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01 janeiro 2016

ESCATOLOGIA, O ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS - LB EBD/CPAD - Subsídio Teológico


Alguns falsos ensinadores têm introduzido no meio do povo de Deus ensinos deturpados sobre as coisas que ainda hão de acontecer. Ë de se lamentar que essas heresias têm desviado muitos cristão que por sua vez perdem o gosto pelo verdadeiro ensino, contido nas Sagradas Escrituras, concernente ao futuro .O estudo da Escatologia requer muita atenção e cuidado para não entrar na classe dos falsos mestres que Paulo enfatizou que, nos últimos tempos surgiriam. Não é difícil o estudo sobre Escatologia, desde que o estudante dedicado busque a orientação de Deus que por sua vez iluminará a mente do seu discípulo. Uma coisa é certa: o Espírito Santo é o único e verdadeiro intérprete que merece toda a nossa confiança, no que tange a todo o conteúdo plausível da Bíblia Sagrada, o Livro de Deus.

No estudo da Escatologia Bíblica nos baseamos nas Profecias bíblicas. A profecia é a grande, notável e indisputável prova da origem divina da Bíblia. Jesus, Pedro, Paulo e também os escritores dos Evangelhos declararam por vezes sem conta: “Está escrito”, ou “ Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos”,  ou  “ Conforme foi escrito pelo profeta”, etc. Vez após vez eles citaram profecias do Antigo Testamento em corroboração do que estava acontecendo. As Escrituras estavam tendo cumprimento, e eles não hesitaram em dizê-lo. Porém, existem muitas predições na Palavra de Deus que têm sido cumpridas desde os dias de Jesus, como há muitas outras que ainda esperam cumprimento.

Conforme diz o Dr. Oswald Smith, “os cumprimentos que tiveram lugar não deixam a menor sombra de dúvida quanto à autenticidade da Bíblia. Nenhum outro livro pode ser comparado com ela”.

Em Escatologia Bíblica, começamos nossa análise desde o livro de Gênesis, passamos pelo Dilúvio, nos detemos na torre de babel, escutamos as promessas a Abraão e analisamos as leis de Moisés. Tudo isso sem esquecer os fatos dos livros históricos e sintetizar as profecias do Antigo Testamento, o que nos leva a ver o fiel cumprimento de muitas dessas profecias.

O TERMO ESCATOLOGIA

O termo escatologia deriva de duas palavras gregas: escathos elogos, que se traduzem por “últimas coisas”e “estudo” ou “tratado”. É o estudo ou doutrina das últimas coisas. É chamada bíblica, no nosso caso, porque ela pode ser extrabíblica. No estudo da escatologia bíblica, é de caráter fundamental, ter o cuidado em não apresentar falsas interpretações, evitando, com isso, questionamento e especulações. Deus nos adverte dizendo que devemos “manejar bem a Palavra da verdade.”(II Tm.2.15).“Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará e não mentirá; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará”. (Habacuque 2.3).

ENTENDENDO O CAMPO DA ESCATOLOGIA BÍBLICA

Afinal quando será o Arrebatamento da Igreja, Qual a diferença entre o Arrebatamento e a Vinda de Cristo? Que acontecerá depois da Igreja ser arrebatada? Quem será o Anticristo? Qual o real significado da Grande Tribulação? Quem estará aqui na terra durante a Grande Tribulação? Quando será o Tribunal de Cristo? Onde e quando será a batalha do Armagedom? Como será a ressurreição dos santos e qual a diferença com a ressurreição dos ímpios? Que será  o milênio?  Estas e muitas outras perguntas vamos encontrar  sua resposta no Estudo de Escatologia Bíblica.

Littera scripta manet – “a palavra escrita permanece”, disse Horácio na Roma Antiga a mais de 2.000 anos atrás. O que caracteriza o vislumbre do cumprimento das profecias no palco da escatologia, é a maneira de como Deus trabalha para mostrar a sua vontade, revelada na palavra escrita. Este trabalho consiste em ampliar a revelação divina, nos dando a entender que a palavra escrita continua em pé, revigorada pela forte atuação e inspiração do Espírito Santo de Deus. A ordem que o profeta Jeremias recebeu do Senhor foi esta: “escreve num livro todas as palavras que eu te disse”, Jr. 30.2. Não podemos duvidar nem admitir falha na palavra de Deus. Ela é inspirada pelo Espírito Santo;  2Tm. 3.16.  A inerrância das escrituras tem sua base na infalibilidade da Palavra do Senhor. Com isso podemos ir mais além do que Horácio afirmou. “a palavra escrita ‘não’ apenas permanece – ela floresce como trepadeira nas fronteiras do nosso entendimento”. Ela alcança o mais profundo dos recônditos da nossa alma”.

A IGREJA – ALVO DA REVELAÇÃO DIVINA

Toda a revelação aponta para o futuro. O futuro consiste num plano traçado por Deus para que a Igreja caminhe neste mundo “pela fé a esta graça, na qual estando firme, gloria-se  na esperança da glória de Deus”, Rm. 5.21.

A Escatologia Bíblica se torna na Igreja de Cristo, o poder literário que mantém acesa a chama da esperança na volta de Jesus. É claro que esse poder literário vivo, vem diretamente do Espírito Santo, quando lemos, cremos e mantemos nossa fé na Palavra. Quando sabemos que a Escritura cumprirá, mesmo em meio às diversas opiniões, independe. É inquestionável que a Bíblia no decorrer da história permaneceu sem nenhum tipo de alteração em suas profecias. E mais inquestionável ainda é que essas profecias se cumpriram, outras irão se cumprir.

AS DIFERENTES CORRENTES INTERPRETATIVAS DA ESCATOLOGIA

A Profecia Bíblica jamais erra. Os intérpretes sim. A Palavra de Deus jamais errou. Ela é infalível, mas por muito tempo, têm estado sob refém de interpretações particulares, equí-vocos teológicos, heresias e em nosso tempo uma avalanche de especulações apocalípticas. Qualquer erro ou equívoco quanto a acontecimentos em nossos dias, é de importante valia esclarecer, que, não deve ser colocado a Palavra de Deus sob suspeita, e sim a incoerência das muitas literaturas do gênero, as aventuras apocalípticas de determinados escritores e a falta de visão bíblica de alguns pregadores.
Considerando a grande abrangência da Escatologia, existe uma série de interpretações no tocante aos diferentes eventos  contemplado por este estudo. Passaremos a ver alguns mais conhecidos:

PRE-TRIBULACIONISMO

A doutrina Pré-Tribulacionista defende a tese de que a Igreja de Cristo será arrebatada, retirada da terra antes que se inicie o período de grande tribulação, onde interpretam as, profecias bíblicas de forma literal e têm grande base no dispensacionalismo (Dispensação) crendo que Israel e Igreja são dois grupos distintos, havendo um plano de Deus exclusivo tanto para Israel como para a Igreja, e que a Grande tribulação é uma dispensação onde Deus tem como objetivo trabalhar com Israel e não com a Igreja, que já teve o seu período de salvação na dispensação da graça.

PÓS-TRIBULACIONISMO

A doutrina do Pós-Tribulacionismo vem ganhando espaço entre os estudiosos da Escatologia, este movimento ensina que a Igreja continuará na terra durante a grande tribulação e até a Segunda vinda de Cristo, onde será arrebatada até as nuvens onde se encontrará com Cristo, e retornará imediatamente a terra.

MID-TRIBULACIONISTA  OU  MESOTRIBULACIONISTA

De acordo com a interpretação desta corrente doutrinária do arrebatamento, a igreja passará por parte da grande tribulação, ou seja pela primeira parte, ou seja 42 meses  Apoc. 11:1-2  e  13:5, 1260 dias  Apoc. 12:6, ou tempos e um tempo e metade de um tempo. Apoc. 12:14, que é o período em que não haverá o chamado derramamento da ira de Deus, e assim a Igreja não estaria exposta a nenhum juízo ou castigo divino, visto que foi socorrida a tempo.

ARREBATAMENTO PARCIAL

Esta corrente doutrinária não se aprofunda sobre quando acontecerá o arrebatamento da igreja, se no começo no fim ou durante a grande tribulação, mas defende que nem todos os crentes serão arrebatados, mas apenas os que estiverem vigiando, e esperando por este acontecimento, a ponto de serem dignos de participarem deste evento de acordo com S. Lucas 21:36, Filipenses 3:20, Tito 2:13, II Tim. 4:8, Hebreus 9:28.

AMILENISMO

Nesta visão não haverá nenhum milênio. Se houver um reino ele está acontecendo agora, através do reinado de Cristo sobre a Sua Igreja. As condições de vida nesta era irão se deteriorando progressivamente até a volta de Jesus ao término da era da Igreja. E o retorno do Senhor será imediatamente seguido de uma ressurreição geral, de um julgamento e do início da eternidade.

Esta visão foi introduzida por Agostinho no século IV ou V. Dizia ele que a Igreja é o Reino, que não há participação de Israel no Reino e que a dispensação da graça (a era atual) é o milênio. Esta é a posição sustentada até hoje pela igreja católica romana.

PÓS-MILENISMO

Nesta visão após uma crescente pregação do Evangelho e da consequente aquisição das bênçãos e melhora moral, social e espiritual da raça humana decorrentes desta pregação seria estabelecido o milênio, a partir do exato momento que a Cristandade fosse maioria na Terra. Deste ponto após mil anos viria Jesus.

PRÉ-MILENISMO

Nesta visão a segunda vinda de Cristo ocorrerá antes do milênio e Cristo, e não a igreja (como no pós-milenismo) irá estabelecer o Reino. Cristo irá literalmente reinar sobre a Terra, e durante o milênio haverá o cumprimento das promessas feitas a Abraão e a Davi. A era atual (dispensação da graça) irá vivenciar uma crescente apostasia e degeneração que culminará com a Grande Tribulação, imediatamente antes da segunda vinda do Senhor. Quando Ele retornar estabelecerá Seu Reino por 1000 anos, após os quais acontecerá a ressurreição e julgamento dos não salvos e o início da eternidade.

A ESCATOLOGIA E AS SETE DISPENSAÇÕES

Para melhor compreender o campo da escatologia bíblica, faz-se necessário um resumido estudo sobre as sete dispensações, sabendo que, a última dispensação é para o futuro. Em nossa publicação sobre as Dispensações, as definimos da seguinte maneira: Uma dispensação é um período de tempo, longo ou curto, no qual, através de uma lei fixa, Deus prova a humanidade. Durante essa prova a humanidade deve ser fiel e obediente para que possa receber as bênçãos prometida”.

A separação de épocas (ou dispensações) da História Sagrada é  o método mais antigo de estudar a Palavra de Deus. Este método não só é o mais antigo, más também o mais razoável. Com este sistema de estudo o aluno aprenderá a fazer as divisões das revelações que Deus deu à raça humana.

A palavra grega oikonomia é uma aglutinação do termo oikos,que significa “casa”, com o termo nomos, que significa “lei”. Quando reunidos, “a idéia central do vocábulo dispensação é a de gerenciar ou administrar os afazeres de uma casa”.

As sete dispensações são: 1 – Dispensação da Inocência. Seu início deu-se na criação e findou-se na queda de Adão. O tempo não é revelado. 2 – Dispensação da Consciência Esta dispensação começou em Gn. 3 e durou cerca de 1656 anos: de zero (0 ) a 1656 a.C., abrangendo o período desde a queda do homem até o dilúvio; Gn. 7.21,22. 3 – Dispensação do Governo Humano Esta dispensação começou em Gn. 8.20 e perdurou cerca de 427 anos. Desde o tempo do Dilúvio até a dispersão dos homens sobre a superfície da terra, sendo consolidada com a chamada de Abraão; Gn. 10.15;11.10-19;12.1.  4 – Dispensação Patriarcal de com o arrebatamento da Igreja; porém, oficialmente falando, seus efeitos continuarão até o terá, de acordo com a própria escritura, a duração de 1.000 anos; Ap. 20.1-6. 5- Dispensação da Lei, vai desde o chamado de Moisés até a cruz ou até o dia de Pentecostes; 6- dispensação da Graça ou do Espirito Santo, começa no dia de Pentecostes e irá até o arrebatamento da Igreja; 7- Dispensação Milenial ou do Reino, vai da segunda vinda de Cristo (no fim da grande tribulação) e estabelecimento do Reino de Cristo, com a duração de 1.000 anos, até o Juízo Final.

Princípios de Interpretação

Outro problema a ser considerado ao estudar assuntos de escatologia (como também qual-quer outro tema bíblico) concerne à necessidade de respeitar os princípios de interpretação bíblica. Além de sempre ler os versículos e as passagens dentro de seus respectivos contextos, é necessário lembrar que as passagens de ensino claro sempre tomam precedência no tratamento de um tema. Por exemplo, 1ª João é muito mais claro ao tratar do anticristo do que o livro de Apocalipse.

Respeitando Propósito/Intenção

Mais um problema a negociar é a necessidade de ler as passagens bíblicas em relação aos seus propósitos, não em sentido de responder curiosidades pessoais. A Bíblia foi escrita para tratar da necessidade do homem perante Deus, não para ensinar ciência, história, nem futurismo. No final de um estudo, nem todas as perguntas, dúvidas e questionamentos serão respondidos, pois a Bíblia não segue o propósito de responder às curiosidades humanas. Jesus mesmo disse, “Não vos compete saber os sinais e os tempos” Deus exige do homem uma dependência e confiança sem se propor necessariamente a aplacar todas as dúvidas e preocupações humanas.

Por Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida(Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)

O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina, é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário

Facebook: Adayl Manancial

BIBLIOGRAFIA
  • Adaylton de Almeida Conceição – DISPENSAÇÕES ( Manancial – 1995)
  • Adaylton de Almeida Conceição – ESCATOLOGIA BÍBLICA  (Manancial – 1982)
  • Alex Belmonte - Escatologia
  • Walter Andrade Campelo – Doutrina das ultimas coisas
  • Chrístopher B. Harbin  - Escatologia: O Reinado Definitivo de Deus
  • http://www.pointrhema.com.br/