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02 setembro 2016

Lição 10: O Messias Davídico e seu Reino (Jovens)



Isaías tem em vista nesta profecia a vinda do Messias (Cristo) como o Rei, prevendo que da dinastia de Davi e da linhagem de Jessé viria a salvação de Israel. Ele seria o ápice dos reis do pacto davídico e o surgimento do majestoso Reino de Deus e a futura glória desse Reino. O profeta contemplou um Rei e um reinado perfeitamente restaurado onde, além de Israel, o Reino de Deus abraçaria todas as nações da terra e subsistiria sobre todos os reinos do mundo, estabelecendo um tempo áureo de justiça, alegria e paz. Portanto, seria um reino sem fomes, guerras, conflitos, doenças ou qualquer coisa que tivesse conotação de maldade. A esperança do futuro não consiste de coisas terrenas, nem se levanta da terra. Ela é de natureza espiritual e tem origem no Senhor. Deus, mediante sua graça, permitiu que o profeta Isaías espreitasse o futuro com maiores detalhes como não tinha visto até então.
As profecias de Isaías sobre o Messias e seu Reino estão em harmonia com várias profecias bíblicas. Dentre elas, Gn 3.15, que demonstra que, quando os seres humanos perderam o domínio sobre a criação e caíram em desgraça, Deus lhes prometeu um salvador, aquele que esmagaria a cabeça da serpente e a paz que havia no paraíso seria restaurada; Moisés, o grande líder de Israel, foi um profeta que apontou para o Messias (Dt 18.15-19); Davi, como grande rei, é o precursor da dinastia eterna de Cristo (SI 132.12), e seu reino serve de referencial humano, embora falho, para o reino messiânico (2 Sm 7.16); o profeta Ezequiel falou deste rei (Ez 21.27; 34.23); bem como vários salmos se referem ao Rei e seu Reino (SI 2; 11.4; 21; 45; 63; 72; 89.18-37; 101; 132.11-12). Assim sendo, a promessa messiânica perpassa todo o Antigo Testamento, com predições exatas quanto à sua glória, majestade, justiça e abrangência.

I - O MESSIAS E SEU REINO
1. Quem é o Messias
A profecia de Isaías com relação ao Reino messiânico e Cristo como seu Rei são confirmadas várias vezes no Novo Testamento (Mt 1.18; 16.16,20; 26.63; 27.22; Mc 8.29; 14.61; Lc 2.11,26; 9.20; 22.67; Jo 4.29; 7.26; 9.22; 10.24; At 2.36; 3.20; 4.26; 5.42; 9.22; 17.3; 18.28; 26.23). Assim, o Messias é Jesus de Nazaré, que foi ungido no dia de seu batismo (Mt 3.16; Jo 1.32). Os discípulos confirmaram essa realidade e, por ocasião de sua acusação perante as autoridades, foi-lhe imputada culpa por blasfêmia, mas Deus ressuscitou o inocente dentre os mortos “fazendo-o assentar à sua direita, nas regiões celestiais” (Ef 1.20 -NVI). Dessa forma, seu Reino de estabelece entre os salvos, pois ele “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6).
2. Atributos do Messias
No Novo Testamento, há uma lista que enumera os vários dons do Espírito, que são divididos em dons de manifestação, de serviço e ministérios. Esses dons são muito valiosos ao cristianismo, especialmente ao pentecostalismo. Mas Isaías 11.2-3 nos informa sobre uma importante lista de dons, que, na verdade, são atributos do Espírito Santo que estiveram sobre Cristo, mas que também estão disponíveis para todos e tomam a vida mais plena e bela. Os atributos do Messias são descritos pelo profeta, tendo Ele todas as qualidades que um rei perfeito poderia possuir, que são:
• O dom da sabedoria, que é a capacidade de julgar todas as coisas e tomar as decisões mais acertadas, penetrando no âmago da compreensão de todas as coisas, sabendo a maneira correta de reagir.
• O dom do entendimento, que é a capacidade de captar e discernir intelectualmente as circunstâncias, relacionamentos e realidades divinas e humanas, abrindo, também, a mente à compreensão das escrituras.
• O dom do conhecimento, que é a capacidade de argumentar, dar razões e organizar provas científicas; está relacionado à sabedoria e ao entendimento, mas também se refere ao conhecimento do Senhor, ou seja, experimentar quem Ele é e saber sua vontade e seus caminhos, tendo origem na comunhão de amor e de confiança para com Ele.
• O dom do conselho, que é a capacidade de discernir e consultar a si mesmo e aos outros para saber a perfeita vontade de Deus.
• O dom de fortaleza é dado para não se desfalecer no combate da fé, vivendo bem o cotidiano, apesar das dificuldades e obstáculos.
• O dom da piedade, que faz ter a experiência da relação filial com o Pai, permitindo perceber a sacralidade de Deus, das pessoas e da natureza. Tem a ver mais com o coração do que com o intelecto, pois inclina a pessoa a fazer sua vontade.
• O dom do temor de Deus, que é a docilidade que move a reverenciar e submeter-se a Deus. E o alicerce e o princípio da sabedoria, conforme Provérbios 1.7.
Os atributos designados a Ele esclarecem a perfeição de suas ações, e todos os tesouros de sabedoria estão com Ele. Ele tem todo o entendimento para se ajustar a todas as ocasiões. A capacidade de saber resolver problemas e dar conselhos está sobre Ele. Seu conhecimento lhe possibilita avaliar o estado das coisas para agir coerentemente. O Messias, em contraste com outros reis, terá seu deleite no temor do Senhor, que é a descrição padronizada do Antigo Testamento para espiritualidade.
3. O Rei da justiça
Ele julgará com retidão baseado no que é sensato. Sua beleza está em sua capacidade de estabelecer perpétua e plenamente a justiça, cumprindo todas as expectativas colocadas sobre Ele (Ap 22.3). Além disso, o Reino de Deus também consiste na retidão a nós atribuída por intermédio de Cristo, como caminho de justiça (Rm 3.21) mediante uma correta posição diante de Deus (de pecadores a purificados) através de Cristo.
O Messias não terá apenas o conhecimento equilibrado para garantir a justiça social, mas também terá a força para colocar em vigor o que Ele sabe estar correto. Ninguém o engana com julgamentos falsos, e nem frustra sua capacidade de discernimento, pois sua sabedoria e conhecimento não são meramente humanas, acumuladas com a experiência, mas elas ultrapassam os anos e a eternidade. Justiça e fidelidade são partes integrais de suas vestes, o cinturão segurava todas as peças do vestuário (Is 11.5), e sua fidelidade aos homens e a Deus esboçam a nobreza de Seu caráter. Ele não é limitado como os simples mortais ao que os olhos veem e os ouvidos ouvem, nem é enganado pela lisonja. Ele conhece o coração das pessoas, as intenções, os desejos mais secretos; as aparências não o conseguem enganar, não existem segredos ocultos a Ele; Ele sabe diferenciar entre culpa e inocência com total assertividade.
O Messias terá sabedoria para desprezar acusações falsas e julgará especialmente a causa do oprimido, sabendo o que é correto; além disso, suas sentenças levarão em conta a justiça em favor dos pobres da terra. Portanto, o trabalho prioritário do Messias será reverter situações calamitosas ocasionadas pelos corruptos, opressores, espoliadores, gananciosos contra todos os fracos e indefesos, os que, embora tendo direitos, não os podem fazer valer por si mesmos. Ele lutará em favor daqueles que não puderam se defender, daqueles aos quais nunca foi dado oportunidades na vida, os que foram desprezados por não se encaixarem nos padrões de força, beleza e produtividade de uma sociedade consumista, alienada e gananciosa. A justiça será a marca registrada desse Reino, e por isso será glorioso. Somente Ele é capaz de proteger os fracos contra a violência dos poderosos.

II - A FUTURA RESTAURAÇÃO DE ISRAEL
1. Promessas de restauração
Isaías novamente utiliza, ao se referir à vinda do Messias, à figura do tronco decepado, mas com vida (Is 6.13; 11.1,10; 60.21), representando um recomeço, um remanescente; enfatizando que, ainda que a destruição seja grande, com muitas perdas e danos, todavia, aquilo que brotaria do tronco assumiria dimensões gigantescas e restauraria todas as coisas, melhores ainda do que eram antes da destruição e dispersão do povo. No capítulo 6 (Is 6.13), o profeta é específico ao se referir que viria do tronco de Jessé, ou seja, o pai de Davi. Portanto, ele está se referindo ao maior descendente de Jessé, que é Cristo, o Messias.
Além disso, Deus prometeu a Abraão que, através de sua linhagem, todos os povos da terra seriam abençoados (Gn 12.3). Em consequência dessa promessa, na teologia dispensacionalista, Israel tem um lugar especial no projeto de Deus, por causa das promessas divinas feitas a Abraão. Mas antes da restauração de Israel, o profeta prevê a conversão dos gentios, cumprindo, assim, a profecia (G1 3.28). Entretanto, seu governo será universal, e Deus se tomará tudo em todos (1 Co 15.28), Cristo será glorificado (Ef 1.10), e todas as coisas estarão incluídas no seu poder restaurador. Ele será tudo em todos. A restauração indica que o Reino de Deus sobrepujará qualquer reino da história, nem podendo ser comparável a qualquer outro, onde todas as áreas de atuação humana serão potencializadas para o bem, tanto a política, social, cultural, económica e religiosa.
2. Características do Reino restaurado
O profeta descreve o que alguns intérpretes supõem ser características do Milénio e ilustra as condições ideais de vida sobre a Terra com o Messias. Quando todo o conflito universal chegar ao fim, o lobo e o cordeiro não serão mais inimigos, crianças viverão em segurança no meio dos leões e terão como companheiros o urso e a serpente, e nenhum ser humano explorará o outro. Um quadro de verdadeira paz e harmonia entre os povos e nações, que reflete as relações de justiça entre os homens. Nesse Reino, os seres humanos viverão em paz entre si e principalmente com Deus, o seu criador.
Portanto, os animais ferozes poderão conviver tranquilamente com animais pacíficos, pois a maldição do pecado, que afetou toda a natureza, será tirada. Até mesmo crianças poderão conviver com animais ferozes e peçonhentos, os animais serão tão dóceis quem uma criança poderá guiá-los. A terra será inteiramente renovada como era originalmente e haverá abundância de colheitas para que todos tenham satisfeitas suas necessidades básicas.
Essa expressão de Isaías pode também ser um simbolismo, onde o leão, que representa força e violência, caracteriza o império assírio e babilónico e todos os impérios mundiais que oprimem pessoas, bem como a serpente com sua astúcia que engana, ilude e mata. O lobo pode ser os chefes de estado e líderes maldosos que controlam pessoas e instituições para arrancar deles o melhor. O boi e o cordeiro representam na Bíblia o povo que sofre, sendo o boi um animal de carga e força e o cordeiro o que se submete sem esboçar reação.
A maldade será completamente extirpada deste Reino. Tanto a bravura dos animais será amansada, quanto a maldade dos homens será aplacada. O que antes era completamente impossível, dada a rivalidade e a disposição para a guerra, agora será perfeitamente possível, pois o Rei da Paz governará sobre tudo e todos. Nem mesmo crimes, seja de que ordem for, haverá neste Reino. Os mansos da terra que o profeta se refere são os que vivem em situação de opressão e suportam a injustiça com bondade, sem retaliações, confiando em Deus. Portanto, o profeta pressupõe que a violência será totalmente extirpada, estabelecendo-se a justiça, pois o Rei fará a justiça triunfar para todo sempre. Além disso, haverá um conhecimento de Deus em todas as pessoas, ou seja, toda ignorância, adoração a ídolos, corrupção política, líderes religiosos espoliadores, tudo isso será coisa do passado, pois Cristo esclarecerá a mente de todos, quanto aquilo que é servir a Deus e adorá-lo “em Espírito e em verdade.” Será um conhecimento tão grande que o profeta o compara à profundidade do mar, dadas as suas dimensões e abrangência.
A Bíblia afirma que neste Reino tudo será novo (Is 65.17; 66.22; Ap 21.1,5), não haverá morte, nem choro, nem clamor (Is 65.19; Ap 21.4), será um lugar de alegria e renovo (Is 65.18-19,24; Ap 21.2-3), haverá prosperidade, paz e felicidade (Is 65.21-25; Ap 22.5), um lugar que acolhe todos (Is 66.18-20; Ap 21.3-4) e ninguém será excluído do culto (Is 56.7; 66.21-23; Ap 21.6,22-23).
Mas a característica principal do Reino é que o Senhor habitará nele (Is 65.24; Ap 22.5). Isaías descreve essa habitação como o Senhor que faz coisas grandiosas que são anunciadas em toda a terra (Is 12.5; 65.21-25), diz que o Santo é grande em favor da nova terra (Is 12.6), que culmina com a profecia do apóstolo João:
“E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.3-5).
3. O novo êxodo: os habitantes do Reino
Da mesma forma que uma bandeira é colocada no alto dum monte para atrair as pessoas, assim o Messias atrairá todos a si e se tomará em ponto de convergência. Não há como negar que a volta do cativeiro babilónico em 539 a.C. é uma pequena amostra do que acontecerá futuramente, porém em escala de grandes proporções. Cristo atrairá todos a si com sua beleza de caráter. A igreja comprada com a morte do Messias será reunida ao Israel restaurado (Hb 12.22), porque de ambos os povos fez um (Jo 11.52) e assim congregar a si todas as coisas (Ef 1.10).
O Messias vai chamar e congregar os filhos de Israel que foram espalhados pelas nações opressoras dos vários impérios que destruíram seu povo. Além do cativeiro assírio e babilónico, houve o romano, iniciado no ano 70 d.C., e que só foi revertido em parte, em nossos dias, com a fundação do estado de Israel em 1948. Nas palavras da profecia, Deus chama pelos quatro cantos da terra para ajuntar os que estão perdidos. Essa chamada seria para todos adentrarem para o Reino de Deus (v.10). A profecia de Isaías, a princípio, fala sobre o remanescente como sendo os desterrados de Israel (Is 11.12). No entanto, vemos nos Evangelhos a pregação do Reino como um tema central. Israel, bem como os discípulos de Jesus, pensaram que o Reino seria estabelecido na terra como um reino político. No entanto, como não entenderam a plenitude do Reino, a oferta foi rejeitada por Israel, sendo, então, apresentada aos gentios na era da graça (Jo 1.11), que se findará quando tudo estiver sob o domínio de Cristo.
Embora houvesse um retomo do povo de Israel do cativeiro babilónico e, recentemente, o reagrupamento de Israel na Palestina, o agrupamento que acontecerá durante este Reino de Cristo é incomparável (Is 11.11). Nos atuais regressos do povo de Israel, foram instalados conflitos, pois alguns povos foram expulsos para que este pudesse tomar a terra. Mas sob o reinado do Messias, haverá lugar para todo mundo. A volta do povo da promessa não será motivo de guerras e violência, mas todos viverão em paz. A promessa é de que o Messias será o atrativo para todos os povos, e este promoverá um reagrupamento justo e reinará glorioso em todo universo. (Is 11.10).

III - OCRENTES E O REINO
1. O lugar do Reino (Lc 17.21)
A Igreja é uma das expressões do Reino na qual estão as esperanças humanas de participação no futuro Reino celestial (Cl 1.13). Assim, sempre que a Igreja expressa a vida de Cristo, está expressando o Reino. Isso acontece quando Deus governa os corações humanos através de seu Espírito Santo, infundindo neles os valores do Reino. Mas não podemos esquecer que a Igreja é ambígua. Ela tanto revela quanto oculta o Reino de Deus, pois é perfeita e também é falha. Sendo perfeita, ela reflete o caráter de Cristo no Reino. Sendo falível, reflete o espírito do Anticristo. O espírito do Anticristo (1 Jo 2.18) quer impedir que este Reino flua no coração das pessoas e no mundo. Sendo assim, a Igreja tem a tarefa de, com Cristo, o seu Rei, lutar contra as potestades do mal que querem impedir a instalação do Reino, tanto agora, quanto no futuro perfeito. Para isso ela combate o pecado, tanto individuais quanto coletivos, em suas mais variadas formas, que afeta a relação do homem com Deus, com o próximo e com a criação. Assim, a missão da igreja como sinal do Reino de Deus, se concretiza “com todo seu compromisso integral com o mundo [e] dá seu testemunho em palavra e ação, na forma de serva.” A atuação do Espírito Santo, na correta interpretação da Palavra de Deus, levará todas as instâncias que a adotarem para a comunidade do Reino, inclusive a Igreja, que, por isso, é constituída como anunciadora e proclamadora da Palavra no mundo. E no mundo onde acontece a vida, a concretude das histórias pessoais e universais, é onde acontece a realidade histórica, cultural, social, política e ecológica, onde está inserida a Igreja. Assim sendo, ela faz parte do mundo, mesmo não sendo do mundo. Não sendo do mundo, não pode se mancomunar com política, economia, religiosidade e sociedade corrompidas e injustas, e sim estar inserida nela como voz profética. O cristão não se envolve com a política, a economia e a sociedade com interesses egoístas, desejos ilícitos ou para promover a si próprio; antes, envolve-se para promover os valores e a antecipação do Reino de Deus na terra.
As características do Reino de Deus são justiça e liberdade. Assim, a Igreja, como comunidade do Reino, é uma comunidade de justiça e de liberdade, além de eficaz proclamadora dessas virtudes nobres. Portanto, a Igreja é um sinal escatológico do Reino que está por vir, ao antecipar a concretude desse Reino com suas ações no mundo que refletem as virtudes desse Reino. Ela, de posse e prática da Palavra de Deus, tem autoridade para implantar antecipadamente o Reino, ainda que de forma precária diante da perfeição do Reino por vir. A Igreja vislumbra, já e agora, o Reino futuro. Entretanto, o Reino vai muito além dos limites da Igreja, e sua plenitude está profetizada para o futuro. No Evangelho de Mateus, esse Reino é chamado o “Reino dos Céus” porque o céu é habitação de Deus. Porém, quando o Reino finalmente se estabelecer, a autoridade de Jesus Cristo será exercida até nos lugares onde hoje não é aceita. A rejeição ao Reino é a rejeição à nova ordem que ele estabelece. Quando não há sujeição ao Reino de Deus, domina a “injustiça que é contrária à justiça, o egoísmo que é contrário ao amor e a morte que contrapõe a vida que ele oferece.” Assim, o Reino de Deus se resume em esperança futura gloriosa, mas também em ações concretas aqui e agora. Caso contrário, as realidades do Reino foram mal compreendidas. Dessa forma, a Igreja é cooperadora com Deus para antecipar o Reino no mundo, porém aguarda, de forma não alienada do mundo, o tempo em que o próprio Deus instalará seu Reino para todo o sempre. A presença do Reino mostra-se modesta, sem alarde, pois ainda não é completa, nem todos foram curados, libertos, perdoados e socialmente compensados. Jesus compara a limitação desse Reino entre os homens ao grão de mostarda (Mt 13.31-32), muito pequeno no início, mas que depois assume proporções gigantescas.
O Reino de Deus é um anseio humano profundo e até mesmo angustiante de espera (Rm 8.22-23), de desejo por salvação e libertação, numa tensão paradoxal de estar a um só tempo apontando para o futuro (Lc 21.31), porém já realizado (2 Pe 1.4), intervenção de Deus e trabalhar humano, transcendente e concretamente histórico realizado e realizando-se (imanente).
O Reino se manifesta como graça libertadora, mudando a visão de Deus, não mais como juiz, mas como pai amoroso. Isso traz libertação, embora provoque hostilidades das forças do mal sempre que o Reino se instala. Assim, a libertação traz consigo os seguintes embates:
a) luta contra o reino de satanás, manifesto através da autoridade de Jesus sobre os demónios e a libertação dos mesmos, abolindo a invocação a outros deuses;
b) libertação de carências e sofrimentos, demonstrada através das curas e das bem-aventuranças;
c) libertação da culpa e do pecado. Jesus perdoou todos os pecadores, atraindo-os para si e restaurando-os;
d) libertação de estruturas religiosas opressoras e alienadoras. O próprio Jesus promoveu reinterpretações da Lei, embora Ele não tenha sido um novo legislador, mas a própria essência da nova Lei do amor, para que promovesse a vida. “Vocês ouviram o que foi dito [...] mas eu lhes digo [...]” (Mt 5.21,22; 27,28; 31,32; 33,34; 38,39; 43,44 -NVI).
2. O Reino como virtudes cristãs (1 Co 4.20)
O Reino de Deus é dádiva, é graça, é disposição e trabalho divino. Mas, para que ele aconteça, é preciso seguir algumas orientações:
a) que ele seja aceito no coração (Lc 17.20-21);
b) quem o recebe experimenta arrependimento, “metanoia”, mudança de pensamento, tem um novo rumo de vida, um novo comportamento moldado no caráter de Cristo;
c) quem o aceita precisa seguir a Jesus através do discipulado e repetir suas obras, e, com a ajuda de Cristo, renunciar a vontade própria e tomar a cruz diariamente (Lc 9.23).
O Reino de Deus abrange todas as coisas sobre as quais Deus exerce poder, a vida dos homens, o mundo e tudo que nele existe; já está estabelecido aqui e agora para os crentes cujas vidas Cristo é o Rei. Mas ele será também um Reino político futuro. Portanto, o que se vive agora são sinais imperfeitos do perfeito Reino futuro. O Reino messiânico que os crentes atualmente vivem não faz parte da dimensão material e objetiva; sua dimensão transcende a matéria, incluindo todas as coisas (Lc 17.21). No Evangelho de João, o Reino equivale à salvação e à vida eterna (Jo 3.3-5) que um homem não pode possuir sem o novo nascimento. No evangelho de Mateus, as virtudes do Reino são demonstradas no Sermão do Monte (Mt 5-7) através da nova ética de princípios eternos do Reino de Deus.
Portanto, em essência, o Reino de Deus é a conversão do coração ao amor, à confiança, à certeza da provisão de Deus, à misericórdia, à justiça, à paz, ao perdão, ao descanso, à certeza do amor de Deus, enquanto Ele vai pacificando o coração, expandindo a consciência da vida dEle em nós, promovendo a tomada de decisão interior de descansar nEle. Mas esses privilégios do Reino trazem consigo responsabilidades, pois os participantes do Reino são um grupo em missão de Deus, são sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Tem como função salvar almas, mas também denunciar as injustiças que tentam ameaçar o Reino. Devem promover a justiça e a vida com todas as suas nuances, variedades e possibilidades. Assim, anunciar o Reino significa que o Evangelho seja pregado em todos os lugares, a todas as pessoas, em todas as circunstâncias e ao ser humano como um todo.
3. O Reino de Deus é paz e alegria (Rm 14.20; Gl 5.22-23)
Paz e alegria são aspectos do Reino e também características do Fruto do Espírito, que é desenvolvido por Deus na alma do crente; essa paz faz parte do aperfeiçoamento moral do homem. Ela permite que o homem viva em tranquilidade tanto com Deus quanto com o próximo e também com sua própria alma. Uma pessoa alegre possui uma qualidade de bem-estar que envolve não apenas as sensações mentais, corporais e as circunstanciais, mas também a própria alma que se sente segura em Cristo por ter encontrado a verdadeira vida. O Reino de Deus é este lugar onde não apenas encontramos, mas também desfrutamos constantemente de paz e alegria, independentemente do que estamos passando ou vivendo, pois é uma paz que não depende das circunstâncias, e sim da comunhão entre o homem e Deus (1 Co 4.20), “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17 -NVI).
4. O Promotor do Reino
O Espírito Santo é quem promove no mundo os efeitos do Reino através de sua atuação naquelas pessoas e instituições que aceitam o Reino. O Espírito opera:
a) através da fé que vê além do efémero e aponta para a transcendência da realidade do Reino contra as potestades (humanas e diabólicas) do mal no “já-agora”;
b) essa fé é libertadora de leis e pretensões humanas injustas e opressoras;
c) Ele promove a liberdade;
d) e o amor, no qual toda realidade da Lei e do Evangelho se concentram, simbolizando que algo novo surge no meio onde imperava o ódio e o desespero. A fé sem esse amor é morta, porque esse amor desemboca em ações concretas de vida (Tg 2.26). A materialização da fé se dá para com o próximo, não apenas emocional, mas também compartilhando a vida e tendo ações proativas de amor.
Não há verdadeira manifestação do Reino de Deus se este não for acompanhado do amor de Deus derramado nos corações (Rm 5.5). Todos os que estão em Cristo (Rm 8.1;Ef2.13;3.6) manifestam essa nova vida cujo parâmetro principal é o amor. Portanto, Cristo é a nova Lei do amor, e todos que se unem a Ele vivem a realidade desta Lei através da atuação do Espírito Santo. Promover o Reino de Deus em um mundo onde prevalecem a falta de amor, a ingratidão e a desonestidade, acaba se tomando tarefa crucial para os cristãos, pois é Deus que, através do Espírito Santo, cultiva no ser humano qualidades espirituais que caracterizam um ser espiritual. Quando o Reino de Deus passa a habitar o coração do homem, o mesmo conhece a verdadeira vida e desfruta intensamente de sua posição em Cristo. “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6.10).

Autor: Claiton Ivan Pommerening