Lição 09 - Conflitos Familiares




Era uma vez um jovem cheio de esperança, pois tinha uma firme confiança em Deus quanto ao seu futuro. Ele sempre buscava o Senhor em oração. Era feliz com o que tinha e no lugar em que vivia. Também não tinha dilemas existenciais, mas era convicto do propósito do Senhor na sua vida. Ele chamava a atenção por onde passava, porque tinha o brilho do Senhor. A graça do Altíssimo estava sobre ele. Fazia parte de uma família tradicional, mas não era orgulhoso. Amava seus irmãos, porém não compactuava com os pecados deles e, por isso, contava ao pai os desvios de condutas deles, que, também por isso, o odiavam.
A vida seguia em meio a muitos conflitos familiares e, ao que parece, o pai não praticava nenhuma ação para diminuir as tensões fraternais. Antes, pelo contrário, fazia de conta que nada de errado estava acontecendo nos relacionamentos dos seus filhos. Um dia, para piorar as coisas, o pai presenteou o jovem com uma linda roupa colorida, caríssima, bem diferente das peças do vestuário dos demais. Seus irmãos acreditavam que ele era o “queridinho do papai”, e agora isso estava comprovado “com todas as cores”.
Quando o virtuoso moço da história tinha dezessete anos, ao fazer uma viagem, a pedido do pai, para encontrar seus irmãos e, eventualmente, ajudá-los em alguma necessidade, sofreu a maior decepção da vida. Eles, ao invés de agradecerem pelo cuidado e esforço empreendido na viagem, cheios de ira e inveja, entenderam que aquele era o momento ideal para se livrarem do irmão que se sobressaía, que atraía todas as atenções, o qual, certamente, ficaria com o direito de primogenitura e, por conseguinte, com a maior parte da herança paterna, pois era o filho mais velho da esposa amada do pai! Enquanto armavam o plano maligno, uma caravana de negociantes passou pelo local, tendo eles vendido o irmão como escravo. Com o negócio concretizado, os dez irmãos achavam que, com aquela conduta, todos os seus problemas familiares estariam resolvidos. Entretanto, eles não sabiam que aquilo seria o grande drama existencial deles até o fim de seus dias (Gn 50.14-17). O engano e a traição jamais porão fim a qualquer dificuldade familiar. Eles apenas aumentarão a dor e o sofrimento de todos.
O mundo de José, circunscrito ao conforto do lar, marcado pelo amor dos pais e recheado de sonhos bons, desmoronou de uma hora para outra. Ele estaria, a partir de então, sozinho e desprezado no maior país do mundo na época — o Egito.
A insensibilidade dos irmãos de José impressiona, muitas vezes, os leitores da Bíblia Sagrada. No entanto, a reação dos irmãos, movidos de inveja, era perfeitamente previsível, mesmo porque eles nunca aprenderam nada acerca de perdão e tolerância com seus pais! O hostil ambiente familiar, que contava com filhos de várias esposas (cenário bastante parecido com muitas famílias atuais) e mães que se digladiavam de maneira feroz, incentivava naturalmente a rivalidade entre todos, o que, sem dúvida, não poderia acabar em algo. Isso mostra que até um aparente pequeno conflito familiar entre irmãos pode se transformar em tragédia. E mais: que cabe a todos (principalmente aos pais) procurarem, a todo o custo, o mais rápido possível, juntar os cacos dos relacionamentos familiares fragilizados, independentemente da gravidade e extensão dos mesmos, antes que seja tarde demais.
No fim da história, aconteceu a reconciliação familiar, e José, como governador, salvou sua família da fome, levando-a para o Egito. Vale dizer, porém, que o período de sofrimento decorrido por causa dos enfrentamentos familiares foi muito longo, e os danos emocionais provocados foram bastante significativos, a ponto de Jacó, o pai dos moços, mencionar que os 130 anos de sua vida foram “poucos e maus” (Gn 47.9).
Poderia ter sido diferente, se os conflitos tivessem sido solucionados a tempo e modo. Ainda que José não tivesse assumido o posto de rei do Egito, mesmo assim o Todo-Poderoso não deixaria perecer a família dos descendentes de Abraão e Isaque! O final triunfante de José apenas comprova o que as Escrituras dizem: “(...) todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28), mas os conflitos familiares foram, sem dúvida, fontes de grandes dissabores que deveriam ter sido evitados.
Como aconteceu à família de José, assim acontece com todas as famílias ao redor do mundo. Do coração das pessoas, brotam os maus pensamentos e eclodem insurreições familiares. Na verdade, as famílias têm conflitos por serem formadas por seres humanos falhos, decaídos moralmente diante do Senhor, como será visto adiante.

I. O GRANDE PROBLEMA
1. A maldade humana
O Criador colocou Adão e Eva no Paraíso para eles viverem uma intensa história de amor. Para tanto, o Senhor deu a eles o livre-arbítrio, que é o requisito essencial para a existência de qualquer tipo de amor, bondade, alegria, etc. Eles, entretanto, escolheram o pecado.
Após os olhos de Adão e Eva se abrirem, a vergonha afastou-os mutuamente. Ambos eram uma só carne, mas o pecado os separou emocional mente. Eles não podiam olhar entre si. Achavam seus corpos instrumentos do mal. Sentiam-se sujos e, por isso, se envergonhavam. Antes, seus corpos eram símbolos de uma união verdadeira, como altares para o Todo-Poderoso. Agora, porém, seus corpos traziam vergonha. Eles, a partir dali, tinham o que esconder. Não refletiam mais a imagem do Criador. Por tal razão, quiseram se cobrir. A vida de decepções horizontais entre os semelhantes estava apenas começando.
O interessante é que, quando Adão recebeu Eva das mãos do Altíssimo, ele ficou tão feliz que até fez uma poesia. Cantou uma música romântica (Gn 2.23,24). Entretanto, depois da Queda, a coisa ficou diferente. Logo no primeiro aperto, quando o Eterno perguntou sobre o pecado cometido, Adão respondeu: “a mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3.12). Com a resposta, Adão estava traindo a Eva. Ele estava, a rigor, pedindo a morte para sua esposa. Quanto egoísmo e indiferença. O amor que sobreviveu depois da Queda foi somente o amor próprio — o amor de Adão por ele mesmo.
Como visto, a humanidade, mesmo sabendo quem era o Todo--Poderoso, perdeu-se em seus caminhos, preferindo o pecado e desprezando o Criador. A maldade se instalou no coração do homem, e o processo de corrosão moral entrou em funcionamento, culminando na mais terrível degradação, o que atingiu frontalmente a família. Eis a explicação teológica para os conflitos familiares. Sem dúvida, a situação espiritual do mundo, o qual é dominado pelo humanismo, fez a sociedade ser inimiga do Senhor (Tg 4.4).
Assim, num agrupamento humano, seja a família, a escola ou a igreja, sempre haverá pessoas com maus pensamentos. Dessa forma, existe no homem natural a tendência ao pecado, que Paulo chama de inclinação da carne (Rm 8.6) e, por isso, no seio familiar sempre acontecem conflitos.
2. O início precoce
A maldade do coração humano, que é a força motriz dos conflitos familiares, tem um início bastante precoce. Já na denominada primeira infância, os sinais do egoísmo infantil podem ser claramente identificados. Para comprovar isso, basta colocar uma criança em um quarto com poucos brinquedos, e ela passará um longo período de tempo se divertindo. No entanto, se ali forem colocados mais cem brinquedos e, junto a isso, outra criança entrar no recinto, em pouco tempo as duas estarão brigando por um mesmo brinquedo.
A Palavra de Deus diz que “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gn 8.21b) e que a estultícia (insensatez) está ligada ao coração do menino (Pv 22.15). Este grande problema humano, todavia, tem sido tratado de maneira inadequada pelas famílias e educadores, notadamente pela adoção da teoria educacional do construtivismo, que tem uma ideia utópica do homem (pensamento que surgiu com força a partir do lluminismo), acreditando que o homem é bom desde pequeno e que, se ele ficar entregue a si mesmo, produzirá excelentes resultados éticos e morais.
Dessa forma, os pais que têm deixado as crianças entregues a si mesmas sofrerão sérios problemas (Pv 29.15), porque, dessa forma, não são estabelecidos limites comportamentais e, no futuro, surgirão indivíduos profundamente ensimesmados, ou até algo pior. Assim sendo, os cristãos devem saber que seus filhos são inclinados a praticar o pecado, mas que é possível corrigir essa tendência. É bom alertar, contudo, que os filhos podem fazer escolhas pecaminosas em suas vidas e decidirem não obedecer ao Senhor. A Bíblia, todavia, garante que eles jamais se esquecerão daquilo que aprenderam no caminho em que seus pais os ensinaram (Pv 22.6).
Assim, mesmo com a indefinição sobre o futuro, a educação cristã, na família, deve assumir a função da vara da correção (Pv 22.15), a fim de que a insensatez da criança seja debelada. Apesar disso, é bom repetir: existe uma parte neste processo que é responsabilidade pessoal do filho, da mesma forma que o barro precisa deixar ser moldado para que um vaso seja construído pelo oleiro.
Sabendo disto, os pais que tenham cumprido seu papel como bons educadores cristãos não devem ser responsabilizados por eventuais desvios de comportamentos e conflitos de seus filhos (Dt 24.16; Ez 18.20). Isto se chama livre-arbítrio!
3. A insaciabilidade
Outra característica presente em cada ser humano que vem ao mundo é a insaciabilidade. Está escrito que o homem natural nunca satisfaz a sua cobiça (Ec 6.7), e isso pode ser visto, igualmente, no seio familiar. Há sempre o desejo por trás, porém cabe à educação familiar frear esse anelo, que é a fonte de muitos conflitos.
Esse campo de treinamento do Senhor — a família — deve reprimir essa ânsia pelo possuir indefinidamente e impregnar o desejo pelo repartir, de estar satisfeito com o que se tem, mas isso não é fácil. A cosmovisão judaico-cristã é a única que detém condições de incutir no homem valores morais indispensáveis, como o altruísmo, a solidariedade, a bondade, a humildade, que combaterão essa terrível inclinação carnal (1 Co 3.3), transformando-o num verdadeiro cidadão do céu.

II. FAMÍLIAS EM CONFLITO
1. Ingratidão e desprezo
Os casos de conflitos familiares ao longo da Bíblia são abundantes, e os motivos que emergem são os mais variados possíveis. Essa maldade inata não corrigida e a insaciabilidade sempre estão presentes na base de todos esses enfrentamentos, corroborados, além disso, por outros sentimentos não nobres, como se verá a seguir.
A família de Abraão sofreu com vários conflitos desde a sua constituição. O primeiro narrado pela Bíblia aconteceu por causa de desentendimentos entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló, o que causou a separação dos patriarcas. Depois, o conflito apareceu entre uma escrava que se agregara à família quando visitou o Egito, em desobediência a Deus e sua esposa.
O fato aconteceu depois que a egípcia, com a permissão de Sara, engravidou de Abraão. Está escrito: “(...) e, vendo ela [Agar] que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos” (Gn 16.4). Que coisa absurda! Agar era escrava de Sara, tinha alcançado uma posição de destaque por causa de sua senhora, e agora simplesmente não queria mais honrá-la. A narrativa é sintética, entretanto é possível imaginar o que aconteceu naquele clã familiar. Uma escrava que, agora, acreditava ser detentora dos direitos de sua senhora, pois o filho dela seria o herdeiro de tudo. Não sabia ela que o Todo-Poderoso tinha surpresas agradáveis para Sara no futuro. A serva egípcia não conhecia a grandeza daquela mulher, sua senhora, a qual sofria a humilhação.
Agar foi expulsa e, no deserto, grávida, um anjo determinou que ela voltasse e se humilhasse debaixo da mão de sua senhora. Ela atendeu e, pela virtude do coração da esposa de Abraão, foi readmitida no clã familiar (Gn 16.7-9).
Com Jacó, neto de Abraão, deu-se outro caso notável de repulsa. O filho de Isaque desprezou sua esposa Leia, por causa de uma trapaça do sogro. Foi um grande desrespeito com um ser humano frágil, que lhe devotava tanto amor. Isso durou muitos anos. É verdade que, moralmente, Jacó tinha o direito de ficar indignado com Labão, mas não poderia desprezar sua esposa Leia, que era tão vítima quanto ele. O resultado desse processo de humilhação foi que o Senhor curou a infertilidade de Léia, enquanto Raquel, sua irmã e concorrente, permaneceu estéril durante muitos anos (Gn 29.31). Deus, por amor, mostrou à família patriarcal que injustiça e desprezo jamais podem ser a base dos relacionamentos familiares, principalmente daqueles que servem ao Senhor.
Nunca o Senhor compactuou com a ingratidão e o desprezo, dentro ou fora da família. Por isso, jamais se viu alguém se dar bem na vida por subestimar as pessoas, mas sempre há registros de indivíduos que foram vitoriosos por superestimarem os outros. Afinal, o Todo-Poderoso abate os orgulhosos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6).
2. Soberba e ciúme
Um caso emblemático de soberba e ciúme na família aconteceu com Moisés (Nm 12.1-15). Moisés era o homem mais manso da terra, mas seus irmãos, Miriã e Arão, não eram tão mansos assim, em desobediência a Deus (Mt 11.29,30). E, por isso, se rebelaram contra o irmão Moisés. Diz a Bíblia: “E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita, que tomara; porquanto tinha tomado a mulher cuxita. E disseram: Porventura, falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu” (Nm 12.1,2). O sucesso nem sempre é bem digerido, em todo o tempo, pelos membros da família. Moisés era um homem bem-sucedido e tinha uma família bem unida. Sua irmã Miriã salvou sua vida quando ele era bebê. Seu irmão Arão era o seu porta-voz. Tudo estava bem, até que a soberba e o ciúme entraram no seio familiar.
A consequência foi que o Todo-Poderoso sequer analisou o mérito da acusação infundada, mas castigou a Miriã, a qual ficou leprosa. Logo após, "Arão disse a Moisés: Ah! Senhor meu! Ora, não ponhas sobre nós este pecado, que fizemos loucamente e com que havemos pecado!” (Nm 12.11). Arão foi perdoado sem nenhum dano físico, mas somente moral. Infelizmente, muitas famílias são destruídas por permitirem que tais sentimentos prevaleçam. O amor não se ensoberbece (1 Co 13.4).
3. O remédio sublime
Familiares são presentes de Deus. São indivíduos que foram feitos para sofrerem, amarem e viverem juntos. Foi o Eterno quem criou o sentimento de amor na família, de consideração não fingida. O Senhor Jesus amou sua família, apesar das incompreensões dos seus irmãos, como cada um deve amar também a sua. Ele tinha tempo para eles, embora, às vezes, a conversa não fosse agradável. Isso não importava, pois era sua família.
Há pessoas, porém, que dizem que os relacionamentos humanos, inclusive na família, são calcados, sempre, em interesses mesquinhos, como se fosse uma troca, porém nunca em amor sincero (quem nunca ouviu falar na teoria do "gene egoísta”, de Richard Dawkins?) Quando alguém envereda por esse pensamento satânico "do comércio", nunca terá uma família feliz e acabará enxergando maldade em tudo e em todos. Com olhos sujos, a visão sempre será embaçada. O Amor, porém, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha” (1 Co 13.7,8). Ele é o remédio para todos os dramas familiares e foi administrado pelo Espírito Santo nos casos de José e seus irmãos, Moisés e seus irmãos, Jesus e seus irmãos, etc. Se for pago mal com mal, o mal sempre prevalecerá e não haverá vencedores. Se for pago, na família, olho por olho, é possível que, em breve, acabem-se os olhos de todos.

III. A HISTÓRIA DE TODOS NÓS
A sensação de estar perdido é uma das mais angustiantes. As coisas ao redor não têm sentido. Tudo é igual. Tristeza pelo erro do caminho. Ansiedade pela incerteza do futuro. Estar perdido é para quem não tem familiaridade com o lugar em que se encontra. O que dizer, porém, de dois filhos que se perderam dentro da sua própria casa? Essa foi uma história magnífica contada por Jesus (Lc 15.11-32) e que tem tudo a ver com os conflitos familiares.
Era uma vez um pai que tinha dois filhos. Esses filhos representam todos os membros das famílias. Um decidiu ir embora para uma terra longínqua, levando consigo sua herança. Isso mostra que ele já estava perdido na sua casa. Sua saída fez somente aprofundar o desnorteamento e a distância. Ele já havia perdido os referenciais, os princípios, a intimidade com o pai.
O outro filho, que permaneceu em casa, igualmente estava perdido na mesma intensidade do caçula. Acontece que o mais novo reconheceu seu pecado e retornou para casa arrependido. O filho mais velho, porém, “reconheceu” o erro do seu genitor e não quis retornar dos campos para casa. Ele sabia o caminho para a sala do banquete, mas não quis voltar. Está escrito: “Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele” (Lc 15.28).
O primogênito ouviu os sons da celebração ruidosa e alegre que seu pai patrocinou, pelo retorno de seu irmão caçula, mas isso o indignou. Ele não entrou na casa, apesar de no Oriente haver o costume de que, em caso de festa, o primogênito deveria ficar descalço, à porta, cumprimentando os convidados. Neste caso, o mínimo que se esperava dele era que honrasse o pai, pelo menos saudando as pessoas, e somente depois reclamasse. Mas ele preferiu humilhar seu pai publicamente, discutindo na presença dos convidados. Um insulto, principalmente num banquete. Esse filho estava profundamente perdido.
Entretanto, o pai se humilhou publicamente, saindo de casa e instando com o filho mais velho para que participasse da celebração — um gesto de amor inesperado. Aquele pai falou ternamente ao filho rebelde sobre a importância de eles sempre estarem juntos e também falou da comunhão patrimonial entre ambos, mas o primogênito desprezou o arrazoado paterno.
Ele queria dinheiro, destaque, e isso tudo bem distante das pessoas de casa. O filho mais velho, na verdade, odiava o pai que, por sua vez, sem levar em consideração a amargura do coração, a arrogância das palavras, o insulto dos gestos, a distorção dos fatos e as acusações injustas de seu filho mais velho, queria tocar seu coração. Aquele pai não condenou, nem criticou, muito menos rejeitou, da mesma forma como fez com o filho caçula. Houve, com isso, um novo derramamento de amor.
Em flagrante contraste, o pai o chamou de "filho”, um título afetivo. “Não há dor maior do que perder um filho”, pensava o pai, que insistiu: “Filho, entre na festa. Precisamos de você ao nosso lado”.
A reação do pai para com cada um de seus filhos foi essencialmente idêntica, já as condutas dos filhos foram bem diferentes. O caçula teve tudo de volta, mas nada se sabe acerca do primogênito. Uma coisa é certa: se ele não se encontrou com a Vida naquele dia, o pai sempre o estará esperando... de braços abertos.
1. O filho egoísta
O filho mais jovem era egoísta, pois pensava apenas em si e estava enjoado da vida em família. Ele não precisava de mais ninguém para viver e, por isso, viajou para longe do aconchego do lar e desperdiçou toda sua herança. Quando, por fim, chegou ao fundo do poço, ele, em desespero, se lembrou da casa do seu pai. Essa é a história de muitos filhos que, mesmo sem partirem geograficamente, abandonaram o ideário familiar, buscando construir sua história, relativizando os valores morais com independência emocional e sem compartilhamento de vida. O fim sempre será a solidão, pois não há melhor lugar para estar do que na companhia daqueles que o Eterno estabeleceu como família. Ainda dá tempo para voltar!
2. O irmão que não perdoa
O outro filho, o orgulhoso, não perdoava ninguém. Ele era aparentemente envolvido com a família, mas seu coração estava muito longe. E o pior: ele, que tanto errava, não admitia o erro de ninguém. Insensível, ele cumpria os rituais familiares, mas era tão ou mais egoísta que seu irmão. Este filho (mais experiente), que sempre está em conflito consigo e com os outros, também precisa cair em si, reconhecer seu erro e voltar à boa convivência da vida familiar.
3. O pai que reconcilia
Por fim, a parábola do filho pródigo traz a figura do reconciliador — o pai, que simboliza Deus, o qual sempre busca a união para a família, “porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre” (SI 133.3).
O Senhor busca as famílias que estão perdidas em seus conflitos, que transformaram o campo de treinamento do Reino num verdadeiro campo de batalha terrenal. Ciúme, brigas, agressões, infidelidades e uma grande quantidade de males se multiplicam inexplicavelmente. Falta paciência, falta perdão, falta amor. Este não foi o propósito do Criador — o Pai. Ele quer que as famílias vivam unidas, refletindo a glória do seu Reino.


http://www.ensinadorcristao.com.br/2016/05/licao-09-conflitos-familiares.htmlAutor: Reynaldo Odilo