respeito para conosco, e o preço que se paga por não se ter o devido cuidado no tocante à embriaguez, mesmo para aqueles que já nasceram de novo.
Se por um lado a Bíblia nos adverte sobre o mau uso do vinho, do qual o crente deve se abster, por outro lado nos é dito sobre a consequência da bebida e do deboche no lar de pessoas que conhecem a Deus. Portanto, eduquemos a nós mesmos e aos nossos filhos.

I - A VINHA DE NOÉ
Adaptando-se já à nova realidade, Noé faz-se lavrador e planta uma vinha (Gn 9.20). Do fruto desta, fermenta um vinho tão inebriante que o levou a escandalizar toda a família. O episódio serve-nos de grave advertência.
1. A destemperança do patriarca. Embriagado, o patriarca desnuda-se em sua tenda, indiferente à censura que poderia sofrer da esposa, filhos e netos (Gn 9.21). 
Se não vigiarmos, o mesmo ocorrerá conosco. Eis por que, devemos agir com sobriedade em todas as instâncias da vida. Não foi sem razão que Paulo recomendou aos obreiros a abstinência de bebidas alcoólicas (1 Tm 3.3). Um bêbado, ainda que nascido de novo, age sempre de forma inconsequente.
2. A irreverência de Cam. O destempero de Noé é flagrado por seu filho, Cam. Ao invés de calar-se e, discretamente, resguardar a honra do pai, saiu a depreciar-lhe a imagem (Gn 9.22). Ao que parece, ele não era muito diferente daqueles que pereceram no dilúvio. Mais tarde, atitudes como as de Cam seriam arroladas como faltas graves pela Lei de Moisés (Lv 18.7).
Não entreguemos o faltoso ao vitupério. Se agirmos com amor, poderemos recuperá-lo plenamente (Tg 5.20). Doutra forma, perderemos almas mui preciosas aos olhos de Deus. Lembremo-nos da recomendação de nosso Senhor, de buscar a reconciliação (Mt 18.15-18).
3. O respeitoso gesto de Sem e Jafé. Diante da atitude irreverente e maldosa do irmão mais novo, Sem e Jafé tomaram "uma capa, puseram-na sobre ambos os seus ombros e, indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai; e os seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai" (Gn 9.23).
Ajamos como Sem e Jafé, e muitos escândalos serão evitados no arraial dos santos. Isso não significa que os pecados serão acobertados. Todavia, o pecador tem de ser tratado com dignidade, a fim de que venha a experimentar plena restauração. Como gostaríamos de ser tratados em semelhantes circunstâncias? Sem e Jafé agiram amorosa e nobremente.

III - CUMPRE-SE A MALDIÇÃO DE CANAÃ
Noé não se limitou a abençoar a Sem e a Jafé, nem a amaldiçoar a Cam. O patriarca, na verdade, definiu o futuro messiânico de seus filhos. Passados aproximadamente 700 anos, sua profecia começa a cumprir-se.
1. Canaã perde a sua herança. Cam, através de seu caçula, Canaã, não demorou a ocupar toda a terra que, no tempo de Josué, seria conquistada pelos hebreus. As possessões cananitas iam de Sidom, passando por Gerar e Gaza, até Sodoma e Gomorra (Gn 10.19). Sim, os sodomitas também eram descendentes de Cam. Tratava-se, de fato, de uma gente tão vil e tão debochada quanto seu patriarca; não demonstrava nenhum temor a Deus.
Tendo em vista a degradação moral dos descendentes de Canaã, promete o Senhor ao semita Abraão: "À tua semente tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates, e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o ferezeu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu" (Gn 15.18-21). Todas essas nações eram da linhagem de Canaã.
2. A bênção de Sem na pessoa de Israel. Depois de uma peregrinação de quarenta anos pelo Sinai, Israel, o ramo messiânico da grande família de Sem, desapossa Canaã daquela terra tão formosa (Js 6.21). Os que lhe escapam à espada, são submetidos a trabalhados forçados (Js 17.13).
3. Jafé participa da bênção de Sem. O Evangelho veio-nos através de Cristo, o mais ilustre dos semitas. Logo após a morte dos apóstolos, porém, foram os filhos de Jafé que se encarregariam de proclamar o Evangelho até os confins da Terra.
Jafé teve suas possessões alargadas desde a Europa às Américas. E, pela fé em Cristo, habitamos nas tendas de Sem (Gn 9.27). A profecia de Noé cumpriu-se rigorosamente.

CONCLUSÃO
A grande lição que podemos extrair do texto que ora estudamos é que devemos agir com amor e cuidado ante nossos irmãos surpreendidos em faltas e pecados. Ajamos com amor, a fim de que sejam recuperados. Assim faria Jesus. Que em nossos arraiais não haja lugar para irreverências nem desrespeitos. Além disso, cuidemos da educação de nossos filhos e netos. Somos responsáveis por suas almas.

SÍNTESE DO TÓPICO I - Noé plantou uma vinha, fez vinho e acabou por se embriagar.
SÍNTESE DO TÓPICO II - Passada a embriaguez, Noé toma conhecimento do feito perverso de seu filho Cam e pronuncia uma palavra de juízo sobre ele.
SÍNTESE DO TÓPICO III - Canaã perde a sua herança dando cumprimento a maldição de Canaã.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top1
"Noé era um lavrador da terra, como fora Caim. Cuidar de plantas se tornou sua grande paixão e entre elas estava a videira. Esta é a primeira vez que a produção de vinho é aludida na Bíblia, e é significativo que esteja ligada a uma situação de desgraça.
Noé pode ter sido inocente, não conhecendo o efeito que a fermentação causa no suco de uva nem o efeito que o vinho fermentado exerce no cérebro humano. Isto não impediu que a vergonha entrasse no círculo familiar. Perdendo os sentidos, Noé tirou a roupa e se deitou nu. A nudez era detestada pelos primitivos povos semíticos, sobretudo pelos hebreus que a associavam com a libertinagem sexual (cf. Lv 18.5-19; 20.17-21; 1 Sm 20.30)" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 42).

CONHEÇA MAIS
O pecado de Cam
O pecado é muito debatido, pois a frase 'viu a nudez de' é usada em relações sexuais ilícitas (cf. Lv 18). Aqui o texto sugere que o pecado de Cam foi o de ridicularizar o pai a quem deveria honrar (cf. Êx 20.12). As falhas de Noé e de Cam nos advertem que, embora vivamos num lar aparentemente perfeito, a raiz do pecado está plantada profundamente em cada pessoa individualmente. A causa de nossos fracassos está em nós mesmos."
Para conhecer mais leia Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 30

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top2
"Recuperando os sentidos, Noé ficou sabendo do que aconteceu e falou com seus filhos. Ele deixou Cam sem bênção e concentrou sua reprimenda em Canaã, cujos os descendentes historicamente se tornaram um povo marcado por moralidades sórdidas e principalmente fonte de corrupção para os israelitas. A adoração Cananéia de Baal desceu às mais baixas profundezas da degradação moral. Embora os cananeus obtivessem certo poder, como os fenícios, pelo tráfico marítimo no Mediterrâneo, eles nunca conseguiram se tornar grande nação. Quase sempre foram dominados por outros povos" (Comentário Bíblico Beacon. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 52).

SUBSÍDIO DIDÁTICO top3
"Maldito seja Canaã
Quando Noé ficou sabendo do ato desrespeitoso de Cam, pronunciou uma maldição sobre Canaã, filho de Cam (não sobre o próprio Cam). (1) Talvez Canaã tivesse de alguma maneira envolvido no pecado de Cam, ou tivesse os mesmos defeitos de caráter do seu pai. A maldição prescrevia que os descendentes de Canaã (os quais não eram negros) seriam oprimidos e controlados por outras nações. Por outro lado, os descendentes de Sem e Jafé teriam a bênção de Deus (vv. 26,27). (2) Essa profecia de Noé era condicional a todas as pessoas a quem ela foi dirigida. Qualquer descendente de Canaã que se voltasse para Deus receberia, também, a bênção de Sem (Js 6.22-25; Hb 11.310; mas também quaisquer descendentes de Sem e de Jafé que desviassem de Deus teriam a maldição de Canaã (Jr 18.7-10)" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 42).

PARA REFLETIR - A respeito do livro de Gênesis:
Em que consistiu o pecado de Cam?
Ao invés de calar-se e, discretamente, resguardar a honra do pai, saiu a depreciar-lhe a imagem (Gn 9.22).
Em quem recaiu a maldição de Cam?
O patriarca castiga indiretamente a Cam, lançando sobre o filho deste uma pesada maldição.
Como Sem e Jafé foram abençoados?
Ao galardoar a atitude respeitosa e reverente de Sem e Jafé, o patriarca concede-lhes uma benção eterna: 
Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo" (Gn 9.26,27).
Como Canaã foi castigado?
Eles seriam punidos com a perda de suas terras aos filhos de Abraão, o mais notável descendente de Sem, depois de Jesus Cristo.
De que forma devemos agir ante os pecados alheios?
Não entreguemos o faltoso ao vitupério. Se agirmos com amor, poderemos recuperá-lo plenamente (Tg 5.20). Doutra forma, perderemos almas mui preciosas aos olhos de Deus. Lembremo-nos da recomendação de nosso Senhor (Mt 18.15-18).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 64, p. 40.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA
Pequena Enciclopédia Bíblica, Tempos do Antigo Testamento e Arqueologia Bíblica

Comentários de diversos autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique

Estudo no livro de Gênesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
Um Novo Pecado Depois do Dilúvio (Gên. 9:20-27)
Temos de lamentar a queda de Noé, tão depressa, depois do Dilúvio. O uso do vinho não era proibido naqueles tempos, mas sim o abuso. Logo que saiu da arca, Noé plantou e colheu. Esta a norma de continuação da vida. Plantou vinhas, e colheu vinho. Bebeu demais, e embebedou-se. Caído descompostamente, provocou o riso do filho Cão, que por isso lhe faltou com o respeito. Acordando e saoube do ato generoso dos filhos Sem e Jafé, daí nasceu uma das mais notáveis profecias, com largo e profundo sentido na história humana. Não foi, entretanto, o filho Cão o amaldiçoado pelo seu mau ato, mas o filho
mais velho deste, por nome Canaã, como que a designar que não seria um homem, mas um povo, a sofrer as conseqüências do pecado. Os versos 25-27 do capitulo 9 de Gênesis dão-nos conta dos efeitos da falta de respeito filial. Canaã, o filho mais velho de Cão, seria maldito. Jafé seria o dono do mundo; Sem, o pai da religião. Com um mapa diante de nós e um pouco de conhecimento da distribuição dos primeiros povos, iremos descobrir que os jafetitas tomaram o rumo da Europa e conquistaram e deram ao mundo o que nós conhecemos hoje como civilização ocidental. Foram os jafetitas feitos gregos e romanos antigos que nos deram os povos neolatinos, senhores do mundo por suas conquistas e por sua indústria. Foram eles que descobriram outras terras e as dominaram. Não contentes com a Europa, levaram suas naus ao Oriente distante, tomaram as ilhas do Pacífico, dominaram a China, a fndia e até o Japão, em certo sentido, senão poeticamente, industrialmente, pelo menos. Conquistariam a África e a dominaram até recentes anos. A profecia foi: "Alargue ou engrandeça Deus a Jafé e more nas tendas de Sem." Depois de dominar o mundo, veio a dominar também o povo semita, que só atualmente está procurando reconquistar a sua independência. O povo camita nos deu algumas civilizações notáveis na Caldéia e no Egito, mas sempre sob o domínio dos jafetitas. Os semitas nunca se afastaram do Oriente Próximo. Na Caldéia, misturando-se com acádios e amoritas, depois difundindo-se nos edomitas, amonitas e moabitas, formando o mundo árabe, foram sempre, de um modo geral, os encarregados de preservar a religião. A profecia é: "Bendito seja o Senhor Deus de Sem". Deus seria bendito neste povo. Aqui está o retrato dos mundos antigo e moderno. Como se aproxima o fim desta geração, os três ramos da raça humana estão se misturando e confundindo, de modo a formar uma só civilização. O estudante de história bíblica não pode deixar de anotar que os conflitos modernos são um meio rústico de acabar com as barreiras entre camitas, jafetitas e semitas. O povo semita, conhecido como israelita, descendente de Abraão, o pai da fé, tem vivido segregado por muitos séculos, por um lado, e misturado com todos os povos, por outro. Desde o ano 70 da nossa era, com a dispersão dos judeus, a sua nacionalidade desapareceu, mas, em verdade, o povo continuou a viver a sua vida comunitária entre as nações do mundo. Agora, com o estabelecimento da sua nacionalidade na Palestina, foi restaurada simbolicamente a sua nacionalidade. Continua um povo à parte. Tanto quanto o gênio industrial dos jafetitas pertence a todos, eles também estão partilhando desse gênio.
Uma Vida Longa e útil
Noé viveu, depois do dilúvio, 350 anos. Foi contemporâneo de Abraão e, quem sabe, teriam morado juntos nas planícies da Mesopotâmia. Adão e Matusalém conviveram, e este foi contemporâneo de Noé, e Noé de Abraão. Segundo alguns cronistas, Noé morreu um pouco antes de Abraão nascer. Foi, pois, contemporâneo de Terá, pai de Abraão, por 128 anos. Como a cronologia antiga é muito confusa, nós não
dependemos muito destas conclusões, que servem apenas para estudos aproximados. O que nos interessa, à parte da revelação mesma, é a possibilidade de transmissão de narrativas que a Bíblia nos dá. Foi Moisés o grande cronologista dos tempos antigos, e as suas memórias vieram em linha direta desde o princípio. Ao legar-nos o seu admirável Gênesis, ele se teria valido de conhecimentos recebidos e, fundamentalmente, da revelação que Deus lhe deu, pois muita coisa que nos legou não podia vir de tradições, por mais antigas e de melhor crédito que fossem. Os primeiros capítulos de Gênesis fogem a
qualquer tradicionalismo e a qualquer escola moderna ou antiga.

CAP. XVI - AS GERAÇÕES DOS FILHOS DE NOÉ
(Gênesis 10)
Distribuição Etnográfica dos Povos
Na providência de Deus, os três filhos de Noé não tiveram descendência senão depois do Dilúvio (10:1), o mesmo tendo acontecido com nossos primeiros pais.
Terminada a catástrofe que pôs fim à raça iníqua e começado um novo princípio, os três filhos de Noé tiveram uma numerosa prole.
O capítulo 10 dá-nos a lista dos nomes dos descendentes dos filhos de Noé. Alguns destes nomes ocorrem no plural, mostrando que eles não se referem tanto aos filhos de Noé, mas às tribos ou nações que se formaram de seus nomes. Em outras palavras: um destes filhos tomou possessão de certa terra, estabeleceu-se ali, e tanto aquela terra quanto o povo dela ficaram chamados pelo nome do fundador da tribo, passando o nome a significar não mais um indivíduo, mas uma raça. O nome da terra que os gregos chamaram Egito, é bem hebraico, Mizraim, nome no plural, que alguns "scholars" dizem referir-se mais ao baixo e alto Egito do que ao povo, mas que outros, sendo estes a maioria, afirmam vir do nome do segundo filho de Cão.
É curioso notar, de passagem, que toda sorte de investigações têm sido feitas para averiguar se de fato a terra foi povoada com descendentes de Noé, e, neste caso, verificar se estes nomes se encontram como base das nações antigas ou modernas. E alegra-nos verificar que apenas dois ou três nomes da lista dos filhos e descendentes de Noé não têm podido ser identificados, como adiante veremos, havendo evoluído talvez noutros nomes, pela contínua vida nomádica destes povos, ou mesmo desaparecido no decorrer dos
tempos.
É significativo para o estudante do V.T. não perder de vista o ponto principal que o autor tinha em mira ao escrever este livro de Gênesis.
Não era sua preocupação principal relatar os pormenores das diversas famílias mas provar, indiretamente, a unidade da raça, e, diretamente, traçar a linhagem da família eleita. Tudo mais é secundário nesse plano. Mostrar como Deus criou e preservou um homem ou uma família, ou famílias, de geração em geração, até que pôde formar um povo, a quem Ele tornou depositário de seus oráculos, é o alvo de Moisés. Notaremos que Sem é o homem de que há de sair o povo escolhido, e é com ele e com seus descendentes que Moisés se ocupa de preferência. Tudo mais entra no drama com papel secundário.
A Arqueologia muito tem contribuído para a identificação destes nomes bíblicos, alguns dos quais hoje não existem mais.
Pela ordem em que aparecem na Bíblia, estudemo-los aqui e vejamos o papel que tiveram no povoamento da terra.
Descendentes de Jafé (10:2-5):
1. Gomer (seus filhos) Asquenaz, Rifá e Togarma;
2. Magogue;
3. Madai;
4. Javã (seus filhos) Elisá, Társis, Quitim e Dodanim;
5. Tubal;
6. Meseque;
7. Tiras;
Entre filhos e netos, 14 ao todo.
1. Gomer. Deste primeiro filho de Jafé descenderam os Gamir ou Gamirai, ou cimercanos, galos, celtas, que aparecem nas inscrições assírias e que desempenharam
papel importante em conexão com este grande povo guerreiro. A eles se refere Ezequiel 38:6. Pertencem às tribos indo-germânicas, a que Heródoto chamou citas. Floresceram muito no reino de Sargão, rei da Assíria, quando já Israel estava em decadência. Entraram em contato com os frígios e lídios, a cuja capital puseram fogo. Foi só mais tarde que eles foram exterminados. .
2. Magogue. Gomer e Magogue aparecem juntos em Ezequiel 38:1-6, e este é príncipe sobre uma tribo muito importante daquele tempo. Gogue é uma abreviação de Magogue, e aparece com o nome de Gagu nas inscrições assírias.
(Não padece dúvida que os povos referidos nesta seção sejam os bem conhecidos russos, com sua capital Meseque, Moscou. Tubal é uma região junto ao Mar Negro e faz parte da Rússia atualmente Especialmente o v. 7 do cap. 38 contém uma referência muito específica a respeito das condições de Israel. A Rússia declarará guerra a Israel... Então, se cumprirá a profecia de Apocalipse 16:16. O final da batalha ocorrerá no
bem conhecido monte de Israel, onde muitas e duras refregas tiveram lugar através da História - o MONTE DE MEGIDO. Como e quando, só Deus sabe; mas, a profecia é muito clara, para que haja qualquer dúvida).
(As referências antigas ao povo de Meseque (Moscou) não compreendiam nem o território nem a qualidade do povo que o habitava. Voltamos a referir-nos ao capítulo 38 de Ezequiel, para esclarecer e elucidar o texto).
3. Madai. Um grande povo, os persas, descende deste Madai, que aparece no plural, bem como os medos. De fato, não era simplesmente um povo, mas muitos povos que habitavam o NE da Ásia e que, depois de destruírem a Assíria e Babilônia, se tornaram um dos povos mais históricos da antigüidade. Foi sob o domínio deste povo, que os judeus tiveram permissão de voltar à Palestina. Em outras regiões aparecem com o nome de Argos. Uma destas tribos emigrou para o Sul e localizou-se nas imediações do Golfo Pérsico, formando a antiga Pérsia, que ainda existe. Tem-se encontrado na Grécia tribos desta origem que não puderam ser assimiladas. Nas inscrições assírias aparecem com o nome de Cansuti-Plural.
4. Javã, o louan dos gregos, de onde veio a famosa tribo ou raça jônia, que chegou a ter a preponderância sobre os áticos e dórios. Supõe-se que Chipre tenha sido o berço desta raça. Os quatro filhos de Javã: Elisá é Helas, na Grécia. Ezequiel 27:7 diz que das ilhas de Elisá vinham jacinto e púrpura. Társis, tantas vezes mencionado em Isaías, é o Tartasenos espanhol, perto de Gibraltar, onde iam os fenícios e gregos, em expedições e aventuras comerciais. Foi nestas constantes viagens que os fenícios chegaram a colonizar grande parte da Europa Ocidental. Celtem ou Quitim supõe-se serem os habitantes da cidade hoje Lamarca, capital de Chipre. Dodanim é, provavelmente, o Rodanim ou Rodes. Calcula-se que seus habitantes sejam os dórios.
5. Tubal. Este foi o pai dos tabalins ou tabali, que foram guerreiros famosos e valiosos auxiliares de Xerxes, segundo Heródoto. No tempo de Senaqueribe e Sargão, dominavam até a Cilícia, onde Xenofonte, com suas tropas, os encontrou. Não só foram célebres guerreiros, mas também célebres artífices em ferro, cobre e prata.
6. Meseque ou os Muski das inscrições assírias, estabeleceram-se na Frígia. Célebres por suas proezas guerreiras. Foram, afinal, dominados pelos romanos e reduzidos a tributários. Paulo pregou-lhes o evangelho e deve ter fundado ali algumas igrejas.
7. Tiras. É ainda algo desconhecido. Acredita-se que seja a Trácia, mas não está plenamente confirmado. Em verdade, disse Noé: "Dilate Deus a Jafé." Toda a Europa e grande parte da Ásia foram povoadas por esta família. "Por estes foram as ilhas e as nações divididas" (v. 5). Moisés não tinha um mapa diante de si, como temos hoje; ainda assim, sua descrição é religiosamente exata, nos limites em que ela se acha.
Descendentes de Cão (Ham) - Gên. 10:1-21:
1. Cusi;
Filhos de Cusi: 1) Sebá; 2) Havilá; 3) Sabtá; 4) Raamá; 5) Sabtecá; 6)
Ninrode.
Filhos de Raamá: 1) Sebá; 2) Dedã.
2. Mizraim;
Filhos de Mizraim: 1) Ludim; 2) Anamim; 3) Leabim; 4) Naftuim; 5)
Patrusim; 6) Casluim;
7) Caftorim; e os Filisteus.
3. Pute;
4. Canaã;
Filhos de Canaã: 1) Sidom; 2) Hete; 3) Jebuseus; 4) Amorreus; 5)
Girgaseus; 6) Heveus;
7) Arqueus; 8) Sineus; 9) Arvadeus; 10) Zemareus; 11) Hamateus.
1. Cusi deu origem à Etiópia e à costa sudoeste da Arábia. É o Pum dos egípcios.
Uma raça branca, similar à egípcia, que entrou em contato por muitos séculos com os núbios. Isaías fala de Tiraca, rei da região de Cusi (37:9). A mulher de Moisés era árabe, da descendência desta tribo (Núm. 12:1). Os filhos de Cusi deram o nome a diversos outros lugares. Seba estabeleceu-se no Sul, na África, no Egito, no território hoje conhecido como Núbia ou Abissínia. Sabtá, Havilá, e Sabtecá são localizados, pelos geólogos bíblicos, na costa da África, perto do Mar Vermelho, e estreito de Mabel-Mendebe, até o Oceano índico. Sebá e Dedã são localizados a leste da Arábia, no Golfo Pérsico. É impossível aos geógrafos fixarem os limites destas diversas nações, por causa de se haverem espalhado pela África, Arábia, até o monte Sinai. Alguns localizam Sebá na Arábia Félix, perto do Mar Vermelho, donde veio a célebre rainha de Sabá, em visita ao não menos célebre Salomão.
Outros comentadores, porém, querem que esta Sebá, seja filha de Joetã, da tribo de Sem.
Entretanto, os abissínios têm uma velha tradição de que a religião judaica que professavam antes de se converterem ao cristianismo foi introduzida no país pela rainha de Sabá, que se havia convertido ao judaísmo, na visita que fez a Salomão, e que se tornou sua mulher; desse casamento houve um filho, que tomou o nome de Menelique, o qual sucedeu a Sabá, sua mãe, e continuou a praticar o judaísmo, e cuja linhagem real não mudou até hoje.
Cusi era também pai de Ninrode, que foi o primeiro a tornar-se célebre na terra. Nada sabemos deste homem, até Miquéias (Mq. 5:6) falar da Assíria como a terra de Ninrode. Se assim é não foi Ashur que fundou Nínive, mas Ninrode. 18 milhas ao sul de Nínive existem as ruínas de um palácio, com o nome de Ninroque. Os versos 10 e 11 dizem que ele foi o fundador dum grande reino, na terra de Sinear e que dali foi para a Assíria e edificou Nínive. A questão é se Ashur e Assíria são, no original, a mesma coisa, e se a tradução deve ser: "saiu para Ashur" ou "saiu para a Assíria". Se a primeira tradução for correta, então Ashur, compelido por Ninrode, saiu e foi para as bandas do Norte e edificou Nínive, capital da Assíria. Se a segunda for correta, Ninrode saiu de Sinear e fundou o reino da Assíria. A primeira interpretação conforma-se mais com a história, porque os assírios eram de origem semita; mas fica o assunto por decidir, sendo uma das questões de criticismo bíblico que não cabe aqui discutir.
2. Mizraim (Egito). Pode ser filho de Cão ou descendente dele, porque o plural ou, pelo menos, dual , pode corresponder ao baixo e alto Egito. Alguns crêem que Mizraim vem de Mazors, muralhas, de onde derivou o nome do país. Ou seja, Mizraim, o filho de Cusi, ou sejam seus descendentes, ou mesmo derivado de muralhas, é certo que o Egito foi povoado pelos descendentes de Cusi. Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim, Patrusim, Casluim e Caftorim, todos estes deram nomes aos diversos povos da África. Os ludins são os lídios, mercenários muito usados pelos egípcios contra os assírios. Os anamins são os habitantes de Heliópolis. Os leabins são os líbios, que chegaram a dominar o Egito por algum tempo.
Os casluins e os caftorins são aqueles de onde vieram os fenícios (Deut. 2:23; Jr. 27:4). Em Jeremias 47:4 verificamos que os filisteus vieram da ilha de Caftor (Creta), mas a expressão é ambígua e pode significar ilha ou costa. Os caftorins encontram-se também no Delta do Nilo e, possivelmente, emigraram daí para Creta.
3. Pute ou Fute, o terceira filho de Cão, deu origem à Mauritânia que agora é ocupada por Marrocos, Fez e Argélia. Um fragmento do tempo de Nabucodonosor relata que ele derrotou Amasis, rei do Egito, e Ezequiel 23:10 ameaça Pute ou Fute de ser destruído juntamente, com os egípcios e os lídios.
4. Canaã e seus descendentes. Sidom foi o filho mais velho de Canaã. O território ocupado por Canaã limita-se, a princípio, a uma estreita faixa de terra ao longo da costa da Palestina, mas foi se dilatando, até chegar a dominar considerável região. Foi ele que deu o nome à terra de Canaã.
Na volta dos israelitas do Egito, era esta a raça mais poderosa e aquela que não podiam poupar. Sidom deu o nome a toda a terra na costa do Mediterrâneo (Js. 13:16; Juízes 18:17). Esta raça desempenhou papel importante na história israelita. Foi o progenitor de muitas outras tribos, tais como as que se encontram em Gên. 10:15-18.
Hete foi o pai dos heteus, nação poderosa da antigüidade de que só agora se está tomando conhecimento. Sua língua, já decifrada, trouxe muita luz sobre a história antiga.
Há muita discussão sobre o berço desta poderosa raça, mas parece que foi na Ásia Menor, e depois, levada pelo instinto de conquista, desceu e apossou-se da Palestina. Mais tarde atacou o Egito por diversas vezes e também a Babilônia. Quando Abraão veio da Babilônia, encontrou os heteus dominando na terra, e foi deles que comprou a terra para o sepulcro de Sara (Gên. 23:3,7). A aparente dificuldade com esta raça, se admitirmos que emigrou do norte para o sul, é que ela se encontrava muito distante do primitivo berço; mas, ao mesmo tempo, esta dificuldade desaparece, admitindo-se que estes pequenos núcleos se espalharam movidos por condições diversas, e que mais tarde, pelo crescimento do povo, tiveram de emigrar, em busca de melhores terras para o seu gado ou de melhores facilidades de vida ou então pelo instinto de conquista. Se os heteus vieram do oeste da Ásia Menor, como se pensa, e se localizaram ao sul da Palestina, fizeram-no mais por instinto de conquista. Foi este o característico principal deste povo. Pensam alguns eruditos que dominavam, no tempo de Abraão, desde o extremo noroeste da Palestina até às imediações do Mar Vermelho. Até que sua literatura seja decifrada, temos de ter paciência e esperar que venha luz sobre tão grande povo da antiguidade.
Os outros filhos de Canaã - os jebuseus, amorreus, girgaseus, heveus, arqueus, sineus, hamateus, arvadeus e zemareus - encontram-se todos na Palestina no tempo de Moisés.
Os jebuseus ocupavam Jerusalém e suas imediações. Os amorreus, no baixo Jordão; os girgaseus, a oeste do Jordão (Josué 24:11). Os heveus, nos montes Hennom e Líbano, até Siquém (Gên. 34:2; Js. 9:7-17; 11:19). Os arqueus e sineus, perto do monte Líbano. Os arvadeus, na terra da Fenícia (Ez. 27:8-11). Os zemareus (Joel 18:22; II Cr. 13:14). Os hamateus, em Hamate, principal cidade da alta Síria, perto do Orontes. A família dos cananeus ocupava, pois, quase toda a Palestina, e só foi daí erradicada pela sua iniquidade, depois da volta dos hebreus do Egito.
(Para um conhecimento mais completo da origem e história desta raça, o autor recomenda o livro "O Segredo dos Hititas", escrito por W. Seran, Livraria Itatiaia, Belo Horizonte.
Quando a segunda edição de "Estudos no Livro de Gênesis" foi publicada, ainda não se conhecia, como se conhece agora, este povo, cujo habitat se estendia do ocidente da Turquia até ao norte da Mesopotâmia. Foi talvez o povo mais notável da antigüidade).
Nestas ligeiras notas temos notado como os filhos de Noé e seus descendentes se espalharam pelo mundo a fora e de como ainda hoje se pode confirmar a narrativa bíblica, com exceção de uns poucos que, ou no decorrer dos séculos foram exterminados nas guerras, ou se perderam pela assimilação com outras nações. As guerras exterminadoras dos reis da Assíria e o método usado, de deslocar um povo conquistado e substituí-lo por outro, talvez contribuíssem para a dificuldade de identificação de alguns povos, cuja existência resta confirmar.
Já notamos que muitos destes nomes têm forma pluralística e, sem dúvida, representam o povo, descendente do patriarca, mais do que o patriarca mesmo. Alguns como - Mizraim - podem significar realmente o filho de Noé ou seu descendente, ou o nome por que ele era conhecido; nós, porém, nos inclinamos para o primeiro caso. É possível que alguns dos nomes que Moisés usou fossem os nomes por que eram conhecidos no seu tempo estes povos, e, neste caso, usou o plural, em lugar do singular; mas não pode haver dúvida de
que o nome no plural representa o povo oriundo de descendente ou filho de Noé.
Linhagem de Sem (Gênesis 10:21-31):
1. Elão;
2. Assur;
3. Arfaxade, que gerou Salá, que gerou Eber; que gerou Pelegue e Joctã; Joctã
gerou Almodade,
Selefe, Hazarmavé, Jerá, Adorão, Uzal, Diclá, Obal, Abimael, Seba, Ofir,
Havilá, Jobabe;
Pelegue gerou Reú, que gerou Serugue, que gerou Naor, que gerou Terá,
que gerou Abraão,
Naor e Harã, que por sua vez, gerou Ló.
4. Lude;
5. Arã, que gerou Uz, Hul, Geter e Más;
Moisés não dá os filhos de Assur e Lude, ou porque não os tivessem tido ou porque não ocupassem papel saliente entre os povoados da terra.
O V. 21 diz que Sem é o pai de todos os filhos de Eber ou hebreus (conf. 14:13). É ainda questão aberta, se o termo hebreu vem de Eber, filho de Arfaxade, ou se é derivado do verbo "aver", que significa "passar além" e se refere ao fato da saída de Abraão de Babilônia. A primeira vez que o nome aparece é em conexão com a chegada de Abraão à terra de Canaã, e parece dar a idéia de estrangeiro ou emigrante (Gên. 14:13). Os heteus conheciam Abraão como o hebreu, mas não sabemos como este nome se tornou conhecido nem em que sentido o usavam. A expressão "pai de todos os filhos de Eber", liga-os aos hebreus, à raça eleita, e são filhos de Sem.
(Algumas tradições, sem grande fundamento, recordam que Abraão e seu pai Taral ou Terá se envolveram em grandes guerras antes de Abraão passar à Palestina. Uma tabuinha cuneiforme, escrita em hebraico arcaico, nas ruínas de Raas-shanra, dá-nos a notícia de um conflito entre Querete, rei da Sidônia, e seus inimigos, comandados por Teraque. Seria este Teraque o pai de Abraão? Parece que não, porque Terá ou Teraque já era bastante velho quando chegou a Padã-Arã. De qualquer sorte, só agora é que se está tomando conhecimento de muitos fatos com respeito a Abraão e sua família. O que nos causa certa dificuldade é terem os heteus recebido Abraão com honras de grande chefe e o terem chamado de "senhor". De onde lhes velo este conhecimento? Que Abraão era guerreiro, demonstrou-o quando desbaratou numa noite os exércitos conjuntos de quatro monarcas caldeus. Isso nos basta!)
1. Elão, o primeiro filho de Sem, foi o pai dos antigos vizinhos dos persas; aparecem com o nome de elamitas, habitando o Norte da Pérsia no tempo de Moisés.
2. Assur foi o pai dos assírios, aquele poderoso reino que derrotou as dez tribos do Norte e que foi o mais famoso império antigo.
3. Arfaxade foi o pai dos babilônios ou caldeus.
4. Lude foi o pai dos lídios, na Ásia Menor.
5. Arã foi o pai dos sírios, povo que habitou o nordeste da Palestina e que por diversas vezes entrou em conflito com os israelitas. Uz, filho de Arã, deu nome à terra de Uz, onde morava Jó, na direção do Norte da Arábia. Dos outros três filhos de Arã, só sabemos que formaram pequenas tribos aramaicas ou sírias. Todo o resto da narrativa
centraliza-se em Eber. Dos filhos de Eber, o mais importante é Pelegue, que significa "Divisão". "Porque nos seus dias foi a terra dividida." O que esta expressão significa é difícil
dizer. Não se sabe se a divisão da terra foi moral ou física, e ambas as possibilidades têm bons defensores. Alguns crêem que se refere à divisão da terra em continentes, que até aqui toda a terra era unida; outros crêem que se refere ao vale do Jordão, que desde o pé do Líbano até ao Mar Vermelho, numa profundidade de 420 metros abaixo do nível do mar, foi aberto por ocasião do Dilúvio, quando a terra sofreu enormes convulsões. Ainda outros acham que esta divisão significa o espalhamento do povo após a confusão das línguas na torre de Babel. Qualquer que seja a verdadeira interpretação, não resta dúvida que foi um acontecimento extraordinário, de modo a ser comemorado e perpetuado no nome de Pelegue. A confusão das línguas e conseqüente dispersão não foi de modo algum um acontecimento passageiro e que, menos do que qualquer outro fenômeno, enchesse de tétrico pavor e reverência o espírito do povo, e que por isso fosse celebrado no nome deste filho de Eber. Parece muito natural aceitar-se esta última interpretação, em lugar das outras, que exigem acontecimentos físicos sobrenaturais que não são facilmente prováveis. O salmista (Salmo 55:9 no original) usa a mesma palavra (Palag) dividir, com referência à divisão das línguas.
O outro filho de Eber, Joctã, teve 13 filhos, dos quais pouco sabemos, mas cre-se que ocuparam todo o Sul da península da Arábia. Três merecem especial menção: Sabá, Havilá e Ofir. Este último nome é freqüentemente mencionado na Bíblia, para designar a terra que melhor ouro possuía. Sabá é o mesmo nome do filho de Cusi. É possível que os sebitas filhos de Cusi se detivessem na Arábia antes de descer à África, e que depois os sebitas descendentes de Eber se unissem com eles e formassem o povo que dominou na Arábia Félix. Tem sido difícil aos geógrafos identificarem este povo, de modo que uns o dão como povo camita, outros, como semita e ainda outros, como mistura de ambos. O mesmo fenômeno se deu na antiga Babilônia. Os camitas fundaram o antigo reino da Acádia, na terra de Sinar, de que Ninrode foi o primeiro rei. Os semitas invadiram a terra mais tarde, expulsaram os reis acádios e estabeleceram um novo reino; mas os camitas, que ficaram no país, foram assimilados pelos invasores semitas, de onde provieram os babilônios, povo meio semita e meio camita. Foi por este processo que muitos destes antigos povos perderam a identidade.
Os abissínios, pois, podem ser tanto semitas como camitas ou uma mistura de ambos, e talvez tenham razão na sua tradição de que a rainha de Sabá foi a fundadora do seu reino e dinastia. O problema resolve-se nisto. Houve dois Sabás, mas só se pode identificar um povo com este nome; ele é, portanto, um dos dois ou uma mistura de ambos. No caso de não ser misto, é camita, porque o maior peso da informação que temos pende para este lado.
Com referência a Havilá, também já estudamos outro nome igual, descendente de Cão e que se estabeleceu na costa oriental da África, lado oposto ao estreito de Mabel-Mandebe. O Havilá semita, estabeleceu-se na costa da Arábia, perto do Mar Vermelho.
Não nos devemos surpreender com o fato de nos faltar luz sobre alguns destes antigos povos. As contínuas guerras e invasões, as constantes emigrações de um lugar para outro, a total ou parcial destruição de um povo e sua substituição por outro, são as causas do geógrafo encontrar tanta dificuldade na localização das primitivas raças, conforme os nomes de seus sucessores mencionados em Gênesis. Os reis da Assíria tiveram o completo domínio da grande maioria destes povos por longo tempo, e era costume de alguns deles
conquistarem um reino, levarem cativo o povo para outra parte e substituírem-no por outro povo. Foi assim que Sargão II fez com as dez tribos do reino de Israel, levando cativo o povo e substituindo-o por outro, que trouxe do Oriente, de onde vieram os samaritanos.
Estudo no livro de Gênesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP

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9:18-29. O destino de Sem, Cão e Jafé.
A declaração do versículo 19 introduz a amplitude abrangente do capítulo 10, enquanto que os versículos 20-27 preparam-nos para o predomínio do caráter seletivo do restante do Velho Testamento, de 11:10 em diante. A Bíblia mantém sua ênfase, tanto na unidade da humanidade, como os oráculos proféticos sobre os gentios o demonstram, quanto nas especializações que há dentro daquela unidade. Mas os papéis raciais são invalidados no Novo Testamento, “ onde não pode haver grego nem judeu, ... bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo e em todos” (Cl 3:11, RSV, AA). Qualquer tentativa de graduar os ramos da humanidade apelando para 25-27 é, portanto, uma reconstrução daquilo que Deus demoliu, comparável àquela pela qual Paulo censurou a Pedro, em Gálatas 2:18. Ver também comentário de 9:25.
GÊNESIS 9:24-26
A embriaguez de Noé é relatada sem comentários sobre a sua participação no escândalo. A palavra começou (20, AV) poderia implicar em que somente a inexperiência é que deveria ser repreendida. Mas não podemos ter certeza.23 A perda da decência e da honra que assinala esta primeira história bíblica de bebida forte é mais grave ainda na segunda, com a degradação de Ló (10:30). Esse não é o seu único aspecto (cf. Dt 14:26; SI 104:15; Pv 31:6,7), mas Pv 31:4,5 comenta suficientemente a última passagem, com o formidável apoio de Pv 23:29-35. A lei providenciaria os votos de abstenção de bebidas fortes, como testemunha da simplicidade primitiva (Nm 6:1), mas esses votos constituíam uma vocação especial (ver também Jr 35; Lc 7:33). Aqui, porém, a embriaguez é casual.
O ponto central da narrativa é o prejuízo que a herança de Cão sofreu por causa do seu ato flagrantemente antifilial. E o anverso do quinto mandamento, que faz do mesmo ponto o pivô do destino nacional — pois esse mandamento não é um preceito sociológico (exceto incidentalmente), mas, sim, um chamamento a manter a autoridade delegada por Deus e assim reter a Sua bênção.
24. A forma superlativa, o mais moço de todos (RV, RSV) é o sentido natural do hebraico e parece mais apoiado por 10:21. O comparativo mais moço de AV tem escasso apoio. O contato estreito entre os povos
semitas e camitas e a grande distância dos jafetitas através de todo o período veterotestamentário podem ter levado ao agrupamento familiar do versículo 18, etc.
25. O fato de que a maldição recaiu sobre Canaã, o filho mais novo do ofensor (10:6), que também era o filho mais novo, salienta sua referência à sucessão de Cão, em vez de à sua pessoa. Por sua violação da família, a sua própria família iria fracassar. Portanto, desde que isto limita a maldição a este único ramo dentre os camitas, aqueles que julgam que os povos camitas em geral estão condenados à inferioridade entenderam mal tanto o Velho como o Novo Testamento. Também é provável que o domínio de Israel sobre os cananeus tenha cumprido suficientemente aquele oráculo (cf. Js 9:23; 1 Rs 9:21).
26. Dos três oráculos, só o referente a Sem usa o nome pessoal de Deus, Yahwh (o Senhor). A significação do fato começa a emergir em GÊNESIS 9:27-10:1; 12:1, e dominará o Velho Testamento (cf. Dt 4:35). Visto que Sem significa “ Nome” , talvez haja aí um jogo de palavras; cf. comentário de 9:27. O texto tradicional: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem (RV;cf. AV, AA), dá a idéia de que Sem já está em aliança com Yahweh e que em seu Senhor acha ele toda a sua bênção. RSV (Abençoado pelo Senhor meu Deus seja Sem) poderia estar certa em revocalizar as mesmas consoantes para fazer de Sem o beneficiário direto da bênção. Mas esta construção mais simples e menos fértil não encontra apoio nas versões antigas.
27. A palavra “engrandeça” (dê espaço a) é o verbo que tem afinidade com o nome Jafé (cf. coment. sobre Sem, v. 26). O oráculo evidentemente confirma a oração feita por ocasião do seu nascimento. O cumprimento das palavras habite ele nas (ou entre as) tendas de Sem (RV, RSV, AA) é procurado em vão no Velho Testamento,24 mas salta à vista no Novo Testamento, na colheita dos gentios (Ef 3:6), predominantemente do ocidente. O fato de que este modo de entender o oráculo faz dele uma predição de grandes acontecimentos, em vez de uma piedosa retropropulsão da política do século doze, só perturbará aquele que for decididamente cético.
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Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
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BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br - www.escoladominical.net - www.gospelbook.net - www.portalebd.org.br/
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
Dicionário Vine antigo e novo testamentos - CPAD
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Gênesis - Comentário Adam Clarke
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Revista CPAD - Lições Bíblicas 1942 - 1º trimestre de 1942 - A Mensagem do Livro de Gênesis - LIÇÃO 2 - 11/01/1942 – A CRIAÇÃO DO HOMEM - Adalberto Arraes 
Estudo no livro de Gênesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP

Fonte: http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-ctc-4tr15-bencao-e-maldicao-na-fam%C3%ADlia-de-noe.htm Acesso em 22 nov. 2015.

TEXTO SUJEITO A ATUALIZAÇÃO
http://www.portalebd.org.br/index.php/adultos/14-adultos-liccoes/631-licao-9-bencao-e-maldicao-na-familia-de-noe-ii
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