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09 novembro 2016

Lição 7, JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS 4º Trimestre de 2016 - Título: O DEUS de Toda Provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às Crises



omentarista: Pr. Elienai Cabral

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
AQUI VOCÊ VÊ PONTOS DIFÍCEIS DA LIÇÃO - POLÊMICOS
Ajuda para a lição - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao13-ctc-4tr15-jose-a-realidade-de-um-sonho.htm
 
 
TEXTO ÁUREO"E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero [...]." (Gn 39.2)
 

VERDADE PRÁTICANo enfrentamento de uma crise, a sabedoria divina é indispensável.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 37.3,4 Uma túnica colorida e a crise de inveja
Terça - Gn 37.6-8 Um sonho e o início de várias crises
Quarta - Gn 37.22 Um plano perverso e a crise da cova
Quinta - Gn 37.28 Da crise da cova para a crise da escravidão
Sexta - Gn 39.20 Da crise da escravidão para a crise do cárcere
Sábado - Gn 39.21 A bênção de DEUS e a sua benignidade em tempos de crise

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 37.1-11
1 - E Jacó habitou na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. 2 - Estas são as gerações de Jacó: Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos; e estava este jovem com os filhos de Bila e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia uma má fama deles a seu pai. 3 - E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. 4 - Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos os seus irmãos, aborreceram-no e não podiam falar com ele pacificamente. 5 - Sonhou também José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso, o aborreciam ainda mais. 6 - E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado: 7 - Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava e também ficava em pé; e eis que os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho. 8 - Então, lhe disseram seus irmãos: Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós? Por isso, tanto mais o aborreciam por seus sonhos e por suas palavras. 9 - E sonhou ainda outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que ainda sonhei um sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim. 10 - E, contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai e disse-lhe: Que sonho é este que sonhaste? Porventura viremos eu, e tua mãe, e teus irmãos a inclinar-nos perante ti em terra? 11 - Seus irmãos, pois, o invejavam; seu pai, porém, guardava este negócio no seu coração.

OBJETIVO GERAL - Ressaltar que DEUS deu a José sabedoria para gerenciar a crise da fome no Egito.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apontar os sonhos de José e as crises que ele teve que enfrentar;
Ressaltar a crise da cova e da escravidão na vida de José;
Enfatizar a sabedoria de José para administrar as crises.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSORJosé era o filho amado do patriarca Jacó. DEUS tinha um plano na vida dele e esse projeto lhe foi revelado, pelo Senhor, por intermédio de alguns sonhos. É importante ressaltar que não eram os sonhos do jovem José, mas sim os planos de DEUS para ele e sua família. Mas, José partilhou aquilo que era para ele com seus irmãos e seu pai no momento errado. Os irmãos de José eram invejosos e não aceitaram os seus sonhos. Com certeza, eles perceberam que DEUS iria colocar José em uma posição de destaque na família. José tinha promessas de DEUS para sua vida, mas isso não o livrou das crises. As crises não endureceram o coração de José, nem o afastaram de DEUS. Elas contribuíram para moldar o caráter do jovem e prepará-lo para o palácio de Faraó. Se você está enfrentando algumas crises, assim como José, não desanime. Não permita que a amargura e o sofrimento o afaste de DEUS. Quem sabe o Senhor não esteja forjando o seu caráter e o preparando para algo especial?

PONTO CENTRAL - DEUS concedeu a José sabedoria para administrar crises.
 
Resumo da Lição 7, JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS
I - DOIS SONHOS E MUITAS CRISES
1. A família de José.
2. A inveja dos irmãos de José.
3. Os sonhos de José (Gn 37.7,9).
II - A CRISE DA COVA E DA ESCRAVIDÃO
1. José é vendido como escravo (Gn 37.27,28).
2. José na casa de Potifar.
3. José prosperou na casa de Potifar.
III - SABEDORIA PARA ADMINISTRAR A CRISE
1. José é abençoado por DEUS na prisão (Gn 39.21-23).
2. José e os dois oficiais de Faraó.
3. Da prisão ao palácio de Faraó (Gn 41.1-8).
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - José revelou seus dois sonhos a sua família e logo teve que enfrentar algumas crises.
SÍNTESE DO TÓPICO II - José teve que enfrentar a crise da cova e da escravidão, mas DEUS estava com ele.
SÍNTESE DO TÓPICO III - DEUS é a fonte de toda sabedoria. Ele nos concede sabedoria para administrar as crises.
 
CONHEÇA MAIS
FOME NO EGITO
"Registros egípcios contam que a fome, causada pelas estiagens nas cabeceiras do Nilo, durou muitos anos. A agricultura egípcia dependia das enchentes anuais ao longo do rio, que depositavam terra nova fértil tornando a irrigação possível. Também nesse aspecto a autenticidade do relato bíblico tem total sustentação histórica" Para conhecer mais leia, Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p.46.
 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO"Para simbolizar o novo ofício de José, Faraó lhe deu o anel que usava, no qual estava estampado o selo de autoridade, vestiu-o de vestes de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço. Deu-lhe um carro, no qual desfilou publicamente com a proclamação de que ele deveria ser honrado pela população. Em seguida, mudou-lhe o nome para Zafenate-Paneia, que quer dizer 'abundância de vida ou o deus que fala e vive'. Por fim, José se casou com uma moça de família de alta posição da cidade sacerdotal de Om. José foi lançado em estreito contato com o paganismo do Egito, mas não foi vencido por ele.
[...] Quando se tornou o segundo governante mais poderoso em posição no Egito. Ele sabia exatamente o que fazer. Durante 7 anos de colheitas abundantes, juntou todas as colheitas que iam além das necessidades imediatas do povo e as armazenou em numerosas cidades do Egito. Durante esse tempo, nasceram-lhe dois filhos. O primeiro foi chamado Manassés, que significa 'o que esquece', como testemunho de que DEUS havia apagado dos pensamentos tristes e íntimos de José os anos de trabalho e de toda a casa de seu pai. O segundo filho foi chamado Efraim, 'dupla fertilidade', como testemunho das providências misericordiosas de DEUS na terra da sua aflição.
Quando chegaram os sete anos de fome, o Egito estava preparado com uma grande provisão de alimentos armazenada para a emergência. Mas a seca cruzou as fronteiras do Egito e atingiu a regi~so de Canaã e outros países vizinhos. Dentro do próprio Egito, logo as pessoas sentiram fome e pediram comida. Sem demora, José as abasteceu de provisões segundo um plano já em execução. As pessoas tiveram a permissão de comprar os grãos armazenados e, assim, tiveram o suficiente para comer. Habitantes de outros países ficaram sabendo da provisão que havia no Egito e foram comprar alimentos" (Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp. 114,115).
 

PARA REFLETIR - A respeito de José, fé em meio às injustiças, responda:
Quem era o pai de José?
Jacó, neto de Abraão.
Qual o presente que Jacó deu a José e que demonstrava seu favoritismo?Uma capa colorida.
O que fez com que os irmãos de José fossem tomados pela inveja?A revelação dos sonhos de José.
Quanto os ismaelitas pagaram por José?O venderam por vinte moedas de prata.
Faraó nomeou José para que cargo?Para governador do Egito, o segundo cargo mais importante depois de Faraó.
 
CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 68, p39.
 
Comentários extras - Ev. Henrique - Várias fontes.
 
Resumo da Lição 7, JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS
I - DOIS SONHOS E MUITAS CRISES
1. A família de José.
2. A inveja dos irmãos de José.
3. Os sonhos de José (Gn 37.7,9).
II - A CRISE DA COVA E DA ESCRAVIDÃO
1. José é vendido como escravo (Gn 37.27,28).
2. José na casa de Potifar.
3. José prosperou na casa de Potifar.
III - SABEDORIA PARA ADMINISTRAR A CRISE
1. José é abençoado por DEUS na prisão (Gn 39.21-23).
2. José e os dois oficiais de Faraó.
3. Da prisão ao palácio de Faraó (Gn 41.1-8).
 
 
A expressão Joisé do egito está errada, o corretro é dizer José no egito.
As esposas de Jacó são suas sobrinhas em 2º grau.
יוסף Yowceph
José = "Javé adicionou" - o filho mais velho de Jacó com Raquel
 
Os dois filhos de José passam a substituir José como tribos de Israel. (Levi passou a tribo sacerdotal - ficou sobrando duas vagas, preenchidas pelos dois filhos de José).
E Jacó disse a José: O DEUS Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou.
E me disse: Eis que te farei frutificar e multiplicar, e tornar-te-ei uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em possessão perpétua.
Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão;
Mas a tua geração, que gerarás depois deles, será tua; segundo o nome de seus irmãos serão chamados na sua herança.
Gênesis 48:3-6
 
A ascensão de José a vizir (conselheiro-chefe) do Egito, embora não mencionada nos textos egípcios, é bastante viável na era dos hicsos (governantes semitas do Egito, c. 1.600 a.C.. Seja qual for a data é o preferido para Moisés e da composição do Pentateuco, vários séculos deve tê-lo separado dos patriarcas, durante o qual as histórias sobre eles foram supostamente repassados ​​de boca em boca, ou talvez por algum tipo de registro antigo escrito, mas agora perdida. de qualquer maneira, estes paralelos confirmam que a história registrada em Gênesis é bastante confiável.
 
TODOS NÓS SONHAMOS TODOS OS DIAS.
Existem sonhos dados por DEUS, mas é quase inexistente em nossos dias. Se DEUS der um sonho e exigir segredo, então teremos que guardar segredo, se não exigir deve ser contado. pode ser que DEUS queira que esse sonho seja contado para uma pessoa ou pode ser que esse sonho deva ser contado para a igreja e ainda para todo mundo. na maioria das vezes, ou seja, 99,99% das vezes sonhamos e esses sonhos são produto de nossas mentes. coisas passadas ou coisas que nos impressionaram em uma leitura da bíblia ou de um livro, ou em filme ou em documentários ou ainda ouvimos de alguém alguma coisa que nos impressionou.
Jacó sonhou (Gn 28.12), mas não teve revelação dos sonhos alheios, porém seu filho José sonhava sonhos dados por DEUS e interpretava sonhos de outras pessoas, dados por DEUS. O profeta Daniel sonhava sonhos dados por DEUS (Dn 7.1) e recebia interpretação dos sonhos dos outros, como os sonhos de Nabucodonosor (Dn 2.1). labão teve sonho dado por DEUS a rerspeito de Jacó (Gn 31.24). Em Gn 31.10 e 11 DEUS vem a Jacó em sonhos para lhe dar estartégia de prosperidade. DEUS falou com Abimeleque em sonhos a respeito da esposa de Abraão (Gn 20.6).
José sonhou e viu seus sonhos realizados. Os empregados do palácio de faró sonharam e José interpretou seus sonhos. Faraó sonhoru e José interpretou seus sonhos.
José recebeu revelação de que Maria estava grávida do ESPÍRITO SANTO através de um sonho.
Existem sonhos dados por DEUS.
 
 
AJUDA  - Lição 13 - José, a Realidade de Um Sonho - 4º trimestre de 2015 - O Começo de Todas as Coisas - Estudos Sobre O Livro de Genesis
Comentarista da CPAD: Pr. Claudionor Correa de Andrade
 
 
  
"As Escrituras deixam claro que a separação entre José e o seu povo estava sob o controle de DEUS. O Senhor estava operando através de José e das circunstâncias deste, a fim de preservar a família de Israel e reuni-la segundo as suas promessas.
Quatro vezes no capítulo 39 está escrito que 'o Senhor estava com José' (vv. 2,3,21,23). Porque José honrava a DEUS, DEUS honrava a ele. Aqueles que temem a DEUS e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que DEUS dirigirá todos os seus passos (Pv 3.5,6) "(Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 39).
 
 
 
COMENTÁRIOS DE DIVERSOS AUTORES E LIVROS COM ALGUMAS MODIFICAÇÕES DO Ev. LUIZ HENRIQUE
PONTOS DIFÍCEIS E POLÊMICOS
Filho Primogênito
Na cultura judaica, o filho primogênito tinha o direito de receber uma porção dobrada da herança dos pais. Esse direito era chamado de direito de primogenitura (Dt 21.15-17).
Jacó mais abençoado que Esaú. Moisés mais abençoado que Arão. Efraim mais que Manassés e por ai vai José, o penúltimo, mais que todos os outros 11.
Primogenitura - Na verdade o que vemos é que alguém deseja a bênção da primogenitura e luta por ela, assim como um dom do ESPÍRITO SANTO hoje, está disponível a todos, mas são raríssimos os que por causa desses dons ou por causa de um deles despreza as mordomias da vida e luta para agradar a DEUS e ser canal de DEUS para salvação das almas.
Foi assim com Jacó e com José.
Jacó saiu para a terra natal de seu pai e mãe a fim de se casar e para fugir da ira de seu irmão mais velho, Esaú. Deixou tudo para Esaú, pois Isaque morreu e Jacó não estava lá para ficar com alguma coisa para ele, mas no final Jacó estava muito mais com DEUS, rico e poderoso do que seu irmão.
José foi tido como morto, nada possuía, mas foi o que se deu bem.
Quem escolhe DEUS - esse é o primogênito no final.
Todo o que aceita a JESUS como único Senhor e Salvador se torna um filho com as mesmas regalias dos filhos primogênitos. Somos co-herdeiros com CRISTO da mesma herança.
Quem preferiu DEUS se deu bem - Para ganhar tem que perder
Jacó era um sonhador que sonhava os sonhos de DEUS (sonhos que DEUS dava para ele) e não os dele ou de alguém. Quem encostava perto de José sonhava também. Isso pega. Sonhe sonhos de DEUS para sua vida.
A maioria absoluta de sonhos são nossos ou de impressões marcadas em nosso subconsciente. Sonhe os sonhos de DEUS (sonhos que DEUS dá para nós).
José foi preso e seus companheiros de cela sonharam. José foi solto por causa de um sonho de Faraó. Onde José estava havia sonhos dados por DEUS para que José estivesse acima de todos e na presença de DEUS.
De quem era o direito da primogenitura? Filho mais velho da esposa legitima
No caso de Jacó que amava Raquel e trabalhou por ela e foi enganado, o que valia para DEUS era então José o primogênito pelo direito divino.
 
Humanamente, Assim ficou o direito de primogenitura na casa de Jacó:
Rubem perdeu sua primogenitura, que na verdade não era sua, por ter se deitado com Bila, concubina de seu pai.(Genesis 49:3-4) - Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porquanto subiste ao leito de teu pai. Então o contaminaste; subiu à minha cama.
Simeão e Levi, o segundo e terceiro filhos de Jacó, sobre os quais deveria recair o direito de primogenitura, também o perderam. Eles foram instrumentos de violência, especialmente no fato ocorrido em Siquém (Gn 34), por isso o Senhor não lhes repassou o direito de primogenitura (49:5-7).
A realeza, um dos itens da primogenitura, foi dada ao quarto filho, Judá (Gn 49:10).
 
Preferência por um filho era herdada.
Na família de Isaque, pai de Jacó. também houve preferências por filhos. Jacó deveria ter aprendido a não fazer isso, mas copiou de seu pai a preferência por um filho e assim preferiu a José mais do que a todos os outros filhos por ser este filho de sua mada esposa Raquel e por ser este filho de sua velhice.
E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. Gênesis 25:28
 
José foi vendido e saiu de Canaã aos 17 anos, seu irmão benjamim tinha 5 anos, depois de ser escravo de Potifar, ser prisioneiro do rei, foi governador de todo o Egito aos 30 anos e só viu seu pai depois de 22 anos que estava no Egito, só ai então viu realizados seus sonhos aos 39 anos, quando agora já era governador de todo o Egito por 9 anos. José morreu com 110 anos.
Estas são as gerações de Jacó. Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos; sendo ainda jovem, andava com os filhos de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia más notícias deles a seu pai.Genesis 37:2
E José era da idade de trinta anos quando se apresentou a Faraó, rei do Egito. E saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do Egito - Genesis 41:46
Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega Genesis 45:6
E morreu José da idade de cento e dez anos, e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito - Genesis 50:26
 
José levou 13 anos até ser governador + 7 de fartura + 2 anos de seca = 22 anos para ver seu pai novamente.
Isso mesmo. Que coisa hein! Só se realizou totalmente seus sonhos depois de 22 anos. Família paciente.
25 de Abraão para nascer Isaque, 20 de Isaque para nascer Jacó, 14 de Jacó para casar com Raquel e 22 de José para realizar seus sonhos.
Uma geração de paciência e perseverança. Isso é fé.
 
 
AJUDA Lições Bíblicas CPAD -  1º Trimestre de 1991 - A VIDA DE ABRAÃO - Comentários: EURICO BERGSTEN
JOSÉ E O ÁRDUO CAMINHO DA VITÓRIA
 
TEXTO ÁUREO
"Porquanto o Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava "(Gn 39.23).
VERDADE PRÁTICA
O Senhor era com José e isto foi o segredo de todo o progresso que ele experimentou.
 
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
A história de José nos mostra quanto vale ser crente desde a infância; e prova que a presença do Senhor na vida do crente é a solução para todos os problemas que surgem, sejam eles quais forem. (SCR e CB)
I. JOSE CONHECEU A DEUS NO SEU LAR
1.José, o filho predileto de Jacó. José, o décimo primeiro filho de Jacó, era o primogênito de Raquel, a esposa que Jacó amava. Raquel faleceu quando José era ainda criança, mas ele cresceu cercado de amor. Certamente teve grande repercussão sobre a vida de José o encontro que seu pai Jacó teve com DEUS no Vau de Jaboque, quando exclamou: "A minha alma foi salva". José também teve  o seu encontro com DEUS. É absolutamente necessário que os lares dos crentes sejam verdadeiros viveiros espirituais. Onde impera o verdadeiro despertamento, o coração dos pais converte-se aos filhos (Lc 1.17).
2. José, o Jovem predestinado por DEUS. José. experimentou a manifestação do ESPÍRITO SANTO em toda sua vida. Ainda muito jovem teve dois sonhos proféticos, os quais lhe deram a certeza de que DEUS tinha alguma coisa preparada para ele,(Gn 37.5-10). Já adulto, recebeu de DEUS preparo para interpretar sonhos (Gn 40.8-22). DEUS prepara o crente para a obra que tem a fazer, através da operação do ESPÍRITO SANTO.
II. JOSÉ AJUDA SEU PAI NA ADMINISTRAÇÃO DOS NEGÓCIOS
l. As excelentes qualidades de José.
Embora ainda muito novo, com apenas 17 anos, foi colocado pelo pai na administração de seus grandes rebanhos. Talvez tivesse sido mais apropriado colocar neste cargo a Rubem, o primogênito, mas este por causa de problema de ordem moral perdeu o direito à primogenitura (Gn 49.4). José, o primogênito de Raquel, assumiu esse cargo com muita eficiência. Isto explica a túnica de várias cores que Jacó deu a Jose. Era o tipo de túnica compatível com um cargo de gerência.
2. Os irmãos de José o odiavam. 0 motivo era inveja. Não suportavam a lembrança dos sonhos que José tivera. É interessante observar que o ódio que os irmãos nutriam por José, não o prejudicou em sua vida espiritual. Isto é uma evidência de que antes de este ódio se manifestar, José já vivia em íntima comunhão com DEUS. Uma experiência com DEUS em profundidade é a mais grandiosa solução para cada jovem. Vivendo perto de DEUS, o crente vence qualquer forma de ódio e de resistência.
III. JOSÉ É VENDIDO COMO ESCRAVO
1. A traição dos irmãos de José.  Um dia Jacó enviou José a ver o estado de seus rebanhos (Gn 37.12-17). Seus irmãos, vendo-o de longe, sugeriram matá-lo. Porém. Rubem conseguiu impedi-los (Gn 37.21-22). Passando por aquele local, àquela hora, uma caravana de ismaelitas a caminho do Egito, venderam José como escravo àqueles mercadores. Para ocultar o que haviam feito, tingiram a túnica de José com sangue e enviaram-na a Jacó com a mensagem: "Conhece agora se esta será ou não a túnica de teu filho'' (Gn 37.32). DEUS estava com José. DEUS conosco é garantia de que todas as coisas que possam vir a acontecer, cooperam para o bem (Rm 8.28). DEUS guardou José de um mal pior que o ódio e a perseguição; DEUS guardou José de dar lugar à raiz de amargura (Hb 12.15). A história de José mostra que ele não foi acometido por este mal. Ver Gn 42.21 -24. O crente em comunhão com DEUS não sofre dano em consequência de males que aparecem em seu caminho (Lc 10.19).
2. José na casa de Potifar. José foi comprado por Potifar, capitão da guarda palaciana (Gn 39.1). O que Potifar não sabia era que, junto com José, a bênção do Senhor havia entrado em seu lar (Gn 39.2). Tudo prosperava nas mãos de José, e logo ele foi colocado sobre toda a casa de Potifar(Gn 39.4) Na casa de Potifar aguardavam José mais provações. A mulher de Potifar. pessoa sem moral, quis seduzir José. Mas, José, como homem de DEUS, repeliu-a dizendo: "Como pois faria eu este tamanho mal. e pecaria contra DEUS?" (Gn 39.9). Irada com a recusa, a mulher de Potifar arquitetou uma armadilha para José, e falsamente acusou-o. Potifar. crendo nas mentiras da mulher, mandou lançar José na prisão (Gn 39.10-20).
3. José na casa do cárcere. O Senhor entrou com José no cárcere (Gn 39.21). O Senhor lhe deu graça diante dos olhos do chefe do cárcere, e logo este o investiu de autoridade sobre os demais presos (Gn 39.21-23). Ali no cárcere José teve oportunidade de interpretar o sonho de dois presos. "Não são de DEUS as interpretações?" (Gn 40.8). E da forma como José interpretou, assim aconteceu. Quando o copeiro-mor saiu do cárcere. José lhe disse: "Lembra-te de mim quando te for bem...faça menção de mim a Faraó*' (Gn40.14).
IV. JOSÉ É LEVADO À PRESENÇA DE FARAÓ
Passaram-se dois anos inteiros desde que o copeiro-mor deixou o cárcere, então ele lembrou do pedido de José (Gn 41.1).
l. José interpreta o sonho de Faraó (Gn 41.25-32). Faraó teve dois sonhos. os quais perturbaram o seu espírito e ele não encontrava quem os interpretasse. Foi então que o copeiro-mor lembrou-se de José, e contou acerca dele a Faraó. Imediatamente, José foi conduzido à presença do soberano, que lhe contou os sonhos e José os interpretou. A interpretação dos dois sonhos era uma só: Sete anos de fartura seriam seguidos de sete anos de fome, e que DEUS estava dando o aviso a fim de que nos anos de fartura se ajuntassem alimentos para suprir os anos de fome (Gn 41.25-37).(SH) Faraó, impressionado com a revelação divina, disse: "Acharíamos um varão como este, em quem haja o espírito de DEUS?" (GrT41.38). E nomeou José governador de todo o Egito, com a incumbência de administrar o armazenamento e a distribuição de alimentos. José assumiu imediatamente o encargo. As abundantes colheitas foram devidamente armazenadas, a ponto de não ser possível numerar os estoques de trigo ajuntado (Gn 41.46-49).
2. José governa o Egito. A escalada de José até o palácio não foi fácil. Quando finalmente chegou à posição de governador do Egito e foi o administrador do salvamento dos egípcios e de nações vizinhas, José pôde entender a lógica das diferentes etapas de seu árduo caminho, e de fato experimentar que muitas vezes "o Senhor tem o seu caminho na tormenta" (Na 1.3). Assim dizem as Escrituras: "Todos os seus caminhos juízos são" (Dt 32.4), e. ainda: "Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade" (SI 25.10). DEUS havia feito José entender a razão de seus muitos sofrimentos, por isso ele pôde dizer a seus irmãos: "Porque para conservação da vida DEUS me enviou diante da vossa face"(Gn45.7).(SD e DB)
V. JACÓ ENVIA SEUS FILHOS AO EGITO
l. O reencontro de José com seus irmãos. Tendo ouvido que Faraó estava vendendo trigo a todos os povos, Jacó mandou seus filhos ao Egito a fim de se abastecerem do cereal. Benjamim ficou com o pai. enquanto os dez se dirigiam ao Egito. Apresentarem-se a José. o qual facilmente reconheceu seus irmãos sem ser deles reconhecido. José os interrogou acerca da família deles, e eles lhe contaram acerca do irmão mais moço. Para prová-los, José reteve a Simeão como refém até que voltassem a ele trazendo a seu irmão Benjamim.
2. O estratagema de José. Os filhos de Jacó voltaram ao Egito na companhia de Benjamim e José ficou muito emocionado ao ver seu irmão, o filho mais moço de sua mãe Raquel. Quando seus irmãos se preparavam para retomar a Canaã José os submeteu a mais uma prova. Mandou esconder seu copo de prata nó saco de Benjamim. E quando eles já estavam a caminho, enviou atrás deles emissários dizendo que o copo do governador estava desaparecido, que eles eram os suspeitos, e que aquele em cuja bagagem o copo fosse encontrado, ficaria no Egito como escravo de José. O copo foi achado na bagagem de Benjamim, e todos voltaram à presença de José. Judá, então, fez a José uma emocionante súplica, oferecendo-se para ficar como escravo no Egito em lugar de Benjamim, porque: "Como subirei eu a meu pai se o moço não for comigo? Para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai" (Gn44.18- 34). E fora justamente Judá aquele que havia proposto que José fosse vendido como escravo aos ismaelitas...José entendeu que a natureza de seus irmãos havia verdadeiramente mudado. E deu-se a conhecer a seus irmãos: "E levantou a sua voz com choro...Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não puderam responder porque estavam pasmados diante da sua face" (Gn45.1-3). Logo os irmãos retomaram o caminho para Canaã, não só levando consigo trigo, mas também levando consigo a incumbência de preparar a mudança de toda a família para o Egito. Ao anunciarem a Jacó que José ainda vivia e que era o governador do Egito, o seu coração desmaiou porque não os acreditava. Mas vendo os carros que José enviara para levá-lo ao Egito, reviveu o seu espírito (Gn 45.26-27). Não demorou muito até que toda a família, um grupo de 70 pessoas, estava descendo para o Egito (Gn 46. l-4). (SG, SH e SA).
VI. JOSÉ CUIDOU DE SEU PAI ATÉ QUE ESTE MORRESSE
José fez isto de forma a constituir-se em um exemplo para todos os tempos. Não somente deu a Jacó o sustento material, mas deu-lhe carinho e seu cuidado! É realmente melhor mostrar o nosso amor e o nosso cuidado aos nossos velhos pais enquanto os temos em vida, do que prestar-lhes homenagens junto à sepultura. "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa" (Ef6.2).
 
Lições Bíblicas CPAD -  1º Trimestre de 1991 - A VIDA DE ABRAÃO - Comentários: EURICO BERGSTEN
INTRODUÇÃO
A história ele José ganha um espaço especial no livro de Genesis nos capítulos 37 a 50. O velho Jacó vivia como estrangeiro na terra de Canaã, a qual DEUS prometera como herança à descendência de Abraão. Nos planos divinos, fatos contundentes haveriam de acontecer a partir de José, tomando-se o mesmo o personagem por excelência na história do povo de Israel.
I. JOSÉ, AMADO E ODIADO POR SUA FAMÍLIA
1. Amado de seu pai (vs.1-4).
José era um adolescente, de 17 anos de idade, e Jacó o amava muito, porque era o filho de sua velhice. Além disso, ele se destacava dentre seus irmãos, porque era temente a DEUS e não concordava com o mau procedimento deles. Jacó demonstrava sua preferência paterna por José, provocando, com esta atitude, a inveja e o ciúme de seus irmãos.
2. Odiado por seus irmãos (vs.4-11).
Havia duas razões principais para o ódio dos seus irmãos: era a denúncia que José trazia a Jacó das más ações cometidas por eles, fora das vistas do velho pai e quando, ingenuamente, contava seus sonhos a eles e os
sonhos sempre eram interpretados colocando-o como líder sobre seus irmãos e isto era suficiente para eles o odiarem e desejarem e livrar dele.
3. Maltratado e vendido como escravo (vs.12-36).
Por ser o mais novo dos filhos, José foi enviado por seu pai ao campo onde estavam seus irmãos, cuidando dos rebanhos da família, em Siquém. Quando José chegou entre eles, seus irmãos já haviam formulado uma trama para livrarem-se dele, pois o ódio era patente em seus olhos e corações. Seus irmãos queriam matá-lo,mas Rúben impediu que eles assassinassem o próprio irmão, pois isto muito entristeceria o velho pai. Resolveram então colocá-lo dentro de uma cisterna, cavada naquela região. Antes, tiraram-lhe a túnica talar, que o distinguia dos demais, e o venderam como escravo a uma caravana de ismaelitas (Gn 37.25)
4. As conseqüências amargas da inveja e do ódio.
A Bíblia diz que "os irmãos de José eram movidos de inveja" (At 7.9). A inveja surge como um sentimento negativo, de mesquinharia humana, causada pela queda ao pecado, desde nossos primeiros pais, Adão e Eva. Geralmente, a inveja surge da tentativa de compensar o fracasso em relação a outras pessoas. O invejoso não aceita o sucesso de outrem.
II. JOSÉ É HUMILHADO E EXALTADO NO EGITO
1. José é vendido na feira de escravos, no Egito (Gn 39.1).
Longe da casa do pai, José amargava a separação. Não entendia porque tanto ódio da parte de seus irmãos. Passava pela feira de escravos um oficial da corte real de Faraó, por nome Potifar e, ao ver o jovem escravo, percebeu que o mesmo tinha características diferentes e superiores aos demais. Comprou-o dos ismaelitas e o levou para servir em sua casa.
2. José prospera na casa de Potifar (Gn 39.1-6). José alcançou graça diante de seu amo Potifar e foi designado para ser mordomo da sua casa. Todos os negócios foram geridos por José, e a casa de Potifar prosperou grandemente. DEUS estava com José em tudo o que fazia.
3. José foi tentado pela mulher de Potifar (Gn 39.6-12).
É difícil, às vezes, entender os desígnios de DEUS, mas a verdade deste incidente, na experiência de José, estava no fato de que ele deveria ser provado, a fim de estar apto para um propósito maior. Segundo a Bíblia, além das qualidades morais e espirituais, José "era formoso de parecer e formoso à vista" (Gn 39.6). Fisicamente, ele era bonito e desejável para os prazeres da carne. A mulher de Potifar colocou os olhos em José e tramou situações pelas quais pudesse atrair o jovem mordomo. Mas ele recusou os ímpetos insistentes daquela mulher, declarando a ela, que não poderia trair a confiança de seu senhor __ (Gn 39.8). Não podendo convencê-lo com palavras e atitudes sensuais, aquela mulher o pegou pelo vestido, com força, mas ele escapou assim mesmo, deixando suas vestes rasgadas nas mãos dela (Gn 39.12). A mulher de Potifar se fez de vítima e lançou sobre José a acusação de tentativa de sedução (Gn 39.14-18). Ouvindo Potifar a acusação mentirosa de sua mulher contra José, mandou-o para o cárcere dos presos do rei.
4. José é abençoado por DEUS dentro da prisão (Gn 39.21-23; 40.6-8).
DEUS foi benigno com José, isto é, em todo o tempo da sua humilhação, a presença benévola e complacente do Senhor esteve com ele. Esse é o modo de DEUS tratar com aqueles que sofrem e padecem aflições (Rm 2.4; Sl 36.7; 119.76). Naquela prisão, a benignidade do Senhor sustentou e guardou José (Pv 20.28). A graça divina quebrantou o coração do carcereiro-mor e o fez ver as qualidades morais e intelectuais de José. Dentro daquela prisão, José encontrou dois chefes da cozinha da casa real: o chefe dos copeiros e o dos padeiros da casa de Faraó. Ambos sonharam, e como os egípcios Naquela prisão, a benignidade do Senhor sustentou e guardou José (Pv 20.28). A graça divina quebrantou o coração do carcereiro-mor e o fez ver as qualidades morais e intelectuais de José. Dentro daquela prisão, José encontrou dois chefes da cozinha da casa real: o chefe dos copeiros e o dos padeiros da casa de Faraó. Ambos sonharam, e como os egípcios criam que os sonhos representavam presságios bons ou ruins, contaram a José os seus sonhos. José tinha a graça de DEUS, para interpretar sonhos. Isto acontecia, desde quando estava na casa de seu pai Jacó. Sem entrar nos detalhes, vemos que José revelou o stgrrtficaôos dos· sonhos aos dois, e pediu ao copeiro que se lembrasse dele perante Faraó, uma vez que ele era apenas uma vítima, e não culpado de qualquer ato indigno (Gn 40.14,15).
III. JOSÉ É LEVADO À PRESENÇA DE FARAÓ
1. José é lembrado perante Faraó (Gn 41.1-8).
Faraó teve dois sonhos seguidos que o deixaram perturbado, pois não entendia o significado dos mesmos. É aqui que DEUS entra em ação, mais uma vez, para cumprir sua palavra, anteriormente, revelada a José, ainda na casa de seu pai. O tempo do cumprimento dos sonhos de José chegava no momento certo (Gn 37 .5-7). O copeiro-mor estava servindo a Faraó, cerca de dois anos depois que saíra da prisão, quando viu o rei perturbado. O Senhor o fez lembrar-se de José e ele falou a Faraó sobre o que acontecera e como se cumprira a interpretação de José. Faraó já havia convocado todos os astrólogos e adivinhos do palácio, mas nenhum pudera interpretar os seus sonhos (Gn 41.8). O rei ficou pasmado com a exatidão do cumprimento dos sonhos do copeiro e do padeiro e, por isso, ordenou que lhe trouxessem José a sua presença.
2. José é conduzido ao Faraó (Gn 41.9-15)
No tempo próprio, DEUS fez o copeiro-mor lembrar-se de José, o qual contou ao rei a experiência que tivera, quando esteve preso com o jovem hebreu. O rei ficou impressionado com a narrativa. Estava revoltado com os magos e ocultistas do palácio,.que não puderam interpretar os seus,sonhos. Na presença de Faraó, José, com humildade, declara que a interpretação dos sonhos do rei viria de DEUS, o seu Senhor (Gn 41.16). O plano divino na vida de José começava a cumprir-se, literalmente.
3. José interpreta os sonhos de Faraó (Gn 41.16-32).
O rei contou os sonhos e o ESPÍRITO de DEUS abriu o entendimento de José para dar a interpretação. José interpretou os sonhos, afirmando que os dois se resumiam num só, pois dentro de pouco tempo o Egito passaria por uma grande escassez de alimentos e, para evitar esta crise, era necessário que o rei se prouvesse de mantimentos. O rei ficou estupefato por tanta inteligência e visão administrativa do jovem hebreu. A verdade é que DEUS estava por detrás de tudo. José achou graça diante de Faraó (At 7.10). Esta graça tinha a operação de DEUS, pois é Ele quem dirige os destinos da nos é Ele quem dirige os destinos da nossa vida, quando fazemos a sua vontade. Ao ouvir a palavra de José, em encontrar um homem que tivesse o espírito de DEUS para governar toda aquela proposta, buscou entre seus espírito de DEUS para governar toda aquela proposta, buscou entre seus homens, mas a ninguém encontrou. Estava diante dele um estrangeiro recém-saído da prisão (Gn 41.12-39).
4. José é nomeado governador do Egito (Gn 41.33-57).
Indiscutivelmente o ESPÍRITO de DEUS estava com José - Ao tornar-se governador do Egito tomou-se, também, a segunda pessoa mais importante do reino de Faraó. O rei viu em José muito mais que um mero visionário. O rei viu nele alguém altamente capaz de realizar um grande trabalho em favor do Egito. Às vezes, na vida cotidiana da igreja, os que possuem algum dom espiritual de profecia ou revelação não sabem separar as coisas espirituais das racionais. Espiritualizam demasiadamente os fatos da vida eclesiástica e agem como se fossem anjos. José não perdeu os seus dons espirituais, e soube administrar a sua vida espiritual de modo a ser uma bênção nas responsabilidades materiais.
CONCLUSÃO
A história de José é longa e contêm muitas lições, mas destacaremos apenas alguns pontos, os quais se constituem ricos e preciosos ensinos para a nossa vida cotidiana; - -No primeiro tópico da lição. No primeiro tópico da lição aprendemos sobre o perigo da discriminação que alguns pais fazem com seus filhos. Isto gera ciúmes, invejas e rancores entre os demais irmãos. Por causa da discriminação, José quase foi assassinado por seus irmãos. Não aconteceu, porque DEUS tinha um plano determinado com todos eles, especialmente, José. Mesmo assim, foi vendido como escravo, mas DEUS esteve com ele o tempo todo.
O esquecimento do copeiro parece ter sido de propósito, na presciência divina, pois, no tempo certo, ele lembrou-se de José. Devemos aprender a esperar em DEUS. Ele não se atrasa, nem se adianta.
ENSINAMENTOS PRÁTICOS
1. DEUS, antecipadamente, preparou o espírito de José para a grande luta que enfrentaria, quando fosse provado, ao revelar-lhe, através de sonhos, o seu futuro. Por isso, mesmo vendido pelos irmãos e condenado à prisão por Potifar,. jamais retrocedeu. Desta forma, teve o seu nome registrado na Bíblia, e nas páginas da história humana.
2. A humildade é tudo na vida do cristão. Se permanecermos humildes e confiantes no Senhor, mesmo injustiçados, conforme aconteceu com José, no tempo certo, DEUS nos dará a vitória. Portanto, não nos desesperemos, mas esperemos com paciência o momento de sermos exaltados pelo Todo-poderoso.
3. A provação vem-nos na medida certa: nem mais nem menos. Apesar de aparentemente dura, José suportou com resignação a prova estabelecida por DEUS para sua vida, e alcançou a vitória.Em compensação, tornou-se o segundo homem do Egito e salvou a humanidade da fome que assolou o mundo em seus dias.
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Genesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
 
Estudo no livro de Genesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP

O Sonho de José - 37:5-11
A cumplicidade de Jacó e a inexperiência de José foram, na providência de DEUS, os meios para levar José ao Egito, a fim de preparar o lugar para a ida da família. Quão insondáveis são os caminhos do Senhor! José tinha agora 17 anos, idade suficiente para se conduzir com prudência diante de seus irmãos, mas parece que era simples de coração e sem malícia. O sonho, depois de relatado, não deixou dúvida nos irmãos quanto às inocentes pretensões do rapaz. Foi assim que lhe perguntaram: "Tu, pois, deverás reinar sobre nós?" O sonho seguinte foi ainda mais impressivo, porque colocava pai e mãe debaixo de sua autoridade. Por isso Jacó o repreendeu. Mas a insensatez de José foi ao ponto de revelar ainda este sonho a seus irmãos.

A Viagem Funesta de José - 12-29
Jacó está morando em Manre ou Hebrom (verso 14) porém as exigências de pastagem para o gado demandavam a retirada dos pastores para lugares distantes. Como já sabemos, toda a riqueza de Jacó consistia em formidáveis rebanhos de animais, e não era fácil achar pastagem para tanto gado dentro dos limites de uma aldeia. Os pastores iam de lugar em lugar, fazendo um circuito de algumas léguas, até que voltavam ao lugar de partida, dando tempo para que o pasto crescesse.
Outras vezes, tomavam na ida uma direção e na volta outra, indo e voltando por lugares diferentes. Só depois de meses é que voltavam a casa. Os moradores eram poucos, em comparação, e havia muito espaço para pastagem. Mais tarde, tornou-se esta maneira de vida mais difícil, com o povoamento da terra, deixando apenas as montanhas e os lugares imprestáveis para a agricultura. Numa destas viagens, os filhos de Jacó demoraram mais do que era esperado, e ele ficou apreensivo e mandou José saber como iam.
José era como Jacó seu pai, de natureza caseira. Ficou em casa fazendo companhia ao velho.
Os pastores tinham já viajado algumas léguas e não estavam mais no vale de Hebrom, mas estavam em Siquém, talvez a oito ou nove léguas de Hebrom. Foi neste lugar que se deu o triste caso entre os siquenitas e os filhos mais velhos de Jacó. É estranho que tivessem vindo para este lugar. Possivelmente, tudo tinha mudado entrementes e não havia mais perigo de uma represália. Mesmo DEUS fez cair tal temor diante do povo da terra para com Jacó, que ele e sua família ficaram acobertados por esse respeito invisível. Andando de lugar em lugar, perguntou José a um homem onde estavam seus irmãos. Este lhe respondeu que em Dotã, lugar mais tarde célebre com Eliseu. Apenas o moço foi visto pelos irmãos, planejaram o modo por que se veriam livres dele, visto estarem longe de casa e ser fácil encobrir o crime. Havia muitas cisternas ou poços por toda parte, para coletar as águas pluviais, a fim de abeberar os rebanhos no tempo da seca. O primeiro ímpeto foi matá-lo e esconder o corpo numa destas cisternas. Assim, não só ficava escondido, mas no caso de ser descoberto, havia possibilidade de se dizer que tinha caído nela e tinha morrido de fome. Rúben, o que tinha pecado contra o próprio pai, deitando-se com sua concubina, deu conselho que, em lugar de matá-lo, o botassem dentro da cisterna vivo, talvez para que logo fosse possível retirá-lo e restituí-lo ao seu pai. Esta é uma nota agradável do caráter de um homem que aparece na história bíblica com um feito tão triste. Rúben era, talvez, um desses homens de bom coração, mas de paixões indomáveis, incapaz de dominar-se na hora do perigo. Este conselho foi aceito e logo que José se abeirou deles, nada faltava para que fosse eliminado o sonhador e acabados os seus sonhos. Pobre do homem que se levanta para destruir os planos de DEUS. Eles, porém, ignoravam a origem daqueles sonhos. Tiraram-lhe a túnica e lançaram-no na cisterna. Entre estas cisternas, havia algumas que não sustinham a água e talvez esta fosse uma delas. Feito isto, sentaram-se para comer pão ou, como nós diríamos, para almoçar ou jantar.
Passado algum tempo, não sabemos quanto, viram que se aproximava uma caravana de mercadores, que descia ao Egito para vender as especiarias de que o Oriente era tão rico. Gileade era célebre nestas especiarias. Judá alvitrou que em lugar de matar o rapaz o vendessem a esses ismaelitas. Havia duas vantagens neste conselho: a de evitar a morte de uma pessoa e a do lucro da venda. Todos concordaram e, chamando os mercadores, venderam José por vinte siclos de prata, o preço de um escravo. Rúben não estava presente quando esta transação foi feita. Teria ido juntar algumas cabeças de gado que se estavam tresmalhando. Quando voltou e não encontrou o irmão, ficou desolado. Não se diz que ele foi notificado da transação, e sim que após sua volta tingiram a túnica com o sangue de um animal, para enganar o pobre pai. Entretanto, este negócio não teria ficado encoberto a Rúben, mas nada ele poderia fazer, em benefício do irmão. Tinha o consolo de que pelo menos estava vivo, e, talvez, de uma ou de outra forma, mais tarde, se pudesse libertar. Nos versos 25 e 28, estes mercadores aparecem com dois nomes diferentes, como se fossem duas diferentes caravanas. A explicação é fácil. Tanto ismaelitas quanto midianitas, todos descendiam de Abraão. Os ismaelitas eram filhos de Ismael. Os midianitas descendiam do quarto filho de Abraão e da concubina Quetura. Ambos estes povos ocupavam mais ou menos o mesmo território, e mais tarde os midianitas eram todos os que moravam em Midiã, quer descendessem de Quetura, quer de Ismael.
 
A Mensagem a Jacó - 31-36
Estes versos terminam a triste história do pecado daqueles homens desumanos e sua desfaçatez em trazer uma mensagem mentirosa ao aflito Jacó. Um pecado chama outro pecado. Vendido José, era preciso inventar uma mentira, para encobrir o pecado. Não foi difícil. A túnica estava tinta de sangue. Por que não crer que um animal feroz o tinha devorado? Havia tantos naqueles lugares! Não podemos ler este trecho sem sentir viva simpatia por aquele coração quebrantado, Jacó. Rasgou seus vestidos e cobriu-se de saco, em sinal de profundo desgosto, recusando até ser consolado. Por todo o resto de sua vida ia Jacó lamentar a perda do seu amado filho. Vieram seus filhos e filhas (Diná e as noras, mulheres de seus filhos), mas não o puderam consolar. Que consolo hipócrita teriam aqueles homens sem coração para dar? Parece até que tão frio era este consolo que Jacó chegou a desconfiar. Anos depois acusou os filhos de o terem desfilhado (43:39). Em sua agonia, declarou que desceria à sepultura sem consolação.
A palavra sepultura é traduzida na versão Brasileira por "Sheol", que é a palavra hebraica. Sobre o significado deste termo, na terminologia hebraica, há uma imensidade de literatura que vale a pena ser consultada. Há, em geral, duas opiniões. Primeira, que o termo descreve o estado dos mortos depois desta vida. Segunda, que descreve o lugar destes mortos. No N.T. a palavra correspondente é "Hades", que se aplica tanto ao lugar dos salvos quanto ao dos perdidos. Os judeus usaram este termo indistintamente, para descrever o lugar dos mortos sem se preocuparem com a condição destes mortos. No N .T. prevalece o mesmo sentimento. Sheol ou Hades é o lugar para onde vão os mortos, tanto salvos como perdidos. Os teólogos têm-se encarregado de investigar se estes termos descrevem um lugar ou um estado. Entretanto, não parece ser fácil uma solução aceitável para todos. se os  termos designam o estado das almas depois desta vida é impossível verificar, porque, onde quer que ocorram, não há a menor explicação. (Ver I Sm. 28:19; II Sm. 12:23 e conf. Lc. 23:42, 43; II Cor. 5:6-8; 12:2-4; Ap. 6:8; 20:14.). Estas últimas citações referem-se ao Paraíso e, comparadas com as outras, verifica-se que o Paraíso e o Céu são uma e a mesma coisa. Somando-se todos os resultados desta investigação, a conclusão natural é que Sheol e Hades são o estado e não o lugar das almas depois de desencarnadas. Todas as almas vão para a eternidade, isto é, para o Sheol ou Hades. Quanto aos lugares de gozo ou sofrimento, não é uma questão que estes termos tenham de resolver. As palavras de Jacó são que morreria, iria para a eternidade, sem ser consolado. O último verso dá-nos a notícia de que José foi vendido a Potifar, capitão da guarda de Faraó, no Egito, onde o encontraremos no capítulo 39.
 
Separação de Judá - Um Capítulo de Sua História - cap. 38
A história de José aqui é interrompida, para se introduzir a história do irmão de cujo clã sairia o Leão da Tribo de Judá; este torna-se, na história futura, a principal figura. É difícil determinar quando se deram estes acontecimentos. Mas parece ter sido pouco depois da vinda de Padã-Arã. Este capítulo foi aqui introduzido fora da conexão cronológica e histórica. É um dos capítulos mais tristes de toda a história bíblica, e uma nódoa na vida de Judá. Devia agora o terceiro filho de Judá cumprir a lei de manter a linhagem de seu irmão, mas este era ainda novo e Judá pediu a Tamar, a viúva, que esperasse.  Os versos 27-30 dão-nos o nascimento dos dois filhos de Tamar e Judá. Um deles era Farez ou Perez, de quem descendeu Davi, e por fim nosso Senhor. Deste e de Zera, seu irmão, descendeu a tribo. Só a certeza de que DEUS age por sua imensa sabedoria nos consola diante do fato de JESUS CRISTO, segundo a carne, vir de uma família originada de um ato de incesto e adultério. "E Judá gerou Perez e Zera de Tamar e Perez gerou Esrom... " (Mat. 1:3). Por que assim o fez o nosso DEUS? Alguém pensa
que foi para não dar lugar a que a pessoa escolhida para trazer ao mundo o Filho encarnado de DEUS fosse adorada, visto proceder de uma família com a mais triste origem. Se este foi o propósito divino, não se sabe. Sabemos, no entanto, que foi assim, que aprouve ao Todo-Poderoso. Com Davi, anos depois, começou a linha direta até JESUS; e que homem aparece na Bíblia com nódoa mais feia que ele? A Escritura que diz: DEUS mandou o seu filho em semelhança de pecado na carne é real e literal diante deste fato, narrado no capítulo 38 do primeiro livro da Bíblia.
 
JOSÉ NO EGITO E A PROVIDÊNCIA DE DEUS COM ELE (Caps. 39-46)
O capítulo 38 interrompeu a história de José por um momento. Encontramo-lo agora, de novo, em casa de Potifar, a quem tinha sido vendido como escravo. Estes capítulos (39-46) podem ser classificados como a história da Providência na vida de um homem. Os que não compreendem o porquê de muitas coisas, em suas vidas e os que não crêem que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a DEUS devem ler esta história.
Não somente é inspiradora mas é consoladora também. Quem poderia ver no ato iníquo e desumano dos irmãos de José o dedo da Providência? Quão insondáveis são os caminhos do Senhor!
Tinha de preparar seu povo para os grandes deveres da vida nacional na terra prometida, e não havia na terra nação onde melhor este povo pudesse ser educado. O Egito era, naquele tempo, o centro da civilização e das artes, e nenhum povo ficaria mais apto para estes grandes privilégios do que aquele que mantivesse com os egípcios longos anos de contato. José foi o escolhido para preparar o caminho. Para executar o plano, ele, certamente, teve de sofrer provações, que alguém chamaria de calamidades, mas o DEUS que prova nunca deixa de dar o conforto e a graça precisos para o triunfo. Potifar conheceu em José um personagem de dotes e qualidades raros, doutra maneira não o poria à frente dos negócios de sua casa. José prosperou e a casa de seu senhor também, a ponto de este reconhecer que Jeová estava com ele (José). Não esqueceu José sua religião, nem a ocultou, como
muitos de nós fazemos. Jeová tornou-se conhecido àquele incrédulo e este foi o primeiro resultado da ida de José para o Egito. Tal foi a prosperidade e a confiança por ele conquistadas, que toda a casa foi posta em suas mãos. Acompanhado da graça de DEUS em sua vida, tinha ainda a vantagem de ser "formoso de parecer, e formoso à vista". Esta qualidade é rara, sobretudo quando se ajunta com esta outra, a honestidade. Todo este conjunto fez do herói o homem de DEUS para uma grande obra. Todos nós podemos saber quando DEUS está realizando sua obra por nosso intermédio. Infelizmente, as condições mudaram e José, o servo de DEUS, viu-se de repente a braços com um problema sério.

A Tentação de José - 39:7-1 8.
Não sabemos quantos anos de paz e prosperidade José gozou na casa de seu senhor. Sabemos que tinha 17 anos quando foi vendido, e pelo menos 5 anos tinha passado no Egito, pois que realizações tão grandes como as que se deram com ele naturalmente tomaram tempo. DEUS nunca age milagrosamente, quando os meios naturais, são possíveis.Imaginemos que ele tenha agora 23 anos. É jovem, belo, cuidadoso e de grande influência em toda a casa de seu amo. A mulher de seu senhor pôs nele os olhos e cobiçou-o. Corajosamente, repudia a oferta e declara que cometer tal crime seria não só um pecado, mas abuso de confiança. Longe estava ele de pensar nos perigos decorrentes de se recusar às fascinantes e insidiosas palavras da mulher de Potifar. O "amor não correspondido gera o ódio", e foi o que aconteceu. Munida com o próprio vestido de José, prova tremenda do seu suposto crime, ela o denuncia a seu esposo, como um sedutor. José não se pode defender da acusação. Estrangeiro na terra, ele teria perecido nesta situação difícil, se DEUS não fora com ele. Todo jovem deve ler esta passagem e, inspirar-se na recompensa de DEUS para com os que lhe ficam fiéis. José preferiu arrostar (
Olhar de frente; encarar sem medo)com todas as conseqüências e ficar com a consciência limpa, a gozar uma vida fácil, com todos os favores.
 
José na Prisão - 39:19-23
O crime suposto de José merecia a morte, mas, ou porque Potifar amasse o rapaz, ou porque mantivesse alguma dúvida sobre a veracidade da acusação, em lugar de matá-lo, mandou-o para a prisão. Não era a prisão comum, mas aquela para onde iam somente os prisioneiros da casa real. Entretanto, não se julgue que fosse um lugar delicioso. A prisão ficava mesmo na casa de Potifar, num subterrâneo, possivelmente, como indica o texto hebraico. Neste lugar, Jeová não abandonou o fiel jovem, que pôde resistir contra o pecado até o sangue (Hb. 12:4). DEUS deu-lhe graça diante do próprio carcereiro, como tinha dado perante Potifar. Aquele o pôs como seu ajudante, e tudo que fazia estava benfeito. Em toda parte Jeová estava com José e em todas as contingências lhe dava graça para achar favor diante dos que tinha de servir. Este incidente na vida de José não teve, diante do seu próprio senhor, tanta gravidade como geralmente se supõe, pela razão acima mencionada, de que Potifar talvez não acreditasse na denúncia da esposa. Quando o copeiro e o padeiro de Faraó pecaram e foram parar na mesma prisão, o carcereiro entregou-os, com pleno conhecimento de Potifar, aos cuidados de José (40:4). É, pois, claro que o que se tinha passado com sua mulher não tinha trazido demérito à confiança de que José gozava.
O fato é que Potifar não podia deixar de punir uma denúncia contra um homem que tinha sido apontado diante de todos os demais servos da casa como perturbador da honra doméstica. Mas é difícil derrubar um homem que anda com DEUS e que nele deposita sua confiança. É bem certa a palavra de Salomão, quando diz: "Há um homem que perece por causa da sua justiça, e um perverso que prolonga sua vida fazendo mal" (Ec. 7:15).

O Copeiro e o Padeiro de Faraó na Prisão com José - cap. 40
Embora na prisão, José teve sua sorte amenizada pelos contínuos favores de que gozava ali mesmo. Chefe de todos os prisioneiros, com a estima do carcereiro e a aprovação de Potifar, ia dia a dia mostrando que seu coração era reto e puro, e DEUS tomava a si o encargo de o tornar cada dia mais aceitável a todos. Os dois eunucos de Faraó, o padeiro e o copeiro, foram parar na prisão também, na prisão real, que, como ficou dito, era na mesma casa de Potifar, sendo este o capitão da guarda.
Os eunucos nas cortes orientais ocupam importantes papéis, sobretudo nos haréns dos monarcas. Às vezes, desempenham funções de alta responsabilidade, e, não raro, são as pessoas de mais confiança do rei. O próprio Vaticano ainda conserva alguns destes eunucos, que são usados na música da Capela Sixtina. São, aliás, os únicos encontrados num país cristão. Contra tal mutilação em vida se levanta a própria Bíblia (Dt. 23:1; Lev. 21:20), classificando-a de ímpia e desumana.
Não sabemos o que estes servos de Faraó fizeram para irem para a cadeia, mas sabemos que a mais insignificante falta era punida com o maior rigor. Talvez mesmo trivialidades ou, quem sabe, falta de fidelidade. Esta gente de ordinário era intrigante, mexeriqueira, disputada e pronta para qualquer obra menos escrupulosa. Na prisão, teve cada um seu sonho. Muito mais que hoje, os sonhos, naquele tempo, tinham grande significação, e toda sorte de interpretações se procurava para explicar os sonhos. Isto era verdade, tanto entre os povos pagãos quanto entre os hebreus, sendo que estes tinham seus profetas, que eram os oráculos divinos.
Os sonhos eram de tal caráter que os dois prisioneiros ficaram aterrados. José veio a eles e perguntou-lhes por que estavam assim tristes. Responderam que não havia intérprete para seus sonhos. José afirma que as interpretações pertencem a DEUS. imediatamente, lhe contaram os sonhos, e ele os interpretou. José tinha tido os seus sonhos e não sabemos se tivera ou não a chave dos significados; todavia, agora o vemos com o discernimento da interpretação. Ou ele possuía o dom de interpretação, ou DEUS lhe deu essa graça na ocasião, o fato é que revelou o que cada sonho significava. Parece que esta revelação foi-lhe dada na ocasião.
No terceiro dia, os sonhos se cumpriram. No aniversário do rei, este restaurou o copeiro-mor e enforcou o padeiro. O costume de fazer festa de aniversário é bem antigo. O copeiro não mencionou o bom amigo da prisão, ou por esquecimento ou por conveniência, mas DEUS conservava a lembrança para uma ocasião mais oportuna. Aqueles dias deviam ser, para José, de apreensão e dúvidas, mas o bom DEUS lhe deu graça para esperar a sua hora. Talvez depois de dois anos tenha chegado a ocasião de o copeiro-mor se lembrar de José e em circunstâncias muito mais favoráveis para ele. É coisa difícil esperar, mas é melhor esperar, que agir antes do tempo.

Os Sonhos de Faraó - 41:1-13
Chegou a vez de José entrar em cena. Faraó teve dois terríveis sonhos, que muito o perturbaram e que ninguém podia interpretar. Os sonhos de Faraó nos são bem familiares e dispensam menção aqui. Entretanto, duas palavras sobre sua importância não farão mal. O Egito seria um eterno deserto, se não fora o Nilo que lhe empresta sua fertilidade. Somente ao longo do rio ou até onde suas águas podem chegar há possibilidade de agricultura. Para isto, os antigos Faraós empregaram milhares de homens na construção de canais, a fim de levarem as águas do Nilo às partes mais distantes do deserto. As mais célebres obras da engenharia antiga tiveram sua origem no Egito. O Nilo é como o Amazonas, que cresce cada seis meses e baixa nos outros seis. Durante o período de enchente, a terra é inundada e na vazante deixa o limo que as águas trazem das partes altas.
Nisto consistia a grande fertilidade do Egito. O sonho de Faraó incluía espigas e vacas. Isto devia ter despertado o seu espírito supersticioso, uma vez que os sonhos se relacionavam com a vida do país. Os animais eram sagrados, sendo o boi divindade muito adorada. Não somente isto, mas o fato de que as 7 espigas e as 7 vacas devoravam umas as outras era singular. Todas estas coisas contribuíram para tornar o sonho mais terrível.
Foram chamados todos os sábios, do que o Egito era fértil, mas nenhum deu volta aos sonhos. Estabeleceu-se o alarma no palácio. Nesta altura, o copeiro lembrou-se do prisioneiro que tinha interpretado seu sonho, e falou ao rei sobre ele. Incontinente foi chamado o jovem hebreu à presença do rei. Para quê? perguntaria José. "Para aumentar minha aflição ou para libertar-me?" Neste caso, só uma grande confiança em DEUS poderia dar um sopro de alívio.

José na Presença do Rei - 41:14-46
José apressadamente barbeou-se, mudou de roupa e foi à presença do rei. O costume de fazer a barba não é hebraico, mas egípcio. Os orientais aparecem nos monumentos de barbas compridas, enquanto que os egípcios são representados de barba rapada. Estes detalhes históricos são uma evidência irrefragável da historicidade da narrativa. O rei informou José acerca dos sonhos e disse-lhe que nenhum dos sábios da terra os poderia interpretar. Respondeu José que a faculdade de interpretá-los não reside nos homens, mas em DEUS. Jeová foi pela primeira vez anunciado diante de Faraó. Havia um DEUS fora do panteão egípcio, que reservava para si o poder de fazer o que nenhum outro deus podia. Como obteve absoluta certeza de que DEUS ia revelar-lhe o segredo dos sonhos não nos é dito, mas podemos supor que José estivesse investido das funções de profeta, e disto tivesse certeza,
tanto porque tinha já revelado o sonho dos outros, quanto ainda porque durante este tempo DEUS lhe teria dado outras demonstrações nesse sentido. A confiança com que fala, não deixa dúvida sobre sua consciência de profeta. Os sonhos vieram de DEUS e só Ele podia dar a interpretação. Estes sonhos eram mais que sonhos, em sentido vulgar, eram verdadeiras revelações. DEUS revelou o futuro a Faraó, mas reservou para seu servo a interpretação do que revelara.
Nos versos 25-36, José não só interpreta os sonhos, mas sugere a solução do problema. Em dois sentidos, o escravo hebreu se mostra como um personagem além do vulgar. Ele, seu pai Jacó, seus irmãos, a família eleita, enfim, estavam movendo o mundo em seu benefício. Para que foi levado ao Egito? Ele mesmo o disse mais tarde, que para a salvação da família tinha sido vendido para o Egito. Não somente a família de Jacó tinha de passar por estes transes, mas o Egito tinha de ser tocado. Esta, neste tempo, era a nação culta do mundo, o centro das artes e das letras, e ali, melhor que em qualquer outra parte, podia a nova raça ser treinada para os grandes misteres da redenção.
Depois que José interpretou os sonhos, deu instruções como preservar o povo da morte pela fome durante os anos da seca, e com tal certeza explanou o assunto, que não deixou a menor dúvida, nem em Faraó nem em seus príncipes. Onde ir buscar um homem melhor do que ele para tomar conta da árdua tarefa de aproveitar os anos de fartura para os anos da fome?

José É Escolhido para Príncipe sobre a Terra do Egito - vv. 37-57
Não teríamos a presunção de supor que sem DEUS esta maravilhosa transformação se tivesse operado. Por mais sábio que José se tivesse mostrado, não seria mais que um sábio célebre entre muitos outros sábios, mas DEUS teve oportunidade de mudar o coração do rei e seus príncipes, e todos a uma concordaram que José era o melhor homem para tomar conta da situação. A corte estava reunida para ouvir o que o prisioneiro tinha a dizer, e a maneira como se houve revelou duas coisas: era mais sábio que os outros sábios, e seu DEUS era mais poderoso do que os outros deuses do Egito. Esta foi a hora de DEUS para fazer José o único capaz aos olhos de seus príncipes para a grande obra de preservação. Alguns críticos querem rejeitar esta história, por acharem- na milagrosa, mas não há nada de milagres aqui. O que temos é um fenômeno entre milhares de outros que DEUS opera por sua divina providência no governo do mundo. Quem nega a Providência tem de aceitar o acaso cego e inconsciente, que deixa o mundo e os homens entregues aos seus caprichos. A mão misteriosa da Providência na vida dos homens e das nações é mais consoladora do que o acaso, o fatalismo ou qualquer outra idéia pessimista e irreverente.
Nomeado príncipe sobre toda a terra do Egito, Faraó pôs-lhe no dedo o anel, símbolo de autoridade real, o vestido de linho branco sinal de dignidade, e pôs- lhe um colar de ouro no pescoço; depois, passando triunfalmente na segunda carruagem real, com os arautos na frente, proclamando sua grandeza e dignidade, estava indigitado a todas as honrarias principescas da terra do Egito. À sua passagem, todos tinham de se ajoelhar, em sinal de obediência e mesmo de reverência, porque o rei era pessoa sagrada no Egito. Como se um morto saísse dá sepultura, assim José saiu da masmorra para ser elevado às culminância da honra e dignidade. Mardoqueu foi elevado ao poder em circunstâncias diferentes, mas quase pelos mesmos transes providenciais. Para assegurar a obediência popular e garantir o sucesso do ex-escravo e prisioneiro, o rei casou José com a filha do sacerdote de Om, um dos mais reverenciados deuses do Egito, de modo a fazê-lo uma pessoa da terra e sagrada.
Há muitas possibilidades de que o Faraó que reinava no Egito fosse de origem estrangeira, o que, em caso afirmativo, simplifica muito este estupendo transe na vida de José. Sabe-se que o Egito foi invadido por pastores vindos do Oriente, os quais deslocaram os monarcas nativos para o sul e se apossaram da terra e a governaram por mais de 600 anos. A cronologia egípcia é ainda difícil e confusa em muitos lugares, mas as melhores investigações e conclusões colocam esta invasão poucos anos antes de Jacó descer ao Egito com sua família. Outra coisa ainda não verificada com certeza é se esses pastores eram semitas ou não, mas tudo favorece a idéia de sua origem semítica, a julgar pelos traços de civilização que deixaram na terra do Egito. Este fato por si só reduz à metade a admiração que muitos críticos sentem, pelo fato de um monarca poderoso colocar à frente dos negócios de seu reino um escravo estrangeiro. O mesmo Faraó seria estrangeiro, e possivelmente semita, ou seja, da mesma raça de José. A expressão em Êx. 1:8, que se levantou um rei que não conhecia José, é tomada como indicação de que a dinastia dos hicsos ou reis pastores já tivesse sido expulsa, tendo a expulsão como primeiro reflexo a vingança sobre os estrangeiros.
Tal foi o rancor que estes usurpadores criaram no Egito, que, ao serem expulsos, tudo que desse sinais de seu governo foi raspado dos edifícios públicos. Após ser investido das honras reais, José pôs-se de viagem por toda a terra, fazendo preparativos e tomando as providências que o caso exigia. O sonho cumpriu-se à risca, e eis que sete anos de abundância foram sucedidos por outros sete, de fome. Durante os anos de abundância, José recolheu
em armazéns, para os anos de fome, tudo que sobrava, e, como veremos mais tarde, o Egito tornou-se o celeiro do mundo. Alguns comentadores pensam que a fome veio corno conseqüência da não inundação do Nilo. Se isto é verdade, houve outras causas, porque por toda a Palestina houve fome. No Egito a falta de chuva não tinha realmente muita importância, uma vez que o Nilo inundasse as terras, o que não acontecia na Palestina e noutros lugares. Possivelmente, nem o Nilo subiu mais na época própria, nem choveu por alguns anos. Aliás, as secas periódicas no Oriente não nos admiram, porque são conhecidas de todos, e em Genesis mesmo notamos que Abraão e Isaque tiveram de emigrar por causa da fome causada pela seca. O nosso Nordeste oferece muitos pontos de contato com o Oriente, neste sentido.

Os Irmãos de José Descem ao Egito. O Dia da Vingança - 42:1-4
Os efeitos da fome tinham-se feito sentir por toda aquela região, inclusive na Palestina, a terra de nossos heróis. Portanto, a seca não atingiu somente o Egito. Esgotados todos os recursos locais, correu a notícia de que no
Egito havia trigo em abundância. O Egito foi por muitos séculos o celeiro do mundo, graças à sua fertilidade, causada pelas inundações periódicas do Nilo. Jacó soube dessa boa-nova, e perguntou aos filhos por que ficavam indecisos e não iam logo comprar trigo, antes que morressem de fome. A linguagem é bem significativa. Ir ao Egito, o lugar para onde nós vendemos nosso irmão? "Quem nos diz que ele não nos encontrará ali e nos reconhecerá?" A consciência é coisa temível! Com razão, relutavam em descer ao Egito. Finalmente, os filhos mais velhos resolveram ir, deixando em casa Benjamim, porque Jacó não consentiria que a última amostra do amor de sua Raquel se expusesse, desconfiando que o outro filho tivesse sido destruído pelos próprios irmãos mais velhos.

José Encontra Seus Irmãos e os Reconhece - vv. 5-20
O trigo estava depositado nas cidades do Egito, onde os nativos o podiam comprar, mas os estrangeiros tinham primeiro de falar com o governador, antes de fazer qualquer transação. Digamos que tinham de apresentar documentos comprobatórios de que não eram espiões. Os irmãos de José tinham fatalmente de encontrá-lo. Provavelmente, ele sabia que eles mesmos teriam de vir, e por isto estava de sobreaviso. A este tempo, José já sabia do desígnio da Providência em ter dirigido todos os negócios e ter consentido na sua venda para aquela terra. Assim, era-lhe muito fácil conhecer seus irmãos, porque os esperava, enquanto que a estes era difícil, porque mal sabiam se ainda viveria ou onde estaria, visto que como escravo deveria ter tido uma vida penosa e de pouca duração. Os pobres escravos usualmente morriam debaixo do azorrague do capataz. Ao mesmo tempo que
assim raciocinavam, nada lhe podia assegurar que estavam livres de se encontrar com o irmão, e daí sua irresolução em descer ao Egito.
Quando estes homens violentos chegaram junto de José e se curvaram até à terra, lembrou-se dos sonhos, em que via todos os seus irmãos se curvarem diante dele. Reconheceu-os e falou-lhes asperamente, acusando-os de espias. Para se defenderem, tiveram de contar toda a sua história e de como, sendo todos filhos do mesmo pai, um dos irmãos tinha desaparecido. José descreu de todas as histórias e exigiu como prova de que não eram espias que o irmão mais moço viesse, e pôs a todos na prisão por 3 dias. Depois, lembrou-se de que seu pai e irmãos estariam passando fome, e soltou-os, vendendo-lhes o trigo, mas exigindo que um deles ficasse como refém, até que fossem e trouxessem o outro irmão. O motivo alegado por José, para não cumprir a sentença, foi que temia a DEUS. Estas palavras deviam ter consolado muito os pobres homens.

O Despertar da Consciência dos Irmãos de José - vv. 21-24
Para que aqueles homens se tivessem podido entender, houve necessidade de intérprete (verso 23), para desta forma não haver a menor suspeita; entretanto, José entendia tudo que seus irmãos diziam. Despedido o intérprete, podiam falar à vontade, porque o governador nada entendia. Abriram o coração e começaram a falar da infame transação que tinham feito com o irmão mais moço. Rúben acrescentou e disse: não vos falei eu, dizendo:
"Não pequeis contra o rapaz? E vós não me ouvistes... " José estava ouvindo e entendendo tudo isto! Como devia estar seu coração! Retirou-se deles e chorou. Alguns críticos negam a historicidade desta narrativa, incluindo-a entre as histórias fantásticas do Oriente, mas esta não admite possibilidade de negação. É uma história viva, detalhada, cheia de transes atuais, sem o cunho das histórias fabricadas ou inventadas.

José Vende o Trigo aos Irmãos e Eles Partem - vv. 25-38
Na ordem de encher os sacos, estava a de pôr dentro deles o dinheiro do preço do trigo. O fim, por parte de José, era tornar a situação mais precária, em seu benefício e no de seus irmãos mesmo. Estavam em suas mãos para tudo, visto que a continuação da vida estava nos celeiros do Egito e, com todas estas peripécias, tinha por fim provar-lhes sua sincera amizade e perdão. No caminho, um deles abriu o saco e encontrou o dinheiro, o que foi tomado por mau augúrio, mas parece que não teve peso demasiado, e atribuíram o fato a um engano por parte do encarregado da venda do trigo.
Em chegando a casa, contaram o ocorrido a seu pai, e Jacó viu que todo o mal que temia lhe batia à porta. Benjamim era forçado a descer ao Egito, ou Simeão não seria libertado. Abriram os sacos e encontraram o dinheiro do preço. Ficaram assustados, mas, como pretendiam voltar, levariam o dinheiro e provariam que eram sérios e não o tinham feito dolosamente. Jacó, porém, não se conformava com a idéia da saída de Benjamim. Acusou os filhos de terem deixado Simeão preso e queixou-se amargamente da perda de José, como querendo dizer que eles eram culpados. Rúben intervém e oferece seus dois filhos como garantia de que Benjamim voltaria e, no caso negativo, poderia matá-los. Aliás, esta não foi a primeira vez que manifestou bons sentimentos, ainda que inconstante em outras coisas. O velho patriarca não se deixou convencer. De que lhe serviria receber a vida de dois netos, se o que queria era o filho Benjamim?

CAP. XXVI - JOSÉ NO EGITO E A PROVIDÊNCIA DE DEUS COM ELE (Caps. 39-46)
Forçado pelas Circunstâncias, Jacó Consente na Ida de Benjamim, Garantido pela Vida de Judá - 43:1-14
A fome se tornava cada vez mais terrível na terra e, depois de esgotado o suprimento trazido da primeira vez, Jacó pediu que voltassem para trazer mais. Podemos imaginar o formidável suprimento que tinham trazido, porque Jacó e sua família faziam o número de 70 pessoas, afora os muitos servos, e todos tinham comido, talvez, por dois meses. Ao mesmo tempo era rico. Senão, como poderia comprar mantimento para tanta gente e ainda prometer pagar dobrado, quando o dinheiro foi encontrado nos sacos? Judá disse que absolutamente eles não poderiam ver o rosto do homem da terra sem que levassem o filho mais novo. Assim, tinha dito o governador. Jacó maldiz-se e acusa os filhos de terem contado que tinham outro irmão. Mas o momento não admitia indecisões, eles tinham de ir ou então perecer, e isto José bem sabia. Judá oferece-se como garantia da vida de Benjamim, dizendo que, se não tivesse sido a demora, já podiam estar de volta a segunda vez.
Jacó resolve consentir na ida do filho amado e pede que levem alguns frutos da terra e algumas especiarias e quantidade dobrada de dinheiro, para pagar o trigo da primeira viagem. Embora não tivessem colheitas, não estava a terra de todo desolada. Encomendou-os à graça de DEUS e conformou-se com o que pudesse acontecer quanto a Benjamim. De Hebrom, onde moravam, a Zoã, onde José habitava, era viagem de pelo menos duas semanas, pelo que inferimos que devia haver ainda em casa algum resto da primeira compra.

Outra Triste Surpresa para os Filhos de Jacó - vv. 15-25
Munidos dos presentes para José, retornaram ao Egito os filhos de Jacó, para de lá trazerem nova remessa de trigo. À vista da presença de Benjamim, deu José ordem ao seu copeiro-mor, que preparasse o banquete, para jantar com seus irmãos. Contra os costumes egípcios, mandou matar reses, dando-nos, assim, uma pálida idéia do que foi o banquete. Os egípcios consideravam sagrados os animais e até lhes prestavam culto. Aos irmãos, mandou levá-los para casa.Não sabendo do que se tratava, começaram a apresentar desculpas sobre o dinheiro que tinham encontrado nos sacos, pensando que iam ser chamados a contas por aquele fato. O criado procurou
consolá-los o melhor que pode, afirmando que o DEUS deles e de seus pais lhes tinha dado tesouros escondidos. Para um gentio era coisa natural falar deste modo, ironicamente, porque DEUS não era por ele conhecido, nem nada significava para ele. Foi, sem dúvida, uma hora de perplexidade para aqueles homens. Com um grande número de coisas na consciência, umas acusando, outras absolvendo, mas todas elas apontando para o crime da venda do irmão, o que já se tinha constituído um espantalho em suas vidas, pensavam que todos estes transes eram lógicas conseqüências do seu feito. O consolo do despenseiro de pouco lhes serviria diante de tantas apreensões.

O Jantar de José e Seus Irmãos - vv. 26-34
A esperança dos homens estava no presente que iam fazer ao homem da terra. Esses presentes tinham maiores proporções do que somos capazes de crer. Talvez alguns camelos carregados de especiarias e
frutos. Logo que José apareceu, perguntou-lhes pelo pai, e pondo os olhos no seu irmão Benjamim teve de retirar-se para não chorar diante dos outros. Entrou no seu apartamento e chorou. Recompondo-se ou dissimulando a emoção, mandou pôr o jantar à parte para os irmãos, por não ser permitido a um egípcio comer com outra gente, e mandou assentá-los à mesa na ordem de suas idades, dobrando o prato de Benjamim cinco vezes mais do que o dos outros. Todos estes detalhes deveriam ter produzido séria impressão e estupefação. Ele mesmo serviu de copeiro, repartindo a porção de cada um, no que se maravilharam, mas nada compreendendo.
Foram momentos de relativa consolação para aqueles homens acossados pela consciência, mas que duraram pouco. Acabado o jantar, deu José ordem ao despenseiro para encher os sacos para os filhos de Jacó e despedi-los, ordenando que botasse no saco de cada um o dinheiro, e no de Benjamim o seu copo de prata. Tudo isto foi feito sem os irmãos saberem. O copo era parte importante da etiqueta egípcia: servia tanto para uso da mesa, como para fins de magia: punham dentro dele pedras preciosas, ouro, prata e depois o enchiam d'água e, conforme as figuras que se desenhassem dentro do copo, tirava-se a conclusão acerca dos acontecimentos futuros.
Há ainda hoje um costume no Brasil que bem se parece com ele: o de, na noite de São João, botar a clara de um ovo num copo d'água e descobrir as figuras que se formam e daí pressagiar o futuro do ano.
Logo que amanheceu, puseram-se os homens a caminho para Hebrom, radiantes de alegria por tudo ter saído tão admiravelmente. Mas, mal tinham saído das portas da cidade, quando foram alcançados pelo servo de José e acusados de roubo. Surpresos e ao mesmo tempo confiantes de que a acusação fosse improcedente, não trepidaram em dar a vida do que fosse encontrado criminoso, ficando os outros mesmos como escravos. O despenseiro aceitou a proposta, e, sem detença, abriu cada um seu saco, até que foi aberto o de Benjamim, e eis que lá estava a taça de prata. Seu pecado os tinha afinal apanhado, pensaram, e, rasgando seus vestidos, tristes até a morte, por tão grande fatalidade, voltaram à cidade.
José os estava esperando. Logo que o viram jogaram-se a seus pés, em desesperada aflição. Repreendeu-os. Em resposta disseram que sua iniquidade tinha sido descoberta e ofereceram-se para ficar por servos. Judá tomou a palavra e disse que nada podiam dizer. De que serviria apresentar desculpas, quando a falta estava à vista? Terrível situação! De um lado, a consciência da inocência, do outro, a lembrança do velho pai, que esperava ansioso pela volta tão problemática do filho querido. Hora aflitiva! No meio de tudo isto, só uma coisa era real em suas consciências: a iniquidade que tinham praticado havia 23 anos passados. E isto bastava para atormentá-los. José rejeitou a oferta de todos ficarem como escravos e pediu que ficasse apenas aquele em cujo saco foi encontrado o roubo. Se todos ficassem como escravos, seria mais fácil. Como poderiam eles aparecer diante do pai sem o filho cuja partida tanta relutância causou a Jacó? Judá tomou a palavra e explicou tudo a José, pedindo que o aceitasse em lugar de Benjamim. O propósito de José parece ser averiguar se seus irmãos mantinham para com Benjamim a mesma atitude que tiveram para com ele e, sem dúvida, logo se convenceu de que as experiências dos últimos anos tinham mudado o coração de seus irmãos.
O discurso de Judá não comporta comentos. Sublime e admirável, cheio de lances emocionais e amorosos, revelando uma alma sincera e tocante, permanecerá por toda a eternidade como uma gema da literatura bíblica, sem superior no gênero. José não pode mais: rendeu-se, convencido de que diante dele não estavam mais aqueles irmãos desumanos, indiferentes às suas súplicas, mas um grupo de penitentes, prontos a remediar a falta, se porventura fosse possível. Deu-se a conhecer, pois, aos irmãos, como recompensa pela transformação que se tinha operado neles.

José Dá-se a Conhecer a Seus Irmãos - 45:1-15
A cena tinha chegado ao ponto culminante. José tinha agido como bom ator, mas o papel chegou a tal ponto que não pode prosseguir mais. Fez sair todos os servos de sua presença e declarou aos irmãos quem era, com a voz cortada por soluços. Seus irmãos não se podiam ter diante dele, estarrecidos pela declaração de que aquele homem era o irmão que tinham vendido para o Egito. Tal foi o alarde, que na casa de Faraó foi ouvido o choro.
Passado o momento da emoção mais forte, José perguntou por seu pai, para se certificar de que tudo que tinha ouvido não era sonho. Depois procurou amenizar a impressão de remorso que a revelação tinha produzido naqueles homens, dizendo que por determinação divina foram eles levados a vendê-lo, para que por esta forma escapassem da terrível fome que estava assolando toda a terra. Isto devia cair como um bálsamo no coração dos irmãos de
José. O pecado deles ficaria indelevelmente gravado em seus corações, mas a idéia de que esta falta tinha resultado tão grande bem devia dar-lhes certo consolo. José procurou mostrar-lhes que não mantinha para com eles qualquer ressentimento, e que era tempo de pensar mais no futuro que no passado. Apressa-se, pois, a perguntar por seu pai e ordena que partam imediatamente e o tragam, para que, por todos os anos de miséria que ainda faltavam, pudesse ser cuidado com o carinho que um bom filho deve dispensar a um pai idoso. José tinha sido amplamente galardoado por DEUS, por toda a sua fidelidade. Pôde ver finalmente como sua obediência tinha recebido recompensa. Daí o não querer agravar a culpa dos irmãos. Pede que subam e tragam, sem perda de tempo, o velho pai e lhe deem a boa-nova de que José ainda vive e é grande na terra do Egito. Que Jacó viesse, pois, a Gósen a melhor e mais fértil parte da terra, que teria lugar para seus rebanhos.
Na despedida, José se lançou ao pescoço de Benjamim e chorou. Faraó Sabe da Vinda dos Irmãos de José - vv. 16-28. Alguém que vira a cena fora contar a Faraó que os irmãos do governador tinham chegado. Faraó mandou
chamar o seu ministro e ordenou-lhe que dissesse aos irmãos que carregassem as bestas e rumassem sem demora a Canaã, para buscar o velho pai, e disse que do melhor da terra ele comeria. Duas coisas são claras aqui. Primeira, o modo por que DEUS dispõe os acontecimentos e os corações dos homens para servir seus eternos desígnios. Segunda, o fato de que, a não ser que esses Faraós sejam os chamados hicsos ou reis pastores (que governaram o Egito por 600 anos e, portanto, eram estrangeiros ali também e, possivelmente, da mesma raça de José), é difícil admitir tanta liberalidade e complacência para com um povo estranho. Os egípcios não costumavam dispensar honrarias e favores a outros povos da maneira que notamos aqui. Para eles, todos os demais povos eram bárbaros, corno para os judeus, anos depois, todos que não eram judeus eram gentios, povos que nada mereciam, e como para os gregos, quem não era grego, era bárbaro. É admirável como o Senhor do mundo toma a História em suas mãos para servir aos seus desígnios. Desalojou a dinastia nativa e colocou no trono uma
estrangeira, para melhor poder hospedar aqueles que iam ali receber luzes, a fim de serem mais tarde os mestres da religião e da moral em todo o mundo.
Os versos 25-28 nos dão a nova de como Jacó recebeu noticias do filho perdido. Por mais de uma vez temos notado que duvidava da veracidade da história contada pelos filhos em relação a José. Os incidentes do Egito deviam ter despertado em sua mente certos pressentimentos. Quando lhe foi dito que José ainda vivia, não suportou a nova, não acreditou nos filhos. Tantas tinham sido as trapaças deles, que pouco crédito restava para as suas afirmações, sobretudo, no tocante a José. Como, porém, lhe contassem tudo e de como deviam descer ao Egito, logo seu coração reviveu. E disse: "Vive ainda meu filho José! ... "

CAP. XXVII - IMIGRAÇÃO E RESIDÊNCIA DE JACÓ E SUA FAMÍLIA NO EGITO (Caps. 46-50)
Nos versos 1-7 deste capítulo temos detalhes da descida de Jacó ao Egito, depois de ter oferecido sacrifícios ao DEUS de seu pai. DEUS lhe aparece em sonhos e diz-lhe que não tema descer, porque ali lhe faria uma grande nação. Jacó ainda estava morando em Hebrom, mas velo a Berseba oferecer os sacrifícios no velho altar da família. O passo que ia dar era da maior importância, e por isso escolheu o antigo santuário para este sacrifício, e para certificar-se de que esta era a vontade de DEUS. Certamente, devia ter receios justos de descer a uma terra estranha já nos últimos dias de sua velhice; não viesse ele a sacrificar todo o futuro da raça. DEUS manda que vá, porque fará dele uma grande nação e o fará voltar, e que José fecharia os seus olhos, ajuntando que Ele mesmo desceria a Jacó, para garantir a viagem. Conforme esta promessa, Jacó seria multiplicado por muitos
milhares, DEUS o guardaria ali e, depois de findo o tempo, faria subir sua semente da terra do Egito, como aconteceu anos depois no tempo de Moisés. A promessa de que José fecharia seus olhos indica que não seria abandonado e morreria debaixo de todo carinho e cuidado.

A Linhagem de Jacó Que Foi ao Egito - 46:8-34
Nesta lista temos os nomes dos filhos de Jacó, no total de 70 pessoas (v. 27), incluindo José, seus dois filhos e o próprio Jacó. Entretanto, devemos compreender que era muito maior o número de pessoas que acompanharam
Jacó na sua ida da terra de Canaã. O verso 26 exclui as mulheres dos filhos de Jacó, como não pertencendo à sua geração. Estêvão, em Atos dos Apóstolos (7:14), dá o número de 75 pessoas que desceram ao Egito com Jacó, mas baseou suas palavras no texto da LXX, que, por qualquer razão a nós desconhecida, acrescenta certos filhos a Manassés e Efraim, fazendo o total de 75. O número exato é de 70 pessoas, mas precisamos saber que Jacó tinha numerosa criadagem e que toda ela foi com ele, mas não foi contada, por não fazer parte do povo escolhido. Os hebreus ficaram no Egito 430 anos, segundo Êx. 12:40, e quando voltaram dali, somavam, talvez, dois e meio
ou três milhões, o que dá uma idéia do crescimento descomunal, ainda que se multiplicassem milagrosamente. Quatro gerações não é tão pouco para tal crescimento. Podemos conceber que além da família de Jacó foi muito mais gente que, por ter sido circuncidada, fazia parte da família, manda que não fosse contada como sendo descendente, e que na saída do Egito muitos escravos e mesmo egípcios, que tinham visto a salvação de DEUS e se tinham interessado neste povo, saíram com eles, fazendo, assim, uma multidão maior do que era de esperar. As muitas queixas e murmurações dos israelitas, pelo deserto, devem ter sido causadas por este elemento estranho, que tinha aproveitado essa boa oportunidade para sair daquela terra de escravidão.
Judá foi mandado adiante para avisar José de que o seu pai tinha chegado. O encontro foi o que se podia prever. Linguagem humana, por mais dramática que seja, não descreve fielmente aqueles transportes de alegria e emoção. Por isso, deixo o leitor apreciar esta cena tocante descrita pela linguagem singela da Bíblia. Depois que choraram, o pai sobre o pescoço do filho, e o filho sobre o do pai, disse este: "Morra eu agora, pois tenho visto o teu rosto, que ainda vives."
Tudo estava em boa ordem quanto ao estabelecimento do povo em Gósen; só faltava avisar Faraó de que tinham chegado. Ainda que ele mesmo tinha mandado que viessem, convinha que fosse notificado e, se, como se crê, a dinastia reinante fosse estrangeira, convinha tomar todas as precauções para que a vinda de um grupo tão grande não suscitasse qualquer levante. Por outro lado, os egípcios odiavam a vida pastoril, por causa do culto que prestavam aos animais, de modo que era bom que Jacó tomasse um lugar separado da vida egípcia. Tomadas estas providências, José ensina como se deviam portar diante de Faraó, a quem seriam apresentados, para que recebessem permissão de permanecer no país e negociar. Ao dizerem o que eram e de que viviam, deviam pedir a terra de Gósen, por ficar separada do centro populoso, para que assim não houvesse motivo de contenda entre eles e os egípcios. A terra de Gósen era uma das partes mais férteis de todo o Egito e em tal situação topográfica que os hebreus podiam manter seu culto e vida social sem contato com os egípcios. Não é possível dizer com segurança que parte do território compreende Gósen, mas é certo que esta região ficava ao Norte, perto do Delta, e era de fácil acesso a Canaã.

José Apresenta Cinco de Seus Irmãos a Faraó - 47:1-6
Depois das primeiras demonstrações de afeto a seu pai e irmãos, José seguiu para o palácio a avisar Faraó da chegada da sua família, que se encontrava na terra de Gósen, onde desejava que ficasse. Conforme o que fora combinado, apresentou cinco irmãos ao rei, que ficou satisfeito com a escolha que tinham feito de Gósen, para nela morarem. Ficou entendido que vinham apenas passar algum tempo, enquanto durava a fome, e isto era o que eles mesmos esperavam, mas DEUS tinha outro plano. Esta parte do país é chamada "terra de Ramessés". Ramessés foi um dos monarcas mais poderosos do Egito, que alguns pensam ser o Faraó da opressão. Como este nome é mencionado aqui antes de a pessoa existir (ainda que o nome podia ser conhecido entre os egípcios), não sabemos. Noutro local foi feita a observação de que Ramessés era um nome nacional, que depois veio a ser de alguns monarcas.
Quando os irmãos de José foram apresentados ao rei, este mandou que fossem administradores do seu próprio gado. Os egípcios não eram pastores e detestavam a vida pastoril, mas parece que no caso atual o próprio rei tinha rebanhos. Se este Faraó era da dinastia usurpadora e que é conhecida na História pelo nome de reis pastores, que tinham vindo da Ásia, explica-se a existência de rebanhos do rei e também fica explicada a facilidade com que uma tribo estrangeira foi recebida no Egito com todas as honras. Conforme isto, tanto Jacó quanto o próprio Faraó, eram estrangeiros e, provavelmente, da mesma raça semita; logo, deviam proteger-se mutuamente.

Jacó é Apresentado a Faraó
Ao ser apresentado a Faraó, Jacó abençoou o rei e, ao sair, o abençoou outra vez. Jacó não presumia ser o que realmente era e não se julgou superior ao rei em sentido algum, mas, pelo fato de que era homem religioso e que cria no poder de DEUS, abençoou-o, ou antes, desejou-lhe todas as felicidades pelos favores que lhe estava prestando. Como faríamos hoje, esta bênção era uma prova de gratidão e uma expressão de desejo de prosperidade e felicidade. Faraó perguntou a Jacó quantos anos tinha, e este respondeu que poucos e maus eram os anos de sua peregrinação. Cento e trinta anos era a idade do servo de DEUS, o que julgava insignificante, à vista dos anos de seus ancestrais. A vida destes patriarcas era de peregrinações. Consideravam-se como estrangeiros em terra estranha, esperando ser recebidos em sua própria terra. A vida neste mundo era para eles passageira e incerta. A
verdadeira vida estas,a muito além da própria Canaã. Realmente, Jacó tinha tido uma vida bastante acidentada. Desde moço foi obrigado a fugir de casa. Em Harã passou pelos maiores dissabores e desapontamentos. Na volta, quando parecia ter melhores dias, teve o encontro com o irmão, o que lhe custou serias apreensões.
Houve a infelicidade da filha única e o terrível desfecho em Siquém. Depois a suposta morte do filho querido, a fome e seus tristes resultados e, finalmente, já no último quartel da vida, forçado a ir a uma terra estranha, valer-se da influência de um filho, que bem poderia cair de um momento para outro. Poucos e maus tinham sido seus dias, repetimos nós. A não ser depois de estabelecido na terra, quando teve relativa paz, podemos dizer que toda a sua vida foi agitada. Pensando em Jacó, podemos ganhar confiança para nossas atribulações. Muitas vidas cristãs parecem-se com a de Jacó. Mas no fim terminam com a mesma bonança dos que passam muitos e bons
dias. Se não fosse a confiança de Jacó no seu DEUS, teria sucumbido.

O Quinto para Faraó - 47:13-26
A história secular informa-nos que os egípcios pagavam o quinto ao rei, bem como toda a terra do Egito pertencia a Faraó, e que os egípcios tinham o direito de cultivá-la, pagando dos rendimentos a quinta parte. Este costume perde-se na noite dos tempos, mas a Bíblia nos diz onde e como se originou. Não havendo mais pão na terra e somente nos celeiros reais, que pela previsão de José estavam repletos, o povo veio a José por causa do pão. Pediu os animais que os egípcios tinham para fins de agricultura. Depois vieram para comprar mais e como nada mais tivessem para dar, entregaram as terras, de modo que no fim desse período todo o Egito era propriedade do rei. Somente as terras dos sacerdotes ficaram fora desta solução, pois eram consideradas propriedades sagradas. Esta foi a condição do Egito, quando os gregos, séculos mais tarde, chegaram ali, e que nos tem sido transmitida em suas memórias.
Não devemos imaginar que todos os egípcios possuíram terras, porque o Egito era essencialmente um país de escravos.Na construção de uma das pirâmides do antigo império trabalharam 200.000 operários por espaço de 20 anos, e este número era revezado cada 3 anos, por não resistirem os escravos mais do que este tempo em trabalhos forçados. Só nessa obra monumental, calcula-se que um milhão e quatrocentos mil escravos foram usados. Tudo que se possa dizer desses infelizes ainda será pouco. O calor é exaustivo e o tratamento cruel, de maneira que a vida dos escravos era a mais penosa e miserável que se poderia imaginar.
Quando passaram os anos de fome, todo o povo e toda a terra eram propriedade real. José deu-lhes semente e distribuiu-os por todo o país, para que a cultivassem, dando para o tesouro um quinto. O costume de dar uma parte das colheitas para o rei é muito antigo. Entre os semitas perde-se na História. Quando Melquisedeque foi ao encontro de Abraão, este lhe deu os dízimos ou a décima parte. Já este costume estava em voga nesse tempo. O dizimo foi depois incorporado à Lei como uma necessidade pública na manutenção do sacerdócio e como uma ensinança religiosa de que a terra pertence a Jeová e que o povo é seu, foi comprado, tanto quanto José comprou os egípcios. Não é demais que ainda hoje se pratique este costume, porque o que temos é dado por DEUS, e nossas vidas e propriedades pertencem-lhe por natureza.

Jacó Mora 17 Anos no Egito, Dá Ordens Quanto à Sua Sepultura e Faz Declarações Quanto ao Futuro do Seu Povo - 47:27-31
Dezessete anos de vida pacífica tinha Jacó vivido no Egito, durante os quais tinha visto a prosperidade de seus filhos e a alegria do seu amado José. Foram talvez os melhores anos de sua vida. Feliz o homem que pelo menos passa os últimos anos de sua vida em paz. O Dr. Carroll contrasta Jacó com Salomão e diz que este começou gloriosamente, e aquele, pobremente, mas as vidas dos dois foram verdadeiramente opostas no seu término. Jacó morreu gloriosamente na companhia de toda a sua parentela, que a esse tempo seria bastante numerosa. Sentindo aproximar-se a hora de juntar-se a seus pais, mandou chamar José e pediu-lhe que não o sepultasse no Egito, mas levasse seu corpo para Macpela, onde jaziam os restos de seus antepassados.
José prometeu, com juramento, que assim faria. O motivo de Jacó não desejar ficar no Egito foi o de saber que seu povo sairia dali um dia. Ao mesmo tempo fazia uma profecia desta saída. A maneira por que exigiu de José a certeza de que seu pedido seria cumprido é singular. Pediu que o filho pusesse a mão debaixo de sua coxa e jurasse. Abraão fez com Eliezer o mesmo quando o mandou a Padã-Arã, buscar mulher para Isaque. Este costume implicava na seriedade do negócio, e nada em nossos dias poderá imitá-lo. O juramento era uma espécie de concerto. Não era a jura vulgar, tão usada em terras católicas, feita por qualquer coisa, simplesmente para dar valor à palavra. Não foi desta natureza o juramento de José.
Os egípcios praticavam com maior perfeição o embalsamamento de seus mortos, de modo que os Faraós sepultados há cinco mil anos estão ainda hoje em perfeito estado de conservação. Isto revela o grau de cultura a que aquele povo tinha chegado. Conhecedor disto foi que Jacó pediu que seu corpo fosse levado para a Palestina. Para fazer a viagem, eram necessárias umas duas semanas e só embalsamado poderia o corpo ser levado para a terra da promissão.

Os últimos Dias de Jacó - vv. 48-49
Depois do juramento ou concerto entre José e Jacó, aquele partiu para tomar conta de seus negócios. Pouco tempo depois soube que seu pai estava doente, e veio vê-lo. José era um homem muito ocupado, visto que todos os negócios da terra do Egito estavam em sua mão, mas apenas soube da doença do pai, deixou tudo e veio. Jacó soube de sua vinda e, tomando alento, assentou-se na cama. Frente a frente com José, Jacó reafirmou sua confiança nas promessas de Jeová e referiu-se à visão que teve em Luz e de como toda a terra lhe tinha sido prometida. Queria que os dois filhos de José fossem seus e tivessem iguais privilégios na herança. O fim desta declaração foi mostrar ao filho que as promessas de DEUS valiam mais que todas as glórias do Egito e, portanto, queria que os dois netos não se entregassem à vida do Egito, mas jogassem sua sorte com seus próprios filhos.
Destarte, José mesmo ficaria preso às tradições e esperanças da casa paterna e não se deixaria envaidecer com as grandezas e glórias que desfrutava na terra. Alguns comentadores crêem que a princesa egípcia, Asenate, mulher de José, não tinha outros filhos e, temendo que estes fossem chamados a tomar o lugar do pai, nas futuras empresas da nação, é que Jacó dispõe deles como se seus filhos fossem. Nada mais natural que aquela mulher desejasse que seus filhos seguissem a carreira brilhante do pai, mas, pelo desejo de Jacó, os filhos, como o pai, ficavam presos às antigas promessas feitas por DEUS.
Portanto, tinha Jacó treze filhos. Onze filhos seus e dois de José, que valeriam por dois no seu lugar. A tribo de Levi não recebeu herança, ficou espalhada por toda a terra, para preservá-la da corrupção, sendo a tribo encarregada do culto e da preservação da religião. Doze tribos somente são mencionadas como tendo parte na herança, não se esquecendo que eram treze os herdeiros de Jacó. Em sua última vontade, mencionou o lugar onde repousava sua amada Raquel. Sublime amor, que mesmo depois de tantos anos de morta, a companheira ainda é relembrada no momento mais sério do sobrevivente!
Jacó Abençoa José na Pessoa de Seus Dois Filhos - 48:8-16
José, vindo visitar seu pai nos últimos dias de sua vida, achou de trazer seus dois filhos, provavelmente, com o desejo de que participassem das bênçãos patriarcais. Durante algum tempo Jacó  não viu os dois netos, mas, sabendo que estavam ali, pediu que se acercassem dele, visto não poder ver bem, por causa da idade. Chegados os dois juntos, beijou-os e exclamou que não pensava mais ver José, mas pôde vê-lo e aos seus filhos também. Beijou-os e abraçou-os. José trouxe pela mão direita e à esquerda de Jacó a Efraim, e pela esquerda e à direita de Jacó, a Manassés, para que a bênção recaísse sobre a cabeça do mais velho. Mas o patriarca estendeu a mão e abençoou o mais moço, Efraim. Era o desejo de Jacó abençoar José com os direitos da primogenitura que Rúben tinha perdido por causa do horrendo pecado praticado contra o próprio pai (49:3-4), mas a preeminência
ficou com Judá, ficando José com dobrada porção, apenas na pessoa de seus dois filhos. Efraim obteve a preeminência sobre Manassés.
Ao transmitir a bênção, Jacó invocou a DEUS, perante quem seus pais tinham andado, o Anjo Jeová, o Anjo que lhe aparecera quando vinha de Padã-Arã e o livrara das mãos de Esaú, seu irmão. Este capítulo da vida de Jacó é mencionado no Novo Testamento como um dos atos de fé viva (Heb. 11:21).

O Desgosto de José - 48:17-22
José não ficou satisfeito porque seu pai tinha dado o direito de primogenitura ao mais novo de seus filhos. Pegou nas mãos do velhinho e pôs a direita sobre a cabeça do mais velho e a esquerda sobre a cabeça do mais moço. Jacó, porém, insistiu em que o mais moço fosse o maior, ainda que o mais velho seria também grande na sua geração. Jacó sabia o que estava fazendo e sabia que esse ato tinha alcance além da observação de José. O espírito de profecia estava guiando todos esses atos, de modo que não era a mera vontade de Jacó, mas a de DEUS que estava sendo feita. Por muitas outras vezes, DEUS transferiu os direitos de primogenitura do mais velho para o mais moço. José conformou- se com a vontade explícita de seu pai, por entender que esta seria a vontade de DEUS. Jacó, com toda a resignação e calma, anuncia que DEUS faria que eles voltassem à terra das promessas. Esta é a fé que vence. Quanto mais perto da sepultura, mais certo estava de que DEUS cumpriria a palavra dita tantas vezes.

As Bênçãos de Jacó sobre Seus Filhos - cap. 49
Depois que abençoou os filhos de José e desta forma recompensou a fidelidade e o amor do filho querido, Jacó dispõe da sua última vontade em forma profética, declarando que todas estas coisas aconteceriam nos dias vindouros. Reunidos todos os filhos em torno do leito, o velho homem de DEUS começa a ler a sentença de cada um de acordo com as suas tendências e os feitos dos dias passados. A sentença foi proferida em forma poética, de modo que convém ao estudante descontar da linguagem o que faz parte simplesmente da poesia, a fim de melhor poder interpretar este admirável capítulo. Todo poeta tem licença de dizer mais do que é necessário, e o poeta hebraico, pelo próprio estilo, exagerava mais ainda do que os ocidentais.Não se pense, entretanto, que nesta liberdade está incluída a liberdade de dizer o que não é, mas sim a de falar redundantemente e hiperbolicamente. Este é um dos mais belos espécimes da poesia oriental. A ocasião não podia ser mais oportuna. A família esperada estava em vias de formação e Jacó já antevia o dia da saída do Egito, em demanda da terra da promissão. Portanto, era agora o tempo de dispor do futuro papel que cada filho representaria no desdobramento do plano de Jeová. Isto Jacó fez por inspiração divina, como se pode verificar no futuro cumprimento literal que estas palavras tiveram. Ao estudar este capítulo, convém ainda notar o significado dos nomes de cada filho, visto que cada nome foi dado de acordo com a ocasião em que nasceu. Note-se o que o mesmo filho faria no futuro e o significado final no eterno propósito de DEUS, confirme o Novo Testamento, especialmente no Apocalipse,capítulo 7.
Estudo no livro de Genesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
 
 
Comentários da Bíblia Diário Vivir (Espanhol)
37.3 Nos dias do José, todo mundo tinha uma túnica. Utilizavam-na para resguardar do frio, para envolver seus pertences quando viajavam, para envolver aos bebês, para sentar-se sobre ela ou para servir de garantia de um empréstimo. A maioria das túnicas eram singelas, chegavam até o joelho e tinham mangas curtas. a do José era provavelmente do tipo que usavam os nobres: de manga larga, chegava até o tornozelo e tinha muitas cores. que lhe desse de presente uma assim a seu filho foi demonstração de favoritismo do Jacó para o José, e isto agravou as relações já suspensórios que havia entre o José e seus irmãos. O favoritismo na família pode ser inevitável, mas devem ser minimizados seus efeitos já que criam desacordos. Possivelmente os pais não possam trocar seus sentimentos para um filho predileto, mas podem trocar a forma em que tratam a outros,
37.6-11 Os irmãos do José já estavam zangados porque existia a possibilidade de que seu irmão menor ficasse de chefe deles. Logo José acendeu o fogo com sua atitude imatura e seus alardes. Ninguém agüenta a um fanfarrão. O jovem aprendeu esta lição pelo método mais difícil: seus molestos irmãos o venderam como escravo para desfazer-se dele. depois de vários anos de dificuldades, José aprendeu outra importante lição: nossos talentos e conhecimentos vêm de DEUS, e é mais correto agradecer-lhe a DEUS que alardear deles. Mais tarde sim confessou que seus triunfos os devia a DEUS (41.16).
37.19, 20 Lhe tem feito sentir a inveja desejos de matar a alguém? antes de que você diga, "Claro que não", observe o que aconteceu nesta história. Dez homens estiveram dispostos a matar a seu irmão por causa de uma túnica de cores e alguns sonhos. Sua inveja se converteu em uma ira terrível, cegando-os totalmente. A inveja pode ser difícil de reconhecer porque podemos lhe buscar justificação. A inveja, fora de controle, pode crescer rapidamente e nos levar a pecados mais sérios. Quanto mais tempo cultive sua inveja, mais difícil lhe será desarraigá-la. O momento de tratar com a inveja é quando um nota que está levando um registro do que possuem outros.
37.26, 27 Aos irmãos preocupava a culpabilidade pela morte de seu irmão. Judá sugeriu uma alternativa que não era correta, mas que os liberaria em caso de que os acusassem. Algumas vezes optamos por uma solução que é "menos malote" mas de todos os modos incorreta. Quando a gente propõe uma solução aparentemente viável, primeiro pergunte-se: "É o correto?".
JOSE
Como adolescente, José era muito crédulo. Sua confiança própria, incrementada por ser o filho favorito do Jacó e por conhecer os intuitos de DEUS para sua vida, resultava insuportável para seus irmãos maiores, os que à larga conspiraram contra ele. Mas essa segurança, moldada pelo sofrimento e combinada com um conhecimento pessoal de DEUS, permitiu que sobrevivesse e prosperasse onde muitos tivessem fracassado. Quando acrescentou sabedoria a sua confiança, foi ganhando o coração de todo aquele que conhecia: Potifar, o carcereiro, outros prisioneiros, o rei e, depois de muitos anos, até aqueles dez irmãos.
Possivelmente você se possa identificar com uma ou mais destas penúrias pelas que passou José: traíram-no e expulsaram de sua família, viu-se em uma tentação sexual, castigaram-no por fazer o correto, agüentou um comprido encarceramento, esqueceram-se dele as pessoas que ajudou. Quando você leia a história, observe o que José fez em cada caso. Sua resposta positiva transformou cada queda em um passo para frente. Alguma vez passou muito tempo perguntando-se por que? Sempre se dizia: "O que devo fazer agora?" Os que o conheceram viram que em todas as coisa que José fazia e em todos os lugares onde ia, DEUS estava com ele. Quando você esteja enfrentado um reverso, adote uma atitude como a do José, e esteja consciente de que DEUS está com você. Não há nada como a realidade da presença de DEUS para dar uma nova luz a uma situação escura.
Pontos fortes e lucros :
-- De escravo se levantou até ser governador do Egito
-- Lhe conhecia por sua integridade
-- Era um homem com sensibilidade espiritual
-- Preparou a uma nação para sobrepor-se a uma fome
Debilidades e enganos :
-- Seu orgulho juvenil lhe causou fricção com seus irmãos
Lições de sua vida :
-- O que importa não são os sucessos nem as circunstâncias da vida, a não ser nossa maneira de atuar ante eles
-- Com a ajuda de DEUS, cada situação pode ser usada para bem, mesmo que outros pretendam nos causar danifico
Dados gerais :
-- Onde: Canaán, Egito
-- Ocupação: Pastor, escravo, sentenciado, governador.
-- Familiares: Pais: Jacó e Raquel. Onze irmãos e uma irmã mencionados na Bíblia. Esposa: Asenat. Filhos: Manasés e Efraín.
Versículo chave :
"E disse Faraó a seus servos: Acaso acharemos a outro homem como este, em quem está o espírito de DEUS? (Gen_41:38).
A história do José se relata em Gênese 30-50. Também se menciona em Hb_11:22.
37.28 Mesmo que os irmãos do José não o mataram, pensavam que não sobreviveria muito tempo como escravo. Estavam muito dispostos a que aqueles cruéis traficantes de escravos fizessem a maldade que eles mesmos não se atreviam a cometer. José teria que enfrentar-se a uma viagem de trinta dias através do deserto, provavelmente encadeado e a pé. Tratariam-no como bagagem e, uma vez no Egito, venderiam-no como uma mercadoria. Seus irmãos pensaram que nunca o voltariam a ver. Mas DEUS estava no leme da vida do José.
37.29, 30 Rubén retornou ao poço a procurar o José, mas José já se foi. Sua primeira reação foi "o que será de mim?", em vez do "que acontecerá ao José?" Quando você se vê em uma situação difícil, preocupa-se primeiro por você mesmo? Considere à pessoa que se vê mais afetada pelo problema, e o mais provável é que encontre a solução.
37.31-35 Para cobrir sua malvada ação, os filhos do Jacó enganaram a seu pai ao fazê-lo pensar que José estava morto. Jacó mesmo tinha enganado a outros muitas vezes (incluindo a seu próprio pai; 27.35). Agora, embora bento Por DEUS, ainda lhe tocou enfrentar-se às conseqüências de seus pecados. Possivelmente DEUS não castigou ao Jacó imediatamente por seus enganos, mas as conseqüências chegaram de todos os modos e lhe duraram o resto de sua vida.
37.34 Rasgar as vestimentas e ficar cilício era um sinal de duelo, como na atualidade o é o vestir-se de negro.
37.36 Imagine o impacto que causou a cultura ao José ao chegar ao Egito. José estava acostumado a viver como nômade, a andar por todo o país com sua família, a cuidar ovelhas. De repente, vê-se arrojado à sociedade mais avançada do mundo com grandes pirâmides, formosas casas, gente refinada e um novo idioma. Mas além de observar os adiantamentos e a inteligência dos egípcios, viu sua cegueira espiritual: adoravam a muitos deuses que relacionavam com cada faceta da vida.
 
Notas do Capítulo: Comentário Bíblisa Reina Valera (Espanhol)
[1] 37.1--50.26 A diferença das narrações relativas aos outros patriarcas, a história do José e seus irmãos forma um relato contínuo desde o começo até o fim. À medida que balança a narração, José se vai perfilando cada vez mais como um modelo de sabedoria, tanto por sua capacidade para interpretar o significado dos sonhos (Gn 40.1--41.36) para exercer as funções de governante (41.37-57).
[2] 37.1 Jacó habitou... na terra do Canaán : Esta frase e a frase paralela do Gn 47.27 (Habitou o Israel na terra do Egito ), indicam que a história do José serve como laço de união entre a história dos patriarcas e os relatos de Êxodo. De fato, a opressão dos israelitas no Egito começou com a ascensão ao trono de um faraó que não conhecia o José (Ex 1.8).
[3] 37.2 Esta frase conecta o presente relato com a história do Jacó, o pai do José e seus irmãos (cf. Gn 29.31--30.24). A partir deste momento, o destino do Jacó e de sua família vai estar ligado à pessoa do José. O resto da narração põe de manifesto como DEUS manteve com vida aos descendentes do Jacó para fazer deles uma grande nação (cf. Gn 46.1-4).
[4] 37.3 De diversas cores : Outras possíveis traduções: Muito elegante, ou, larga e com mangas. tratava-se de uma vestimenta especial, distinta da túnica comum de trabalho.
[5] 37.4 Não podiam lhe falar pacificamente : outra possível tradução: nem sequer o saudavam.
[6] 37.5-11 Estes dois sonhos anunciavam antecipadamente a alta posição que José alcançaria no Egito (cf. Gn 41.44). A respeito da concepção bíblica dos sonhos, veja-se 2 Rss 3.5 N., e cf. Jr 23.25.
[7] 37.11 Cf. At 7.9.
[8] 37.12 Siquem : Veja-se Gn 12.6 N.
[9] 37.17 Dotam se encontrava a 30 km ao norte do Siquem. por ali passava a rota das caravanas que foram ao Egito.
[10] 37.25 Galaad : Veja-se Dt 2.36-37 nota T.
[11] 37.26 Ocultar sua morte? : lit. encobrir seu sangue. Esta expressão reflete a idéia de que o sangue derramado violentamente não pode ocultar-se, mas sim reclama vingança a gritos. Cf. Ez 24.7-8.
[12] 37.28 Madianitas : Veja-se Ex 2.15 N.
[13] 37.28 Ismaelitas : Cf. Gn 25.12-18.
[14] 37.28 Peças de prata : Veja-se Gn 23.15 N.
[15] 37.25-28 No discurso do Esteban (At 7.9-16) mencionam-se vários episódios da vida do José.
[16] 37.35 Descenderei enlutado junto a meu filho até o seol !: Esta frase quer dizer: Guardarei luto até que vá reunir me com meu filho no lugar dos mortos. Veja-se Gn 25.8 N.
[17] 37.36 Potifar é a transcrição do nome egípcio P-di-pa-re , que significa dado por (o deus) Ré. Oficial : lit. eunuco.
 
Comentários Adam Clark
Gênesis 37 Jacob continua a peregrinar em Canaã,
Gen_37: 1. José, aos dezessete anos de idade, é empregado na alimentação dos rebanhos de seu pai,
Gen_37: 2. É amado por seu pai mais do que o resto de seus irmãos,
Gen_37: 3. Seus irmãos inveja dele,
Gen_37: 4. Seu sonho dos feixes,
Gen_37: 5-7. Seus irmãos interpretá-lo e odiá-lo na conta,
Gen_37: 8. Seu sonho do sol, lua, e onze estrelas,
Gen_37: 9-12. Jacob envia-lo para visitar seus irmãos, que estavam com o rebanho em Siquém,
Gen_37: 13, Gen_37: 14. Ele vagueia no campo, e é dirigido para ir para Dothan, para onde os seus irmãos tinham removido os rebanhos,
Gen_37: 15-17. Ao vê-lo chegando, eles conspiram para destruí-lo,
Gen_37: 18-20. Reuben, secretamente, com a intenção de entregá-lo, aconselha seus irmãos para não matar, mas para colocá-lo em um poço,
Gen_37: 21, Gen_37: 22. Eles tira da sua túnica de muitas cores, e colocá-lo em um poço,
Gen_37: 23, Gen_37: 24. Eles depois tirá-lo, e vendê-lo a um grupo de comerciantes ismaelitas por vinte moedas de prata, que o transportam para o Egito,
Gen_37: 25-28. Reuben retorna à cova, e não encontrar José, é muito afectado,
Gen_37: 29, Gen_37: 30. irmãos de José mergulhar o casaco no sangue de cabra para convencer seu pai que ele tinha sido devorado por um animal selvagem,
Gen_37: 31-33. Jacob é muito angustiado,
Gen_37: 34, Gen_37: 35. José é vendido no Egito a Potifar, capitão da guarda do Faraó, Gen_37: 36.
 
JOSÉ E A MIGRAÇÃO PARA O EGITO (capítulo 37)  - Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner
Era intenção de DEUS, já revelada a Abraão (15:13-16), conduzir a  família escolhida ao domínio estrangeiro, até que se enchesse “ a medida da iniqüidade dos amorreus” , e Canaã estivesse madura para a possessão. Assim a cadeia de acontecimentos que levaria Israel para o Egito é posta em movimento através das rivalidades e condições dos doze irmãos, pela mão de DEUS. Esta história é um locus classièus da providência. Também exibe, como o haveria de mostrar Estêvão, um esquema humano que percorre o Velho Testamento e culmina no Calvário: o povo escolhido de DEUS rejeita os seus libertadores, pela inveja e incredulidade dos seus parentes — rejeição que, entretanto, é levada finalmente a desempenhar o seu papel na concretização do salvamento. O livro de Gênesis consegue apropriado fecho no fim da carreira de José, com a promessa a Abraão claramente em processo de cumprimento, embora apontado para nova intervenção, e com os descendentes de Abraão multiplicando-se rapidamente, chegando aos limites extremos daquilo que se pode chamar de família. Concluído este “ livro de famílias” , os filhos de Israel se verão, no estágio seguinte da sua história, não como um clã sequer, mas “ uma nação grande, poderosa e populosa” .
37:1-11. José aliena-se da família. Como Isaque e Jacó antes dele, José é apresentado como üm membro da família especialmente escolhido. Esta eleição divina é um dos temas de Gênesis (c/. Rm 9:11), e o desígnio de DEUS não se vê mais contrariado pela indiscrição dos seus aliados (aqui Israel e José), do que pela malícia dos seus opositores. O relato dos sonhos, vindo logo no início, faz de DEUS, não de José, o “ herói” da história: não é um conto de qualquer sucesso humano, mas da soberania divina.
1. Depois do capítulo parentético sobre Esaú e os edomitas, o v. 1 retoma o fio do capítulo 35, levando-o até o título de divisão no v. 2 (sobre o que, ver comentário de 2:4).
2. A frase era um moço com ... (RV, RSV; AA: “ sendo ... jovem” ) provavelmente usa a palavra “ moço” no sentido de servo ou ajudante (assim o entendem, por ex., Delitzsch, Speiser), desde que já se mencionou a sua idade. A observação que vem depois contribui com algo para o seu sentido. Isto é, ele estava com os seus dez irmãos mais velhos, mas confiado particularmente aos quatro que  eram filhos das viúvas secundárias. As más notícias que José dava dos seus irmãos não devem ser julgadas segundo o critério da solidariedade de grupo. A narrativa, como de costume, não faz comentário; deixa-a ao menos presumível que o primeiro dever de José era para com seu pai. Cf. a obrigação de testemunhar, em Lv 5:1. 
3. Israel nada aprendera de sua anterior experiência com o favoritismo. Suportaria uma carga mais pesada ainda de ódio e fraude do que aquela a que se rendera na mocidade. Fosse a prova de favorecimento um casaco multicolorido (AV, RV), uma longa túnica de mangas (AA: “ uma túnica talar de mangas compridas” ), ou uma vestimenta cerimonial com ornamentos,1 era ostentosa e provocante. Um traje denominado assim em 2 Sm 13:18 era vestimenta real.
4. Não aconteceu apenas que um novo combustível estava tornando as chamas cada vez mais quentes contra José nos quatro estágios dos vs. 2, 4, 8 e 11, mas também o fogo ia-se espalhando. No versículo 2 só quatro irmãos parecem estar envolvidos; no v. 4 é o grupo todo; no v. 10 a censura do pai, embora moderada, completou o isolamento do rapaz, deixando-o aparentemente a sós contra todo o seu mundo.
Observe-se, porém, o v. 11, fato ignorado por José. 10. Sobre a expressão, tua mãe, a única designação conveniente de Lia, ver comentário de 37:35 (“ filhas” ); cf. Lc 2:48 (“ teu pai” ). É irrealismo fazê-la implicar em que Raquel vivia ainda.
11. As duas atitudes neste versículo são as que sempre dividem as pessoas em suas reações face a novas provindas de DEUS. O ceticismo dos irmãos era emocional e violento; a mente aberta do pai era produto de alguma humildade. Israel já aprendera, ao contrário dos seus filhos, a admitir a mão de DEUS nos fatos, e o Seu direito de escolha entre os homens.
O cenário da conspiração, a um dia de viagem de Siquém, ficava convenientemente longe de Hebrom. Tudo, desde a mal planejada incumbência até o encontro casual com o estrangeiro, conjugou-se para entregar José nas mãos dos seus irmãos. Contudo, ver-se-ia que DEUS estivera vigiando com tanto cuidado quando oculto, como em qualquer milagre. Os dois extremos dos Seus métodos juntam-se de fato em Dotã, pois foi ali, onde José gritou em vão (42:21), que Eliseu se achou visivelmente cercado de carros de DEUS (2 Rs 6:13-17).
17. Os arqueólogos chamam a atenção para a antigüidade conhecida de Dotã e as outras cidades mencionadas nestes registros, e para a população esparsa pelo interior que tornaram possível, na época patriarcal (já não tanto, porém, nos séculos posteriores), aos pastores nômades errar pelas colinas centrais da Palestina.
19. A expressão mestre de sonhos, da RVmg, é versão exagerada de um comum modo hebraico de indicar uma característica (por ex.M glutão, Pr 23:2; cheio de ira, Na 1:2, etc.). “ Este sonhador” (AA: “ tal sonhador” ) está exatamente correto.
21,22. O v. 21 resume o que o v. 22 descreve (precisamente como o v. 5 resume o v. 6, como o expõe Delitzsch). Se a intenção de Rúben só teve êxito pela metade, a verdade é que ele livrou José. Em acréscimo ao seu temperamento natural {cf. nota sobre 34:25, fim), Rúben tinha toda a razão em hesitar sobre a trama. O sangue, especialmente de um irmão (4:10; 9:5), era sacrossanto, e Rúben, como o mais velho da família, seria o principal responsável por ele. Também já não contava com o favor do pai (35:22). O que ele fizesse com José poderia arrumá-lo ou reabilitá-lo. Sem absolutamente nenhum apoio textual, a maioria dos comentadores modernos3 propõe a mudança de “ Rúben” para “ Judá” , no v. 21, “ em vista do restante da análise” , como o coloca BenYrétt, isto é, a fim de fornecer uma variante para o v. 22, que de outro modo concorda com esse versículo.
24. A ausência de água exigiu a observação porque a “ cova” (AV) era uma cisterna (cf. AA).
37:25-36. José vendido e levado para o Egito.
25. A refeição é o retoque final da dureza de coração. Cf., em diferentes contextos, Pv 30:20; Mt 27:35.
37:12-24. José à mercê dos seus irmãos.
Sobre os ismaelitas, ver comentário do v. 28. Sua rota procedente de Gileade e passando por Dotã fazia parte da imemorial via de comunicação entre Damasco e a estrada costeira para o sul, e as suas especiarias eram produtos básicos do comércio com o Egito. Quanto ao bálsamo de Gileade, cf. Jr 8:22.
26,27. Judá desenvolverá mais tarde algumas excelentes qualidades (43:9; 44:33). No presente, não há nada nele mais elevado que o interesse próprio; no v. 27 pode-se conceder a presença de certa com punção. Proveito (AV) não é metáfora aqui. É uma áspera palavra monetária, semelhante a “ assalto” ou “ comissão fraudulenta” . O sentido mais forte da frase e esconder-lhe o sangue é, “ mesmo que escondam os...” , e esse ocultamento é, quem sabe, considerado como dúplice: do homem e, evitando-se o derramamento de sangue propriamente dito, de DEUS.
28. A presença alternada dos nomes ismaelitas e midianitas nos vs. 25, 27, 28, 36 e em 39:1 bastaria para dar a idéia de que eram sinônimos ou equivalentes sobrepostos, mesmo que nenhuma outra prova o confirmasse. Este ponto é deveras firmado por Jz 8:24, que diz dos midianitas: “ tinham argolas de ouro, pois eram ismaelitas” . Daí parece que “ ismaelita” era um termo inclusivo, abrangendo os primos nômades de Israel (Ismael era o rebento mais velho de Abraão), mais ou menos como o termo “ árabe” abarca numerosas tribos em nossa maneira de falar, podendo alternar com um dos seus nomes sem ofensa ou erro. O uso alternado pode ser, em parte para variar, e em parte para registrar tanto o ponto principal (que José foi vendido a um povo de fora da aliança) como o pormenor concreto. Em seu contexto, a afirmação: ...o alçaram e o tiraram deve referir-se àqueles que tinham acabado de planejar isso. Os midianitas serão o sujeito da ação somente se este versículo for isolado artificialmente do anterior. (A ambigüidade de AV desaparece em AA.).
Cf. os vinte siclos de prata com Lv 27:5. No início do segundo milênio a.C .5 era esse o preço normal de um escravo.
29. A ausência de Rúben, longe de constituir uma dificuldade na história, como alguns têm sugerido, concorda plenamente com a vida real, na qual sempre ocorrem idas e vindas (particularmente no pastor de ovelhas)
 
RELATO DOS DESCENDENTES DE JACÓ - (37.2-50.26) - Comentário do Antigo Testamento – Genesis - Bruce K. Waltke e Cathi Fredericks
TEMAS DO LIVRO 10
O relato da linhagem de Jacó conduz o livro do Gênesis à sua conclusão última. Os motivos das promessas de DEUS feitas a Abraão, de multiplicar sua descendência, lhes dar a terra de Canaã e abençoar a
terra através deles (Gn 12.1-3); e a aliança divina com Abraão e Sara, de gerar reis através deles (17.6, 16), se intensificam significativamente neste relato. Ele começa com os doze filhos e termina com setenta
(número da perfeição e um microcosmo das nações; ver Gn 10) viajando para o Egito, onde virão a ser uma nação. Mesmo quando partem, a terra permanece importante para esta família pactual. Jacó, ainda que
embalsamado no Egito, é sepultado na Terra Prometida (50.4-14); e José faz provisão para o êxodo futuro, a fim de que seus ossos sejam levados com o povo pactual para aquela terra. Em sua bênção sobre
seus filhos, Jacó profetiza que Judá governará sobre os irmãos e as nações (ver Gn 10; 46.8-27). O governo de José sobre o Egito salva o mundo, autentica a profecia e prefigura aquele domínio.
O Livro 10 do Gênesis pertence primariamente à transformação dos filhos de Jacó sob a Providência. Mais que a assim chamada “história  de José” – ainda que abra a cortina sobre José como adolescente
e feche sobre sua morte −, este relato se preocupa com as atividades pactuais de DEUS com os patriarcas e o estabelecimento de seus planos para os filhos de Israel. Ele guarda a aliança transformando todos os
filhos de Jacó, particularmente Judá, para torná-los dignos participantes da aliança. DEUS usa José para salvar os israelitas tanto fisicamente, dando-lhes o alimento, quanto espiritualmente, separando-os dos cananitas e ensinando-lhes o amor recíproco. Ainda que a paz familial seja dissipada por sua estultícia e rivalidade, nos bastidores DEUS está operando sua restauração (45.5-7), como prefigurado pelos sonhos revelatórios e a estada de Israel no Egito (ver 15.13; Sl 105.23).
A providência de DEUS conduz a vida da família pactual. Sua providência é asseverada no duplo sonho de José predizendo sua liderança sobre a família. Entretanto, dentro deste óbvio arcabouço teológico, a história se desvenda de um ponto de vista secular (i.e., sem intervenções  miraculosas angélicas ou de outra ordem). Em vez disso, em retrospecto, tudo acontece justamente no momento certo. José providencialmente passa o tempo vagando ao redor de Siquém em busca de seus irmãos quando sucede de encontrar um homem que ouvira os irmãos dizerem aonde iriam. Sem a delonga de José, os mercadores ismaelitas não teriam chegado justamente no momento certo. De improviso, ocorre de Judá vender José, de modo que este vai parar no Egito.
O favoritismo de um pai, culminando na rivalidade entre irmãos que vendem o favorito para o Egito na qualidade de escravo – “o crime do século”1 −, e na cobertura de tudo, uma parte cabe à providência divina
salvar seu eleito! A narrativa rejeita o humanismo que crê num DEUS que “não tem mãos senão as nossas para fazer o trabalho”. Como Brueggemann assevera: “A narrativa realiza seu método sutil no seio de um
primitivismo que acredita tão facilmente e de um humanismo que se vê embaraçado acerca da fé.”2 José sumaria o subtema do relato da providência divina em seu famoso discernimento: “Vocês intentaram fazer-me mal; DEUS, porém, o converteu em bem, para cumprir o que agora estão vendo ser feito, a salvação de muitas vidas” (Gn 50.20). Este relato também vai de encontro à questão sobre quem entre os doze filhos terá o direito de primogenitura.3 Tudo indica que o filho a herdar tal direito é Rúben, o atual primogênito; mas sua estultícia de tentar usurpar a liderança de Jacó, deitando com a concubina de seu
pai, faz o tiro sair pela culatra (cf. 2Sm 3.7-11; 16.21, 22; 1Rs 2.13-22), e assim cai do favor de Jacó (Gn 35.22; 49.3, 4). Simeão e Levi, os dois próximos irmãos em linha, se desqualificam por sua temerária
reação ao rapto de Diná (Gn 34; 49.3, 4). O próximo em linha é Judá, que emerge como o líder da família e conquista o direito de governar seus irmãos (49.8-12; ver mais adiante, “Caracterização”). O providencial
nascimento dos gêmeos de Judá, Zerá e Perez, confirma esta escolha. Zerá é o primeiro a fazer sair sua mão, e um fio escarlate lhe é atado no pulso; mas, para surpresa de todos, Perez nasce primeiro. De igual modo, Jacó, desafiando a própria natureza, assumira a posição de primogênito sobre seu irmão gêmeo, Edom (i.e., “Vermelho”). Esta similaridade sobrenatural entre os nascimentos do pai de Judá e de seus filhos funciona dentro do relato como um sinal de que DEUS uma vez mais escolhe o filho mais novo para governar o mais velho. A narrativa também desenvolve o tema de que DEUS abençoa os que abençoam a Abraão e a sua semente, como se vê nas bênçãos divinas sobre Potifar, que promove José (39.3), e sobre faraó, que oferece hospitalidade à família de Jacó (47.10-26).
 
ESBOÇO DO LIVRO 10
Ato 1: Introdução à família disfuncional em Canaã 37.2-38.30
Cena 1: José rejeitado por seus irmãos e vendido como escravo, 37.2-36
Cena 2: Judá peca contra Tamar e gera gêmeos, 38.1-30
Ato 2: José se ergue para governar o Egito 39.1-41.57
Cena 1: José na casa de Potifar, 39.1-20
Cena 2: José na prisão: intérprete de sonhos, 39.21-40.23
Cena 3: José no palácio: segundo só em relação a faraó, 41.1-57
Ato 3: A família disfuncional reconciliada 42.1-46.27
Cena 1: Primeira viagem: José disciplina seus irmãos, 42.1-38
Cena 2: Segunda viagem: José entretém seus irmãos, 43.1-34
Cena 3: Os irmãos testados e reconciliados, 44.1-45.15
Cena 4: A família reconciliada migra para o Egito, 45.16-46.27
Ato 4: A família abençoada no Egito olhando para a Terra Prometida 46.28-50.26
Cena 1: Chegada de Israel no Egito, 46.28-47.12
Cena 2: Administração de José do Egito durante a fome, 47.13-31
4. Assim B. A. McKenzie, “Jacob’s Blessing on Pharah: An Interpretation of Gen 46.31-47:26”, WTJ 45 (1983):
Cena 3: Bênção de Jacó sobre José, 48.1-22
Cena 4: Bênçãos de Israel sobre as doze tribos, 49.1-28
Cena 5: Morte de Jacó no Egito e sepultamento em Canaã, 49.29-50.21
Cena 6: Morte de José no Egito e sepultamento futuro em Canaã, 50.22-26
ANÁLISE LITERÁRIA DO LIVRO 10
Estrutura e Enredo
O relato da linhagem de Jacó começa em Canaã e termina no Egito, mas com a esperança de regressar à Terra Prometida. Este relato – entre duas terras – está carregado por conflitos com família e autoridades
de poder, como se ilustra em seguida:
Capítulos 37-38 A família em conflito em Canaã Capítulos 39-41 José em conflito com o poder imperial no Egito
Capítulos 42-44 A família em conflito em Canaã e no Egito
Capítulos 45-47 A família solucionada no Egito
Capítulos 48-50 A família abençoada no Egito, olhando para Canaã
O relato começa no Ato 1 com a dissipação da paz da família pactual através de conflitos domésticos (37.2-36) e com seus casamentos mistos com as cananitas (38.1-30). A brecha entre os filhos e seu pai,
começada em seus nascimentos (29.31-30.24) e intensificada no rapto de Diná (34.1-31), agora atinge seu clímax quando os irmãos vendem o filho carismático e odioso de Raquel como escravo no Egito. No Ato
2, o cenário muda para o Egito, onde José lutaria contra o poder imperial e triunfa sobre ele através de seu caráter autêntico e sua capacidade carismática de interpretar sonhos.
No Ato 3, o cenário recua e avança entre a fome em Canaã e o alimento no Egito. Neste ato, José, usando de sua faculdade de conhecimento, e a desvantagem dos outros de ignorância, digladia com seus irmãos, e em cooperação com a Providência, os aprimora ao amor recíproco. A transformação dos irmãos começa quando confessam seu pecado contra José (42.21-23, 28b) e culmina quando Judá se oferece como escravo em lugar de Benjamim por amor de seu pai (44.33, 34). A luta dos irmãos termina quando José renuncia sua faculdade de conhecimento, os abraça em lágrimas e os alivia de toda culpa por meio de seu testemunho de que fora DEUS, não eles, que o enviara ao Egito para salvá-los (45.1-7). No desfecho do Ato 3, Cena 4, a família migra para o Egito, terminando sua luta com a fome. Neste ponto, como no final do Livro 8 (35.22b-26), o narrador apresenta uma genealogia conveniente dos setenta membros da família que migra para Egito.
O Ato 4, o desfecho ao relato e a transição ao êxodo, se concretiza no Egito, onde a família encontra salvação e antecipa seu futuro regresso a Canaã. O livro avança para o desfecho com a esperança posta nas promessas divinas: (1) nas bênçãos de Jacó sobre seus filhos, que visam a seus descendentes como tribos estabelecidas na terra da promessa com Judá governando a eles e ao mundo; (2) no funeral de Jacó que marcha rumo a Canaã; e (3) em seu leito mortuário, José solicita que seus ossos sejam levados para Canaã quando a família fosse libertada do Egito.
Esta trama é entretecida com o extraordinário padrão concêntrico apresentado na introdução ao comentário (ver na introdução, “Os Padrões Alternantes e Concêntricos dos Dez Tol=dot). Em adição a estes sete pares concêntricos, formando um pivô na reconciliação dos irmãos em Gênesis 44, 45, a história é caracterizada por muitos outros pares. José tem dois sonhos que se intensificam (37.5-10), e tem dupla dificuldade com seus irmãos que se intensifica (37.2-11, 12-36). A bem sucedida sedução de Tamar contra Judá é seguida imediatamente pela mal sucedida sedução da esposa de Potifar contra José (38.1-30; 39.1- 23). José interpreta dois conjuntos de sonhos: os dois sonhos de seus colegas de prisão (40.1-23) e os dois sonhos de faraó (41.1-4). Os irmãos engendram dois planos para lidarem com ele (37.21-27), e ele
engendra dois planos para lidar com eles (42.14-20). Os irmãos fazem duas viagens ao Egito (42.1-38; 43.1-34); o mordomo de José, primeiro testa os irmãos e então José pessoalmente testa Judá (44.1-13, 14-
34); e o narrador duas vezes fala da migração da família para ali (46.1-27; 46.28-47.12). Jacó primeiro abençoa José e seus filhos (48.1-22) e então todos os seus próprios filhos (49.1-28). O livro termina com as
mortes de dois patriarcas, Jacó (49.33-50.13) e José (50.22-26).5 Esta notável simetria e paridade no estilo dos relatos combinam sua teologia; sutilmente apontam para a mão invisível da Providência.
Caracterização
Fox escreve: “Inicialmente, este é um relato das emoções de uma família, e de fato são emoções extremas que lhe dão um sabor distintivo. Todos os maiores personagens dão plangente vazão a seus sentimentos, desde o pai fulminado pela perda do filho, dos irmãos maliciosos  à lasciva esposa de potifar, do nostálgico adulto José ao velho Jacó golpeado pela tristeza. É somente através do subconsciente meio de sonhos, em três lances, que chegamos a compreender que um sublime enredo que está em andamento substituirá as forças destrutivas dessas emoções.”Os filhos de Jacó são centrais nesta história, e entre eles estão José e Judá. Rúben funciona como um realce em ambos. Depois de seu incesto com Bila (35.22), sua liderança parece sempre ineficaz (42.22, 37, 38; 49.3, 4; cf. 30.14-17). É provável que ele tentasse reconquistar o favor de seu pai por meio de seu plano de resgatar José das mãos de seus irmãos e “levá-lo de volta a seu pai” (37.22); se foi assim, este foi outro tiro que saiu pela culatra. Judá o logra da oportunidade de exercer o papel de herói, obtendo o apoio dos irmãos em seu plano de vender José para o Egito (37.26, 27). Rúben é covarde. Embora ele suste o plano homicida, só espera resgatar José nas costas de seus irmãos. Em vez disso, o vendem em suas costas. Depois que descobre que seu plano fracassara, ele grita com desespero: “Para onde irei agora?” Ele poderia ter ido para o sul e resgatado José dos mercadores! Seu oferecimento a Jacó, que seus filhos (netos de Jacó!) fossem mortos caso ele não voltasse em segurança com Benjamim, o que provavelmente foi motivado por seu desejo de voltar às boas graças de seu pai, é “ultrajante”7 (42.37, 38). À guisa de contraste, Judá se oferece. No começo do relato, os heróis, José e Judá, são imaturos e atribulados. José não passa de um fedelho portador de recado. Judá é frio e espiritualmente insensível. Mas, no desígnio providencial de DEUS, esses homens são esmerados através de provas difíceis. Embora José comece imaturamente, gabola e contador de histórias sobre seus irmãos, na maioria de suas histórias ele revela um caráter nobre (ver também Análise Literária de atos e cenas individuais). Cada cena no Egito intensifica a descrição de suas virtudes. Ele emerge como
piedoso, leal, sábio e ousado. Finalmente faraó e seus oficiais reconhecem nele o ESPÍRITO de DEUS. Sua sabedoria e discernimento se evidenciam ainda mais quando testa e disciplina seus irmãos, retendo a faculdade de conhecimento sobre eles. Ele é também sensível, chorando amiúde sempre que observa seus irmãos, e por fim os abraça, bem como a seu pai, com intensa sensibilidade, quando estão reunidos.
Judá se põe em luminoso contraste a José. Enquanto este recusa sexo imoral com a esposa de Potifar e se vê forçado a abandonar para trás suas vestes reveladoras com o fim de escapar, Judá dá boas-vindas
ao convite de uma prostituta e espontaneamente deixa com ela seu selo e cajado como garantia de pagamento. A esposa de Potifar acusa José de fazer dela um brinquedo; Judá, porém, realmente se torna um brinquedo. Contudo também Judá é transformado por seu sofrimento. Suas qualidades de liderança, evidentes em toda a história, são por fim usadas para produzir reconciliação na família e conduzir seu pai em segurança ao Egito. No fim, Judá mostra mais sensibilidade por seu pai do que José. Seu ponderado e apaixonado discurso a José propicia a este abraçar seus irmãos e forçá-los a finalmente preocupar-se com o bemestar de seu pai (ver também Análise Literária do Ato 1, Cena 2 e Ato 3, Cena 3).
Dramática Ironia
Esta magistral história é repleta de dramática ironia. O leitor às vezes se sente numa posição de conhecimento especial, justamente quando José se acha acima de seus irmãos (ver também Análise Literária de atos e cenas individuais). À luz do efervescente ódio às roupas encharcadas de sangue, do véu de uma prostituta à incompreendida tristeza e equivocada identidade, o narrador magistralmente organiza os detalhes de modo que o leitor amiúde perceba, porém nunca esteja plenamente cônscio de como a verdade emergirá ou como se trará o livramento. Esta posição de conhecimento limitado sempre arrasta o leitor de volta à onipotência do divino autor que sabe como concretizar seus bons propósitos.
LIVRO 10, ATO 1: INTRODUÇÃO À FAMÍLIA OCIOSA EM CANAÃ (37.2-38.30)
ANÁLISE LITERÁRIA DO LIVRO 10, ATO 1
Dupla Direção
A referência em 37.1 de Jacó vivendo na terra de seus pais funciona tanto para contrastar o comprometimento de Jacó à Terra Prometida, com a migração de Esaú para o Monte Seir, quanto para voltar à narrativa principal do Gênesis acerca da semente prometida na Terra da Promessa. Estrutura As duas cenas deste ato ocorrem em Canaã ao mesmo tempo (cf. 37.2; 38.1). Ambas mostram a família de Jacó sem uma função específica. A primeira cena exibe a rejeição de José pelos irmãos, e a segunda demonstra a rejeição de Judá por sua família.
Prefiguração
A cena de abertura introduz José como o personagem central no resto do relato e arma o palco para o livramento providencial de José por DEUS e da nação através dele. Também introduz Judá, que emergirá
transformado já perto do fim do livro, abençoado para governar seus irmãos.
LIVRO 10, ATO 1, CENA 1: JOSÉ REJEITADO POR SEUS IRMÃOS E VENDIDO COMO ESCRAVO (37.2-36)
ANÁLISE LITERÁRIA DO LIVRO 10, ATO 1, CENA 1
Estrutura e Enredo
A trama desta cena é saturada de conflito. Ela estabelece as devastadoras divisões da casa de Jacó em dois segmentos: José odiado por seus irmãos (37.2-11) e José vendido por seus irmãos (37.12-36). O
primeiro segmento arma o palco para os horrendos crimes no segundo, relacionando quatro eventos breves que captam o problemático favoritismo do pai por José, bem como a terrível e crescente tensão entre
José e seus irmãos: José bisbilhotando seus irmãos (37.2); Jacó dando a José uma túnica régia (37.3, 4); e José contando seu duplo sonho (37.5-11). Com a apresentação destacada destes eventos, a tensão aumenta a uma escalada dramática no segundo segmento com o grito dos irmãos: “Vem lá o sonhador! ... venham, pois, agora e matemo-lo” (37.19, 20). No cume da cena, os irmãos negociam José com os midianitas por vinte peças de prata. O desfecho retrata uma família frágil e ferida: o impotente filho mais velho percebendo seu fracassado plano de resgate, os irmãos empedernidos fraudulentamente reportando o desaparecimento de José a Jacó e este dando rédeas incontroláveis à tristeza.
Palavras-chave
A terrível ironia do conflito que permeia esta cena é trovejada pelos vinte e um usos do termo “irmão” – quinzes vezes pelo narrador (37.2, 4 [2x], 5, 8, 9, 10, 11, 12, 17, 19, 23, 26, 27, 30), três vezes por Jacó (37.10, 13, 14), uma vez por José (37.16) e duas vezes por Judá (37.26, 27). O cúmulo da ironia consiste nas palavras de Judá – “Não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne” (37.27).
Como Fox afirma: “Pouco depois José, sua ‘(própria) carne’, é vendido como escravo e provável morte.”As palavras-chave que arrastam a linha da história da crescente tensão entre os irmãos no primeiro segmento são “ódio” (37.4, 5, 8) e “ciúme” (37.11). Esta é uma ojeriza que se intensifica. A quarta geração da semente de Abraão entra no palco da história sagrada externamente unida pela carne e sangue e, presumivelmente, pela circuncisão; porém, interiormente, dividida por ódio desleal, anelando matar José por causa do sonho que DEUS lhe dera.
Caracterização
Ninguém escapa à censura do narrador. As vinhetas escolhidas pelo narrador retratam as fraquezas de cada personagem. Jacó é um amoroso pai para com José, porém totalmente insensível para com seus demais filhos (37.3, 4). É como se fosse completamente inconsciente à ojeriza que instila por seu favoritismo, o qual se vê quando, sem suspeitar  do mal que faz, envia José aos irmãos que pouco antes haviam
assassinado os siquemitas. Rúben é retratado como um líder fracassado. Embora seu plano de resgatar José do poço o exibisse como um irmão mais velho responsável, fracassa em concretizar seu plano e se
vê sem ação diante do poço (37.29, 30; ver adiante, Notas Exegéticas).
Judá é líder que calcula com frieza: salvando seu irmão de morte imediata para em seguida vendê-lo com lucro para uma vida de morte (37.26-28). Todos os irmãos, não apenas os filhos das concubinas, são
dominados pelo mal (37.2, 4, 8, 11, 20, 31). José é descrito como moralmente bom, porém imaturo e infantil. Sua tagarelice, gabolice e túnica ostensiva inflamam ainda mais a ojeriza de seus irmãos contra si.
Nas palavras de Sternberg: “O futuro agente e porta-voz de DEUS no Egito dificilmente podia dar uma impressão pior de sua aparência à primeira vista: gabola mimado, portador de recado, fanfarrão.
Prefiguração
O destino de José é selado quando conta seus sonhos a seus irmãos. Como numa tragédia grega, os irmãos envidam ferrenho esforço para matar o sonhador e seus sonhos. A chegada de José ao Egito, no final da cena, em retrospecto, é o primeiro passo em sua exaltação. Símbolos A história de Jacó destaca rochas; a de José destaca túnicas (37.3, 23; 39.12; 41.14). Esses objetos tangíveis simbolizam algo das situações sociais e/ou espirituais dos personagens.
Omissões e Lacunas
Nesta cena, o narrador omite as emoções de José, talvez para representar este como uma vítima passiva e impotente nas mãos de seus irmãos mais velhos. Em 42.21, ele permite que os irmãos expressem
como José se sentia e o que ele fez.
NOTAS EXEGÉTICAS AO LIVRO 10, ATO 1, CENA 1
Título do Livro 10 (37.2a)
2. Este é o relato de Jacó. Isto seria mais bem traduzido: “Este é o relato da linhagem de Jacó” (ver 2.4). O relato pertence aos filhos de  Jacó, principalmente a José e Judá (ver Análise Literária do Livro 10).
José Odiado por Seus Irmãos (37.2b-11)
2b. José. No texto hebraico, a conjunção recua dos nomes Jacó e José – amortecida pelo parágrafo interrompido na NVI – aponta para José como o principal personagem deste relato. Ele é o irmão que salvará
a nação de extinção durante a fome. Os sepultamentos de Jacó e José encerram o livro. sendo ainda jovem ... Zilpa. Isto é mais bem traduzido: “José, com dezessete anos, acompanhava os rebanhos com seus irmãos. Agora ele era assistente dos filhos de Bila e os filhos de zilpa.” dezessete. José vive com Jacó até os dezessete anos de sua vida (47.28). Tal simetria revela a providência divina.
irmãos. Esta é a palavra-chave desta cena (ver supra, Análise Literária).
filhos de Bila ... Zilpa. Isto inclui Dã, Naftali, Gade e Aser (30.4-13).
esposas de seu pai.
más notícias. Embora o narrador omita os detalhes, a palavra notícia (D!BB>) por si só denota notícias destinadas a prejudicar a vítima (ver Pv 10.18). Baseado em seu comportamento prévio, é provável que
os irmãos estivessem fazendo algo errado, do quê José com razão se distanciava; contudo, o livro de Provérbios aconselha que se deve retirar o véu de sobre as transgressões dos outros (cf. Gn 34.25; 35.22;
37.20; 38.1-26; Pv 10.12; 11.12, 13; 12.23). Tal graça é uma questão de vida ou morte (ex., Pv 1.8, 9). No mínimo, o jovem José parece ser um irmãozinho importunante e bisbilhoteiro.
3. amava. O favoritismo paterno uma vez mais provoca discórdia e frustração na família, bem como o desaparecimento do filho predileto; não obstante, a graça de DEUS uma vez mais usa o distúrbio para a
concretização de seu beneplácito (ver 25.28). Não obstante, o ciúme dos irmãos é injusto, e DEUS usará José para convertê-los. mais que a todos os outros filhos. Jacó deveria ter consciência do dano que seus pais infligiram sobre a família, demonstrando favoritismo e agindo um contra o outro.
porque era filho de sua velhice. Jacó não amava mais a José porque havia amado mais a Raquel do que a Lia. Ele está ainda se rebelando contra a primogenitura. Além do mais, o nascimento de José assinalara
a reversão na fortuna da vida de Jacó (30.25).
túnica ricamente ornamentada. A palavra para “manto, túnica” é incerta, mas “ricamente ornamentada” interpreta o hebraico passîm, que é de significado incerto uma vez que ocorre sem mais definição somente neste capítulo e em 2 Samuel 13.18, 19. O “casaco de muitas cores” é baseado na LXX. “Túnica de magas longas” é baseado na tradução de Áquila e no significado de pas no hebraico pós-bíblico e/ou em conexão com outro termo hebraico que significa “extremidade”.
Outras propostas baseadas nas etimologias não têm granjeado nenhum consenso. O manto ricamente ornamentado é provavelmente mais que mero símbolo de favoritismo. O termo é usado em outros lugares somente para o vestuário da princesa Tamar (2Sm 13.18, 19). Muitos comentaristas sugerem que tem algo a ver com realeza.10 Se for assim, pode prefigurar o governo real de José no Egito. Por meio desta peça
real (ver 2Sm 13.18), Jacó publicamente designa José o governante sobre a família. Jacó tenciona transferir o governo ao piedoso José; no fim, ele o transferirá a Judá.
4. já não lhe podiam falar pacificamente. Isto poderia ser traduzido “não podiam nem mesmo saudá-lo”. Comportavam-se como Caim, a semente da serpente (ver Gn 4).
5. sonho. No antigo Oriente Próximo, sonhos eram um meio comum de comunicação e predição divinas; os irmãos entendiam bem sua natureza profética. Esta revelação no início da história mostra DEUS como o Diretor por trás de todo o relato. Este é o primeiro sonho na Bíblia no qual DEUS não fala (cf. 20.3; 28.12-15; 31.11, 24).11 Ele forma uma transição nos meios dominantes da revelação divina de teofania, em Gênesis 1-11, para os sonhos e visões em Gênesis 12-35, e agora para providência em Gênesis 36-50. Estes três estágios lembram as três partes de TaNaK (i.e., o AT). Na Tora (“Lei”), DEUS fala a Moisés
em teofania; no Nebiim (“Profetas”), ele fala em sonhos e visões; e no Ketubim (“Escritos”), ele opera em grande parte através da Providência.
o relatou. José é também responsável por sua própria ruína, ao portar notícias de seus irmãos (37.2) mesmo antes de se notar a preferência de Jacó por ele. Ele os irrita insistindo em relatar-lhes seus sonhos
e em reiteradamente partilhar seu segundo sonho (37.9) mesmo depois que passaram a odiá-lo “tanto mais” (37.8). Contraste sua vaidosa narrativa com a silenciosa contemplação de Jacó (37.11); não obstante, por meio da narrativa de José aos personagens dentro da história se pode aprender da soberania de DEUS.
7. Atávamos feixes. Os pastores eram também empregados para juntar a colheita. (DEUS escolheu José como herói neste drama de redenção - ver 20.3; 42.6; 43.26, 28; 44.14)
Seus feixes rodeavam o meu e se inclinavam. A profecia se cumpre na escalada dos estágios: os irmãos inicialmente inclinando-se uma vez (42.6); então, inclinandose duas vezes para honrá-lo (43.26, 28); e, finalmente, lançando-se a seus pés (50.18).
8. os irmãos disseram. Como vai nos governar?
Eventualmente, José receberá os direitos de primogenitura (ver 1Cr 5.2), isto é, a dupla porção da herança, já que Jacó adota os dois filhos de José como seus (ver Gn 48.5). A monarquia está em vista mesmo quando desenvolvida em Edom (ver Gn 36).
o odiaram. Indiretamente, se opunham ao DEUS soberano que tem dado a revelação. Não confiavam em seu programa para eles. e o que ele dizia. Literalmente, o hebraico é “e por suas palavras”
(i.e., não só a informação, mas também o modo como ele o dizia).
9. outro sonho. Os sonhos nesta história vêm em pares (ver Gn 40 e 41) para mostrar que a questão é solidamente decidida por DEUS e virá rapidamente (ver 41.32). Um sonho isolado pode ser mal interpretado.
Dois sonhos com o mesmo sentido confirmam a interpretação.
Raquel morrera quando José tinha cerca de seis ou sete anos de idade. É provável que uma ou outra esposa de Jacó viesse a ser sua mãe substitutiva.
repreendeu. Seu sonho ameaçava reverter a ordem social do patriarcado.
sua mãe. Ver “lua” em 37.9.
Será que eu .. viremos a curvar-nos. Inclusive Jacó tem dificuldade em depor a prioridade dos pais.
11. o pai refletia naquilo. Jacó pode ter-se sentido mistificado e confuso, porém leva a sério o sonho. É possível haver inversões (cf. 2Rs 2.19; Lc 2.19, 20).
José Vendido por Seus Irmãos (37.12-36)
12. seus tinham ido. O narrador omite a razão por que José não se encontra entre eles.
Siquém. O rapto em Siquém ocorreu cerca de dois anos antes, quando José tinha cerca de quinze anos (ver Omissões, Lacunas e Lógica”, em Análise Literária do Livro 8, Ato 3, Cena 1).
14. veja se tudo está bem com seus irmãos. Jacó tem razão em preocupar-se com seus filhos em Siquém (ver Gn 34).
vale de Hebrom. Sarna observa: “Um midrash vê na extraordinária menção deste lugar uma insinuação de que o primeiro estágio no cumprimento da profecia feita a Abraão (15.13) está para começar.”14
Hebrom ... Siquém. José viajou uma distância de 80 quilômetros.
15. um homem. O homem anônimo em Siquém fornece a transição
do ambiente de um pai amoroso e preocupado para o de irmãos
hostis e fervendo com fúria. José, sozinho e vulnerável, se sente mais
seguro com um siquemita do que com seus irmãos.
vagando pelos campos. Mesmo vaguear pelo campo e a chance de
ouvir por acaso são parte da providência divina. Com esta delonga, a
chegada de José coincide perfeitamente com o aparecimento dos mercadores
(ver 37.21-28; ver mais adiante, Reflexões Teológicas).
16. Estou procurando por meus irmãos. O narrador oferece um
momento de dramática ironia. Esta afirmação sumaria a ocupação de
José. Fazendo um retrospecto, José é precisamente o oposto de Caim
(ver 4.9) e possui as qualidades de liderança.
17. ouvi. Este é ainda outro ato providencial.
14. Ibid., 258.
GÊNESIS 37.11-17
622
Dotã. Dotã ficava a 21 quilômetros a noroeste de Siquém.
19. Lá vem aquele sonhador! Identificam-no somente por seu ressentimento.
20. vamos matá-lo. A mesma palavra homicida é usada em 4.8.
Brueggemann diz: “o futuro é uma ameaça mortal. Mas pode ser resistido!
Eles resolvem interrompê-lo.”15
jogá-lo ... e diremos. Depois de sua impetuosa violência, o plano
emerge gradualmente (cf. 37.31).
cisternas. Arqueólogos têm encontrado um grande número de cisternas
por todo o Israel. São grandes poços na forma de garrafas furados
na rocha para reter a água. Variam de 6 a 20 pés de profundidade. Uma
cisterna seca forma uma excelente masmorra (cf. Gn 40.15; Jr 38.6).
21. Rúben. Ver “Caracterização” em Análise Literária do Livro
10. Como o irmão mais velho, ele exerce o papel do pai enquanto os
irmãos se vão (ver 37.13, 14). Depois de seu incesto com Bila (35.22),
sua liderança parece sempre ineficaz. Jogar o corpo de José no poço
deixa o problema sem solução.
tentou resgatá-lo. Melhor, “veio para seu resgate”.
Não tiremos sua vida. Isto é mais bem traduzido, “Não devemos
tirar sua vida.”
no deserto [m]DB`r]. Isto é mais bem traduzido: “na terra de pastagem”.
16 Nesta área entre vilas, ninguém ouvirá os gritos de José (ver
42.21).
23. lhe despiram. Destronaram o filho régio (ver 37.3) e o jogaram
na cisterna fria.
24. vazia ... sem água. Este detalhe explica por que José não se
afogou. Além disso, sem comer e sem beber, poderia morrer de sede.
25. se assentaram para comer. Com insensível indiferença ante
os gritos de seu irmão naquela nua masmorra (cf. 42.21), desfrutaram
de uma refeição! Sua próxima refeição na presença de José será com
este à cabeceira da mesa (43.32-34).
ismaelitas. Ismaelitas (ver também 37.27, 28; 39.1) e midianitas
(37.28, 36) são designações alternadas para o mesmo grupo de comer-
15. Brueggemann, Genesis, 303.
16. O termo hebraico, midbar, às vezes significa deserto, mas não há desertos no local citado;
midbar pode designar também terras de pastagens (HALOT, 547).
GÊNESIS 37.19-25
623
ciantes (ver 39.1; especialmente Jz 8.24). Os descendentes de Midiã, a
partir de Quetura, e de Ismael, a partir de Sara, podiam casar-se entre si
(ver 25.2, 17, 18; 29.9).17
Gileade. Ver 31.21.
26. Judá. Ver “Caracterização” em Análise Literária do Livro 10.
Em vez de Rúben, Judá emerge como o líder. Seu discurso a seus irmãos
no clímax desta cena se põe em contraste com os discursos ineficientes
de Rúben antes (37.21, 22) e depois (37.30).
se matarmos nosso irmão. José podia ser morto ou por violência
ou sendo abandonado na cisterna para morrer de doença ou de inanição.
27. Vamos vendê-lo. Seqüestro é uma ofensa capital (ver Êx 21.16;
Dt 24.7). Seu plano frio e calculado apenas substitui um mal por outro.
nossas mãos. Por trás da cena está a mão de DEUS (ver 45.5; Sl
105.17).
afinal, é nosso irmão. A terrível ironia parece perdê-lo (ver supra,
Análise Literária).
28. midianitas. Ver supra, “ismaelitas”.
tiraram ... venderam ... levaram. Literalmente, o hebraico registra:
“tiraram José ... venderam José ... levaram José.” “O sino badala
solenemente por José”, diz Longacre.18 A excepcional tríplice repetição
de seu nome “marca um evento extremamente importante e providencial
na família de Jacó e na história da nação embrionária”.19
vinte peças de prata. Ver na introdução, “Historicidade e Gênero
Literário”.
Egito. A venda de escravos asiáticos é bem documentada nos textos
egípcios de aproximadamente nos dias de José. O rei Amen-em-het
III (+ 1800 a.C.) provê a execução de quatro escravos asiáticos que
recebera como presente de seu irmão. Um papiro datado de 1740 a.C.
contém um inventário de trinta e sete escravos asiáticos dentre noventa
e cinco escravos.
30. Para onde irei agora? O frágil líder Rúben não pode concluir
seu plano. Ele deveria ter voltado primeiro a seus irmãos para confron-
17. Hamilton crê que ismaelita aqui não é um termo étnico, mas “um termo improvisado para
viajantes nômades”. Midianita seria o termo étnico (Genesis 18-50, 423).
18. Longacre, Joseph, 44.
19. Ibid., 30.
GÊNESIS 37.26-30
624
tá-los e então saído no encalço de José para resgatá-lo (ver 37.21).
Agora ele se esquivaria da face de seu pai, a quem tem de prestar contas.
31. túnica ... bode. As fraudes anteriores de Jacó têm um preço
terrível. Como Jacó enganara a seu pai com as peles de cabrito e as
roupas de Esaú (ver 27.9, 16), agora será enganado com o sangue de
cabrito e a roupa de seu filho.
32. veja se é de seu filho. A linguagem trai continuamente as divisões.
Falam não de seu irmão, mas do filho de Jacó.
33. animal feroz. Realmente é a obra da ferocidade da ira e do
ciúme dos filhos insensíveis de Jacó.
34. pano de saco e chorou. Sua exibição de tristeza é muito mais
intensa que a de Rúben (ver 37.30).
35. confortá-lo. Isto é hipocrisia da parte de seus filhos.
sepultura. O hebraico se refere ao Sheol; ver mais adiante, Reflexões
Teológicas.
36. Nesse meio tempo. Este versículo arma o palco para o Ato 2.
Venderam. Ver Amós 1.6, 7.
Potifar. Esta é a forma mais abreviada do nome egípcio “Potífera”
(41.45), significando “aquele a quem Ra (o deus sol) tem dado”. O
nome, que não pode ser datado antes do décimo terceiro século a.C.,
pode ser uma modernização de uma forma primitiva.
REFLEXÕES TEOLÓGICAS SOBRE O LIVRO 10, ATO 1,
CENA 1
Providência
DEUS revela sua soberania através tanto de sonhos quanto da providência
(ver “Temas do Livro 10”). A mensagem de sonhos (predestinação)
é uma palavra “dura” para a soberania de DEUS. Providência, como
vista entre outras coisas em lex talionis, é uma palavra “suave”.20
Sonhos
Uma vez mais, a revelação de DEUS começa um relato, desta vez
predizendo o governo de José sobre sua família (ver 37.5, 8, 9 em
Notas Exegéticas). Os sonhos dados a José se cumprirão em Gênesis
20. Brueggemann, Genesis, 293.
GÊNESIS 37.31-36
625
42-47. Estas revelações certas exibem a soberania do Senhor. A soberania
de DEUS é também evidente nos sonhos aos prisioneiros egípcios
e a faraó. Estes dois pares de sonhos declaram a predestinação do Senhor
tanto na criação quanto nas atividades humanas.
Eleição
Não é justo o favoritismo de Jacó, nem os modos de José a quem os
irmãos odeiam. É o sonho. Muitos hoje, como os irmãos, se ofendem
com a doutrina da eleição (ver Rm 9.10-24). DEUS trata a todos com
justiça, porém usa de misericórdia para com alguns (Mt 20.1-16). A moral
de sua eleição é ambígua; sua escolha de José para governar promove
discórdia. Os irmãos têm de aprender a aceitar sua eleição à realeza.
Lex Talionis
Na justiça soberana de DEUS, as pessoas colhem conseqüências por
seus maus-feitos. Os crimes de Jacó contra Esaú são equiparados pelos
crimes de seus filhos contra si. Como ele engendrou fraude contra Esaú
com um cabrito e uma roupa, seus filhos usam um cabrito e uma roupa
para enganá-lo. Como o desejo de Rebeca de tirar vantagem para Jacó
e desvantagem para Esaú levou este a querer assassinar a Jacó, assim o
desejo de Jacó de tirar vantagem para José leva os irmãos a desejarem
assassinar a José. DEUS concede grande misericórdia a Jacó, porém
não permite que os malfeitos deste fiquem impunes.
Transformação
DEUS faz as mais surpreendentes escolhas. Aqui ele escolhe uma
família dividida por favoritismo, imaturidade e vingança. Todavia concretizará
seus propósitos através deles e no processo realizará sua transformação
e restauração radicais. A estrada para a realeza em Israel é
muito mais tortuosa do que em Edom; os eleitos devem ser redimidos
antes que governem.
 
Referências Bibliográficas (outras estão acima)
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BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
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Lições Bíblicas - 2000 - 3º Trimestre - Evangelismo e Missões - CPAD - Comentarista - Esequias Soares
ESFORÇA-TE PARA GANHAR ALMAS - Orlando Boyer - Editora Vida - ISBN: 857367153X - Ano: 1975
Espada Cortante - Atos: o Evangelho do ESPÍRITO SANTO - Orlando S. Boyer - CPAD, Espada Cortante - João: o Evangelho do Filho de DEUS Orlando S. Boyer - CPAD
Atos - Série Cultura Bíblica - I. Howard Marshall - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA e ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO,
Rua Antonio Carlos Taconni, 75 e 79, Cidade Dutra, São Paulo-SP, CEP 04810
Os dons Ministeriais - Por A. L. Gill - www.gillministries.com
DE CIDADE EM CIDADE - Elementos para uma teologia bíblica de missão Urbana em Lucas-Atos - Descoberta Editora Ltda - Londrina - PR - Jorge Henrique Barro - 2006
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