SEJÁ VOCÊ TAMBÉM UM SEGUIDOR

Google+ Followers

Marcadores

Aborto ACONSELHAMENTO PRÉ-MATRIMÓNIAL Adolecentes Cristão ADOLESCENTES ADPB ADULTÉRIO ADULTOS Agradecimento Aniversario Apologética Cristã Arqueologia As Inquisições Assembleia de Deus Barack Obama Batismos Bíblia Brasil Casamento CGADB Ciência Círculo de Oração CLASSE BERÇARIO CLASSE BERÇÁRIO CLASSE DOS DISCIPULADOS CLASSE DOS DISCIPULANDO CLASSE DOS DISCIPULANDOS CLASSE JOVENS E ADULTOS CENTRAL GOSPEL CLASSE JOVENS E ADULTOS BETEL CLASSE MATERNAL Congresso CPAD Cruzada Curiosidades Cursos Departamento Infantil Depressão Desaparecido DESENHOS BIBLICOS Desfiles Dia do Pastor Discipulado Divórcio EBD EBO Escatologia Estudantes Estudos Eventos FALECIMENTO Família Filmes Galeria de Fotos Gospel Gratidão a Deus Hinos Antigos História Homenagens Homilética Homoxesualismo Ideologia de Gênero Idolatria Inquisição Islamismo Israel LIção de Vida Louvor Luto Maçonaria Mães Mensagens Ministério Missões MODISMOS Mundo Mundo Cristão MUSICAS EVANGÉLICAS Namoro Cristão Noivados Notícias Obreiros ONU Oração Pneumatologia política PRIMARIOS Psicopedagogia Pureza sexual Realidade Social Reforma Protestante RELIGIÕES Retiro Revista Central Gospel REVISTA CLASSE PRIMARIOS REVISTA CLASSE DOS PRE-ADOLESCENTES REVISTA CLASSE DOS ADOLESCENTES REVISTA CLASSE JARDIM DA INFANCIA REVISTA CLASSE JARDIM DA INFÂNCIA REVISTA CLASSE JUNIORES REVISTA DA CLASSE JOVENS CPAD. REVISTA DA CLASSE JOVENS. REVISTA DA CLASSE ADULTOS REVISTA DA CLASSE JOVENS E ADULTOS REVISTA DA CLASSE JUVENIS Revista Maternal Santa Ceia Saúde Seminário Sexualidade Subsídios Subsídios EBD Subsídios EBD Videos Templos Teologia Testemunho TRANSGÊNEROS Utilidade publica UTILIDADE PÚBLICA Vida de Adolecente videos Virgilha

12 julho 2016

Lição 03: O Dia do Senhor (Jovens)



Nesta seção, observamos que a preocupação central do profeta Isaías é a santidade de Deus; assim, ele condena a idolatria e a altivez presentes na sociedade e aponta para o dia do Senhor. Mas o que exatamente é o dia do Senhor? De acordo com Soares, o termo hebraico para “dia” é yom, que pode significar “dia” literalmente (Jó 3.3) ou até período de tempo (Gn 2.4). Assim, segundo ele, o dia do Senhor indica o período reservado por Deus para o “acerto de contas” com todos os moradores da terra.
Gerhard von Rad, estudioso do Antigo Testamento, analisa as imagens que acompanham esse dia escatológico e conclui que o mesmo remonta às guerras santas do Senhor, ou seja, esse dia se refere à ocasião em que Jeová aparecerá pessoalmente para aniquilar seus inimigos.
Convém registrarmos que não é apenas Isaías que utiliza esta expressão “dia do Senhor” com suas trágicas consequências, pois há muitas ideias nos escritos proféticos sobre a natureza desse tremendo dia (como se pode verificar na tabela que está na próxima página).
Profetas

Significado da expressão “dia do Senhor” nos profetas
Obadias

Um tempo de julgamento e retaliação.
Joel

Dia de destruição na vinda do Senhor (1.15; 2.1,11,31; 3.14).
Amós

Dia de grande escuridão para o mundo, mas também para Israel (5.18,20).
Isaías
Dia de ajuste de contas para os soberbos e também um dia de destruição cruel vindo do Altíssimo (2.12; 13,6,9).
Sofonias               
Dia de grande ira da parte do Senhor, o qual se aproxima muito rapidamente (1.7,14).
Ezequiel
Dia em que as nações se lamentaram, quando Nabucodonosor empunhou a “espada do Senhor” ao conquistar o Ocidente (13.5; 30,3).
Zacarias
Dia da ardente defesa de Jerusalém pelo Senhor, quando todas as nações estarão reunidas contra ela (14.1).
Malaquias
O dia em que o Senhor esmagará os perversos e os destruirá como refugo, precedido pelo ministério de restauração de Elias (4.5).

Portanto, não existe uma única definição da natureza do dia do Senhor na literatura profética, e sim diversos aspectos e imagens bíblicas que descrevem esse dia. Contudo, a principal ideia está relacionada ao grande julgamento e restauração do Reino do Senhor.
Também podemos observar em Sofonias 1.15,16 uma das mais completas descrições do dia do Senhor. Assim, lemos que o dia de Jeová é:
a) Um dia de ira;
b) Um dia de aflição e angústia;
c) Um dia de ruína e devastação;
d) Um dia de trevas e escuridão;
e) Um dia de trombeta e grito de guerra.
Muitas dessas características desse terrível dia, mencionadas no livro de Sofonias, também estão presentes no livro de Isaías. Entretanto, em Isaías, o dia do Senhor se refere principalmente à intervenção divina contra a altivez humana, expressadas no apego excessivo às riquezas e a desvios morais que culminaram em corrupção e idolatria, mas também diz respeito às histórias de proezas e grandes feitos de Deus intervindo milagrosamente na história do seu povo, Israel (Is 2.6-9, 17-18).
Nesse caso de Isaías, o dia do Senhor primeiramente alude à Judá e Jerusalém, mas também se aplica aos últimos dias, pois a maioria das profecias bíblicas tem um cumprimento imediato e um cumprimento remoto, ou seja, aplicam-se num período de tempo próximo, mas também são aplicáveis há tempos mais distantes e escatológicos. Isso é possível, porque Deus, conhecedor de todas as coisas, ao inspirar sua Palavra, tinha propósitos muito mais amplos do que aquilo que o profeta entendia para seus dias.
Estamos agora no dia do homem, mas esse dia não vai durar para sempre. Naquele grande dia, o Messias irá finalizar o dia do homem e realizar na história o dia do Senhor. Abaixo, veremos algumas características dessa intervenção divina, com consequências para Israel nos dias do profeta Isaías, mas que se estende até ao período descrito escatologicamente como a grande tribulação (Ap 7.14).

I - A ALTIVEZ ORIUNDA DA PROSPERIDADE
No período profético de Isaías, Israel experimentou muita riqueza e prosperidade, talvez como em nenhum outro período depois do rei Salomão. O profeta escreveu: “E a sua terra está cheia de prata e ouro, e não têm fim os seus tesouros [...]” (Is 2.7).
Por outro lado, esse desenvolvimento econômico acabou não sendo visto como bênção de Deus; na realidade, acabou se tornando em pedra de tropeço para o povo, uma vez que os induziu a cometer uma série de pecados: corrupção, mentira, arrogância, idolatria, enriquecimento ilícito, injustiças sociais e toda sorte de perversão advinda de uma má compreensão da prosperidade, que resultou numa má utilização da mesma (Is 2.8-12).
1. Riqueza e prosperidade
Primeiramente, é necessário esclarecer que a Palavra de Deus não condena a riqueza ou o enriquecimento (Gn 13.2; 1 Rs 10.23; Ec 5.19). Muitas vezes, as interpretações sobre as riquezas na Bíblia acabam despertando posturas radicais: de um lado, tem aqueles que, por conta do discurso piedoso, afirmam que as riquezas são um mal em si, e, portanto, o povo de Deus não deveria ter posses. Já outros incorrem em outro extremo: Deus enriquece todos que tem fé para receber essa bênção. Como exemplo, podemos mencionar a conhecida teologia da prosperidade, que cresce vertiginosamente dentro de muitas igrejas, inclusive de algumas que outrora a condenavam.
Após considerarmos esses dois polos, devemos analisar o fato de que a orientação divina com relação à riqueza é no tocante ao acúmulo desnecessário, aos perigos que a cercam, bem como as ações ilícitas para obtenção desta riqueza (Mt 19.23; 1 Tm 6.9). E aqui onde está nossa base de discernimento para sabermos a vontade do Senhor, pertinente a esse assunto. O que sucedeu com o povo de Israel é que os reis e suas mais altas autoridades acumularam para si riquezas desnecessárias, mediante a prática de injustiças, indo contra o mandamento de Deus, o que fez com que seus corações se corrompessem. Frequentemente, as riquezas excessivas apartam o coração humano da confiança em Deus (cf. Lc 12.13-21; 34).
2. A Corrupção
A corrupção diz respeito ao ato ou efeito de corromper. O profeta é categórico sobre a corrupção do povo de Deus em seus dias. Senão, vejamos: “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama os subornos e corre após salários; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas” (Is 1.23). A corrupção é coisa antiga e estava presente nos dias de Isaías. Na verdade, a corrupção vem desde os primórdios da humanidade, pois, de acordo com a Bíblia, ela já se manifesta na queda da humanidade no pecado (Gn 3). Nesse episódio, aprendemos que a corrupção está relacionada não apenas com deixar de ser puro ou ir contra o certo; ela também está ligada com a cobiça, ou seja, a corrupção diz respeito a não satisfação com o que se tem e, portanto, resulta em todo tipo de ação (ainda que desonesta) para obter o que se não tem.
Devemos considerar as formas de corrupção e o modo como elas envenenam nossas relações e dificultam todas as possibilidades de uma vivência sadia com Deus e com o próximo. Primeiramente, a corrupção pode assumir quaisquer formas diferentes, dependendo do lugar. Por exemplo, existe a corrupção política, a ideológica, a corrupção dos valores de uma família, a corrupção do evangelho, e por aí em diante. Em segundo lugar, é necessário também dizer que quando a corrupção é descoberta, ela já corrompeu todo um conjunto de barreiras éticas e morais. Isso pode ser explicado, por exemplo, com o fato de que a corrupção política descoberta no Brasil - motivo de debate hoje em dia - já está em várias áreas da sociedade brasileira, e a política é apenas um reflexo do estado interno da própria sociedade que escolheu fazer da corrupção e do “jeitinho brasileiro” um forte aspecto da sua constituição cultural.
Por outro lado, a oposição à corrupção é vista como símbolo de fraqueza, de caretice e medo ante a esperteza dos que, engodados pela cobiça, estão dispostos a passar por cima de tudo e de todos. Felizmente, a coragem do profeta Isaías para denunciar os pecados de Israel, assim como anunciar o juízo divino, bem como o exemplo de Jesus Cristo, nosso Senhor, são fontes de inspiração no enfrentamento da corrupção. Lemos nos Evangelhos que, por diversas vezes, Jesus foi tentado pelo Diabo a se corromper, por meio da ganância, da fama e da celebração do poder. Mesmo assim, Jesus não “se desviou com os assuntos deste mundo”, permanecendo fiel à missão recebida do Pai celestial (Mt 4.1-11). Dessa maneira, Jesus tomou-se modelo para todos aqueles que pretendem fazer a diferença no mundo, não se permitindo, assim, ser moldados pela corrupção do mundo (Rm 12.1-2).
3. A Idolatria
Jesus afirmou que onde estivesse o tesouro de alguém, ali estaria o seu coração (Mt 6.21), ou seja, o coração pode seguir as ações de alguém e vice-versa. O povo de Israel demonstrou isso ao permitir que a riqueza e a prosperidade começassem a desviar seus corações do Senhor, e isso os levou a adorarem falsos deuses e ídolos (Is 2.6-8). Qualquer coisa que tome o lugar do Senhor como prioridade última em nossa vida toma-se um ídolo. Este sempre é opaco, ou seja, ofusca aquilo que se quer buscar, passando a apontar para si mesmo. O ídolo serve como um substituto muito fútil para Deus. Inclusive a religiosidade e denominações religiosas podem se tomar um ídolo quando passam a manipular o povo para obter vantagens próprias e adquirir poder (não do Espírito Santo, mas de forças humanas), ou, quando elas se tomam um fim em si mesmas. O povo havia se dobrado diante da loucura dos povos pagãos e se ajoelharam diante de ídolos feitos por mãos humanas. Assim, a arrogância fez com que se instalasse a degradação moral, social e religiosa, muito semelhante aos dias atuais (Is 2.8).
II - O DIA DO SENHOR PARA ISRAEL
A expressão dia do Senhor no livro do profeta Isaías simboliza eventos futuros e escatológicos e também quer expressar o sentido de iminência e de gerar expectativa. Para Israel, era símbolo de que Deus viria destruir o mal e os pecadores (Is 13.9; J1 1.15; Sf 1.7), mas também como símbolo de estabelecimento de paz e prosperidade. Assim, o povo de Deus seria finalmente vingado por todos os sofrimentos impostos pelas nações pagãs que o dominaram, resultando em más condições económicas, sociais e políticas (Is 2.4). Sendo assim, esse dia possui tanto aspectos políticos quanto espirituais. Na realidade, na perspectiva profética do Antigo Testamento, não se separa política e vida religiosa, ambas se encontram entrelaçadas.
Contudo, o Senhor Deus é justo e não poupa inclusive ao seu próprio povo de Israel, quando este se envolve em pecados (cf. Is 2.6-10). Assim sendo, podemos constatar que os aspectos condenatórios do dia do Senhor que Israel acreditava se referir apenas aos seus inimigos acabaram por ter um cumprimento imediato e recair sobre si mesmo. Isso ocorreu quando o povo de Deus foi levado para os cativeiros assírio e babilônico, tendo as consequências que veremos adiante.
1. O Abatimento do orgulho
No dia do Senhor, a prioridade é dada aos pecados de Israel. No capítulo 2 de Isaías, o Senhor dirige a palavra de julgamento à Judá e Jerusalém. Israel é declarado culpado de muitos pecados, sendo a falta de autenticidade nos cultos, o orgulho, bem como a idolatria, os maiores exemplos. No capítulo 1, o Senhor diz que a adoração de Israel não é autêntica. O Senhor não tem prazer nos animais que eles sacrificam. Quando o rito externo da religião não vem acompanhado de atitude sincera e verdadeira do coração, o resultado só pode ser o descontentamento divino (Is 1.13-15).
Tal atitude displicente do povo para com Deus revela um coração orgulhoso, de quem se vê de modo distorcido, maior e melhor do que de fato é. Com isso se despreza o culto ao Senhor, incorrendo em falta de dependência de Deus (Is 1.4). Por isso, a demonstração da ira do Senhor contra os obstinados de Israel será violenta, de acordo com a estupidez que o orgulho traz consigo (Is 1.20; 2.12). Deus não permitirá que o fraco seja espoliado para sempre, conforme a profecia de Isaías (Is 1.26; 3.15). O dia do Senhor será tão pesado para Israel diante do pecado do orgulho que o profeta aconselha o povo a entrar nas rochas e se esconder no pó (Is 2.10). O pó era sinônimo de extrema humilhação. Nos tempos antigos, quando alguém queria demonstrar humilhação diante de uma atitude errada, sentava-se literalmente no pó, por vontade própria; aqui, porém, o profeta está dizendo ao povo que, como eles não o fizeram por vontade própria, eles seriam forçados a fazê-lo diante da calamidade que viria.
2. A Destruição da idolatria
O profeta denuncia a idolatria de Israel, em que a criatura é servida como se fosse Deus (Is 2.8-9). Ainda hoje, muitos entre a humanidade adoram obras feitas por mãos humanas, em explícita ofensa ao Criador, o único digno de adoração. Essa descrição profética de acusação de Israel pode ser relacionada ao materialismo atual, onde o ser humano atribui grande valor aos objetos materiais, em detrimento das pessoas.
Também, em nossos dias, o valor das pessoas é medido pela quantidade de bens que conseguem angariar; dessa forma, os pobres e marginalizados são desprezados e desvalorizados. Há apreço apenas pelos ricos e afamados, e, assim, a soberba humana é cultivada enquanto Deus é desprezado. Mas chegará o dia do Senhor, em que a glória da sua majestade afugentará os pecadores. Nesse dia, os soberbos serão abatidos e humilhados. Apenas o Senhor Deus será exaltado naquele dia (Is 9.2-12). Então, haverá um reconhecimento de que a idolatria para nada serve (Is 2.20); quando perceberem que toda inclinação aos ídolos lhes colocou em mais apuros, eles os lançarão todos ao chão (Is 2.18,20), demonstrando que finalmente reconhecem que não têm valor. O dia do Senhor para eles será tão angustiante que eles se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra (Is 2.19, 21). Nesse dia, eles reconhecerão que há somente um Deus verdadeiro.
3. O Estabelecimento da paz completa
Quando Israel reconhecer o senhorio do Senhor e receber o Messias como o enviado de Deus para restaurar a nação, então se estabelecerá a verdadeira paz e prosperidade. Será um período tão esplendoroso para Israel que as nações de toda terra afluirão para Jerusalém para aprender sobre os caminhos do Senhor e haverá justiça em toda terra (Is 2.1-4).
Nesse dia, quando Jesus Cristo reinar sobre todos, haverá uma grande mudança no rumo das nações: os orçamentos militares serão utilizados para o desenvolvimento agrícola; espadas e lanças (armas) serão convertidas em enxadões e foices. E finalmente, o mundo estará em paz, vivenciando o shalomde Deus: “Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear” (Is 2.4; 60.18; Ap 21.3-4). Trata-se, sem dúvida, de uma grande promessa para o nosso mundo, uma vez que, todos os anos se gastam milhões de dólares na fabricação de armas de guerra em todo o planeta. As mais poderosas nações estão continuamente reforçando seu aparato militar. Há em todo o mundo um clima de guerra iminente no ar, especialmente com o crescimento da tensão entre o Oriente e o Ocidente, devido aos crescentes atentados por parte de grupos extremistas islâmicos, etc.
Portanto, o medo está por toda parte, não há paz no mundo. Mas no futuro prometido pelo Senhor, ninguém mais precisará temer a guerra. Não serão mais investidos recursos econômicos em ferramentas que fomentam a morte e o medo, porque reinará o príncipe da paz, Jesus Cristo.

III - O DIA DO SENHOR PARA A IGREJA
As imagens de Isaías concernentes ao dia do Senhor nos concedem uma base muito rica para a leitura do dia do juízo, de acordo com o Novo Testamento. Porém, precisamos considerá-lo não apenas teoricamente, como algo distante de nossa realidade presente, mas também devemos aplicar a ameaça e promessa inerentes ao dia do Senhor para a realidade eclesiástica. Não basta sermos cristãos apenas nominais, que conhecem as profecias bíblicas, mas que não andam em conformidade com a justiça. Portanto, quando a justiça na comunidade não é o objetivo do povo de Deus, quando guerras, pobreza, preconceito e outros pecados são aceitos como inevitáveis e a segurança é baseada em condição étnica, eclesiástica ou socioeconômica privilegiada, então, o dia do Senhor, que é essencialmente futurístico, tem algo a nos dizer no presente. Sua mensagem nos confronta no dia de hoje.
Nesse sentido, o livro de Isaías não deve ser interpretado fora do seu contexto no que diz respeito a sua mensagem, mas podemos extrair dele princípios que podem ser ampliados para a Igreja. Lembrando também que a palavra profética pode ser subdividida em pelo menos três grupos:
1. Profecias sobre o povo de Israel;
2. Profecias sobre a obra futura do Messias;
3. E, por fim, profecias sobre a sequência dos últimos acontecimentos.
Esse terceiro grupo não está relacionado unicamente ao povo de Israel ou à comunidade cristã primitiva, apesar de elas serem anunciadas no contexto desses dois momentos históricos. As profecias do terceiro grupo se ampliam para cumprir a ação de Deus sobre a história final da humanidade, onde se juntarão todos os povos e se dará o fim histórico dessa era.
Decerto, devemos ter em mente que, apesar de Deus transmitir sua mensagem em tempos diferentes e de modos específicos, sua intenção com a sua criação permanece a mesma: chamar a humanidade para a reconciliação com Ele (Is 55.1-3; Hb 1.1-2). Esse objetivo divino permite a compreensão da mensagem de Isaías, ou seja, o sentido das suas palavras para nossos dias. Isso ocorre a partir do momento em que entendemos que existe um “elo” entre a ação de Deus sobre Israel e a ação de Deus sobre a Igreja: o cuidado e o interesse salvífico de Deus sobre o seu povo. Por outro lado, é necessário entender que a Igreja é a ampliação do projeto de Deus para com Israel, que, na verdade, era um projeto que deveria se ampliar para a humanidade toda (cf. Rm 11). Deus anuncia o seu dia porque deseja, antes de tudo, restaurar a criação e levá-la ao estado perfeito de seu projeto original.
1. A Preparação para a vinda de Jesus
O dia do Senhor para a Igreja expressa também a ideia de julgamento, juízo e condenação. No Novo Testamento, Mateus 25.31-46 descreve o discurso escatológico de Jesus, que termina assinalando a separação que haverá entre os salvos e os não-salvos. Assim, o dia do Senhor convida a Igreja a atentar para a Palavra de Deus em obediência para que estejamos incluídos no grupo dos salvos. “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tg 1.22 — versão NVI). A vinda de Cristo será precedida por uma grande proliferação de abandono das leis do Senhor, querendo a humanidade estabelecer substitutos para o culto a Deus (2 Ts 2.3-4).
Algumas criações que a humanidade realizou ao longo da história, tais como o consumismo, a confiança excessiva na parafernália tecnológica e a centralização excessiva na capacidade de governar a vida podem ser maneiras de expressar o abandono da dependência que devemos ter do Senhor. Dessa forma, resulta no mesmo caminho de perdição que os israelitas percorreram. A autossuficiência, o orgulho e a arrogância também são considerados problemas que nos seduzem a retirar Deus do centro de nossas histórias. Por conseguinte, tal como Isaías chamou o povo a voltar para os caminhos do Senhor, o Espírito Santo nos convida o tempo inteiro para um retomo à dependência de Deus e também concedermos a Ele a centralização em nossa história de vida. A promessa do dia do Senhor para a Igreja é o lembrete de que o dia do homem (tempo histórico) é passageiro, mas que o dia do Senhor (eterno) se estabelecerá de forma definitiva e perene.
2. Como será este dia?
Ao longo da tradição cristã, o dia do Senhor é frequentemente associado à segunda vinda de Cristo. Existem várias correntes que tentam interpretar como será o grande dia do Senhor. Como fruto disso, surgiram algumas interpretações como milenistas: pré, pós e amilenistas; e também as concepções tribulacionistas: pré-tribulacionismo e pós-tribulacionismo.
A principal perspectiva cristã é a pré-tribulacionista, ou seja, a que acredita na obra de Cristo que removerá a sua Igreja do mundo antes da Grande Tribulação. A Tribulação será uma das formas de manifestação do juízo de Deus para com aqueles que não viveram de acordo com a sua Palavra. A Bíblia se refere a esse período como um dos mais terríveis dias da história da humanidade, considerando os acontecimentos que vivenciarão os que ficarem na vinda do Senhor. Mas para os salvos, será o encontro com o seu Senhor e Salvador, um evento de grande celebração (1 Pe 4.13), pois culminará na redenção final. Para esses, Jesus voltará do mesmo modo que partiu, ou seja, ascenderá dos céus (At 1.11; Ap 1.7). O apóstolo Paulo dá-nos uma ideia de como será: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16-17). Cabe, aqui, um alerta: não devemos tentar decifrar como exatamente esses eventos ocorrerão, pois o importante é que o Senhor nos transmitiu a mensagem de que será um tempo novo na história, onde se manifestará a plenitude do Reino de Deus: o seu grande dia.
3. Atitudes diante do dia do Senhor
O futuro é preocupação de todo ser humano, pois a incerteza gera, na maior parte dos casos, angústia e desconforto. Talvez o povo de Israel e a Igreja Primitiva tenham passado por essa experiência de ter que lidar com as incertezas do futuro. Por isso, o Espírito de Deus revela alguns sinais para sua Igreja mediante a Escritura de como será o dia do Senhor. Mas devemos entender que são apenas sinais que nos auxiliam na percepção da experiência gloriosa do Reino, não devendo ser tidos como únicos e últimos. Além disso, não devemos nos esquecer também de respeitar a linguagem do gênero literário apocalíptico para nos ajudar a entender de maneira adequada a mensagem do grande dia do Senhor. Precisamos ter cuidado para não ficarmos focados no quando e no como será o dia do Senhor, a ponto de nos esquecermos de quem está voltando. A atitude deve ser de grande expectativa para com o amado das nossas almas, aquEle que por nós deu sua vida para nos resgatar da morte e do Inferno. Jamais a riqueza, a prosperidade ou o trabalho devem servir de impedimento para a expectativa da vinda do Senhor Jesus (1 Ts 4.13-18). Não pode haver a fuga do presente, um descaso com tudo como desculpa de Sua vinda, nem viver ignorando a volta dEle como se Ele nunca fosse voltar. No entanto, a promessa de restauração e triunfo final da glória do Reino que vai restaurar a justiça, acabar com o choro e destruir o poder da morte e de Satanás precisa nos convidar a ir ao encontro desse cumprimento final.
O Senhor nosso Deus, em sua graça, não deseja que sejamos uma Igreja que foge dos desafios da realidade social, econômica, política e pecaminosa de nossos tempos. Nossa missão não se destina a esperar unicamente a concretização do dia do Senhor. Pelo contrário, por existir a certeza de que Jesus Cristo virá, então devemos nos lançar no mundo, anunciar essa restauração futura e mostrar o que Deus tem preparado a partir de sinais presentes em nossa realidade. Noutras palavras, a Igreja é desafiada a: enxugar o choro dos que choram, porque no Reino futuro não haverá choro; pregar o evangelho para os aprisionados, porque o Reino de Deus é de liberdade; restaurar famílias, porque o Reino de Deus é de restauração; e a pregar e viver a justiça, porque o Reino de Deus é de Justiça.
O Dia do Senhor é o momento histórico aguardado pela Igreja de Deus com expectativa e esperança. É o momento em que finalmente o projeto de Deus se tomará pleno e sua glória será manifesta a todos e sob todas as formas. Nessa esperança é que deve residir a força que nutre a Igreja de continuar a pregar a justiça e a salvação a todos os povos (Mt 28.19-20; Rm 8.18-25; Ap 21.1-7).

http://www.ensinadorcristao.com.br/Autor: Claiton Ivan Pommerening