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11 junho 2017

Até onde somos livres?




        A revista Galileu, Editora Globo, em sua edição de abril, trouxe em sua capa a seguinte afirmação: "Você Não Decide", aludindo a novas pesquisas a respeito do livre-arbítrio. Segundo a matéria, o cérebro humano dispõe de uma região inconsciente (mais rápida) que "toma decisões" antes mesmo do nosso consciente colocá-las em prática. Portanto, segundo alguns dos mais modernos psicólogos e estudiosos, nosso inconsciente toma decisões por nós, baseado em experiências anteriores e históricos de vida, enquanto o consciente apenas cuida para que tudo se realize. E isso seria a prova da inexistência do livre-arbítrio.
Acontece que esses mesmos cientistas têm chegado a conclusão de que o nosso inconsciente é tão importante quanto o consciente (senão mais), sendo responsável por 95% da nossa atividade cerebral. Quando sentamos à mesa para comer, por exemplo, não pensamos conscientemente em como usar o garfo e a faca; simplesmente os pegamos e cortamos um pedaço de carne. Isso, porque o insconsciente detém as informações de como usá-los, e não precisa remeter à consciência para fazê-lo. Diante dessa total integração, fica impossível dissociar a atividade das duas partes formadoras das nossas ações e escolhas.
É inconcebível dizer que o livre-arbítrio não existe pois parte do nosso cérebro trabalha mais rápido que a outra. Na verdade, o livre-arbítrio nasce da interação entre ambas e no funcionamento dessa maravilhosa máquina em conjunto. Nosso cérebro até pode ser dividido para fins de estudo, o que é, na verdade, muito eficaz. Porém, quando falamos da maneira como ele funciona, o conjunto se sobrepõe. Não há consciência sem a ajuda do nosso subliminar; da mesma forma, o subliminar de nada seria útil, sem a razão para se integrar a ele e dar sentido às suas coordenações.
É da agilidade e praticidade do inconsciente, aliadas ao racionalismo e calculismo do consciente que o mundo se abre em infinitas possibilidades. Nossas escolhas são feitas por meio da atuação do cérebro. Nossas experiências influenciam, insconscientemente e se unem a racionalidade, resultando na ação. Isso é o livre-arbítrio.
Deus nos fez a sua imagem e semelhança, concedendo-nos a intelectualidade e todo o instrumental para o raciocínio. Diferentemente dos animais, não agimos somente por instinto, mas também por complexas interações elétricas que formam o nosso sistema nervoso e expressam nossas decisões.
E, por decisões, quero dizer o resultado do exercício do livre-arbítrio.
Agora que já entendemos que o livre-arbítrio existe, gostaria de me ater a uma questão especial. Qual seria o seu limite? Ou, em última análise, existiria algum limite a liberdade que Deus nos deu?
Em primeiro lugar, é importante que se diga que, ao planejar toda a criação, Deus claramente diferenciou o homem dos demais seres. Não somente na forma, nos atributos, ou na superioridade. Aqui, nos interessa a diferenciação quanto a função. Deus dá a seguinte orientação a Adão: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. (Genesis, 1:28).
Portanto, Deus dá ao homem um poder de domínio sobre a Terra, seus frutos e animais, assim como um dever de povoamento e desenvolvimento da humanidade. Para cumprí-los, é imprescindível que o homem utilize da sua liberdade, para fazer escolhas, tomar decisões e organizar-se.
Por isso, Deus deu ao homem total liberdade sobre o Éden, contudo, advertiu-o da seguinte maneira: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gênesis 2:16, 17). E aqui, nos interessa refletir: seria este o limite do nosso livre-arbítrio? Teria Deus criado uma liberdade e, tão logo cortado suas arestas, tornando-a submetida ao Seu próprio comando?
Penso que não. Veja que, ao aconselhar Adão a não comer do fruto proibido, Deus não coloca nenhum impedimento para evitar essa ação. Não há muros que impossibilitem a chegada dele até a árvore. Tampouco, não é a árvore tão alta que se torne inviável colher o fruto. Note que, ainda que proibido, o fruto está sob total alcance do homem. Não há, aqui, nenhum limitador para a escolha, Adão se vê totalmente livre para comer da árvore proibida. Digamos que seu poder de ação, nesse caso, maximiza o exercício do livre-arbítrio.
E é exatamente por essa liberdade ampla que Adão e Eva comem da árvore. Agora, estudemos as consequências dessa ação. Sabemos que o argumento utilizado pela serpente era que, ao comer daquela árvore, o homem teria o conhecimento do bem e do mal, ou seja, se equipararia a Deus. Já sabemos que o homem agiu por meio de um poder de ação maximizado. Contudo, o homem não tornou-se igual a Deus; pelo contrário, essa passagem é conhecida como "A Queda do Homem.". Seu objetivo de equiparação a Deus não foi alcançado. Aqui, vemos um limite naquilo que o homem é. Seu livre-arbítrio não é capaz de colocá-lo acima do bem e do mal. Há, portanto, uma limitação clara quanto ao seu poder de ser.
Simbolicamente, coloquemos as árvores do jardim como nossas diversas atividades. A árvore do bem e do mal seria uma pretensão de sermos independentes de Deus. E, assim, termos poderes para caminhar com as próprias pernas, e dominar a nós mesmos. Nós buscamos isso por meio de ações que nem sempre são corretas, mas que nos são abertas. Nosso livre-arbítrio é pleno para realizar tais ações. Contudo, ao comermos desses frutos, reparamos que nunca estaremos acima do bem e do mal; tampouco, nunca seremos independentes de Deus.
Deus não limita nossas faculdades, nem nossas ações. Pelo livre-arbítrio, somos livre para agir da maneira como bem entendemos. Contudo, Ele limita aquilo que somos. Jamais estaremos desvinculados dEle, até porque, ainda que nossas ações nos levem ao mais obscuro submundo, o Espírito Santo sempre estará disposto a nos trazer de volta ao nosso devido lugar: de completo vínculo com Deus. 
E nessas horas, entendemos que, na verdade, o exercício do livre-arbítrio pode ser definido numa frase do apóstolo Paulo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém”. (1 Coríntios 6:12).

                                                                                                             Leonardo Dantas Costa
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