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26 agosto 2016

Lição 09: O Sinal do Emanuel (Jovens)



A importância de Isaías para a compreensão a respeito do Messias e inquestionável. Prova disso são as frequentes citações de seus oráculos no Novo Testamento. Pode-se dizer também que os seus textos messiânicos foram tomados teologicamente pelo cristianismo primitivo como um dos principais fundamentos para a compreensão da natureza e atuação de Jesus de Nazaré na condição de Messias prometido, particularmente em comunidades do primeiro século, formadas, em sua maioria, por judeus cristãos, pois era necessário aprofundar a dimensão cristológica com o objetivo de diminuir a possibilidade de se negar o caráter messiânico de Jesus.

Entre os títulos messiânicos da tradição veterotestamentária, interpretados como sendo de Jesus de Nazaré, um em particular recebeu destaque: “Emanuel”, que, no hebraico, é a junção de dois termos immánu, que significa “conosco” e EI, que significa “Deus” ou “Senhor”, literalmente “conosco [está] Deus”. O título foi uma apropriação teológica do livro atribuído ao profeta Isaías, já que a expressão aparece em dois versículos e, indiretamente, em um versículo. Seguem os versículos:
1) “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).
2) “[...] e passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel(Is 8.8)”.
3) “Tomai juntamente conselho, e ele será dissipado; dizei a palavra, e ela não subsistirá, porque Deus é conosco” (Is 8.10).
Para saber um pouco mais sobre o título messiânico Emanuel, é necessário apresentar algumas considerações a partir do seguinte questionamento: Em que contexto histórico-teológico, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, surge o conceito de “Emanuel”? O questionamento se mostra relevante diante do percurso histórico de, aproximadamente, 800 anos entre o surgimento do termo e sua inserção no Evangelho de Mateus. Além disso, qual a importância do conceito de Emanuel para os cristãos em geral? Essas são questões que serão trabalhadas ao longo deste capítulo.

I - O CONTEXTO IMEDIATO DA PROFECIA MESSIÂNICA
Embora já se tenha discutido alguns aspectos introdutórios do livro de Isaías no primeiro e segundo capítulos, é preciso retomar algumas questões, particularmente em relação ao contexto histórico em que surge o conceito de Emanuel, já que a esperança que dele decorre se dá em meio a diversas crises institucionais. Do ponto de vista histórico, Isaías exerce seu ministério profético em um momento de crise política em Judá e Israel, com desdobramentos na vida religiosa e cultural das tribos envolvidas. Desse modo, a percepção histórica e a reflexão teológica tecem a narrativa a respeito do Emanuel.
1. Emanuel: contexto histórico-social
O capítulo que versa sobre o Emanuel está inserido numa intensa relação diplomática envolvendo Acaz (735 - 716 a.C), rei de Judá, Resim, rei da Síria, e Peca (739 - 732 a.C), rei de Israel. Os dois últimos pressionavam Acaz para participar de uma coligação contra Tiglate-Pileser III (745 - 727 a.C), rei da Assíria. A recusa de Acaz em formar um bloco contrário à política de expansão da Assíria fez com que Damasco e Israel se articulassem para derrubá-lo, pois o objetivo seria criar um cisma em Judá e inserir um governante vassalo fiel à coligação sírio-israelita, conforme informa o texto de Isaías: “Porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo: Vamos subir contra Judá, e atormentemo-lo, e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal” (Is 7.5,6). Houve um ataque sem êxito contra Jerusalém. A Síria, porém, anexou aos seus domínios o território de Elate. O texto de 2 Reis descreve resumidamente esse episódio: “Então, subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém, à peleja; e cercaram Acaz, porém não o puderam vencer. Naquele mesmo tempo, Rezim, rei da Síria, restituiu Elate à Síria e lançou fora de Elate os judeus; e os siros vieram a Elate e habitaram ali até ao dia de hoje (2 Rs 16.5,6).”
Ainda que a coligação siro-israelita não tenha logrado êxito em relação à tomada de Jerusalém, a anexação de Elate certamente impôs temor entre as autoridades e à população em geral, como fica claro no texto de Isaías: “E deram aviso à casa de Davi, dizendo: A Síria fez aliança com Efraim. Então, se moveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento” (Is 7.2). Não obstante às claras advertências do profeta Isaías, Acaz se sentia pressionado a buscar uma aliança com a Assíria para defender as fronteiras de seus inimigos. Algo que o fez no momento oportuno, segundo o livro de 2 Reis: “E Acaz enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, dizendo: Eu sou teu servo e teu filho; sobe e livra-me das mãos do rei da Síria e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim. E tomou Acaz a prata e o ouro que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei e mandou um presente ao rei da Assíria. E o rei da Assíria lhe deu ouvidos; pois o rei da Assíria subiu contra Damasco, e tomou-a, e levou o povo para Quir, e matou a Rezim. Então, o rei Acaz foi a Damasco, a encontrar-se com Tiglate-Pileser, rei da Assíria [...]” (2 Rs 16.7-10a).
A ajuda da Assíria não saiu barato para Acaz, pois certamente se livrou da opressão siro-israelita, porém não conseguiu se livrar dos tentáculos da dominação política de seu aliado, uma vez que Judá passou à condição de vassalo da Assíria. Acrescenta-se ainda aos problemas políticos de Judá a relativização religiosa e cultural, bem como a questão da ética nas relações sociais. Nesse sentido, há informações de que o rei Acaz cometeu muitos atos contrários à Lei de Deus. Por exemplo, 2 Reis narra que Acaz “[...] não fez o que era reto aos olhos do Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai. Porque andou no caminho dos reis de Israel e até a seu filho fez passar pelo fogo, segundo as abominações dos gentios, que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel. Também sacrificou e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como também debaixo de todo arvoredo” (2 Rs 16.2-4).
Não é possível identificar por meio da narrativa acima até que ponto o comportamento do rei Acaz se fazia presente também na população. Entretanto, não é exagero sugerir que suas atitudes morais exerciam influência na vida dos habitantes de Judá. Assim, o contexto histórico-social aponta para o fato de que a confiança na proteção de Deus estava em baixa, para dizer o mínimo, já que se buscava o socorro da potência política da época, a Assíria. Com isso, demonstrava-se a ineficácia ou inexistência da memória libertadora do Êxodo, pois, mesmo diante do poderio do império egípcio, houve uma inequívoca ação libertadora de Deus na história.
2. Emanuel: contexto histórico-teológico
O contexto histórico-social apresentado anteriormente ilumina a ação profética de Isaías, pois sua leitura teológica fundamenta-se no fato de que as ações de Acaz, particularmente a aliança estabelecida com a Assíria, estavam mais alicerçadas em pressupostos da lógica política e diplomática do que numa real e sincera busca pelas orientações de Deus. A intervenção do profeta procura inicialmente tranquilizar o aterrorizado rei Acaz. A orientação de Deus era: “E dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois pedaços de tições fumegantes, por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias” (Is 7.4).
O que garante a existência do povo de Deus não são as articulações políticas, já que, embora necessárias, não dão conta da complexidade que envolve a existência de Judá. Desse modo, Deus, por intermédio do profeta, esclarece de modo ininteligível: “Entretanto, a cabeça de Efraim será Samaria, e a cabeça de Samaria, o filho de Remalias; se o não crerdes, certamente, não ficareis firmes” (Is 7.9). Na concepção teológica do profeta Isaías, a falta de confiança em Deus era o principal entrave para a superação daquela situação, pois o mesmo Deus que agiu na travessia do deserto em direção à Canaã traria salvação para a nação de Judá. Diante da situação política que se desenhava, tendo, por um lado, a coligação siro-israelita, e, por outro, os assírios, era necessário entregar a situação ao conselho de Deus, pois Ele é o fiel cuidador do seu povo!

II - O SINAL DO “EMANUEL”
Quanto ao receio de que a coligação siro-israelita obteria êxito no seu intento de desestruturar Judá, inclusive tentando depor o seu rei, a resposta dada por Deus a Acaz, por intermédio do profeta Isaías, foi a seguinte: “Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá” (Is 7.7). Em outras palavras, não se justificavam as atitudes de desespero e de alianças que trariam mais prejuízo à nação. Tamanha era a convicção do arauto que procurou novamente Acaz para lhe desafiar: “E continuou o Senhor a falar com Acaz, dizendo: Pede para ti ao Senhor, teu Deus, um sinal; pede-o ou embaixo nas profundezas ou em cima nas alturas” (vv. 10,11). A resposta de Acaz denotava sua incapacidade para assumir desafios diante de Deus: “Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor” (v.12). Conforme escreveu Raymond C. Ortlund: “Deus entregara um cheque em branco a Acaz, mas ele se recusou a descontá-lo. Por quê? Porque não queria confiar em Deus. E verdade que disse isso com palavras mais piedosas (Dt 6.16). Mas tudo não passou de um rápido pensamento, de uma hipocrisia diplomática”.
Porém, a resposta de Deus, por intermédio do profeta, é direta: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis” (Is 7.14-16).
A análise mais ampla de Isaías sugere o cumprimento da profecia naquele contexto, podendo ser um filho do rei Acaz ou do próprio profeta Isaías. O que se deduz dos versículos 15 e 16 do capítulo 7, em conexão com os versículos 3 e 4 do capítulo 8, que diz: “E fui ter com a profetisa; e ela concebeu e deu à luz um filho; e o Senhor me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Hás-Baz. Porque, antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria” (Is 8.3,4). Um texto de Isaías pode estar se referindo à profecia sobre o filho de Acaz: “[...] e passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel” (Is 8.8).
Por outro lado, pode-se dizer também que as profecias se projetam para um futuro mais distante. O que pode ser constatado nos versículos de 1 a 7 do capítulo 9 de Isaías:
“Mas a terra que foi angustiada não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz. Tu multiplicaste este povo e a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara que lhe feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas. Porque toda a armadura daqueles que pelejavam com ruído e as vestes que rolavam no sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 9.1-7).
Seria difícil investigar todo o percurso histórico-linguístico do título Emanuel. Porém, certamente o termo passa a fazer parte do vocabulário religioso judaico, sendo acessado principalmente nos momentos de crises sociais e religiosas, como foi, por exemplo, o cativeiro babilónico. A construção histórico-teológica da expectativa messiânica no cativeiro babilónico impôs aos teólogos do período a necessidade de buscar na tradição fundamentos que ancorassem a esperança do povo. Desse modo, o Sinal do Emanuel extrapolaria a dimensão histórico-social dos condicionamentos conceituais, inserindo-se na tradição veterotestamentária como um conceito que se aplicaria a esperança messiânica.
Entretanto, o título Emanuel também seria utilizado pelos cristãos, em particular quando se percebeu a necessidade de se apresentar um fundamento histórico-teológico do caráter messiânico de Jesus de Nazaré. É nesse sentido que se deve entender, por exemplo, o emprego do termo pelo autor do Evangelho de Mateus.
Após a destruição de Jerusalém no ano 70 pelo general romano Tito, muitos judeus migraram para várias regiões da Palestina, sendo provável que judeus convertidos a Cristo passaram a dividir o mesmo espaço geográfico com judeus de estrutura religiosa farisaica, cujo centro religioso, na ausência do templo, era a sinagoga. A expressão religiosa sinagogal sinalizava para a necessidade de se preservar a identidade judaica, pois o momento de crise político-social demandava ações de fortalecimento do vínculo identitário. É nesse contexto em que o Evangelho de Mateus se insere, pois há o perigo de que judeus que se converteram a Cristo sucumbam diante das políticas culturais de fortalecimento da identidade judaica. Desse modo, a produção teológico-pastoral do autor do Evangelho de Mateus se insere em uma comunidade cristã que procura se desprender do vínculo ao judaísmo, particularmente de sua incredulidade messiânica, conservando, porém, a continuidade histórico-teológica do Antigo Testamento, sendo uma das questões-chave o fundamento veterotestamentário que atesta o caráter messiânico de Jesus de Nazaré.
Ao contrário do que a sinagoga ensinava - de que o messias ainda era uma espera - o evangelista insiste que as escrituras se cumpriram em Jesus. Sendo assim, já não é mais espera, e sim realidade presente que anima a comunidade. É nesse sentido que o evangelista cita o sinal do Emanuel: “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel. (Emanuel traduzido é: Deus conosco)” (Mt 1.21-23).
Ainda que o Evangelho de Mateus seja o único a apresentar uma relação histórica e teológica entre o sinal do Emanuel de Isaías e a presença de Deus por intermédio do nascimento de Jesus de Nazaré, o conceito teológico da presencialidade de Deus em Cristo perpassa os escritos do Novo Testamento. Um dos textos mais antigos sobre a habitação de Deus entre os homens é o hino cristológico que aparece na carta escrita aos Filipenses por Paulo, provavelmente na segunda metade da década de 50 d.C. Segue o texto: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (F1 2.5-11).
Do mesmo modo, o Evangelho atribuído ao apóstolo João descreve o lógospré-existente (Jo 1.14) que é confirmado em sua epístola, quando procura discernir as compreensões sobre Jesus: “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo” (1 Jo 4.2,3).

III - O DEUS ETERNAMENTE CONOSCO
Embora se esteja trabalhando a ideia de “Deus conosco” (Emanuel) a partir da situação histórica de Judá, é preciso levar em conta que as sagradas escrituras apresentam a presença de Deus em toda a história humana. Por exemplo, a narrativa do Jardim do Éden descreve a presença de Deus entre a criação, particularmente em sua relação harmoniosa com o homem e a mulher. Deus passeava pelo Jardim (Gn 3.8), o que sugere assiduidade na tratativa com o homem e a mulher, indicando, também, uma relação de confiança e amizade. O pecado abalaria o relacionamento com Deus. A proximidade e a confiança cederam lugar ao medo (Gn 3.10), manchando para sempre o relacionamento entre Deus e o ser humano. A graça de Deus, no entanto, foi oferecida ao primeiro casal, pois, se o pecado conduziria à morte (Gn 3.3), a permissão para que vivessem com qualidade de vida seria uma demonstração inequívoca da misericórdia e da generosidade de Deus. Mesmo com a relação abalada por causa do pecado, Deus jamais deixou de desejar ardentemente estar conosco. É o que mostra o relacionamento de Deus com os grandes personagens da Bíblia Sagrada.
1. Ele esteve com israel
Um dos personagens a quem Deus se revelou na antiguidade foi Abrão. E não somente isso, ele seria o início de um projeto de nação desenvolvida e executada pelo próprio Deus. Conforme a narrativa de Génesis: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3).
A partir de Abrão e de sua descendência, Isaque e Jacó, surgiria a nação de Israel que desfrutaria da presença de Deus. O Senhor faz uma aliança com o povo de Israel. Porém, a garantia da presença dEle estava condicionada à fé, ou seja, na entrega irrestrita do povo aos seus desígnios. O Novo Testamento reconhece o valor da fé de homens e mulheres que, apesar de suas dificuldades, peregrinaram fundamentados na fé em Deus (Hb 11.1-40). Foram homens e mulheres que experimentaram o “Deus conosco”.
É correto afirmar que, apesar de todos os problemas que o povo de Deus teve para permanecer fiel à aliança, com tantas oportunidades que tiveram de experimentar sempre de novo a misericórdia e a bondade de Deus, e apesar de reiteradamente optarem pela desobediência, o Senhor permaneceu fiel à aliança com Israel, mesmo quando estavam no cativeiro. O povo quase foi dizimado, mas Ele prometeu um resto (Is 10.19), um remanescente (Is 1.9; Sf 3.13) e finalmente, um que “brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará” (Is 11.1), simbolizando o Messias, o Emanuel, que sobreviveriam a todas as destruições e catástrofes.
Portanto, apesar de não merecerem, Ele cuidou e esteve com seu povo por amor a toda humanidade (Jo 3.16). Esse Emanuel seria a concentração espiritual e santa de Israel, de tal forma que o próprio Cristo foi a realização do pacto de Deus com Israel. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros [...]” (Is 9.6).
2. Ele está conosco
Como já foi dito, em Jesus de Nazaré se cumpriram todas as profecias bíblicas sobre a vinda do Messias. Ele é o Cristo enviado de Deus para salvar a humanidade sofredora. O Emanuel é a garantia de que, assim como foi com o povo de Israel, Ele também está conosco, como Ele mesmo prometeu: “[...] eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Assim se cumpre em nós a promessa messiânica de que Ele, de fato, estaria conosco. O apóstolo João escreveu: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). O verbo “habitar” utilizado por João tem o mesmo sentido que o Emanuel utilizado por Isaías. Ou seja, Deus agora habita definitivamente entre seu povo através de Cristo e de seu sacrifício na cruz. “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11).
A presença de Deus ocorre em dimensões trinitárias, tendo em vista que o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam harmoniosamente entre nós, dando--nos sentido e direção existencial. Imbuídos da presença trinitária de Deus, homens e mulheres ousaram romper barreiras étnico-culturais para levar o evangelho a todas as nações, cumprindo, assim, a expansão do evangelho determinada por Jesus: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Eles enfrentaram perseguições, resistiram aos falsos mestres, desafiaram os poderosos deste mundo, pois se entendiam como portadores da fé no “Deus Conosco”.
Do mesmo modo na contemporaneidade, embora o mundo se apresente de modo diferente do vivenciado pelos pais fundadores, a presencialidade de Deus ainda é manifesta de forma inequívoca, principalmente no vínculo comunitário da comunhão. O mesmo Senhor que foi “Deus conosco” por ocasião da angústia de Judá, será “Deus conosco” nos momentos de crise da Igreja, já que: “[...] onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A presença do Emanuel transcende a existência e a história. Ele não apenas esteve com Israel, mas também com toda a humanidade. Ele sempre esteve, está e estará conosco provendo salvação, cura e cuidado de tudo e de todos. Convém estarmos atentos à presença do Emanuel em nossas vidas, manifestando-a a outros que também precisam dela para sobreviver aos conflitos, injustiças e percalços da vida.
3. Ele estará conosco
O conceito do “Deus conosco” também é revestido de concepções escatológicas, pois o conceito do Emanuel não aponta somente para o passado ou presente, mas também é a garantia de que, também no futuro, o Senhor estará entre seu povo, não apenas espiritualmente e de forma limitada pelas contingências humanas, mas também com toda a sua força e esplendor na plenitude do Reino de Deus. No entanto, o Reino de Deus que se concretizará plenamente no mundo vindouro é também uma dimensão que invade o presente. Jesus disse: “Mas se é pelo dedo de Deus que eu expulso demónios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Lc 11.20 -NVI). O “Deus conosco” nos convida a participarmos em seu Reino de justiça e paz, tendo em vista que a presença do Reino de Deus implica em destronar o império do mal.
O Reino de Deus caminha para o seu desfecho tendo a Igreja como protagonista da presença justa de Deus no mundo. Assim, nós não somos apenas portadores da bênção do “Deus conosco”, somos também sinais da presença de Deus no mundo. Desse modo, a presença do Reino de Deus impõe à Igreja a responsabilidade de vivenciar e testemunhar os seus valores, algo explícito nos capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus.
O Emanuel faria parte, então, da esperança cristã da presença de Cristo na comunidade, motivo de grande celebração, pois ressoa a promessa: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Essa promessa não pode ser motivo para uma fé paralisada. Pelo contrário, o derramamento do Espírito Santo tinha como propósito capacitar homens e mulheres para serem “testemunhas” (At 1.8). Do mesmo modo hoje, celebremos a presença do Senhor em todas as dimensões da vida, testemunhando ao mundo os valores inefáveis do Reino de Deus, aguardando ativamente o desfecho do Senhor. Conforme diz em apocalipse: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3).

Autor: Claiton Ivan Pommerening