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29 julho 2016

Lição 05: Predições de Juízo e Glória (Jovens)



 Um grande desafio do ponto de vista humano é compreender como Deus pode, ao mesmo tempo, executar um juízo que traga choro, dor e lamento, e também um amor imensurável e, em grande misericórdia, providenciar renovo e abrir o caminho para a redenção, a proteção e a glória.
Nos dias atuais, tomado por tanto caos e injustiças, essa é uma questão cada vez mais latente. As pessoas se perguntam: onde está Deus? Por que Deus permite isso ou aquilo? Enfim, não só o juízo de Deus faz parte desse enredo, mas também uma sucessão de consequências de escolhas erradas feitas ao longo dos tempos. O homem, ao rejeitar o amor de Deus, abre os braços a escolhas que tem consequências nos tempos presente e futuro.
A cada dia, as escolhas humanas são reflexos de suas concepções de mundo. Fazem o mal, porque o mal está dentro dos seus corações. Fazem o bem, porque o bem, de igual forma, está dentro do coração. Parece uma questão simples, mas não é tão simples assim. As pessoas teimam em não querer aceitar as consequências das suas escolhas: fazem escolhas más, frutos de pensamentos maus, que se originaram em homens que já esqueceram o que é o amor de Deus e estão completamente absorvidos pelo sistema do mundo.
É nesse contexto que o juízo de Deus se faz necessário, mas há, no tempo atual, assim como nos dias de Isaías, uma importante missão a ser cumprida. Naqueles dias, o profeta foi a voz que clamava. Nos dias atuais, cabe à Igreja ser a voz profética que anuncia que é preciso arrependimento e restauração.
Em seu livro, o profeta Isaías quer mostrar que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, depois de claras e severas advertências, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado em dois momentos: Primeiramente, na proteção, conforto e consolo disponibilizados por Deus e simbolizados na nuvem protetora de dia e no resplendor de fogo chamejante durante a noite (Is 4.5). E, por fim, no envio do Messias que, a princípio, fora rejeitado, mas finalmente aceito, e que também foi chamado de Renovo do Senhor, cheio de beleza e de glória.
O profeta busca deixar claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, porém jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando, assim, a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.
Qual deve ser nossa posição frente ao que nos revela o profeta? A mensagem das Boas-Novas é clara, e o chamado é para todos. O amor e a misericórdia de Deus nos alcançam de forma plena ao contemplar o juízo, promovendo a restauração e a redenção em Cristo, chamando-nos para a comunhão e gozo eterno. Enfim, destacamos a concordância do autor de Hebreus com Isaías quando escreve: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3 - ARA).

I - O JUÍZO DE DEUS
O juízo de Deus é um ato de amor que tem por objetivo: separar o bem do mal e o verdadeiro do que é falso. Talvez pareça um pouco antagônico: Como afirmar que o juízo de Deus, com todo o seu enredo já conhecido, é um ato de amor? Para entendermos essa questão, é necessário nos remetermos até os primeiros dias onde o homem foi criado por Elohim. Havia um propósito para o homem que envolvia um relacionamento muito especial e íntimo com Deus, mas o homem escolheu pecar, interrompendo toda essa bela história. A continuidade dessa trama já é bastante conhecida, assim como suas consequências. Logo, haveria um juízo; porém, mais do que um juízo, havia um Deus amoroso e misericordioso. Aos olhos humanos, era chegada a hora da sentença e da morte. Aos olhos de Deus, era a hora do juízo, da restauração e da glorificação.
1. As causas do juízo de Deus
Antes de enviar seu juízo, o Senhor havia mostrado claramente ao povo que Ele não deveria agir de forma contrária ao seu amor. E assim tem sido desde o início. Antes mesmo da queda de Adão e Eva, Deus já os havia instruído acerca do que deveriam evitar, a fim de manterem a comunhão com Ele. E assim foi durante toda a história da humanidade até os tempos do profeta Isaías. Deus, sempre movido por amor e misericórdia, buscou estabelecer alianças com o seu povo, levantou vozes para que trouxessem palavras de retidão, realizou maravilhas e supriu as necessidades. A lista de intervenções é imensa, desde pão vindo do céu, o mar se abrindo, as muralhas indo ao chão, até palavras proféticas de homens ungidos. Porém, nada disso conseguiu manter o povo de Israel longe do pecado. Bastou o tempo passar e os milagres “esfriarem” para que o povo começasse a abandonar seus princípios e imergisse numa série de abominações.
Por causa disso, Deus alertou, por intermédio do profeta, contra a corrupção dos governantes e a violência. Alertou também sobre questões econômicas e sociais que promoviam a injustiça. Foram denunciadas e advertidas as seguintes práticas: a substituição do Senhor pelas riquezas; a ganância; o suborno recebido pelo juiz; a exploração dos trabalhadores para a manutenção do luxo no palácio, do rei, da corte e do templo; a concentração de riquezas nas mãos de poucos; o empobrecimento da população; a administração fraudulenta; a impunidade e a opressão. Tudo isso é característica do afastamento sistemático do amor e do cuidado de Deus, dando as costas a Ele, e, na prática, querendo afirmar que não precisariam dEle nem de suas ordenanças para organizarem suas vidas.
2. Como um Deus bom pode agir com juízo
Está aí, possivelmente, um dos maiores antagonismos levantados por muitos que, em um primeiro momento, não conseguem compreender as dimensões da justiça e do amor de Deus. Nos tempos antigos, e também nos dias atuais, ao olhar para tantas consequências de ações humanas, não conseguem perceber que elas são simplesmente decorrências das próprias escolhas. Essas pessoas não compreendem como um Deus de amor pode agir em juízo e alegam que as duas coisas são antagônicas e preferem achar que Ele é complacente com situações que ferem sua santidade, como no caso do povo de Judá e Jerusalém.
Mas é preciso afirmar a verdade de que o juízo de Deus se manifesta sempre que se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, e assim se viola seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus ao rejeitar o seu amor que é oferecido gratuitamente. Desta forma, o juízo é um ato de amor que abandona o ser que resiste ao amor de Deus à autodestruição.
No caso de Israel, esse amor foi rejeitado ao agirem com arrogância e autossuficiência, desprezando a provisão de Deus e ao praticarem a injustiça de uns para com os outros, oprimindo e explorando os pobres, os órfãos e as viúvas. Enfim, o povo que reivindicava para si uma atribuição de religiosidade havia esquecido o real sentido do amor que deveria ser para eles uma inspiração, servindo de padrão em todos os momentos. O amor e a misericórdia de Deus, que, em outros momentos, já os havia alcançado e salvado das mãos de tantos inimigos, deveria motivá-los a praticar a justiça, fazer o bem e amparar os que precisam. Mas a realidade que se apresentava era completamente diferente. Não importava quantas vezes o povo foi alvo da misericórdia de Deus. Em todas elas, o que se seguiu foi o desvio moral, espiritual, político e social do povo. Já havia uma distância incalculável entre o lugar que o povo de Israel deveria ocupar e onde eles realmente estavam por causa do pecado.
O Criador, em seu infinito amor, deseja que todos sejam alcançados pela graça e salvação. Porém, também é verdade que Deus é santo e, em sua santidade, há a necessidade de uma restauração. E esse processo é o que viria a acontecer através da promessa do “Renovo”.
3. A justiça estabelecida com juízo
As palavras do profeta eram prenúncios de tempos de justiça e purificação não só para aqueles dias, mas também para momentos muito posteriores, como os nossos dias e, ainda, os dias que virão. Não há como desfrutar da presença de Deus sem justiça e santidade, e é nesse contexto que o juízo começa a ser aplicado.
Para que houvesse o retomo da justiça no meio do povo de Deus, era preciso que o juízo fosse feito com rigor pelo justo juiz. O Senhor lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa de sangue inocente derramado e das injustiças praticadas até mesmo em nome dEle. Para isso, Ele enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador (Is 4.4 - ARA). Assim como em qualquer processo de justificação, muitos não estavam dispostos a pagar o preço necessário, pois o arrependimento e a restauração são etapas árduas, caras e trabalhosas, porém necessárias. Quando o juízo fosse completado, a glória e a proteção do Senhor seriam estendidas sobre seu povo.
Nos dias atuais, a injustiça, a falta de amor, o individualismo, a corrupção, a violência e toda uma série de iniquidades se multiplicam. Multidões estão cada vez mais se afastando de Deus e, iludidos por teorias e tendências que surgiram com a modernidade, vão se distanciando da fé e cada vez mais buscando a satisfação apenas de si próprios. Multidões são vítimas dessas condições em que o coletivo cada vez tem menos importância e o individualismo é a palavra de ordem que lança um contra os outros sem piedade em uma realidade de dor e solidão. Essa é a plataforma ideal para que se estabeleçam injustiças e se viole o direito e a dignidade do próximo, ou seja, são as condições para a prática de todo pecado, que está latente no coração humano esperando apenas a oportunidade de se mostrar.
Nesse cenário, a Igreja tem um importante papel e não pode se esquivar dessa grande responsabilidade. A Igreja é o povo do Senhor na terra e atua como um arauto de justiça e um inibidor do juízo contra o pecado e todas as formas de injustiça. Dessa forma, em todas estas frentes, deve haver um posicionamento para que a justiça deva ser proclamada. Ao anunciar as Boas-Novas, proclama-se uma mensagem de amor, acolhimento, justiça, amparo e ética, enfim, uma coerência com os ensinamentos do Mestre Amado. Essa proclamação precisa encontrar amparo nas atitudes da Igreja frente à realidade onde estamos inseridos.
Essas atitudes vão além de uma série de ações dentro de nossas igrejas, pois elas transcendem esse espaço, levando essa voz a todos os espaços e exercendo uma abrangência integral, cuidando do ser humano em todas as suas esferas. Ao ouvir falar de amor, se sentirá amado; ao ouvir falar de justiça, se sentirá justificado; ao ouvir falar de acolhimento e cuidado, se sentirá abraçado em sua totalidade. Vamos exemplificar essa questão, no caso de a proclamação do evangelho não vir acompanhado dela: seria complicado falar do “pão da vida” a alguém que está com o estômago vazio e sente dor de fome, assim como seria difícil explicar o amor de Deus a alguém que é rejeitado por todos e não tem nem um teto para dormir à noite.
A Igreja é um arauto de justiça e, como tal, precisa também ser presente no espaço da “polis”. Por isso, ela não deve se omitir dos meios públicos, políticos e da justiça social, mas também não pode compactuar com políticas injustas e corruptas. Deve, sim, ocupar o espaço na sociedade que lhe compete. Nessa posição, não há como aceitar troca de favores com os poderes constituídos, pois compromete a autoridade profética da Igreja. A Igreja, quando se fizer presente no meio público, precisa ser referência de ética, compromisso com a justiça e a verdade, além de sempre posicionar--se de forma profética e justa, mostrando ao mundo que há um Deus que é justo, santo e amoroso!

II - A GLÓRIA DO RENOVO DO SENHOR
Um período de grande glória e beleza será estabelecido após o juízo divino sobre o povo, segundo a profecia de Isaías. Porém, essa bênção seria apenas para aqueles que forem salvos da destruição causada pela invasão dos inimigos de Israel, que seria a executora do juízo de Deus. Esse juízo seria tão avassalador que os salvos seriam chamados de santos diante da purificação que se estabelecerá.
1. O renovo do Senhor para Israel
Nesse ponto da profecia, há uma referência tanto à época em que ela fora proferida quanto a um tempo muito posterior, em um tempo já escatológico. Para os estudiosos do texto bíblico, ao falar do Renovo do Senhor, Isaías está se referindo ao Messias que seria rejeitado pelo povo de Israel, porém aceito ao final de muito aperto.
Ao apontar para o contexto imediato, faz-se referência à invasão babilônica que, durante muitas décadas, assolou todo o mundo conhecido de então, promovendo a destruição de reinos e cidades e ampliando o seu poder. Talvez, nesse momento, quando eram levados cativos, muitos dos que choravam começaram a repensar seus atos e como estavam fora dos propósitos estabelecidos por Deus, mas já era tarde demais.
Em um contexto remoto, faz referência ao fim dos tempos, quando Israel estará novamente sitiada e será liberta milagrosamente quando reconhecer e aceitar a Cristo como o enviado de Deus. Esse tempo será após o período da Grande Tribulação, que durará sete anos, e o anticristo quebrará o pacto feito com Israel, e muitas nações da terra se voltarão contra o povo de Deus. Nesse momento, o socorro do Senhor virá através da intervenção divina encabeçada por Cristo em favor de seu povo.
2. O renovo do Senhor para a igreja
A promessa de renovo é para toda a Igreja, e não mais apenas para Israel. Com a rejeição de Cristo por Israel, seu povo, abriu-se a grande porta da graça de Deus para todos os povos da terra. A promessa agora estaria acessível a todo aquele que aceitar viver esse processo de restauração, independentemente de etnia, classe social ou qualquer outra classificação. Bastaria dizer sim para viver essa restauração. Enfim, todos os que aceitam a Cristo como salvador nesse tempo da graça serão espiritualmente revestidos de beleza e glória através de Cristo nas suas vidas. Com isso, todos os que estão em Cristo são chamados de santos (Is 4.3; 1 Co 1.2). Esse processo de santificação se dá não por iniciativa do cristão, mas a partir do fato de ele estar em Cristo, que é santo.
E em Jesus Cristo que o renovo se concretiza ao nos dar vida plena. Ao morrer na cruz, Ele levou sobre si nossa culpa e cumpriu o juízo nos dando acesso à vida eterna. É o Renovo do Senhor produzindo vida! Jesus se referiu a si mesmo como o doador da vida (Mt 20.28; Jo 3.15-16; 5.24), dizendo que “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tomará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (Jo 4.14 - NVI).
3. Cristo, o provedor de bênçãos para os salvos
Em Cristo, os salvos são alvos de muitas bênçãos. Essas bênçãos são especiais; porém, aos olhos daqueles que ainda não conhecem a mensagem da cruz, elas podem parecer irreais. Quem ainda não conhece a Cristo está tão preso ao pecado e oprimido pelas injustiças e corrupção do mundo que não consegue mensurar o quão precioso é a verdadeira vida que é ofertada por Jesus.
Através de Cristo, há abundante provisão para todos nós, os salvos. E através de sua Palavra que Ele promete cura para o corpo físico (Mt 4.23), libertação do pecado e de situações de aflição e angústia (Rm 8.21), salvação do estado de morte e afastamento de Deus (Lc 3.6), renovação para a mente e no modo de pensar (Rm 12.2; 4.23), perdão completo para a culpa (Mt 26.28; Lc 24.47), e sobre nós repousa sua glória transformadora. Como disse Paulo: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” (2 Co 3.18-NVI).
Em Cristo, somos novas criaturas e podemos desfrutar de uma intimidade ímpar com o Senhor, o que nos permite a cada dia vivermos um processo de santificação até que venha a ser dia perfeito. E cabe a nós, Igreja, anunciarmos ao mundo que em Cristo há um caminho para a salvação e para a vida abundante. Essa compreensão impele a Igreja a um despertamento da necessidade de “sair para fora” e anunciar que há um juízo, mas que também há uma salvação em Cristo.

III - A PROTEÇÃO DO SENHOR
Como é precioso o sentimento de proteção. Já no Jardim do Éden, encontramos Deus cuidando de Adão e Eva, demonstrando o quanto essa ação é significativa e importante. Até em uma célula familiar, o bebê, quando está inquieto, se conforta ao receber o afetuoso abraço da mãe. Um dos pilares que une as pessoas é a necessidade de proteção, como pôde ser observado no surgimento das primeiras civilizações: buscava-se água, comida e proteção. Enfim, a proteção é uma necessidade natural do ser humano. No entanto, a proteção que necessitamos da parte de Deus é muito diferente, pois envolve o nosso ser como um todo.
O profeta Isaías evoca a proteção do Senhor sobre seu povo lembrando-os da nuvem de dia e da coluna de fogo durante a noite que os acompanhou durante os 40 anos no deserto. Tendo isso em mente, o profeta afirma: “Criará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião e sobre as suas congregações uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” (Is 4.5). Trata-se de uma recordação agradável para o povo de Deus, pois evoca o cuidado dEle durante o calor do sol diário para não queimar o povo e da escuridão e do frio da noite trazendo proteção e calor respectivamente.
1. A proteção do Senhor para Israel
O profeta Isaías trouxe ao povo a lembrança do cuidado de Deus quando, na travessia do deserto, com a finalidade de afirmar que, de forma mais gloriosa ainda, a mesma proteção será presente para o povo de Deus.
As histórias dos tempos antigos ainda mexiam com o coração do povo. A forma como Deus libertou o povo do Egito, a travessia do Mar Vermelho, a condução pelo deserto, todos os eventos aos pés do Monte Sinai, bem como a história da conquista da Terra Prometida, além da forma como foi provido alimento e água, a nuvem e a coluna de fogo; enfim, elementos que revelam o quanto Deus pelejou e cuidou do seu povo, demonstrando uma relação verdadeiramente impressionante.
Essas expressões trazidas pelo profeta estão, obviamente, em sentido figurado e remetem para um tempo futuro, no reinado messiânico, em que Deus protegerá seu povo de forma miraculosa contra todos os inconvenientes, tanto da natureza quanto de seus inimigos. Todavia, além dessa proteção, fornecerá “um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva (Is 4.6). Ou seja, o povo se sentirá confortável como nunca em outro tempo esteve, pois a plenitude do reino Messiânico será de uma glória indescritível (Is 4.5).
2. A proteção do Senhor para os salvos
As promessas de Deus para Israel quanto ao reino Messiânico também se aplicam aos salvos. A partir do momento em que Cristo veio ao mundo e foi rejeitado pelos seus, uma porta foi aberta estendendo a possibilidade de salvação a todo aquele que passa a crer em Jesus. O “Ide” da Grande Comissão (Mt 28) tem um imperativo que revela a vontade de Deus em salvar toda a humanidade e, assim, permitir que todo o que crê na mensagem da cruz seja salvo.
Aos que aceitam essa mensagem, Jesus faz uma promessa: Ele afirmou que aqueles que vivessem em seu Reino (Lc 8.1; 16.16; 17.20-21), que se estabelece nos corações, experimentariam antecipadamente as realidades deste Reino: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17 - NVI). Essa já é a dimensão presente do Reino de Deus que se apresenta a todo aquele que segue a Cristo.
Mas será que essa verdade significa que não mais teremos lutas e aflições? Não, não, muito pelo contrário. Estamos em uma verdadeira batalha em que somos arautos do Rei e precisamos promover o seu Reino. Para cumprir essa missão, há um preço a ser pago, pois a mensagem que levamos aos que tem sede é muito preciosa, e é natural que tenhamos resistências do sistema do mundo atual; mesmo assim, devemos ter bom ânimo porque não estamos sozinhos nessa caminhada!
O próprio Jesus não prometeu uma vida fácil e livre de tribulações. Ele mesmo disse: “neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33 - NVI). Temos, na fala de Jesus, a certeza de que a caminhada de fé do cristão é repleta de desafios, ainda mais porque vivemos num momento de grandes injustiças, corrupções, violência e esfriamento do amor. O individualismo e a falta de amor alcançaram níveis alarmantes, levando multidões ao desespero. Mas é nesse contexto que a Igreja precisa cumprir o seu papel profético e anunciar que há um caminho.
Em meio a tantas dificuldades, Cristo nos mostra que a provisão para o seu povo é a companhia, o consolo e o conforto do seu Espírito Santo, que atua como uma nuvem sobre seu povo, guardando cada um do calor escaldante das aflições da vida, e o fogo do Espírito, que protege contra a frieza deste mundo e lhes provê sustento espiritual.
O resplendor de fogo sobre o povo e o seu Espírito purificador (Is 4.4-5) são alusões ao batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), que se cumpriu no Dia de Pentecostes e que ainda se cumpre na vida de cada crente ao ser batizado no Espírito Santo, promovendo purificação e queimando interiormente aquilo que fere a santidade de Deus, permitindo vivermos em seu Reino de justiça, paz e amor. E é mediante o batismo no Espírito Santo que o cristão recebe as condições para exercer o seu chamado de forma plena conforme a vocação de Deus para a sua vida de forma destemida e triunfante. Concluindo, podemos afirmar que Deus deseja para nós, o seu povo escolhido, os salvos em Cristo, que vivamos uma vida de plenitude desfrutando das muitas coisas boas disponíveis em seu Reino, estabelecido em nossos corações. Ele tem o melhor para nós e, ao usufruirmos desse melhor, estamos também glorificando a Deus, pois foi com essa intenção que Ele nos criou: para, em intimidade com o Pai no cotidiano, vivamos intensamente essa relação cumprindo o propósito dEle em nossas vidas.
Mas, infelizmente, muitos ainda não desfrutam dessa intimidade. A rejeição dessa oferta gratuita é uma afronta ao seu amor e misericórdia e entristece muito ao Pai. Como pode o homem dizer não a tão grande amor? E há tantos que renunciam esse presente. Talvez a resposta a essa questão seja encontrada no fato de que ainda não tenha sido revelado de forma clara o quanto Deus pode trazer vida a essa pessoa que agora diz não. Quem poderá revelar a essa pessoa tão grande verdade? Talvez essa seja uma tarefa para você, leitor. Pense nisso. Doe-se nessa linda missão.
Vamos, então, nos esforçar para permitir que o Espírito Santo implante em nossos corações o Reino de Deus, a fim de trazer a libertação das forças opressoras do mal e da miséria humana. E tocados por essa causa, vamos conscientes da visão profética da Igreja, avançar na missão de anunciar ao mundo que há um Deus que é justiça, mas que também é amor, misericórdia e que tem para os seus um renovo em glória.


Lição 05: Predições de Juízo e Glória (Jovens)



 Um grande desafio do ponto de vista humano é compreender como Deus pode, ao mesmo tempo, executar um juízo que traga choro, dor e lamento, e também um amor imensurável e, em grande misericórdia, providenciar renovo e abrir o caminho para a redenção, a proteção e a glória.
Nos dias atuais, tomado por tanto caos e injustiças, essa é uma questão cada vez mais latente. As pessoas se perguntam: onde está Deus? Por que Deus permite isso ou aquilo? Enfim, não só o juízo de Deus faz parte desse enredo, mas também uma sucessão de consequências de escolhas erradas feitas ao longo dos tempos. O homem, ao rejeitar o amor de Deus, abre os braços a escolhas que tem consequências nos tempos presente e futuro.
A cada dia, as escolhas humanas são reflexos de suas concepções de mundo. Fazem o mal, porque o mal está dentro dos seus corações. Fazem o bem, porque o bem, de igual forma, está dentro do coração. Parece uma questão simples, mas não é tão simples assim. As pessoas teimam em não querer aceitar as consequências das suas escolhas: fazem escolhas más, frutos de pensamentos maus, que se originaram em homens que já esqueceram o que é o amor de Deus e estão completamente absorvidos pelo sistema do mundo.
É nesse contexto que o juízo de Deus se faz necessário, mas há, no tempo atual, assim como nos dias de Isaías, uma importante missão a ser cumprida. Naqueles dias, o profeta foi a voz que clamava. Nos dias atuais, cabe à Igreja ser a voz profética que anuncia que é preciso arrependimento e restauração.
Em seu livro, o profeta Isaías quer mostrar que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, depois de claras e severas advertências, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado em dois momentos: Primeiramente, na proteção, conforto e consolo disponibilizados por Deus e simbolizados na nuvem protetora de dia e no resplendor de fogo chamejante durante a noite (Is 4.5). E, por fim, no envio do Messias que, a princípio, fora rejeitado, mas finalmente aceito, e que também foi chamado de Renovo do Senhor, cheio de beleza e de glória.
O profeta busca deixar claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, porém jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando, assim, a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.
Qual deve ser nossa posição frente ao que nos revela o profeta? A mensagem das Boas-Novas é clara, e o chamado é para todos. O amor e a misericórdia de Deus nos alcançam de forma plena ao contemplar o juízo, promovendo a restauração e a redenção em Cristo, chamando-nos para a comunhão e gozo eterno. Enfim, destacamos a concordância do autor de Hebreus com Isaías quando escreve: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3 - ARA).

I - O JUÍZO DE DEUS
O juízo de Deus é um ato de amor que tem por objetivo: separar o bem do mal e o verdadeiro do que é falso. Talvez pareça um pouco antagônico: Como afirmar que o juízo de Deus, com todo o seu enredo já conhecido, é um ato de amor? Para entendermos essa questão, é necessário nos remetermos até os primeiros dias onde o homem foi criado por Elohim. Havia um propósito para o homem que envolvia um relacionamento muito especial e íntimo com Deus, mas o homem escolheu pecar, interrompendo toda essa bela história. A continuidade dessa trama já é bastante conhecida, assim como suas consequências. Logo, haveria um juízo; porém, mais do que um juízo, havia um Deus amoroso e misericordioso. Aos olhos humanos, era chegada a hora da sentença e da morte. Aos olhos de Deus, era a hora do juízo, da restauração e da glorificação.
1. As causas do juízo de Deus
Antes de enviar seu juízo, o Senhor havia mostrado claramente ao povo que Ele não deveria agir de forma contrária ao seu amor. E assim tem sido desde o início. Antes mesmo da queda de Adão e Eva, Deus já os havia instruído acerca do que deveriam evitar, a fim de manterem a comunhão com Ele. E assim foi durante toda a história da humanidade até os tempos do profeta Isaías. Deus, sempre movido por amor e misericórdia, buscou estabelecer alianças com o seu povo, levantou vozes para que trouxessem palavras de retidão, realizou maravilhas e supriu as necessidades. A lista de intervenções é imensa, desde pão vindo do céu, o mar se abrindo, as muralhas indo ao chão, até palavras proféticas de homens ungidos. Porém, nada disso conseguiu manter o povo de Israel longe do pecado. Bastou o tempo passar e os milagres “esfriarem” para que o povo começasse a abandonar seus princípios e imergisse numa série de abominações.
Por causa disso, Deus alertou, por intermédio do profeta, contra a corrupção dos governantes e a violência. Alertou também sobre questões econômicas e sociais que promoviam a injustiça. Foram denunciadas e advertidas as seguintes práticas: a substituição do Senhor pelas riquezas; a ganância; o suborno recebido pelo juiz; a exploração dos trabalhadores para a manutenção do luxo no palácio, do rei, da corte e do templo; a concentração de riquezas nas mãos de poucos; o empobrecimento da população; a administração fraudulenta; a impunidade e a opressão. Tudo isso é característica do afastamento sistemático do amor e do cuidado de Deus, dando as costas a Ele, e, na prática, querendo afirmar que não precisariam dEle nem de suas ordenanças para organizarem suas vidas.
2. Como um Deus bom pode agir com juízo
Está aí, possivelmente, um dos maiores antagonismos levantados por muitos que, em um primeiro momento, não conseguem compreender as dimensões da justiça e do amor de Deus. Nos tempos antigos, e também nos dias atuais, ao olhar para tantas consequências de ações humanas, não conseguem perceber que elas são simplesmente decorrências das próprias escolhas. Essas pessoas não compreendem como um Deus de amor pode agir em juízo e alegam que as duas coisas são antagônicas e preferem achar que Ele é complacente com situações que ferem sua santidade, como no caso do povo de Judá e Jerusalém.
Mas é preciso afirmar a verdade de que o juízo de Deus se manifesta sempre que se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, e assim se viola seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus ao rejeitar o seu amor que é oferecido gratuitamente. Desta forma, o juízo é um ato de amor que abandona o ser que resiste ao amor de Deus à autodestruição.
No caso de Israel, esse amor foi rejeitado ao agirem com arrogância e autossuficiência, desprezando a provisão de Deus e ao praticarem a injustiça de uns para com os outros, oprimindo e explorando os pobres, os órfãos e as viúvas. Enfim, o povo que reivindicava para si uma atribuição de religiosidade havia esquecido o real sentido do amor que deveria ser para eles uma inspiração, servindo de padrão em todos os momentos. O amor e a misericórdia de Deus, que, em outros momentos, já os havia alcançado e salvado das mãos de tantos inimigos, deveria motivá-los a praticar a justiça, fazer o bem e amparar os que precisam. Mas a realidade que se apresentava era completamente diferente. Não importava quantas vezes o povo foi alvo da misericórdia de Deus. Em todas elas, o que se seguiu foi o desvio moral, espiritual, político e social do povo. Já havia uma distância incalculável entre o lugar que o povo de Israel deveria ocupar e onde eles realmente estavam por causa do pecado.
O Criador, em seu infinito amor, deseja que todos sejam alcançados pela graça e salvação. Porém, também é verdade que Deus é santo e, em sua santidade, há a necessidade de uma restauração. E esse processo é o que viria a acontecer através da promessa do “Renovo”.
3. A justiça estabelecida com juízo
As palavras do profeta eram prenúncios de tempos de justiça e purificação não só para aqueles dias, mas também para momentos muito posteriores, como os nossos dias e, ainda, os dias que virão. Não há como desfrutar da presença de Deus sem justiça e santidade, e é nesse contexto que o juízo começa a ser aplicado.
Para que houvesse o retomo da justiça no meio do povo de Deus, era preciso que o juízo fosse feito com rigor pelo justo juiz. O Senhor lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa de sangue inocente derramado e das injustiças praticadas até mesmo em nome dEle. Para isso, Ele enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador (Is 4.4 - ARA). Assim como em qualquer processo de justificação, muitos não estavam dispostos a pagar o preço necessário, pois o arrependimento e a restauração são etapas árduas, caras e trabalhosas, porém necessárias. Quando o juízo fosse completado, a glória e a proteção do Senhor seriam estendidas sobre seu povo.
Nos dias atuais, a injustiça, a falta de amor, o individualismo, a corrupção, a violência e toda uma série de iniquidades se multiplicam. Multidões estão cada vez mais se afastando de Deus e, iludidos por teorias e tendências que surgiram com a modernidade, vão se distanciando da fé e cada vez mais buscando a satisfação apenas de si próprios. Multidões são vítimas dessas condições em que o coletivo cada vez tem menos importância e o individualismo é a palavra de ordem que lança um contra os outros sem piedade em uma realidade de dor e solidão. Essa é a plataforma ideal para que se estabeleçam injustiças e se viole o direito e a dignidade do próximo, ou seja, são as condições para a prática de todo pecado, que está latente no coração humano esperando apenas a oportunidade de se mostrar.
Nesse cenário, a Igreja tem um importante papel e não pode se esquivar dessa grande responsabilidade. A Igreja é o povo do Senhor na terra e atua como um arauto de justiça e um inibidor do juízo contra o pecado e todas as formas de injustiça. Dessa forma, em todas estas frentes, deve haver um posicionamento para que a justiça deva ser proclamada. Ao anunciar as Boas-Novas, proclama-se uma mensagem de amor, acolhimento, justiça, amparo e ética, enfim, uma coerência com os ensinamentos do Mestre Amado. Essa proclamação precisa encontrar amparo nas atitudes da Igreja frente à realidade onde estamos inseridos.
Essas atitudes vão além de uma série de ações dentro de nossas igrejas, pois elas transcendem esse espaço, levando essa voz a todos os espaços e exercendo uma abrangência integral, cuidando do ser humano em todas as suas esferas. Ao ouvir falar de amor, se sentirá amado; ao ouvir falar de justiça, se sentirá justificado; ao ouvir falar de acolhimento e cuidado, se sentirá abraçado em sua totalidade. Vamos exemplificar essa questão, no caso de a proclamação do evangelho não vir acompanhado dela: seria complicado falar do “pão da vida” a alguém que está com o estômago vazio e sente dor de fome, assim como seria difícil explicar o amor de Deus a alguém que é rejeitado por todos e não tem nem um teto para dormir à noite.
A Igreja é um arauto de justiça e, como tal, precisa também ser presente no espaço da “polis”. Por isso, ela não deve se omitir dos meios públicos, políticos e da justiça social, mas também não pode compactuar com políticas injustas e corruptas. Deve, sim, ocupar o espaço na sociedade que lhe compete. Nessa posição, não há como aceitar troca de favores com os poderes constituídos, pois compromete a autoridade profética da Igreja. A Igreja, quando se fizer presente no meio público, precisa ser referência de ética, compromisso com a justiça e a verdade, além de sempre posicionar--se de forma profética e justa, mostrando ao mundo que há um Deus que é justo, santo e amoroso!

II - A GLÓRIA DO RENOVO DO SENHOR
Um período de grande glória e beleza será estabelecido após o juízo divino sobre o povo, segundo a profecia de Isaías. Porém, essa bênção seria apenas para aqueles que forem salvos da destruição causada pela invasão dos inimigos de Israel, que seria a executora do juízo de Deus. Esse juízo seria tão avassalador que os salvos seriam chamados de santos diante da purificação que se estabelecerá.
1. O renovo do Senhor para Israel
Nesse ponto da profecia, há uma referência tanto à época em que ela fora proferida quanto a um tempo muito posterior, em um tempo já escatológico. Para os estudiosos do texto bíblico, ao falar do Renovo do Senhor, Isaías está se referindo ao Messias que seria rejeitado pelo povo de Israel, porém aceito ao final de muito aperto.
Ao apontar para o contexto imediato, faz-se referência à invasão babilônica que, durante muitas décadas, assolou todo o mundo conhecido de então, promovendo a destruição de reinos e cidades e ampliando o seu poder. Talvez, nesse momento, quando eram levados cativos, muitos dos que choravam começaram a repensar seus atos e como estavam fora dos propósitos estabelecidos por Deus, mas já era tarde demais.
Em um contexto remoto, faz referência ao fim dos tempos, quando Israel estará novamente sitiada e será liberta milagrosamente quando reconhecer e aceitar a Cristo como o enviado de Deus. Esse tempo será após o período da Grande Tribulação, que durará sete anos, e o anticristo quebrará o pacto feito com Israel, e muitas nações da terra se voltarão contra o povo de Deus. Nesse momento, o socorro do Senhor virá através da intervenção divina encabeçada por Cristo em favor de seu povo.
2. O renovo do Senhor para a igreja
A promessa de renovo é para toda a Igreja, e não mais apenas para Israel. Com a rejeição de Cristo por Israel, seu povo, abriu-se a grande porta da graça de Deus para todos os povos da terra. A promessa agora estaria acessível a todo aquele que aceitar viver esse processo de restauração, independentemente de etnia, classe social ou qualquer outra classificação. Bastaria dizer sim para viver essa restauração. Enfim, todos os que aceitam a Cristo como salvador nesse tempo da graça serão espiritualmente revestidos de beleza e glória através de Cristo nas suas vidas. Com isso, todos os que estão em Cristo são chamados de santos (Is 4.3; 1 Co 1.2). Esse processo de santificação se dá não por iniciativa do cristão, mas a partir do fato de ele estar em Cristo, que é santo.
E em Jesus Cristo que o renovo se concretiza ao nos dar vida plena. Ao morrer na cruz, Ele levou sobre si nossa culpa e cumpriu o juízo nos dando acesso à vida eterna. É o Renovo do Senhor produzindo vida! Jesus se referiu a si mesmo como o doador da vida (Mt 20.28; Jo 3.15-16; 5.24), dizendo que “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tomará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (Jo 4.14 - NVI).
3. Cristo, o provedor de bênçãos para os salvos
Em Cristo, os salvos são alvos de muitas bênçãos. Essas bênçãos são especiais; porém, aos olhos daqueles que ainda não conhecem a mensagem da cruz, elas podem parecer irreais. Quem ainda não conhece a Cristo está tão preso ao pecado e oprimido pelas injustiças e corrupção do mundo que não consegue mensurar o quão precioso é a verdadeira vida que é ofertada por Jesus.
Através de Cristo, há abundante provisão para todos nós, os salvos. E através de sua Palavra que Ele promete cura para o corpo físico (Mt 4.23), libertação do pecado e de situações de aflição e angústia (Rm 8.21), salvação do estado de morte e afastamento de Deus (Lc 3.6), renovação para a mente e no modo de pensar (Rm 12.2; 4.23), perdão completo para a culpa (Mt 26.28; Lc 24.47), e sobre nós repousa sua glória transformadora. Como disse Paulo: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” (2 Co 3.18-NVI).
Em Cristo, somos novas criaturas e podemos desfrutar de uma intimidade ímpar com o Senhor, o que nos permite a cada dia vivermos um processo de santificação até que venha a ser dia perfeito. E cabe a nós, Igreja, anunciarmos ao mundo que em Cristo há um caminho para a salvação e para a vida abundante. Essa compreensão impele a Igreja a um despertamento da necessidade de “sair para fora” e anunciar que há um juízo, mas que também há uma salvação em Cristo.

III - A PROTEÇÃO DO SENHOR
Como é precioso o sentimento de proteção. Já no Jardim do Éden, encontramos Deus cuidando de Adão e Eva, demonstrando o quanto essa ação é significativa e importante. Até em uma célula familiar, o bebê, quando está inquieto, se conforta ao receber o afetuoso abraço da mãe. Um dos pilares que une as pessoas é a necessidade de proteção, como pôde ser observado no surgimento das primeiras civilizações: buscava-se água, comida e proteção. Enfim, a proteção é uma necessidade natural do ser humano. No entanto, a proteção que necessitamos da parte de Deus é muito diferente, pois envolve o nosso ser como um todo.
O profeta Isaías evoca a proteção do Senhor sobre seu povo lembrando-os da nuvem de dia e da coluna de fogo durante a noite que os acompanhou durante os 40 anos no deserto. Tendo isso em mente, o profeta afirma: “Criará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião e sobre as suas congregações uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” (Is 4.5). Trata-se de uma recordação agradável para o povo de Deus, pois evoca o cuidado dEle durante o calor do sol diário para não queimar o povo e da escuridão e do frio da noite trazendo proteção e calor respectivamente.
1. A proteção do Senhor para Israel
O profeta Isaías trouxe ao povo a lembrança do cuidado de Deus quando, na travessia do deserto, com a finalidade de afirmar que, de forma mais gloriosa ainda, a mesma proteção será presente para o povo de Deus.
As histórias dos tempos antigos ainda mexiam com o coração do povo. A forma como Deus libertou o povo do Egito, a travessia do Mar Vermelho, a condução pelo deserto, todos os eventos aos pés do Monte Sinai, bem como a história da conquista da Terra Prometida, além da forma como foi provido alimento e água, a nuvem e a coluna de fogo; enfim, elementos que revelam o quanto Deus pelejou e cuidou do seu povo, demonstrando uma relação verdadeiramente impressionante.
Essas expressões trazidas pelo profeta estão, obviamente, em sentido figurado e remetem para um tempo futuro, no reinado messiânico, em que Deus protegerá seu povo de forma miraculosa contra todos os inconvenientes, tanto da natureza quanto de seus inimigos. Todavia, além dessa proteção, fornecerá “um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva (Is 4.6). Ou seja, o povo se sentirá confortável como nunca em outro tempo esteve, pois a plenitude do reino Messiânico será de uma glória indescritível (Is 4.5).
2. A proteção do Senhor para os salvos
As promessas de Deus para Israel quanto ao reino Messiânico também se aplicam aos salvos. A partir do momento em que Cristo veio ao mundo e foi rejeitado pelos seus, uma porta foi aberta estendendo a possibilidade de salvação a todo aquele que passa a crer em Jesus. O “Ide” da Grande Comissão (Mt 28) tem um imperativo que revela a vontade de Deus em salvar toda a humanidade e, assim, permitir que todo o que crê na mensagem da cruz seja salvo.
Aos que aceitam essa mensagem, Jesus faz uma promessa: Ele afirmou que aqueles que vivessem em seu Reino (Lc 8.1; 16.16; 17.20-21), que se estabelece nos corações, experimentariam antecipadamente as realidades deste Reino: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17 - NVI). Essa já é a dimensão presente do Reino de Deus que se apresenta a todo aquele que segue a Cristo.
Mas será que essa verdade significa que não mais teremos lutas e aflições? Não, não, muito pelo contrário. Estamos em uma verdadeira batalha em que somos arautos do Rei e precisamos promover o seu Reino. Para cumprir essa missão, há um preço a ser pago, pois a mensagem que levamos aos que tem sede é muito preciosa, e é natural que tenhamos resistências do sistema do mundo atual; mesmo assim, devemos ter bom ânimo porque não estamos sozinhos nessa caminhada!
O próprio Jesus não prometeu uma vida fácil e livre de tribulações. Ele mesmo disse: “neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33 - NVI). Temos, na fala de Jesus, a certeza de que a caminhada de fé do cristão é repleta de desafios, ainda mais porque vivemos num momento de grandes injustiças, corrupções, violência e esfriamento do amor. O individualismo e a falta de amor alcançaram níveis alarmantes, levando multidões ao desespero. Mas é nesse contexto que a Igreja precisa cumprir o seu papel profético e anunciar que há um caminho.
Em meio a tantas dificuldades, Cristo nos mostra que a provisão para o seu povo é a companhia, o consolo e o conforto do seu Espírito Santo, que atua como uma nuvem sobre seu povo, guardando cada um do calor escaldante das aflições da vida, e o fogo do Espírito, que protege contra a frieza deste mundo e lhes provê sustento espiritual.
O resplendor de fogo sobre o povo e o seu Espírito purificador (Is 4.4-5) são alusões ao batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), que se cumpriu no Dia de Pentecostes e que ainda se cumpre na vida de cada crente ao ser batizado no Espírito Santo, promovendo purificação e queimando interiormente aquilo que fere a santidade de Deus, permitindo vivermos em seu Reino de justiça, paz e amor. E é mediante o batismo no Espírito Santo que o cristão recebe as condições para exercer o seu chamado de forma plena conforme a vocação de Deus para a sua vida de forma destemida e triunfante. Concluindo, podemos afirmar que Deus deseja para nós, o seu povo escolhido, os salvos em Cristo, que vivamos uma vida de plenitude desfrutando das muitas coisas boas disponíveis em seu Reino, estabelecido em nossos corações. Ele tem o melhor para nós e, ao usufruirmos desse melhor, estamos também glorificando a Deus, pois foi com essa intenção que Ele nos criou: para, em intimidade com o Pai no cotidiano, vivamos intensamente essa relação cumprindo o propósito dEle em nossas vidas.
Mas, infelizmente, muitos ainda não desfrutam dessa intimidade. A rejeição dessa oferta gratuita é uma afronta ao seu amor e misericórdia e entristece muito ao Pai. Como pode o homem dizer não a tão grande amor? E há tantos que renunciam esse presente. Talvez a resposta a essa questão seja encontrada no fato de que ainda não tenha sido revelado de forma clara o quanto Deus pode trazer vida a essa pessoa que agora diz não. Quem poderá revelar a essa pessoa tão grande verdade? Talvez essa seja uma tarefa para você, leitor. Pense nisso. Doe-se nessa linda missão.
Vamos, então, nos esforçar para permitir que o Espírito Santo implante em nossos corações o Reino de Deus, a fim de trazer a libertação das forças opressoras do mal e da miséria humana. E tocados por essa causa, vamos conscientes da visão profética da Igreja, avançar na missão de anunciar ao mundo que há um Deus que é justiça, mas que também é amor, misericórdia e que tem para os seus um renovo em glória.


Lição 05: Predições de Juízo e Glória (Jovens)



 Um grande desafio do ponto de vista humano é compreender como Deus pode, ao mesmo tempo, executar um juízo que traga choro, dor e lamento, e também um amor imensurável e, em grande misericórdia, providenciar renovo e abrir o caminho para a redenção, a proteção e a glória.
Nos dias atuais, tomado por tanto caos e injustiças, essa é uma questão cada vez mais latente. As pessoas se perguntam: onde está Deus? Por que Deus permite isso ou aquilo? Enfim, não só o juízo de Deus faz parte desse enredo, mas também uma sucessão de consequências de escolhas erradas feitas ao longo dos tempos. O homem, ao rejeitar o amor de Deus, abre os braços a escolhas que tem consequências nos tempos presente e futuro.
A cada dia, as escolhas humanas são reflexos de suas concepções de mundo. Fazem o mal, porque o mal está dentro dos seus corações. Fazem o bem, porque o bem, de igual forma, está dentro do coração. Parece uma questão simples, mas não é tão simples assim. As pessoas teimam em não querer aceitar as consequências das suas escolhas: fazem escolhas más, frutos de pensamentos maus, que se originaram em homens que já esqueceram o que é o amor de Deus e estão completamente absorvidos pelo sistema do mundo.
É nesse contexto que o juízo de Deus se faz necessário, mas há, no tempo atual, assim como nos dias de Isaías, uma importante missão a ser cumprida. Naqueles dias, o profeta foi a voz que clamava. Nos dias atuais, cabe à Igreja ser a voz profética que anuncia que é preciso arrependimento e restauração.
Em seu livro, o profeta Isaías quer mostrar que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, depois de claras e severas advertências, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado em dois momentos: Primeiramente, na proteção, conforto e consolo disponibilizados por Deus e simbolizados na nuvem protetora de dia e no resplendor de fogo chamejante durante a noite (Is 4.5). E, por fim, no envio do Messias que, a princípio, fora rejeitado, mas finalmente aceito, e que também foi chamado de Renovo do Senhor, cheio de beleza e de glória.
O profeta busca deixar claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, porém jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando, assim, a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.
Qual deve ser nossa posição frente ao que nos revela o profeta? A mensagem das Boas-Novas é clara, e o chamado é para todos. O amor e a misericórdia de Deus nos alcançam de forma plena ao contemplar o juízo, promovendo a restauração e a redenção em Cristo, chamando-nos para a comunhão e gozo eterno. Enfim, destacamos a concordância do autor de Hebreus com Isaías quando escreve: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3 - ARA).

I - O JUÍZO DE DEUS
O juízo de Deus é um ato de amor que tem por objetivo: separar o bem do mal e o verdadeiro do que é falso. Talvez pareça um pouco antagônico: Como afirmar que o juízo de Deus, com todo o seu enredo já conhecido, é um ato de amor? Para entendermos essa questão, é necessário nos remetermos até os primeiros dias onde o homem foi criado por Elohim. Havia um propósito para o homem que envolvia um relacionamento muito especial e íntimo com Deus, mas o homem escolheu pecar, interrompendo toda essa bela história. A continuidade dessa trama já é bastante conhecida, assim como suas consequências. Logo, haveria um juízo; porém, mais do que um juízo, havia um Deus amoroso e misericordioso. Aos olhos humanos, era chegada a hora da sentença e da morte. Aos olhos de Deus, era a hora do juízo, da restauração e da glorificação.
1. As causas do juízo de Deus
Antes de enviar seu juízo, o Senhor havia mostrado claramente ao povo que Ele não deveria agir de forma contrária ao seu amor. E assim tem sido desde o início. Antes mesmo da queda de Adão e Eva, Deus já os havia instruído acerca do que deveriam evitar, a fim de manterem a comunhão com Ele. E assim foi durante toda a história da humanidade até os tempos do profeta Isaías. Deus, sempre movido por amor e misericórdia, buscou estabelecer alianças com o seu povo, levantou vozes para que trouxessem palavras de retidão, realizou maravilhas e supriu as necessidades. A lista de intervenções é imensa, desde pão vindo do céu, o mar se abrindo, as muralhas indo ao chão, até palavras proféticas de homens ungidos. Porém, nada disso conseguiu manter o povo de Israel longe do pecado. Bastou o tempo passar e os milagres “esfriarem” para que o povo começasse a abandonar seus princípios e imergisse numa série de abominações.
Por causa disso, Deus alertou, por intermédio do profeta, contra a corrupção dos governantes e a violência. Alertou também sobre questões econômicas e sociais que promoviam a injustiça. Foram denunciadas e advertidas as seguintes práticas: a substituição do Senhor pelas riquezas; a ganância; o suborno recebido pelo juiz; a exploração dos trabalhadores para a manutenção do luxo no palácio, do rei, da corte e do templo; a concentração de riquezas nas mãos de poucos; o empobrecimento da população; a administração fraudulenta; a impunidade e a opressão. Tudo isso é característica do afastamento sistemático do amor e do cuidado de Deus, dando as costas a Ele, e, na prática, querendo afirmar que não precisariam dEle nem de suas ordenanças para organizarem suas vidas.
2. Como um Deus bom pode agir com juízo
Está aí, possivelmente, um dos maiores antagonismos levantados por muitos que, em um primeiro momento, não conseguem compreender as dimensões da justiça e do amor de Deus. Nos tempos antigos, e também nos dias atuais, ao olhar para tantas consequências de ações humanas, não conseguem perceber que elas são simplesmente decorrências das próprias escolhas. Essas pessoas não compreendem como um Deus de amor pode agir em juízo e alegam que as duas coisas são antagônicas e preferem achar que Ele é complacente com situações que ferem sua santidade, como no caso do povo de Judá e Jerusalém.
Mas é preciso afirmar a verdade de que o juízo de Deus se manifesta sempre que se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, e assim se viola seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus ao rejeitar o seu amor que é oferecido gratuitamente. Desta forma, o juízo é um ato de amor que abandona o ser que resiste ao amor de Deus à autodestruição.
No caso de Israel, esse amor foi rejeitado ao agirem com arrogância e autossuficiência, desprezando a provisão de Deus e ao praticarem a injustiça de uns para com os outros, oprimindo e explorando os pobres, os órfãos e as viúvas. Enfim, o povo que reivindicava para si uma atribuição de religiosidade havia esquecido o real sentido do amor que deveria ser para eles uma inspiração, servindo de padrão em todos os momentos. O amor e a misericórdia de Deus, que, em outros momentos, já os havia alcançado e salvado das mãos de tantos inimigos, deveria motivá-los a praticar a justiça, fazer o bem e amparar os que precisam. Mas a realidade que se apresentava era completamente diferente. Não importava quantas vezes o povo foi alvo da misericórdia de Deus. Em todas elas, o que se seguiu foi o desvio moral, espiritual, político e social do povo. Já havia uma distância incalculável entre o lugar que o povo de Israel deveria ocupar e onde eles realmente estavam por causa do pecado.
O Criador, em seu infinito amor, deseja que todos sejam alcançados pela graça e salvação. Porém, também é verdade que Deus é santo e, em sua santidade, há a necessidade de uma restauração. E esse processo é o que viria a acontecer através da promessa do “Renovo”.
3. A justiça estabelecida com juízo
As palavras do profeta eram prenúncios de tempos de justiça e purificação não só para aqueles dias, mas também para momentos muito posteriores, como os nossos dias e, ainda, os dias que virão. Não há como desfrutar da presença de Deus sem justiça e santidade, e é nesse contexto que o juízo começa a ser aplicado.
Para que houvesse o retomo da justiça no meio do povo de Deus, era preciso que o juízo fosse feito com rigor pelo justo juiz. O Senhor lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa de sangue inocente derramado e das injustiças praticadas até mesmo em nome dEle. Para isso, Ele enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador (Is 4.4 - ARA). Assim como em qualquer processo de justificação, muitos não estavam dispostos a pagar o preço necessário, pois o arrependimento e a restauração são etapas árduas, caras e trabalhosas, porém necessárias. Quando o juízo fosse completado, a glória e a proteção do Senhor seriam estendidas sobre seu povo.
Nos dias atuais, a injustiça, a falta de amor, o individualismo, a corrupção, a violência e toda uma série de iniquidades se multiplicam. Multidões estão cada vez mais se afastando de Deus e, iludidos por teorias e tendências que surgiram com a modernidade, vão se distanciando da fé e cada vez mais buscando a satisfação apenas de si próprios. Multidões são vítimas dessas condições em que o coletivo cada vez tem menos importância e o individualismo é a palavra de ordem que lança um contra os outros sem piedade em uma realidade de dor e solidão. Essa é a plataforma ideal para que se estabeleçam injustiças e se viole o direito e a dignidade do próximo, ou seja, são as condições para a prática de todo pecado, que está latente no coração humano esperando apenas a oportunidade de se mostrar.
Nesse cenário, a Igreja tem um importante papel e não pode se esquivar dessa grande responsabilidade. A Igreja é o povo do Senhor na terra e atua como um arauto de justiça e um inibidor do juízo contra o pecado e todas as formas de injustiça. Dessa forma, em todas estas frentes, deve haver um posicionamento para que a justiça deva ser proclamada. Ao anunciar as Boas-Novas, proclama-se uma mensagem de amor, acolhimento, justiça, amparo e ética, enfim, uma coerência com os ensinamentos do Mestre Amado. Essa proclamação precisa encontrar amparo nas atitudes da Igreja frente à realidade onde estamos inseridos.
Essas atitudes vão além de uma série de ações dentro de nossas igrejas, pois elas transcendem esse espaço, levando essa voz a todos os espaços e exercendo uma abrangência integral, cuidando do ser humano em todas as suas esferas. Ao ouvir falar de amor, se sentirá amado; ao ouvir falar de justiça, se sentirá justificado; ao ouvir falar de acolhimento e cuidado, se sentirá abraçado em sua totalidade. Vamos exemplificar essa questão, no caso de a proclamação do evangelho não vir acompanhado dela: seria complicado falar do “pão da vida” a alguém que está com o estômago vazio e sente dor de fome, assim como seria difícil explicar o amor de Deus a alguém que é rejeitado por todos e não tem nem um teto para dormir à noite.
A Igreja é um arauto de justiça e, como tal, precisa também ser presente no espaço da “polis”. Por isso, ela não deve se omitir dos meios públicos, políticos e da justiça social, mas também não pode compactuar com políticas injustas e corruptas. Deve, sim, ocupar o espaço na sociedade que lhe compete. Nessa posição, não há como aceitar troca de favores com os poderes constituídos, pois compromete a autoridade profética da Igreja. A Igreja, quando se fizer presente no meio público, precisa ser referência de ética, compromisso com a justiça e a verdade, além de sempre posicionar--se de forma profética e justa, mostrando ao mundo que há um Deus que é justo, santo e amoroso!

II - A GLÓRIA DO RENOVO DO SENHOR
Um período de grande glória e beleza será estabelecido após o juízo divino sobre o povo, segundo a profecia de Isaías. Porém, essa bênção seria apenas para aqueles que forem salvos da destruição causada pela invasão dos inimigos de Israel, que seria a executora do juízo de Deus. Esse juízo seria tão avassalador que os salvos seriam chamados de santos diante da purificação que se estabelecerá.
1. O renovo do Senhor para Israel
Nesse ponto da profecia, há uma referência tanto à época em que ela fora proferida quanto a um tempo muito posterior, em um tempo já escatológico. Para os estudiosos do texto bíblico, ao falar do Renovo do Senhor, Isaías está se referindo ao Messias que seria rejeitado pelo povo de Israel, porém aceito ao final de muito aperto.
Ao apontar para o contexto imediato, faz-se referência à invasão babilônica que, durante muitas décadas, assolou todo o mundo conhecido de então, promovendo a destruição de reinos e cidades e ampliando o seu poder. Talvez, nesse momento, quando eram levados cativos, muitos dos que choravam começaram a repensar seus atos e como estavam fora dos propósitos estabelecidos por Deus, mas já era tarde demais.
Em um contexto remoto, faz referência ao fim dos tempos, quando Israel estará novamente sitiada e será liberta milagrosamente quando reconhecer e aceitar a Cristo como o enviado de Deus. Esse tempo será após o período da Grande Tribulação, que durará sete anos, e o anticristo quebrará o pacto feito com Israel, e muitas nações da terra se voltarão contra o povo de Deus. Nesse momento, o socorro do Senhor virá através da intervenção divina encabeçada por Cristo em favor de seu povo.
2. O renovo do Senhor para a igreja
A promessa de renovo é para toda a Igreja, e não mais apenas para Israel. Com a rejeição de Cristo por Israel, seu povo, abriu-se a grande porta da graça de Deus para todos os povos da terra. A promessa agora estaria acessível a todo aquele que aceitar viver esse processo de restauração, independentemente de etnia, classe social ou qualquer outra classificação. Bastaria dizer sim para viver essa restauração. Enfim, todos os que aceitam a Cristo como salvador nesse tempo da graça serão espiritualmente revestidos de beleza e glória através de Cristo nas suas vidas. Com isso, todos os que estão em Cristo são chamados de santos (Is 4.3; 1 Co 1.2). Esse processo de santificação se dá não por iniciativa do cristão, mas a partir do fato de ele estar em Cristo, que é santo.
E em Jesus Cristo que o renovo se concretiza ao nos dar vida plena. Ao morrer na cruz, Ele levou sobre si nossa culpa e cumpriu o juízo nos dando acesso à vida eterna. É o Renovo do Senhor produzindo vida! Jesus se referiu a si mesmo como o doador da vida (Mt 20.28; Jo 3.15-16; 5.24), dizendo que “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tomará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (Jo 4.14 - NVI).
3. Cristo, o provedor de bênçãos para os salvos
Em Cristo, os salvos são alvos de muitas bênçãos. Essas bênçãos são especiais; porém, aos olhos daqueles que ainda não conhecem a mensagem da cruz, elas podem parecer irreais. Quem ainda não conhece a Cristo está tão preso ao pecado e oprimido pelas injustiças e corrupção do mundo que não consegue mensurar o quão precioso é a verdadeira vida que é ofertada por Jesus.
Através de Cristo, há abundante provisão para todos nós, os salvos. E através de sua Palavra que Ele promete cura para o corpo físico (Mt 4.23), libertação do pecado e de situações de aflição e angústia (Rm 8.21), salvação do estado de morte e afastamento de Deus (Lc 3.6), renovação para a mente e no modo de pensar (Rm 12.2; 4.23), perdão completo para a culpa (Mt 26.28; Lc 24.47), e sobre nós repousa sua glória transformadora. Como disse Paulo: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” (2 Co 3.18-NVI).
Em Cristo, somos novas criaturas e podemos desfrutar de uma intimidade ímpar com o Senhor, o que nos permite a cada dia vivermos um processo de santificação até que venha a ser dia perfeito. E cabe a nós, Igreja, anunciarmos ao mundo que em Cristo há um caminho para a salvação e para a vida abundante. Essa compreensão impele a Igreja a um despertamento da necessidade de “sair para fora” e anunciar que há um juízo, mas que também há uma salvação em Cristo.

III - A PROTEÇÃO DO SENHOR
Como é precioso o sentimento de proteção. Já no Jardim do Éden, encontramos Deus cuidando de Adão e Eva, demonstrando o quanto essa ação é significativa e importante. Até em uma célula familiar, o bebê, quando está inquieto, se conforta ao receber o afetuoso abraço da mãe. Um dos pilares que une as pessoas é a necessidade de proteção, como pôde ser observado no surgimento das primeiras civilizações: buscava-se água, comida e proteção. Enfim, a proteção é uma necessidade natural do ser humano. No entanto, a proteção que necessitamos da parte de Deus é muito diferente, pois envolve o nosso ser como um todo.
O profeta Isaías evoca a proteção do Senhor sobre seu povo lembrando-os da nuvem de dia e da coluna de fogo durante a noite que os acompanhou durante os 40 anos no deserto. Tendo isso em mente, o profeta afirma: “Criará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião e sobre as suas congregações uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” (Is 4.5). Trata-se de uma recordação agradável para o povo de Deus, pois evoca o cuidado dEle durante o calor do sol diário para não queimar o povo e da escuridão e do frio da noite trazendo proteção e calor respectivamente.
1. A proteção do Senhor para Israel
O profeta Isaías trouxe ao povo a lembrança do cuidado de Deus quando, na travessia do deserto, com a finalidade de afirmar que, de forma mais gloriosa ainda, a mesma proteção será presente para o povo de Deus.
As histórias dos tempos antigos ainda mexiam com o coração do povo. A forma como Deus libertou o povo do Egito, a travessia do Mar Vermelho, a condução pelo deserto, todos os eventos aos pés do Monte Sinai, bem como a história da conquista da Terra Prometida, além da forma como foi provido alimento e água, a nuvem e a coluna de fogo; enfim, elementos que revelam o quanto Deus pelejou e cuidou do seu povo, demonstrando uma relação verdadeiramente impressionante.
Essas expressões trazidas pelo profeta estão, obviamente, em sentido figurado e remetem para um tempo futuro, no reinado messiânico, em que Deus protegerá seu povo de forma miraculosa contra todos os inconvenientes, tanto da natureza quanto de seus inimigos. Todavia, além dessa proteção, fornecerá “um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva (Is 4.6). Ou seja, o povo se sentirá confortável como nunca em outro tempo esteve, pois a plenitude do reino Messiânico será de uma glória indescritível (Is 4.5).
2. A proteção do Senhor para os salvos
As promessas de Deus para Israel quanto ao reino Messiânico também se aplicam aos salvos. A partir do momento em que Cristo veio ao mundo e foi rejeitado pelos seus, uma porta foi aberta estendendo a possibilidade de salvação a todo aquele que passa a crer em Jesus. O “Ide” da Grande Comissão (Mt 28) tem um imperativo que revela a vontade de Deus em salvar toda a humanidade e, assim, permitir que todo o que crê na mensagem da cruz seja salvo.
Aos que aceitam essa mensagem, Jesus faz uma promessa: Ele afirmou que aqueles que vivessem em seu Reino (Lc 8.1; 16.16; 17.20-21), que se estabelece nos corações, experimentariam antecipadamente as realidades deste Reino: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17 - NVI). Essa já é a dimensão presente do Reino de Deus que se apresenta a todo aquele que segue a Cristo.
Mas será que essa verdade significa que não mais teremos lutas e aflições? Não, não, muito pelo contrário. Estamos em uma verdadeira batalha em que somos arautos do Rei e precisamos promover o seu Reino. Para cumprir essa missão, há um preço a ser pago, pois a mensagem que levamos aos que tem sede é muito preciosa, e é natural que tenhamos resistências do sistema do mundo atual; mesmo assim, devemos ter bom ânimo porque não estamos sozinhos nessa caminhada!
O próprio Jesus não prometeu uma vida fácil e livre de tribulações. Ele mesmo disse: “neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33 - NVI). Temos, na fala de Jesus, a certeza de que a caminhada de fé do cristão é repleta de desafios, ainda mais porque vivemos num momento de grandes injustiças, corrupções, violência e esfriamento do amor. O individualismo e a falta de amor alcançaram níveis alarmantes, levando multidões ao desespero. Mas é nesse contexto que a Igreja precisa cumprir o seu papel profético e anunciar que há um caminho.
Em meio a tantas dificuldades, Cristo nos mostra que a provisão para o seu povo é a companhia, o consolo e o conforto do seu Espírito Santo, que atua como uma nuvem sobre seu povo, guardando cada um do calor escaldante das aflições da vida, e o fogo do Espírito, que protege contra a frieza deste mundo e lhes provê sustento espiritual.
O resplendor de fogo sobre o povo e o seu Espírito purificador (Is 4.4-5) são alusões ao batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), que se cumpriu no Dia de Pentecostes e que ainda se cumpre na vida de cada crente ao ser batizado no Espírito Santo, promovendo purificação e queimando interiormente aquilo que fere a santidade de Deus, permitindo vivermos em seu Reino de justiça, paz e amor. E é mediante o batismo no Espírito Santo que o cristão recebe as condições para exercer o seu chamado de forma plena conforme a vocação de Deus para a sua vida de forma destemida e triunfante. Concluindo, podemos afirmar que Deus deseja para nós, o seu povo escolhido, os salvos em Cristo, que vivamos uma vida de plenitude desfrutando das muitas coisas boas disponíveis em seu Reino, estabelecido em nossos corações. Ele tem o melhor para nós e, ao usufruirmos desse melhor, estamos também glorificando a Deus, pois foi com essa intenção que Ele nos criou: para, em intimidade com o Pai no cotidiano, vivamos intensamente essa relação cumprindo o propósito dEle em nossas vidas.
Mas, infelizmente, muitos ainda não desfrutam dessa intimidade. A rejeição dessa oferta gratuita é uma afronta ao seu amor e misericórdia e entristece muito ao Pai. Como pode o homem dizer não a tão grande amor? E há tantos que renunciam esse presente. Talvez a resposta a essa questão seja encontrada no fato de que ainda não tenha sido revelado de forma clara o quanto Deus pode trazer vida a essa pessoa que agora diz não. Quem poderá revelar a essa pessoa tão grande verdade? Talvez essa seja uma tarefa para você, leitor. Pense nisso. Doe-se nessa linda missão.
Vamos, então, nos esforçar para permitir que o Espírito Santo implante em nossos corações o Reino de Deus, a fim de trazer a libertação das forças opressoras do mal e da miséria humana. E tocados por essa causa, vamos conscientes da visão profética da Igreja, avançar na missão de anunciar ao mundo que há um Deus que é justiça, mas que também é amor, misericórdia e que tem para os seus um renovo em glória.


Autor: Claiton Ivan Pommerening
Autor: Claiton Ivan Pommerening
Autor: Claiton Ivan Pommerening